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Arquivos mensais: Abril 2012

Dom Corleone – Trainspotting

Mas o que tem a ver o Poderoso Chefão com a belíssima obra de Irvine Welsh adaptada para o cinema por Danny Boyle, vocês me perguntariam, alheios ao fato de que isto não é um blog sobre cinema e à existência do simpático Bar Dom Corleone que outrora ocupou um lúgubre e escuro ponto da Constatino Marochi, no Juvevê e hoje situa-se no tão hypado São Francisco, na rua Paula Gomes, pertinho d’O Torto, estabelecido enfim como mais uma hamburgueria a disputar o cinturão do quarteirão mais palatável aos apreciadores da invenção alemã aperfeiçoada no continente americano.

Pelo que me consta, o estabelecimento que hoje é frequentado pela galera rockabilly, punk e skinhead antes era uma locadora de vídeos (sim, vídeos, meu filho, era como o papai e a mamãe assistiam filmes em casa antes de você nascer). Por isso, o lugar é decorado com alguns pôsteres muito bonitos, como o do já citado filme Trainspotting, Johnny e June e outros referentes ao universo iconoclasta e badass que o ambiente sugere. Por essa razão também o cardápio, ilustrado com frames de filmes do cineasta Pedro Almodóvar (com certeza menos badass, mas ainda assim mutcho loko e digno de todo o nosso respeito), leva em seus pratos nomes de filmes famosos. Entre eles o já duplamente citado Trainspotting, minha escolha do dia, que não era um dia qualquer. Acontece que na terça-feira acontece algo mágico no Dom Corleone: o Double de hambúrguer, algo que é ainda mais sensacional e desafiador do que meramente pagar 50% do preço dos pratos. É exatamente o que o nome sugere: você paga um e recebe outro hambúrguer instantaneamente. A parte ruim é que as batatas fritas que normalmente acompanham todos os lanches ficam de fora da promoção, insinuando um condescendente “aí você quebra a firma do parceiro!”. Mas não tem problema, sempre é possível pedir batatas fritas se o estômago se julgar forte o bastante para aguentar um lanche dobrado (o que não foi o nosso caso). Queríamos experimentar esse esboço de orgia gastronômica em plena terça-feira à noite, então lá fomos e eis o meu pedido:

Dom Corleone

O Trainspotting é um dos hambúrgueres mais básicos do cardápio. É o popular cheeseburger com cebola e molho (falaremos dele depois). Primeiramente – e eu sei que esse é um exercício de abstração que não é dos mais fáceis, mas peço o esforço da tentativa – imagine o abalo psicológico do cidadão ao receber dois pratinhos com dois colossais hambúrgueres cuja consumação está completamente sob sua responsabilidade. Eu, pelo menos, senti-me um Sísifo por antecipação, consciente da minha incapacidade de vencer o trabalho hercúleo e pírrico (para fazer mais duas citações à história antiga), mas respirei fundo, afrouxei o cinto e dei a primeira mordida.

Bom, eis que agora me deparo com uma situação no mínimo curiosa. Como vocês sabem, existiram dois hambúrgueres, mas não eram clones. Um deles estava bom, o outro estava ruim – corroborando a suspeita frenopática que atesta invariavelmente a existência de um gêmeo mau. Quer dizer, não estava ruim per se, estava ruim por comparação direta. Digamos que temos aqui um hambúrguer ideal, weberiano, e um hambúrguer do reino dos homens, com suas falhas de caráter, um hambúrguer que cede e perece ante a inexorabilidade do tempo, um hambúrguer shakespeariano, se preferir. Bom, um modelo é uma mentira que nos ajuda a ver a verdade, já dizia o famoso patologista e prêmio Nobel de medicina australiano Howard Florey, de modo que falemos do hambúrguer “bom” para entendermos o “ruim”.

Algo inerente aos dois sanduíches, porém, é o pão, topo de tudo, inclusive da nossa análise. O pão do Dom Corleone não é (ou não parece, mas não parece de jeito nenhum) um pão caseiro. É um pão comprado, e como todo pão comprado para estabelecimentos comerciais, passa por todos os percalços da gerência de alimentos que qualquer estudante do segundo ano de Turismo conhece. De modo que a estocagem e a rápida vazão são as mais importantes da lista, e o pão em questão tinha um gosto que remetia ao daquele que permanece alguns dias no limbo da dispensa antes de ser sacado pela boa mão do chef. Massudo como é, e não-caseiro como é, o pão não é um ponto alto do Trainspotting, mas mesmo assim tive uma experiência agradável de nostalgia, porque o sabor daquele pão, em combinação com o molho secreto à base de maionese remeteu-me à minha infância de hambúrgueres caseiros, quando o que se vendia no mercado era um tanto melhor do que há hoje, e minhas tias de Lorena preparavam-me pantagruélicos banquetes de hambúrguer regados a muita maionese e caprichados nos pães massudos comprados no armazém da esquina.

A principal razão dessa associação foi o molho do Trainspotting. Por mais que não se saiba ao certo os ingredientes (embora seja possível distinguir um pouco de gosto de mostarda e maionese), o importante é o estado de abundância em que o encontramos. Penso assim: o molho e a salada de um sanduíche são como o baixo e a bateria de uma banda – parte instrumental comumente chamada de cozinha. Estão lá principalmente para compor o pano de fundo musical protagonizado pela guitarra e vocal, instrumentos mais apreciados pelos ouvidos. Quando num sanduíche, como o Trainspotting, o chef resolve carregar no molho, está querendo mandar uma mensagem. Quer parar de fazer punk rock e começar a fazer funk metal. Dessa forma, o baixo, tão coadjuvante quanto um DeeDee Ramone, vem para a frente e se torna ativo como um Flea, um Les Claypool, um Stanley Clarke, um Charles Mingus, o que seja, quer jogar no ataque também. E é a isso que o molho secreto do Dom Corleone serve. Na ausência do tão onipresente alface, faz uma tabelinha na grande área com a carne e o queijo para botar nossas papilas gustativas para trabalhar. E a tática dá certo: o molho confere ao bolo em processo de mastigação, a sensação coloidal que só um legítimo coloide poderia validar. É essa a sensação que buscamos no hambúrguer, e é por isso que comemos hambúrguer e não granola. Quero uma comida budista, que quer se tornar um só com o todo. Yeah!

E o queijo? Bom, a qualidade do queijo pode ser atestada na própria foto. Enquanto um queijo está bem derretido, fresco e entrando em comunhão com o molho, o outro está frio, mal derretido, semi-transparente e pálido como um pedaço de placa dentária posta sobre a carne. No hambúrguer ideal, o queijo está excelente, harmônico e solidário com os outros ingredientes. No hambúrguer shakespeariano, o queijo é egoísta, um queijo yuppie, pós-moderno, preocupado apenas em cuidar de si mesmo mal percebendo que nem isso faz direito. Não precisamos de queijos negativistas por essas bandas.

Eis que chegamos então ao protagonista da história que, no final das contas, é o que menos serve como base de comparação. Acontece que todo mundo que se presta a montar uma hamburgueria sabe (ou suspeita ou está piamente convencido) de que sabe fritar um hambúrguer, e que o resto, ante sua destreza divina, são detalhes que se aprimoram ao longo do tempo. Por isso, a carne é quase sempre o indiscutível num hambúrguer cá comentado. A carne do Dom Corleone é excelente, maaaaaaaaaas, como eu disse, há um gêmeo mau entre nós. No hambúrguer shakespeariano, a carne não estava rosada, não segurava seus sucos vitais e logo esfriou (e olha que foi o primeiro que comi). Diante dessa última característica do raio-x de nossa espécime malévola, começo a formular uma suspeita: um dos hambúrgueres foi inteiramente montado com ingredientes do dia anterior. Como fomos as primeiras pessoas a chegar no lugar e pedir os primeiros pratos da noite, um deles acabou sendo feito com carne congelada e queijo já cortado. Eu acho. Só isso explica, porque o outro hambúrguer deixaria Weber orgulhoso de ver seu Gedankenbild materializar-se ante seus olhos. A carne ideal é macia, suculenta, mantém-se quente por mais tempo (algo muito importante agora que o inverno está chegando. Brrr, brace yourselves), segura líquidos vitais (vitais para o animal que já morreu, mortais para nós que estamos vivos) e mantém um leve tom roseado em seu interior, digno dos campeões da terrible cuisine. E o melhor: tudo isso por apenas míseros nove reais!

Ah sim, não resistimos à brincadeira de tirar uma foto de todos os nossos quatro hambúrgueres quando estes chegaram. Dê uma olhada e divirta-se como nós nos divertimos com essa missão.

Ficha técnica:

Trainspotting

Ingredientes: Pão, hambúrguer (a garçonete jura que é de 190g, mas eu acho que é uma mãozada instintiva que gira em torno dos 150, 170g), molho especial, cebola e mussarela.

Preço: R$9 + R$3 do refrigerante lata. Sério, é uma pechincha e se você discorda, você tá errado.

Ponto alto: Molho que joga no ataque, carne saborosíssima, queijo em consonância com o universo. Tudo isso no hambúrguer bom. Sem falar na promoção irresistível. Vale a visita.

Ponto baixo: Diante da presença de um gêmeo do mau, diria que o ponto baixo é um só: irregularidade. E o pão poderia ser mais gostoso.

 Avaliação: B-

O Dom Corleone fica na Rua Paula Gomes, 296, no São Francisco. Funciona de terça a sábado das 19h até sei lá que paneladas da madrugada.  (41)3353-6626.

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Publicado por em 04/26/2012 em Uncategorized

 

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Hamburgueria do Vicente – Pesto Mio

A Hamburgueria do Vicente foi uma missão especial para nós. Pela primeira vez, deixamos nossa caminhada peripatética até alguma hamburgueria dentro de nossas cercanias e nos aventuramos automobilisticamente Vicente Machado acima para encontrar o que muitos apontam como uma das melhores casas da cidade especializadas em carne moída no pão do jeito estilizado e compactado que só quem tem ginga na meia-cancha sabe. Pegar o carro para ir até o bairro vizinho e comer um hambúrguer é marca de profissionalismo na minha humilde porém infalível opinião.

A Hamburgueria do Vicente, além de ser mocada numa casinha que em pouca coisa se parece com um estabelecimento comercial – quando muito o cartaz no muro ao lado (vide foto abaixo), tem um estilo dúbio de decoração: um flerte entre o popular e o refinado. De um lado, grades na janela e uma logo que mais parece logo de trailer de hamburgão nervoso com slogans escritos na mesma fonte do Burger King (como se os símbolos das duas lojas já não guardassem terríveis semelhanças): do outro, cardápios chiques, mesas e sofás feitos sob medida e um preço que obviamente não foi feito para quem chegou ali de ônibus. Algo que provavelmente passa por uma evolução do conceito de “rústico chic”, que fez a cabeça da galeria ligada em gentrificação e remodelações urbanísticas a partir de construções degradadas. Obviamente, o próximo passo lógico dessa reciclagem imobiliária era repaginar as casinhas que você ganhava no peão da casa própria, então cá estamos!

O cardápio do recinto, como já foi falado, é variado, o que, em parte me levou a escolher o lanche que escolhi. Ora, não vim de tão longe para comer o feijão-com-arroz em forma de hambúrguer, vim ver o que há de transgressor na cozinha do Vicente. E, amigo, o Pesto Mio é pra lá de transgressor. Afinal, não é todo dia que a gente vê um hambúrguer com molho pesto, tomate e coberto com uma generosa camada de queijo provolone semi-derretido. Veja com seus próprios olhos:

Convenhamos que a apresentação do prato é bonita, com o tradicional matinho e tomatinho decorativo e uma cobrinha de vinagre balsâmico mas, vem cá: que batatinha afetada é essa que me deram? Vejam, a forma como certas comidas se apresentam fazem toda a diferença. Comer um x-picanha com picanha picada dentro de um pão certamente é diferente de comer um pão com um pedaço inteiro de picanha dentro (a experiência exige caninos treinados em anos de evolução predatória), assim como comer macarrão com pão italiano é diferente de comer macarrão com torradas. Essa batatinha chips que acompanha o lanche é a típica invenção fora de hora, que urge do âmago do inventivo chef que não suporta ficar duas semanas sem inventar moda. Ou, vai saber, alguma memória deturpada da infância – do mesmo tipo que faz o cara comer algo que objetivamente não é gostoso só porque tem “gosto de infância”, tipo, sei lá, acerola. Mas definitivamente não é algo que combine com um lanche suculento e gorduroso como um hambúrguer. Guarde suas chips para suas saladinhas insossas, amigão.

O pão esconde embaixo de si suas surpresas, e a carne também. Falemos delas, mas primeiro, dê uma olhada nessa foto:

Hamburgueria do Vicente

Primeiro, observe a maciez que os corpos cavernosos nesse pão sugerem à superfície. Esse tipo de coisa não se consegue com um pão que não é fresco. Esse pão foi assado provavelmente há pouquíssimas horas antes de vir parar nas minhas entranhas, e boa parte do big picture do hambúrguer se ganha no pão – porque veja, comprar um pão no supermercado, cortá-lo e colocar um hambúrguer dentro, isso qualquer um faz. Mas o cara que quer dominar a arte da hamburgueria tem que passar umas horas amassando o pão que faz a raça. E como vocês sabem, todo BOM restaurante italiano hoje em dia tem a sua padaria – senão dentro do restaurante, alguma conveniada onde pode pegar mercadorias fresquinhas. Mas esse pão não é de todo uma perfeição. Para quem dispensar os talheres e se aventurar a comê-lo com a mão – me perdoem, mas o propósito de John Montagu ter inventado o sanduíche foi justamente poder comê-lo com as mãos – vai encontrar um farináceo em seu porão. Como não pedi nenhum ciabata ou coisa que o valha, o farelo (provavelmente a base de milho, a julgar pelo seu tom amarelado), é um indicativo de forma excessivamente untada, e a culinária, na minha opinião, não se faz encobrindo os erros nivelando tudo por cima: há de se saber encontrar o ponto ideal a que apenas a prática repetida pode alcançar.

O queijo é uma deliciosa surpresa. Eu mesmo que nunca fui muito fã de provolone, espantei-me de ver o quão bem ele se encaixa com a tessitura umidamente árida do molho pesto. Normalmente acompanhado de queijos secos, como o pecorino ou o parmesão, o pesto é o cátodo que pede um anodo em forma de consistência e ligadura que geralmente é correspondido pelas massas. Mas o provolone, capaz de soltar seus óleos quando quente sem contudo perder sua propriedade sólida, funciona como um sistema de irrigação que aflora o sabor do condimento lígure, dando a ele uma propriedade quase etérea, como se a função do pesto fosse, com o perdão do trocadilho, pestear não a comida, mas nosso olfato a se perceber mais impregnado pela mistura de manjericão, azeite, alho e outros segredos. Diria que, entre o vasto universo dos queijos que se poderiam ter usado para compor o Pesto Mio, o provolone foi o mais acertado.

Mas afinal, e a carne? Bom, a carne, como vocês podem ver na foto acima mais uma vez, a carne tem um teor considerável de gordura (em torno de 15%, se eu tivesse que chutar) mas, mesmo assim, os sucos vitais se vão, deixando apenas o sabor numa carne surpreendentemente mais seca do que deveria ser. Veja, com 15% de gordura na carne, eu não espero nada menos do que uma bexiga de carne liquefeita exalando aromas inebriantes e escorrendo sangue e água corpórea. Se o sujeito deixa a carne passar do ponto – não necessariamente deixar bem passada, mas apenas passar do ponto que manteria essas condições ideais do hambúrguer – o valor da carne com gordura se perde em reações exotérmicas de cozinha barata e todo mundo sai perdendo: o chef perde em dinheiro e em reputação, eu perco em sabor e expectativa. Mesmo assim, a carne não é ruim e não é passada demais, mas é boa e levemente irrigada com o óleo do provolone.

Ah sim, o prato vem também com um potinho de maionese todo enfeitado. Como se fosse a coisa mais chique do mundo comer maionese. Na verdade, a maionese em questão é bem desagradável, com um sabor acentuado de cebola e limão, só fazendo sucesso mesmo com quem é do time da tampinha verde. Para as pessoas normais do juízo, é só uma maionese ruim.

Ficha técnica:

Pesto Mio

Ingredientes: Pão especial (especial mesmo), hambúrguer do Vicente (shame on you, seu Vicente), molho pesto, tomate, e muito queijo provolone derretido.

Preço: R$19,80 + R$ 3,20 refrigerante lata. Geralmente reclamaria desse tipo de preço, mas o Murilo está me ensinando a não reclamar do preço alto da carne porque, enfim, a carne já cobra seu preço alto na vida de outros animais. Uma compensação kármica/capitalista, se preferir.

Ponto alto: Pão excelente, combinação perfeita entre provolone e molho pesto e uma decoração apresentável. A carne também é saborosa.

Ponto baixo: Carne seca, batatinha chips afetadas e um preço salgado (tá, ainda tô reclamando do preço)

 Avaliação: B-

A Hamburgueria do Vicente fica na Av. Vicente Machado, 1.927 – Batel. Funciona de terça a sexta das 11h30 às 15h e das 17:30 às 23h30. Sábados e feriados das 12h às 23h30 e domingos das 13h às 22h.  (41) 3024-4171.

 
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Publicado por em 04/20/2012 em Uncategorized

 

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Hamburgueria do Vicente – Double

A Hamburgueria do Vicente é das mais antigas e acho que a primeira hamburgueria dessa leva de hambúrgueres bacanudos que hoje (felizmente) são moda em Curitiba.

Uma das primeiras coisas que pensei foi: “Que lugar bonito”, não tem cara de lugar da moda, não é cheio de enfeites, não é meio escuro e com cara de pré-balada, não tem aquele lance meio underground, meio rock and roll como o Don Corleone, Barba Negra, ou o Rock’a Burger.
Lugar bem frequentado, famílias que parecem vindas de alguma propaganda de televisão, galera jovem no estilo Malhação e agora também a plebe rude (nós). Apesar do público bem Batel e não ser a minha cara, eu levaria meus pais lá (se eles comessem essas porcarias que tanto gostamos), minha namorada (se eu tivesse uma), e até meus filhos uma vez por semana (se também os tivesse).
Confesso que gosto muito mais de um lugar assim do que os outros citados no parágrafo anterior, é muito mais tranquilo, menos barulho, as pessoas vão para comer e conversar, não para ficar reparando na garota de regata lésbica, bêbada e de cabelo parcialmente raspado, ou se o cara da mesa ao lado tem mais tatuagem de marinheiro que o outro, essas coisas para as quais não tenho mais idade nem paciência.

Enfim, vamos comer!
São 15 diferentes opções de hambúrgueres, o Vicente não está para brincadeira, são especialistas no negócio e a parada é leva a sério. Ingredientes selecionados, acompanhamentos produzidos por eles mesmos e algumas opções únicas fazem parte do repertório dos caras.

Escolhi o Double, nem tinha pego o cardápio e já tinha escolhido pela foto no papel na mesa, como boa criança, tenho o olho maior que o estômago e escolhi pela cara e pelo tamanho.

Nossos dois sanduíches ficaram prontos em apenas 6 minutos, e detalhe para a boa apresentação do prato. Esses detalhes de apresentação são legais, faz parecer que o prato foi feito individualmente mesmo sendo produzido em série.

Chega à mesa os dois andares de hambúrgueres que poderia ser chamado de X-Montanha (se o Seu Zé do Montesquieu sabiamente já não tivesse se apropriado do nome).
No caso do Double é humanamente impossível comer com as mãos e colocar tudo aquilo na boca de uma vez, a menos que você tenha uma boca de caçapa ou consiga deslocar a mandíbula feito uma cobra.

Acho que o Vicente e eu temos uma divergência sobre a definição de uma carne “no ponto”. O no ponto deles pra mim já está praticamente bem passado. Então foram 340 gramas de carne bem passada, mas ainda assim bem boa, acompanhada de bastante queijo e catupiry quentinho (já repararam quantas vezes, normalmente em cachorro quente de rua, o catupiry vem frio, aí você come aquela parada gelada e quente ao mesmo tempo? Não é legal).

O pão é produzido por eles mesmos com “levedos naturais” e tem gosto de pão caseiro, mas por causa das leveduras especiais ele fica mais leve e aerado, e um puquinho quebradiço.
Contudo, por ter gosto de pão caseiro eu ficava imaginado aquele pão aqui em casa, quentinho, com a margarina derretendo (tipo pão que a mãe faz …rolou um momento saudosista) e não no sanduíche.
O ponto fraco é o bacon cortado em pequenos pedacinhos, precisei fazer uma incisão no bicho para descobri-lo entre os dois hambúrgueres, pois quando comecei a comer fiquei na dúvida se o raio do bacon estava lá ou não.
E convenhamos, quem pede dois hambúrgueres desse tamanho, com um monte de queijo, não está preocupado com a saúde e espera que o bacon seja proporcional. Umas duas tiras pelo menos, vá!

Acompanhamento de batatas fritas palito, crocantes, douradas e sequinhas, padrão Classe A.

Outro ingrediente preparado por eles e exclusivo, é a maionese (ah, mas até o Come-Come tem a sua própria maionese, sinistra por sinal).Uma maionese basicamente com gosto de cebola, como não curto muito cebola, deixo passar.

O lugar começou a encher, os garçons começaram a passar mais vezes perguntando se estava tudo certo, se queríamos mais alguma coisa, tenho a leve impressão que queriam que nós desocupássemos o lugar.

Uma última observação: lembram que comentei dos pequenos guardanapos do Mustang Sally? Pois aqui o guardanapo é gigantesco, tipo 40x40cm. Mas não coloquem na gola da camiseta como um babador, vocês estão no Batel, finjam que tiveram aulas de etiqueta. O guardanapo é para embrulhar bem o sanduíche e comer sem se sujar.

É o melhor? Não acho que seja o melhor.
Mas é bom? Claro que é!!

Ficha técnica:

Double

Ingredientes: “Pão especial, 2 hambúrgueres do Vicente (170gr cada), queijo catupiry, bacon, cebola, picles, tomate, alface, e a exclusiva maionese do Vicente.”

Preço: R$23,80 + R$ 3,20 refri lata (salgado heim!) – Dei uma de Mr. Pink e não dei gorjeta e não paguei os 10%, que são opcionais.

Ponto alto: Ambiente, variedade de opções, bons ingredientes, apresentação dos pratos…

Ponto baixo: Bacon discreto demais da conta e carne passada do ponto.

 Avaliação: B

A Hamburgueria do Vicente fica na Av. Vicente Machado, 1.927 – Batel. Funciona de terça a sexta das 11h30 às 15h e das 17:30 às 23h30. Sábados e feriados das 12h às 23h30 e domingos das 13h às 22h.  (41) 3024-4171.

 

 
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Publicado por em 04/12/2012 em Uncategorized

 

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