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Mustang Sally – Gorgonzola Burger

21 Fev

Ah, o Batel. Gente bonita e cheirosa, mendigos educados, carros importados e preconceito e hipocrisia no ar capazes de deixar a atmosfera grossa como gelatina. É no coração desse glorioso bairro da elite curitibana, construído na base de muito tiro e coronelismo que se situa o Mustang Sally fine burgers, um bar temático que é um mix de cultura de motociclista tiozão, comida mexicana e rockabilly dos anos 50 e 60. Ou seja, tudo aquilo que chegou até nosotros latinoamericanos via enlatados hollywoodianos como a epítome do badass, do mauzão, do James Dean (meninas que têm poster do James Dean na parede: se vocês acham aceitável morrer de tesão por um morto, me deixem em paz com meu fascínio pela Eva Braun), do selvagem da motocicleta, do born-to-be-wild, do johnny-be-good e outras generalidades. Como o próprio nome diz, porém, uma das especialidades da casa são os hambúrgueres, e entre um vasto cardápio que inclui hambúrgueres temperados com cerveja Guiness e Jack Daniels, há um que não fugiu a vista quando passei os olhos pelo cardápio: Gorgonzola Burger.

Você não leu errado. Como o nome a foto acima sugerem, é em todas as suas qualidades um hamburger normal, mas com gorgonzola, o glorioso blue cheese italiano. Sou suspeito para falar, pois poderia passar o dia comendo gorgonzola sem nunca enjoar do gosto (claro que uns copos d’água cairiam bem, porque o queijo é forte), então pedi.

Antes do hamburger chegar, a primeira decepção do recinto: a porção de fritas que pedimos como entrada deve ter sido ignorada na cozinha, e fomos obrigados a cancelar o pedido quando os primi piatti chegaram.Tudo bem que já vinham mais fritas no lanche, mas as papas belgas, como já mencionamos anteriormente, nunca são demais. Enfim, ponto negativo pro atendimento, may your soul burn in hell.

A foto já indica o segundo problema no Mustang Sally: esse gorgonzola não está derretido. Está, no máximo, quentinho pelo calor da carne do hamburger. Sei que o gorgonzola perde um pouco de suas propriedades quando esquentado, mas quer saber? Se eu quisesse ir a uma degustação de queijos e vinhos, estaria em outro lugar. Quero ver no meu sanduíche o cross-over antropofágico, a apropriação indevida da haute cuisine no meu junk-food nosso de cada dia, a transgressão, a heresia, a rebeldia desses ousados chefs que quiseram colocar a arte da pasteurização milanesa em rota de colisão com o enfant terrible da invenção do 4º Conde de Sandwich. Ao invés disso o que encontrei foi uma placa de petri muito bem alimentada — muito bem cortada, por sinal — em baixo de um pão com gergelim. Por esse tipo de consistência eu fico em casa, amigão.

E aí vem a terceira mensagem secreta de Nossa Senhora do Hamburger: esse sanduíche, amigo, está mais seco do deserto do Atacama! O pão é uma secura que só, se despedaça em flocos de trigo em cada mordida, a carne, que até poderia ser mais generosa, passou do ponto e ficou com aquela consistência de areia sabor carne, e a quantidade de maionese que colocaram por baixo mal dá pra fazer um lençol freático que satisfaça os anseios desses retirantes do McDonald’s. O jeito foi pedir mais maionese ao garçom e tascar-lhe o sachê. E acho que isso é permitido num trailer ribeirinho de lanches com um nome imbecil do tipo “Mc Regato” e um chapeiro com camisa do Iced Earth,  mas nunca numa hamburgueria de respeito. A única customização que se permite nesse caso é colocar ou não ketchup. O resto deve vir na medida da arte desses que dizem possuir os tais “fine burgers”. E não veio. Faltou umidade pra dar liga, faltaram sucos viscerais na carne (melhor ser vegetariano e comer hamburger de soja então), faltou frescor no pãozinho e faltou óleo de queijo derretido no queijo. Se a foto tá bonita, o mérito é do Murilo, porque o modelo aqui é difícil de trabalhar.

Ante uma experiência gastronômica decepcionante, uma coisa se salva: as batatinhas fritas que veem sequinhas e ainda assim, sem sal, para salgar a gosto (outra customização permitida), douradas e fritas no ponto certo. Infelizmente, o ponto alto fica só nisso.

Ficha técnica:

Gorgonzola Burger

Ingredientes: pão, carne, gorgonzola e maionese.

Preço: R$24,90 (50% de desconto das 17h às 20h)

Ponto alto: batatas fritas no ponto.

Ponto baixo: hamburguer seco, pão seco, queijo pouco derretido, pouca maionese e logística que não nos permitiu desfrutar de uma porção de fritas antes do prato principal.

Avaliação: D+

O Mustang Sally fica na Rua Coronel Dulcídio, 517, no Batel. Curitiba-PR e funciona diariamente a partir das 17h. (41) 3018-8118.

 
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Publicado por em 02/21/2012 em Uncategorized

 

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