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Arquivos mensais: Maio 2012

Madero – Cheeseburger Clássico

Nesses tempos pós ultra(violence) moderno em que a vida da gente é tão merda, e é tudo tão de plástico (até no mundo dos hambúrgueres, vide hot pocket da Sadia), acabamos tendo que pagar por toda e qualquer coisa que nos traga um conforto, nos faça dar uma relaxada e ter aquela sensação (momentânea) de paz e tranquilidade. E isso inclui o momento de comer. Eu não quero comer com o mendigo todo ferrado vindo pedir dinheiro para comprar pinga e beck, ainda mais a gente que tem cara de maluco e eles acham que podem falar isso na boa, que vamos simpatizar com a causa dele.  Tsc, tsc, tsc…
Mas o pessoal do Madero levou isso um pouco a sério de mais. É mais ou menos nesse contexto que entra o Madero na nossa história, em especial o da Comendador Araújo, não sei as outras 7483 lojas espalhadas por Curitiba, mas essa é assim:
Você passa pela porta e vai para num outro mundo, eles tem  uma cidade cenográfica!! Tem rua de paralelepípedo, postes de luz (sem a fiação a mostra, que é feio), uma lambreta estacionada, loja de vinhos, mesinhas na calçada, árvore iluminada, é como se você estivesse andando por aquelas ruazinhas charmosas da Itália, Espanha, França… (não sei, ainda não conheço nenhum desses países pessoalmente, mas pelo que vi em fotos e no Globo Repórter, é assim) e aí você vai sendo guiado pela recepcionista loirinha e se depara com um restaurante com letreiro de neon, tudo muito tranquilo, pessoas bem arrumadas, é uma outra vibe.
Fomos levados para um ambiente que parecia uma balada, telão passando videoclipes, luz baixa, lâmpadas dicróicas pontuais nas mesas, papel de parede com arabescos, filigranas ou algo do tipo, e uma mesa feita com uma rodela do tronco de alguma árvore que devia ter lá seus muitos anos, não sei que relação tinha essa mesa com o resto da decoração, enfim, não sou decorador e não sei dos lançamentos feira de design de Milão.
É assim o Madero da Comendador. A Lanchonete (ou restaurante) da Família Classe A Curitibana, acho que devia ser esse o slogan deles.

Tem um amiguinho mexicano que o Yuri me apresentou que definiria bem todo esse lance de cidade cenográfica. O pequeno Tóchtli diria: “Patético”.

A primeira coisa que se repara no prato é uma bandeirinha para identificar o “sem cebola”, mas não evitou a troca dos pedidos (que foi resolvido sem problemas). Será que se eu pedir sem cebola, sem alface, sem maionese, sem tomate… viria cravejado de bandeirinhas? Pensamento de troll, eu sei. Detalhes que encarecem a parada, é legal, mas eu preferia sem bandeirinha e 50cents a menos na conta.

Ao contrario do pedido do Yuri que veio meio desmoronando, o meu veio bonitão!
Pão francês produzido por eles de hora em hora (mas não podem ficar contando tanta vantagem nesse quesito, o subway deve tirar fornadas de pão a cada 15minutos, e tem uns 3 tipos diferentes de pão), mas já começa aí a diferença para os outros lugares, não é o tradicional pão de hambúrguer com gergelim. É o pão francês do jeito que eu gosto, não estava seco e quebradiço como o maldito pão do Mercadorama aqui perto de casa, e sim com uma casquinha crocante por fora, com o interior macio, daqueles que você aperta, ele racha por fora e volta ao seu formato original. Redondo e cortado ao meio, parecia uma ostra que guardara a pérola dos hambúrgueres curitibanos.  E que coisa mais suculenta (deliciosa) essa carne!  É incrível como o gosto escorre, estando mal ou bem passado, não importa o ponto.
Eles mesmos explicam parcialmente no menu como conseguem isso, mistura de carnes. O hambúrguer é feito de: “pura carne em um mix de fraldinha, picanha e bife de chorizo, sem adição de nenhum outro ingrediente”.  Esse “sem adição de nenhum outro ingrediente”, quer dizer: Temos um ingrediente secreto (ou um feitiço, é bem possível) que os outros lugares não sabem fazer e por isso somos fodas na arte da hamburgueria!  Tiro meu chapéu, virtualmente, para eles.


Alface ralada e duas rodelas de tomate é a salada. Alface para dar uma textura e tomate para a umidade(que é o não precisa nesse sanduíche, ainda estou impressionado com a suculência da carne) mas salada é sempre a mesma coisa, né, nunca vi ninguém dizer, nossa que delícia esse alface. Segundo o cardápio, a salada é orgânica, então meu organismo agradece por não ingerir agrotóxicos, pelo menos nessa refeição.
Tem também uma maionese tipo a que tem na Hamburgueria do Vicente, com um gostinho de cebola e limão, só que mais suave, e por isso melhor. Somando aí as duas fatias de queijo que só agregam valor e sabor, essa é a grande matemática do Madero(e deveria ser de todos os lugares), fazer com que os sabores e texturas se complementem e se tornem um só (do tipo somos todos Pinheirinho!).

Resumindo, é para comer curtindo o prazer de cada mordida. Para fechar os olhos tipo cantor romântico e aproveitar o momento.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas tem os contras também. Somos como a morte, não poupamos ninguém, ou como diz o Emicida não confio, nem perdoo, por isso mandaram eu.”
São dois hambúrgueres de 130 gramas, acho que fiquei um pouco mal acostumado comendo coisas monstruosas, como o Double do Vicente, o Memphis Tudo do Memphis ou os dois sanduíches no Dom Corleone, e essas 260g do Madero me pareceram meio pouco. Tá, não é pouco, é o suficiente, mas eu queria mais. Sim sou um pecador da gula e não estou nem aí. E talvez por isso, por pensar em gente assim que eles fizeram a opção de 3 hambúrgueres e suas 390g de carne. Mas aí a brincadeira “começa” a ficar cara para esse proletário que aqui escreve.
Segundo ponto, as french fries me deixaram um pouco decepcionado, as batatas estavam gordurosas demais para o meu gosto e para o que se espera de um lugar classe A, com um dourado bonito mas com uma gordura que poderia ser evitada e deixaria a batata ainda mais bonita, “saudável” (se é que alguma fritura pode ser considerada saudável) e gostosa.

Antes que esqueça, as últimas considerações, o tipo de “embalagem”, de um papel bom, no qual o hambúrguer vem embrulhado é muito útil, foi boa sacada! E o moleque (não sei seu nome, tem dias que não sei nem o meu nome, e moleque porque era um rapaz bem novo de cabelo arrepiado), nos atendeu muito bem.

Mas então é o “best buger in the world”?
É muito bom, mas essa propaganda (como toda obra dos queridos publicitários) é meio forçar a barra né, ou talvez seja o melhor, mas nesse mundo mágico no qual entramos ao passar pela porta que fica no número 152 da Comendador Araújo . . . tipo Nárnia.

Ficha técnica:

Cheeseburger Clássico 2 hamburgers

Ingredientes: Pão, 2 x 160 gramas de hambúrguer, queijo, maionese, alface e tomate (pedi sem cebola que dizem ser grelhada). Acompanha batata frita.

Preço: R$20,90 + R$3,90.  Total: R$28,27
O preço do hambúrguer é um pouco mais caro que a média, que deve ser na casa dos 13,90(para falar a verdade não fiz as contas), mas o sabor também é bem acima da média.

Ponto alto: Carne fantástica! (eu ia falar fodástica, mas fantástica fica mais familiar, somos um blog de família, ora pois!)

Ponto baixo: Batata frita gordurosa e cobrar R$3,90(+10%) por uma coca-cola de garrafinha é abusivo.

Avaliação: A (eu não iria dar A para ninguém, meu B+ já é um A- disfarçado, mas esse mereceu a nota).

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

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Publicado por em 05/31/2012 em Uncategorized

 

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Madero – Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Madero

Pensem no caráter dual da luz. Não apenas a luz se comporta como onda, como afirmava Maxwell do alto de sua idade vitoriana, como também não só era partícula como Newton e seus asseclas defendiam, mas das duas formas como só Einstein poderia afirmar – e o bicho ainda ganhou o Nobel por estudos relacionados! De forma que a ciência, melhor do que o taoismo e melhor do que a nossa sociedade maniqueísta acostumada com a novela das oito e seus núcleos de vilões inescrupulosos, é aberta à verdade inquestionável de que não existe apenas uma maneira certa de encarar ou de fazer as coisas. E talvez tenha sido esse o pensamento do Sr. Durski quando resolveu construir o hambúrguer do Madero – e, tempos depois, o Cheeseburguer de Cordeiro Clássico, o nosso prato de hoje.

Poderia apresentar o recinto, mas se você mora em Curitiba, dificilmente desconhece o Madero. Até porque essa cidade ainda vai acabar em Madero, Salão Marly, Farmácia Nissei, Subway e pastelaria de chinês. Mas, vá lá: sei que esse blog tem leitores de outras cidades, de outros países e, por que não, de outros planetas, então cabe uma breve explicação. Lembram do filme Good Burger (do qual este humilde blog empresta o título), quando do lado da simpática hamburgueria familiar abre uma hamburgueria monstro, com hambúrgueres ubber-suculentos? Se o Mondo Burger existisse na vida real, seria o Madero. A rede tem hoje 10 lojas, sendo duas em outras cidades, com mais umas 20 em construção (inclusive aqui do lado de casa). Todas são chiquérrimas, com uma seleta carta de vinhos, carnes nobres e garçons arianos (reparem). E não escolhemos ao acaso a loja que visitamos. Fomos no Madero da Comendador Araújo, onde há uma pequena vila dentro da loja, com direito a uma lambreta do Projac, uma árvore de verdade, uma barraquinha de café (ou de cerveja, não lembro) e uma humilde “tenda” de vinhos, guardados na caixa ainda. De certa maneira, a “Vila Madero” não apenas seria o Chavo del Ocho com dinheiro mas guarda em si um arquétipo do Sonho Curitibano, uma espécie de American Dream, mas que consiste em viver num país minúsculo, seleto, do tamanho do Batel, onde todo mundo come carne de primeira, os pobres não se atrevem a entrar e ninguém precisa conversar contigo a não ser por razões meramente profissionais.

Rua comendador araújo

Pois muito bem, entramos nesse país mágico chamado Batel e pedimos a carta dos hambúrgueres. Arredio e escaldado que sou, a primeira coisa que fiz foi bater o olho nos preços e fazer uma busca na minha memória por meu último saldo de conta corrente. O Murilo tem me ensinado muito sobre algo que ele chama de “o preço da carne”, que é um imposto na forma de dinheiro que, à sua maneira, restabelece parte do equilíbrio kármico de se alimentar da carne de um animal indefeso morto para servir a esse propósito. Não é algo tão simples de explicar, mas felizmente é simples de entender, e o que importa nesse caso é que, por causa do preço da carne, eu procurei relevar o fato de estar prestes a pedir um hambúrguer de vinte e quatro reais. De longe o hambúrguer mais caro que eu já comi. Mas esse tem um adicional: a carne é feita de cordeirinhos. Pior que eu tô falando aqui de cordeiro mas vocês, povo da cidade, ignorantes sobre espécies de fazenda, podem nem saber o que é um cordeiro, embora façam uma vaga ideia de um bicho fofinho (o que realmente é). Com duas carnes, é chamado o Clássico (em contraposição ao Cheeseburger Jr, que tem uma carne só e é bem normal, mas aqui é tratado como hambúrguer de mulherzinha), e acompanha alface, cebola grelhada, queijo, tomate e maionese. Eis aqui o meu bicho:

Madero

Quase desmontado pela má finalização do chef, o cheeseburguer de cordeiro é bem sucedido, contudo, em preservar a suculência e o sabor adocicado do cordeiro – que, infelizmente se perde um pouco com esse tomate verde, muito pouco doce. Aí aconteceu um problema de erro nos pedidos (não vou dizer qual foi) que demandou uma troca de sanduíches, e isso aconteceu logo depois de tirarmos essas fotos. Obviamente o radar de crítico bateu nos garçons do Madero e me trouxeram um segundo sanduíche que estava digno de figurar na capa de uma revista gastronômica. Esqueçam essa montagem porca, esqueçam o tomate verde, veio um pitéu de hambúrguer que não merece figurar aqui porque foi trapaceado. Mas como o que vale é o gosto, e quanto a isso não me resta escolha, vou falar desse mesmo.

First things first: repararam no acompanhamento? É, possivelmente, a maior porção de batata que já acompanhou um hambúrguer desde o começo desse blog. São batatas fininhas, crocantes e muito gostosas, embora um tanto gordurosas. Mas batata não é pra ser diet mesmo, então releve e aproveite. Gosto disso: generosidade. Aprendam, hamburguerias de Curitiba, a oferecer mais batata aos vencedores. Vamos ao sanduba em questão.

Bom, o que mais chama a atenção no hambúrguer do Madero é o pão. Longe do tradicional e macio pão de hambúrguer, o que há aqui é uma espécie de pão de sal (ou pão d’água ou pão francês, seja lá como chamem isso aqui em Curitiba). Com toda sua crosta crocante e seu formato imperfeito, este pão se aproxima da estética vitoriana do sanduíche, embebido na gastronomia francesa e sua boulangerie rococó. Este pão da art nouveau é eficaz em absorver os líquidos da carne sem amolecer (muito embora isso possa acontecer se o sanduíche for servido inclinado, o que é bem desagradável para quem gosta de comer com a mão, como eu). Outra vantagem dele é o frescor. Segundo o cardápio explica, os pães são assados de hora em hora, o que impede aquele esfacelamento do pão de mais de quatro horas. O pão rococó, o pão afrancesado, o pão David Lean, enfim, esse pão da foto, serve como uma caminha perfeita para o que está dentro, mas o palato duro quer o que o palato duro quer, e nem sempre ele quer ser espetado com crosta de pão de sal. Enfim, é um bom pão, um tanto heterodoxo para os padrões atuais da arte da hamburgueria, mas ainda assim, uma opção interessante (oferecer outro tipo de pão, como no finado Saldanha Moreira é uma boa, hein?).

Logo abaixo, há o queijo. Quando vi aquela fina camada amarela de queijo processado em cima de cada uma das carnes achei que não fosse nem sentir o gosto, mas me enganei por conta de um detalhe: a maionese, que empurra o gosto salgado do queijo para as papilas gustativas, um caso de protocooperação muito interessante. Não é comum que isso aconteça, mas a maionese do Madero é levemente azeda – talvez com uma dose de limão – e isso, de alguma forma cuja lógica me escapa, realça o sabor do queijo. De qualquer forma, o conceito de queijo do Madero enquanto acompanhamento de carne – esse doce prazer que os judeus nunca descobrirão – é um tanto diferente do conceito de queijo de qualquer lanchonete. Não temos aqui aquela coberta maleável de queijo derretido, que se estica na mordida e se pinça a cauda longa com os dedos para derramar o cordão goela abaixo, é uma manta, quase uma capa de PVC por cima da carne, praticamente indissociável dela, como um híbrido geneticamente criado de carne e queijo combined. Enfim, é bom.

Aí temos a salada, a parte que na verdade não interessa a ninguém. A salada usa o cheeseburger assim como a Igreja Católica usa o Padre Marcelo Rossi: para mascarar coisas menos atraentes, mas importantes, como sentar o rabo num banco de madeira e pensar na vida. A salada do meu hambúrguer – do segundo hambúrguer – estava mesmo uma delícia. O tomate, diferente do da foto, estava de um vermelho vivo, e de tão doce quase mascarou o sabor da carne. A cebola grelhada, bem ao fundo, funcionava mais na paleta de textura do que com aquele sabor forte e característico das cebolas, e o alface não tinha todas essas partes fibrosas, estava um matinho verde levemente crocante com muito pouco a oferece além de uma subtextura, preenchendo os lugares não-crocantes que a cebola não alcança. Enfim, não sei nem porque eu to falando isso, salada não leva a nada.

Por fim, a toda poderosa carne, que é o que garante o pagamento da parcela do iate do Durski. A carne do Madero é um mistério que não consigo entender de jeito nenhum. Ela é levemente fibrosa, que garante a integridade da carne melhor que a compressa da carne moída, mas não é vermelha por dentro e grelhada por fora, como a do Barba, ela é toda de uma cor só, levemente mais clara no centro, e ainda assim mantém um núcleo tenro, suculento, cheio de vida e de sabor. É passada por fora como qualquer outra carne, lógico, e ainda é um pouco escura, mas por dentro é como se guardasse um bife macio e inteiro. Enfim, uma maluquice. A carne do cordeiro é mais “molhadinha” (ui!) e um tanto mais doce, característica que o tomate não deixa transparecer muito, então talvez seja melhor comer sem tomate.

O Madero tem todos os elementos estéticos para ser odiado. Os ricos pomposos, o preço extorsivo, o pretensioso slogan “The Best Burger in The World!” (Em inglês ainda, meu Deus!) e tudo o mais. Entretanto, fazem lá um hambúrguer tão gostoso e tão ousado, capaz de nos fazer relevar tudo e enfrentar a nata curitibana para comer uma boa refeição. E mostra que embora tenhamos um ideal muito concreto de um bom hambúrguer, é possível construir outro com elementos mais inovadores e ainda assim ser ideal. Aprendamos com a ciência, aprendamos com o Madero.

Ficha técnica:

Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Ingredientes: Duas carnes (260g no total), queijo, cebola, tomate, alface e maionese num pão de sal.

Preço: R$23,90 (Uma facada! Mas lembro do preço da carne e fico mais calmo).

Ponto alto: Carne excelente, inovação nos elementos

Ponto baixo: Preço extorsivo, montagem péssima (do primeiro hambúrguer) e má escolha dos ingredientes da salada (também no primeiro hambúrguer).

Avaliação: A

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

 
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Publicado por em 05/24/2012 em Uncategorized

 

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Barba Hamburgueria – Captain Hook

Há um certo anacronismo no modo como encaramos a evolução técnica do mundo civilizado. Desconsideramos, por exemplo, que a latinha de refrigerante teve várias configurações e várias formas de ser aberta até chegar ao modelo atual, ou que o Minitel foi uma tentativa francesa de fazer a internet antes da internet (ainda que no final tenha virado essencialmente um hotline para telesexo), ou ainda que uma porção de gororoba deve ter entrado entre duas fatias de pão antes do todo-poderoso-hamburguer ser consolidado como o soberano sanduíche sobre as terras do cachorro-quente. E essa progressão é, na maioria das vezes, extremamente lenta, e feita com minúsculas revoluções que se sobrepõem como o acúmulo de design cego que possibilitou a evolução conforme explicada por Darwin. Pois o Barba Hamburgueria trouxe uma dessas revoluções, para minha grata surpresa em matéria de ousadia culinária.

Para quem não conhece, o Barba (anteriormente conhecido como Barba Negra Hamburgueria) é um antro de modernete no coração da Vicente Machado (pobre Vicente Machado, tão longe da Trajano Reis e tão perto do James…), onde aquela galera com muito talento para qualquer coisa que envolva fotografia, música, moda ou desenho encosta suas bikes fixas (Vamos combinar: vocês podem andar numa bicicleta sem freio, mas não podem fazer passeata quando alguém morre, tudo bem?) e tomar uma cerveja importada e comer um belo hambúrguer. Como o nome do ambiente sugere, a decoração gira em torno da cultura de pirata, mais especificamente, tatuagens. A parte de comer peixe todo dia, comer o rabo de quem tá dentro do barril, estuprar as mulheres e aprender gíria de pirata passa longe do estabelecimento.

O cardápio – olha só! – é composto por nomes de piratas, que emprestam suas alcunhas aos mais variados sandubas do lugar. E olha, no que tange a diversidade, pode-se dizer que, apesar da carinha de bar com fichas de consumação, o Barba Hamburgueria é mesmo uma hamburgueria. E entre uma dúzia de opções (não sei ao certo, não contei), com opções vegetarianas e um excêntrico hambúrguer feito de batata e ervilha, um sanduba me chamou a atenção: O Captain Hook. Ei-lo:

Barba hamburgueria

Parece um sanduíche normal, e é mesmo. Um legítimo x-burger de boteco, exceto com uma qualidade acima da média, com uma única diferença: ele tem, além do queijo e da carne, cream cheese. Só isso. Cream cheese. Cream fucking cheese. Quem iria imaginar? Metem tanto queijo em tudo quanto é hambúrguer: catupiry, gorgonzola, provolone. O Fundae de Queijo tá aí para ninguém esquecer. Mas acho que nunca colocaram um cream cheese, um Filadélfia que seja, para colaborar com a mussarela dando uma pegada mais groove no sanduíche, como Andy Warhol cumprimentando todo mundo numa festa. Vamos explicar, mas vamos por partes.

Primeiro, o pão. Dá para ver que esse pão tem a crosta um tanto escura, mais do que o normal. Quando a gente vê um pão assim, sabe que por dentro ele não está aquela cremosidade de trigo dos pães frescos, mas um miolo de farelo que causa pouca comoção a nossas amigas papilas gustativas. Mas esse pão, por mais que seu exterior advogasse contra, não estava no ponto que eu esperava que ele estivesse. Estava longe de ser o pão dos sonhos de qualquer um, mas já vi piores. Bom, o grande problema desse tipo de pão é que não é muito difícil ele ser uma espécie de esponja do bolo mastigado. Ele vem seco e conforme se mistura à carne e o queijo na sua boca, vai tirando para si a textura e a maciez da comida, dando a impressão de que você está comendo uma espécie de tabule sabor hambúrguer. E é aí que o cream cheese entra, restaurando os objetos a seu estado natural, como a resiliência dos choques perfeitamente elásticos proporcionam na física do papel e da caneta. E não apenas isso, o cream cheese acaba sendo um perfeito substituto da maionese, afinal, já que é para ter gordura, que tal uma gordura que tenha autonomia de sabor e não funcione apenas atrelada a algo mais consistente? Não digo que a maionese deve ser abolida, também é um coloide que merece muito amor e respeito, mas variar é bom, todo mundo sabe disso.

O queijo pecou no tempo. Como vocês podem ver na foto, ele está bem derretido, mas já não está mais com o brilho e a maleabilidade do queijo recentemente derretido. Isso porque alguém deve ter deixado esse hambúrguer encostado por um tempo. E o queijo derretido é como a espada no Battōjutsu: perde seu valor a partir do momento que para de ser derretido assim como a espada perde seu valor quando sai da bainha. Aprendam o Battōjutsu, senhores hamburgueiros, e parem de arruinar seus próprios pratos por demora. Quer dizer, não estava arruinado não, mas poderia estar melhor apresentado. E acho que a culpa aqui pode ser mais do garçom, que embora tenha se empenhado em decorar o bordão “ao ponto da casa, grelhado por fora e rosado por dentro?”, perdeu pontos por deixar meu queijo morto como a espada morta.

Por fim, a carne. Uma carne saborosíssima! Bem temperada, realmente no-ponto-da-casa-grelhado-por-fora-e-rosado-por-dentro, ainda que com pouca gordura – um erro legítimo que pode também ser uma escolha do chef, afinal, se o cara se garante com os temperos, pode optar, talvez, por uma carne com baixo teor de gordura. Se foi intencional ou não eu não sei, sei que não comprometeu o resultado final como eu achei que comprometeria, o que mostra que o sujeito que faz esses pratos tem mesmo caracu de usar carne sem gordura, cream cheese e pão esfarelento para fazer um belo e delicioso descendente do Frankenstein de John Montagu.

E agora, o ingrediente chave do sanduba que leva o nome do arqui-inimigo do Peter Pan (aliás, me acho um pouco parecido com o Capitão Gancho, no sentido de que não gosto de crianças nem de crocodilos. Mas me acho parecido com o Capitão Gancho do Dustin Hoffman, e não o do Cyril Ritchard, hein?). O cream cheese é uma revolução silenciosa na arte de fazer hambúrgueres. Discreto, seu sabor, mais adequado a fiambres e outros alimentos frios, permanece ao fundo do hambúrguer, fazendo uma ponte entre o pão esfarelento e a mussarela. Algo válido para um pão seco como esse. Ainda assim, é ousado por ousar ser pouco e foi a peça que faltava para transformar um cheeseburger numa pequena obra de arte.

Por fim, o fiel acompanhamento, o Sancho Pança do hambúrguer, as gloriosas batatas belgas. Essas sim, uma delícia, crocantes e secas. Pode, inclusive, ter passado por uma segunda fritada, para secar bem, não sei. Sei que os donos do Barba ganharam do Vicente ao deixar ao sabor do cliente escolher o tipo da batata, como já foi dito no post do Murilo. Mas um assunto surge diante dos nossos olhos, impossível de ser ignorado: repararam como meu prato está escasso de batatas? Coloquei a foto da vista aérea da região para melhor notar isso. Não é uma exclusividade do Barba. Por quê? Por quê? Vamos raciocinar: batata-frita não é a coisa mais cara num sanduíche desses. Eu sei que um hambúrguer bem acompanhado com uma quantidade generosa de batata frita, como o do Dom Corleone em dias normais, me enche os olhos de tal maneira que eu sei quando estou sendo bem tratado num restaurante. Lembram do caso do x-bacon do 1º SWU? É desrespeitoso, gente, sirvam melhor e terão clientes felizes. Ou, como diriam seus clientes modernetes, #fikdik.

No final das contas, acho que a nota aqui do Captain Hook só baixou por conta da apresentação e da logística, sem falar do pão. No mais, é um bom hambúrguer.

Ficha técnica:

Captain Hook

Ingredientes: 160 gramas de hambúrguer, queijo mussarela e cream cheese. Acompanha batata frita ou batata chips.

Preço: R$13,00 (eu acho, não lembro do preço agora).

Ponto alto: Carne excelente, inovação, ousadia, e alegria com o cream cheese. 

Ponto baixo:  Queijo morto, pão esfarelento e pouca batata. Ou seja, apresentação displicente.

 Avaliação: B

OBarba Hamburgueria fica na Avenida Vicente Machado, 578 – Centro.

 
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Publicado por em 05/17/2012 em Uncategorized

 

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Barba Hamburgueria – Henry Morgan

Apesar de levar “Hamburgueria” no nome, o lugar para mim é um bar. Como o Dom Corleone, é um bar que tem hambúrgueres. Porque se tem que dar nome na entrada para ser marcado numa ficha de consumação, é um bar, né?

Chegamos e já tinham algumas pessoas ocupando as poucas mesas no piso da entrada, rolou um pequeno e rápido empasse: ver se havia lugar pra gente, pois o segundo andar “não estava aberto”, e a mesa disponível era para mais pessoas, ou algo assim. Fato é que eu não ia ficar esperando a boa vontade de alguém desocupar uma mesa sendo que tinham outras livres. Mas como estava tocando RVIVR, uma banda que não esperava ouvir em nenhum lugar que fosse comer, relevei e fiquei de boa curtindo a música enquanto resolviam onde íamos poder sentar e logo estávamos com um andar todo só para nós.

O Barba Hamburgueria é lugar para os jovens descolados da cidade irem comer seus hambúrgueres e tomar suas cervejas. Não sou ligado nisso porque não consumo álcool, mas disseram que lá tem uma variedade boa de cervejas, aquele lance da moda das cervejas especiais ou gourmet, feitas com açúcar mascavo e sêmen de javali, maturadas em barril de cipó envelhecido, com um toque de alho poró que dão um sabor levemente adocicado ao fermentar, e ameniza o amargor característico dos barris de cipó… Então as cervejas acabam atraindo mais gente que, ao contrário de nós, vai só para beber e conversar, paquerar, encontrar os amigos, fazer aquela festa.
Se você, garotinha que gosta de um cara que pareça meio sujo, rabiscado, barba mal feita, mas que não seja classe C ou D, esse é o lugar para encontrar seu amor bandido. E para os caras que quiserem encontrar uma cocotinha moderna, de cachecol e com tatuagem de cupcake, roqueirinha, fotógrafa ou publicitária, é o lugar também.
Como me disseram, o público alvo do lugar é “gente tatuada” (vai querer ser segmentado assim na casa do chapéu), então se você for aparentemente normal, pode se sentir meio peixe fora d’água (han-han?! pirata, peixe fora d’água, piadista heim!). Mas não deixa de ser interessante, pelo contrário, diversidade é legal, galera!

Agora sobre o que realmente interessa. Escolhi o basicão, Henry Morgan, o antigo corsário galês e atual x-salada dos sete mares. Como me disseram vários dos professores de fotografia e jornalismo que tive, é no básico que temos que nos garantir para poder inventar moda, é o lance de saber e conhecer as regras para poder quebrá-las com propriedade, por isso fui no básico dos sanduíches.

Primeiro de tudo, detalhe para o garçom na hora de anotar o pedido, dizendo já de forma automatizada: “Ao ponto da casa, grelhado por fora e rosado por dentro?” Opa, quando ele disse isso, senti firmeza na parada!
Dito e feito, grelhado e bonito por fora, rosado por dentro.Mal passado mesmo. Esse ao ponto da casa, deve ser coisa de pirata, cabra macho que come carne crua, porque o centro do universo do meu hambúrguer ainda estava vivo.
Carne magra e sem gordura, o que explica o fato da carne estar realmente mal passada. Não estava escorrendo nada, não estava suculento, como eu tanto esperava que estivesse quando ele disse rosado por dentro, e como era de se esperar.
Me lembrou bastante a carne-de-onça dos botecos, carne moída crua e temperada, até o tempero é parecido, e bem bom por sinal, com direito a cebolinha, ou outra dessas coisinhas verdinhas. Dessas, só conheço bem a alface, que também tem no recheio. Alface ralada, não em folhas como normalmente é, (assim rende mais e gasta menos, tática do subway), acompanhado de umas duas rodelinhas discretas de tomate(ainda verde), mas como não me importo tanto assim com a salada, e mesmo ela tendo fator importante na hora de umedecer a parada, e nesse caso precisava, dá para deixar passar.
O Pão é fresco, macio, parece um cogumelo, não é daqueles que caem os gergelins, bacana, mas a companheira do pão deixou a desejar e fez falta: acho que rolou só uma passadela rala de maionese com as costas da colher, saca?! Aí o que estava um pouco seco (e me fez invejar o cream chesse do sanduíche do Yuri, próximo post, aguardem!) e seria facilmente suprido pela maionese, assim como no Mustang Sally, acabou ficando seco até o fim, já que não uso catchup ou mostarda por achar que mascara muito o sabor das coisas e também por não me apetecer mesmo. E já que estamos falando de molho, um potinho com um pouco de barbecue custa R$2,00! Acho meio sacanagem cobrar por isso, mas enfim.

Embora tenha demorado um pouquinho para ficar pronto, não deu tempo para deixar o queijo derreter direito, eu esperaria mais 30 segundos, derreteu a borda e o bucaneiro já mandou para mesa, se a foto estivesse minimamente decente, daria para perceber o queijo maomenos derretido.

Ao fundo uma parede legal com desenhos (que poderiam ter sido feitos por mim, com toda a minha falta de habilidade manual) com a temática e estética “tattoo old school” dos ladrões dos mares.

Acompanha batata frita. Palito ou chips, você escolhe. Escolhi a primeira, mas os palitos não faziam nem uma pequena montanha como é legal de se ver, poucas ficaram sobrepostas, vieram espalhadas no prato para parecer bastante (malandragem). Mas são sequinhas e crocantes, então ponto para o barbudo. Uma consideração sobre algo que reparei e pensei esses dias, elas não vieram com sal, que fica ao gosto do cliente, é o certo mesmo. Um dia peguei umas batatas no Bruguer King em que tinha que ficar batendo a batata para cair um pouco do cloreto de sódio. Acho que nós temos que escolher o quanto de sal e o quão perto queremos ficar de ter um stroke (como diria Dr. House). Não quero ter pressão alta e ficar como bem descrito pelo grande Rogério Skylab.

No geral achei um bom sanduíche, mas meio racionado. Não é um Pérola Negra, mas um belo hambúrguer e de bom tamanho, até achei que devia ter mais do que 160g como consta no cardápio, e mesmo um pouquinho cru no meio(coisa que não me atrapalha em nada, embora saiba de gente que iria chiar), é o ponto alto do hambúrguer que pode vir a ser mais que um barbudo com olho de vidro e perna de pau com moral para roubar a clientela da vizinhança.

Ficha técnica:

Henry Morgan

Ingredientes: 160 gramas de hambúrguer, alface, tomate e queijo prato. Acompanha batata frita ou batata chips.

Preço: R$14,00. É o preço médio, nem caro nem barato. Tem refrigerante garrafinha e lata, mas esqueci o preço, acabou rolando um pequeno acidente, aí, mesmo contra meus princípios, paguei uma cerveja, me perdi nas contas e ficou em pouco mais de R$26,00. Porra de cerveja cara!

Ponto alto: O ponto alto e o baixo estão bem próximos, é a aquele papo manjado da linha tênue do love-hate (como o povo gosta de tatuar nos dedos), a carne é boa, bem temperada, mas tem que estar no ponto mesmo. Batatas palito sequinhas e crocantes.

Ponto baixo:  O conjunto da obra estava meio seco, precisava de um molhinho ou um pouco mais de maionese mesmo. A carne um pouco crua no meio do hambúrguer e no geral poderia ser um pouquinho mais farto.

 Avaliação: C+

OBarba Hamburgueria fica na Avenida Vicente Machado, 578 – Centro.

 
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Publicado por em 05/10/2012 em Uncategorized

 

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Dom Corleone – Godfather

Dessa vez o chamariz que nos levou para esse test drive foi uma grande sacada dos donos do lugar. Já é comum alguns lugares fazerem promoções “double”, ou seja, pede uma cerveja e ganha outra, um chopp e ganha outro, um caipirinha e ganha outra igual. Coisa que nunca consegui compreender é porque não existe double de refrigerante, suco, chá … que diferença faz?
Fato é que fomos a um double de hambúrguer. Sim, você pede um sanduiche e ganha outro igual! Achei a ideia de comer dois hambúrgueres pelo preço de um mais interessante do que pagar só 50% do valor.
É visualmente mais legal, é divertido encher os olhos e depois a pança até quase não aguentar mais. Agora tive uma ideia e fica a dica: se for com uma gatinha(o) ou um amigo, cada um pode escolher um prato diferente e trocar o hambúrguer repetido, logo, vocês vão poder comer dois diferentes sanduíches pelo preço de um. Isso se você forem dois glutões, se não apenas um para cada vai estar de bom tamanho e vai sair barato.
Os dois sanduíches chegam juntos à mesa, achei que um ficaria esfriando, mas curiosamente, mesmo numa noite fria, o segundo não esfriou.

Saca só na foto quanta alegria.

O Dom Corleone é uma casa vermelha por fora e sem nenhuma indicação do que funciona ali quando não está aberto, dessas casas antigas lá na rua onde o povo acha legal tomar cerveja sentado na calçada (por que vocês fazem isso?), fora que a região também é bem conhecida pelos furtos, baladas, gente drogada, outros bares e etc…enfim.
O lugar, assim como o cardápio, é decorado com posters de filmes, tônica que se estende aos nomes dos hambúrgueres. No andar de cima tem mesa de sinuca, às vezes arredam as mesas para shows ao vivo. Na televisão sempre está passando algum filme, como é de se esperar, som ambiente rockabilly e uma garçonete simpática. É o resumo da ópera.
Mas vou começar a reclamar, é muito escuro para um lugar onde você vai comer, deve ter umas três lâmpadas de 40 watts para todo o bar. Não gosto de não conseguir enxergar o que estou comendo. “E se tem um cabelo?”, diria minha mãe. Não sou fresco para isso, normalmente tiro o cabelo e continuo comendo, mas quero ter o direito de enxergar o cabelo, e tudo mais que estou comendo. Mas foi só um exemplo, não tinha nada de estranho no sanduíche. Pelo menos não que eu tenha visto … rá-rá-rá!

O lugar não é uma hamburgueria, é um bar (segundo o foursquare) que tem hambúrgueres, então não acho que dê para cobrar expertise deles, mas não é que os caras tem as manhas? Tem até opções de troca dos disquinhos de carne, coisa que não tem em todos lugares. Eles oferecem opções para os vegetarianos, vegans e chatos afins, como hambúrguer de soja e também e a bizarra opção de vegetais (quais vegetais não diz) com parmesão no lugar da carne vermelha. Já ouvi falar bem dessa pedida, entretanto.

Pedi o Godfather com hambúrguer de carne, normal. A principal coisa que se percebe é que o cheddar predomina e que junto do tomate picado acaba meio que virando um molho. Sim, o tomate é picado e não em rodelas como de costume. O Poderoso Chefão é grande, mas o recheio/complemento é um pouco espalhado(as vezes escasso), isso faz com que cada mordia seja um pouco diferente, numa você pega mais tomate, na outra, mais bacon e menos tomate, e em outra umas batatas crocantes, cada mordida um sabor.
Não sei até que ponto isso é bom, é legal se surpreender a cada mordida, mas se tivesse mais bacon, mais mussarela (tirando no Fundae, sempre pode ter um pouco mais de queijo) e até um pouquinho mais da batata palha, você não precisaria caçar os sabores, eles estariam em todos os pedaços.
O pão é daqueles que devem ser distribuídos para vários locais, daqueles que tem gergelim que vão caindo ao longo da jornada. Quando você termina tem uns cem grãos no prato, na mesa, na sua mão, na sua cara… o pão não parecia muito ser do dia, ou tinha sido feito de manhã bem cedo, mas tudo bem, estava em tempo ainda.
Batata palha é uma coisa que quando era criança eu colocava em tudo quanto é comida, e embora eu continue basicamente com o mesmo paladar infantil, não acho mais tão gostoso assim, mas o bom é que o sanduíche fica crocante, e toda comida crocante é divertida!

Agora uma coisa engraçada sobre as carnes: elas não tem bem um padrão, o primeiro hambúrguer veio passado, o segundo, no ponto. Eles tem por volta dos 190g, mas vai de acordo com a mãozada do chefia da cozinha. O primeiro hambúrguer, o primeiro dos gêmeos bivitelinos, era menor e mais seco, era o irmão magrelo e sem graça, mas como tem o molho (molho = cheddar + tomate, coisas molhadas) como complemento, acaba nos engambelando e até quase esqueço o fato da carne ter passado do ponto.
O segundo hambúrguer, o irmão gordinho engraçado, era maior e rosadinho por dentro, suculento, da até pra ver na foto que está pingando no prato, assim como manda a cartilha do bom preparo do hambúrguer para deixar o cliente feliz.

Não está muito fotogênico, mas estava gostoso! Tem até umas cebolas ali, viu, é bem temperado, do tipo caseirão com sal, alho,cebola e quase certeza, uma pitada de pimenta do reino.

Ficha técnica:
God Father
Ingredientes: “Pão, Hambúrguer de Carne, ou soja, ou Alcatra, ou Vegetais com Parmesão, Cebola, Tomate, Bacon, Batata Palha, Cheddar e Mussarela. Acompanha batata frita”. Mas no double não acompanha batata.
Preço: R$15,00 + R$ 3,00 refrigerante lata. Tá na média do preços.
Ponto alto: A grande sacada do double às terças-feiras e o segundo hambúrguer maior e suculento.
Ponto baixo: A pouca luminosidade do lugar realmente incomoda para comer, e um pouco menos de cheddar e mais dos outros ingredientes seria legal.
Avaliação: B –

O Dom Corleone fica na Rua Paula Gomes, 296, no São Francisco. Funciona de terça a sábado das 19h até sei lá que paneladas da madrugada. (41)3353-6626.

 
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Publicado por em 05/03/2012 em Uncategorized

 

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