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Arquivos mensais: Julho 2012

Porco Nobre – Nobre Bacon

Em nossa procura incansável pela batida hambúrguer perfeito (parece que agora a cada novo artigo temos que fazer uma referência ao Planet Hemp/Marcelo D2?), existem barreiras intransponíveis, como a geográfica (começando por Curitiba, pra ficar mais fácil), a do hambúrguer de soja (não vão me fazer encostar num troço desses), a do hambúrguer de frango, a da picanha fatiada, e por aí vai. Mais do que limitar nosso escopo, nos oferece foco e palpabilidade dos resultados – e isso qualquer pesquisador científico pode confirmar. Por outro lado, existem também arestas, terrenos em aberto pelos quais podemos adentrar caso a força das circunstâncias os provem necessários. Por exemplo, as inúmeras redes de fast-food, os hambúrgueres do Sesc, o hambúrguer que a sua mamãe faz pra você (aceitamos convites pro lanche!), enfim, um mundo de possibilidades.

Dito isso, é preciso ressaltar que eu não sei direito em que categoria o Porco Nobre se encaixa. Um híbrido entre podrão, hambúrguer gourmet e fast food, o restaurante contempla o melhor e o pior das três categorias, e isso não é nem um elogio nem uma crítica, antes de tudo uma observação sobre a natureza dessa pequena rede curitibana de duas lojas. O diagrama que eu fiz exemplifica melhor o meu ponto de vista.

good burger

Eu não sei direito sobre a história do Porco Nobre, mas os mais antigos dessa cidade me dizem que ele começou na Rua 24 Horas, esse pedaço mágico para a sociedade curitibana, uma galeria de lojas supostamente abertas dia e noite que emula a sensação de andar numa rua coberta, calçada, monitorada, climatizada e com portas automáticas nas duas pontas. Enfim, uma rua como outra qualquer (%) (eu gosto de usar esse símbolo % para apontar uma ironia, para os mais intelectualmente lentos não ficarem de fora da piada. Democracia passa também pelo acesso às bobagens). Depois que a rua se tornou ponto de drogas e travestis e caiu de vez no ostracismo, forçando seus comerciantes a fecharem as portas da esperança de ver curitibano na rua, o Porco Nobre estabeleceu sua matriz no Água Verde, onde está até hoje, até voltar para o lugar de origem – de novo, isso foi o que me contaram. Novidade das novidades, fomos para a 24 porque a rua é nóiz.

E aqui vem a questão: a nobreza do Porco Nobre, que ostenta o estandarte de um aristocrata suíno com cabelo engomado e gravata borboleta, nascido para servir, morrer e servir outra vez, se estende a todos os sanduíches do menu? Porque uma coisa são os sanduíches de pão com salsicha, linguiça, pernil desfiado (meu favorito, pessoalmente, mas aqui o assunto é outro), todos requintados e minimamente originais, outra coisa são os tradicionais e conservadores (aqui em Curitiba essas duas palavras não são tão sinonímicas assim) hambúrgueres com mínimas variações. Um bacon aqui, um ovo ali, uma porrada de salada acolá, enfim, as operações básicas da gastronomia hamburguesca (falei que era um pouco podrão também). Já que o lance não é esperar ousadia, vejamos a destreza da mão desses chapeiros de mais-valia mamada. Minha escolha foi o Nobre Bacon, que como o nome diz, tem bacon. E se tem bacon, tem charme (pode, pode copiar essa frase e colar no seu facebook/fazer uma camiseta), por isso apontei meu dedo gordo no cardápio pra moça do caixa anotar meu pedido, que chega à mesa pouco menos de dez minutos depois, dessa forma.

Porco Nobre

Ora, apresentação, como já bem dissemos algumas vezes, é essencial. Mas que diabos é isso? Um hambúrguer embrulhado para presente? Um resquício da faceta fast-food do restaurante? Um fetiche pseudo-islâmico de cobrir tudo o que é gostoso? Um artefato para aumentar nosso desejo e ansiedade? Não sei, estou aqui para comer, não para interpretar os mistérios do decorador mutcho louco que esconde o hambúrguer mas não embrulha as batatinhas. Sem o papel, seria apresentado assim:

porco nobre

Pra não dizer que não falei das batatinhas, aliás. Batatas românticas, daquelas pelas quais Lorde Byron baba. Pálidas, bucólicas, mergulhadas no óleo ainda congeladas, flertando com a morte e com a vida, fumando ópio pelas lúgubres esquinas de Londres. Batatas que têm lá sua consistência e seu sabor, mas nada parecido com o padrão de beleza de batata frita que temos hoje. Há quem goste, porém, e eu não faço objeção.

E aí temos a questão da salada. O que era para ser coadjuvante virou um protagonista wanna-be, daqueles que querem roubar a cena a todo momento. Isso acontece, experimenta ver um filme em que o Jack Black faz um papel secundário pra ver se você também não fica com raiva. Tem gente que curte atenção sobre todas as coisas, e isso nem é legal. A salada veio em uma quantidade exagerada, quando deveria ser somente, na minha cabeça, um quinto do sanduíche. E o pior de tudo foi o tomate, que roubou o gosto de todas as coisas, gelado e ácido. Mas isso não é necessariamente culpa do restaurante pois, se vocês são antenados no noticiário de economia, o tomate está caro e feio por causa do frio. Não é uma época boa para comer tomate, e eu recomendo a vocês pedirem para tirar os tomates dos sanduíches por esses dias e esperar o calorzinho voltar às lavouras. A maionese, entretanto, salvou um pouco o resto do sanduíche fagocitando parte do tomate.

Não esperava outra coisa do pão. Aquele tipo seco e industrial que conhecemos dos lugares sem gente competente para botar a mão na massa. Tava tudo indo muito bem até chegar no miolo. Aí tudo degringolou, o pão se partiu sozinho em diversos pedacinhos, a carne idem, a alface se esparramou e o jeito foi juntar tudo como se estivesse comendo farelo de tabuleiro. Nada agradável.

O bacon, por outro lado, é mais do que agradável. Aquele bacon na medida certa, nem mal passado nem esturricado e escuro, mantendo sua integridade na língua de carne que ostenta pendurada para o lado de fora do pão. O problema é que no minuto que o bacon sai do âmago do sanduíche, fica gelado. E bacon gelado é igual assassinar o arquiduque Ferdinando: é guerra. Então, para a segurança dos demais, mantenha seu bacon afivelado dentro do hambúrguer.

Por último a carne. Na verdade, por último deveria mesmo ser o queijo, mas uma coisa estranha acontece: não tenho qualquer memória do queijo do Nobre Bacon. Lembro vagamente de uma mussarela que cobria sem pressa a carne, mas nada que tenha deixado impressões mais marcantes. Talvez esse seja o destino de toda mussarela, afinal, o queijo regular, o primeiro que vem à mente quando o assunto é queijo. Acho que não tinha muito, mas é só. Lembro, sim, de haver um presunto. Como eu odeio presunto em hambúrguer, O-D-E-I-O. Nada me diz mais “eu sou um incompetente na arte do hambúrguer e aprendi tudo o que eu sei vendo o chapeiro que estacionava seu Fiat Prêmio branco e velho na frente do estádio e fritava hambúrguer numa chapa instalada no porta-mala com um pequeno botijão de gás” do que enfiar um presunto no meio do sanduba. Percam essa mania, gente, percam.

Agora, a carne sim, dessa me lembro bem. Uma carne cuja textura se assemelha em vários aspectos à do McDonald’s, com aquela crosta esturricada que descasca aos pequenos pedaços para revelar um interior cinzento e inútil sem a parte de fora, que conserva o sabor da fumaça e de hambúrgueres passados que deixaram sua marca na chapa. Isso é hambúrguer congelado e descongelado ao longo do dia, perdendo aos poucos sua propriedade de carne e sua integridade física. Uma carne minimamente saborosa, que poderia ser feita em casa pela mamãe ou por um chapeiro semi-escravo de 17 anos pagando as prestações do aparelho ortodôntico inter-ligável enquanto estuda via correspondência para o curso de auxiliar administrativo pelo Instituto Universal Brasileiro e tenta reatar com a namorada grávida pela sétima vez (todo o meu respeito por esses guerreiros da vida) no McDonald’s mais próximo de você. Só que com um toque caseiro.

No final das contas, o Porco Nobre é um bom lugar para se comer outros sanduíches, porque hambúrguer não é mesmo o forte do lugar. Não que seja uma experiência desagradável, longe disso, mas falta amor e falta liga no Nobre Bacon. Recomendo pra quem curte uma parada monstro e não se sente especial no McDonald’s, não se sente confortável no meio de gente rica em hamburgueria gourmet e não se sente seguro em podrão.

Ficha técnica:

Nobre Bacon

Ingredientes: “Hamburger, queijo, presunto, bacon, maionese e salada”

Preço: R$16,90 o combo com batata frita e refrigerante. Vale, hein?

Ponto alto: Lanche grande, misterioso envolto no papelzinho, preço bom.

Ponto baixo: Pão que se despedaça, queijo esquecível e carne com pouco sabor.

Avaliação: C-.

O Porco Nobre fica na Rua 24 horas, entre a Visconde de Nácar e a Visconde do Rio Branco.  (41) 3224-1022.

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Publicado por em 07/27/2012 em Uncategorized

 

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The Fifities – Pic Asiático

O que há, afinal, nos anos 50, que tanto bole (do verbo bulir) os hormônios e sentidos dos fãs de hambúrguer — e aqui nos excluímos do grupo, já que para mim anos 50 é sinônimo de vídeos educacionais idiotas, paranoia comunista, cinema estadunidense tosco e o intragável início do rock ‘n roll. Pode reparar, a relação é um clichê comum a quase todas ditas hamburguerias da cidade. Tão verdade quanto a perversão dos paranaenses por araucária (Freud explica: mamãe não te dava mamá, papai não te dava papá, titio não te deixava cagar e você cresceu doido por pinhão), a relação foi levada ao máximo por alguns empresários paulistas que criaram o The Fifities, uma cadeia de hambúrgueres para classe AA toda estilizada na estética dos anos 50 – ou, ao menos, na caricatura dessa época rabiscada pelo substrato da nossa parva cultura americanóide mal digerida pelos anos.

A ideia deu tão certo, tal é a associação da época com a comida, que a rede paulistana veio parar nessas paragens gélidas de pouca simpatia para oriundos de outros estados, exceto São Paulo. O restaurante foi inaugurado no Largo Curitiba do Shopping Curitiba, a nata da não-tão-nata assim, e contempla, pelo que eu me lembro, piso quadriculado, sofá de canto acolchoado e garçons trajados na melhor estileta american-way-of-life, de camisa salmão listrada, suspensório e chapeuzinho de idiota. Mesmo diante desse pesadelo estadunidense, os curitibanos, que sempre, sempre, sempre, sempre, sempre vão acreditar no hype, faziam fila do lado de fora do lugar, impacientes para deixar ali o valor de 3 refeições em qualquer outro restaurante da praça de alimentação normal. E no meio deles, nós, implacáveis em nossa missão de continuar comendo tudo até a última ponta.

O primeiro susto foi, obviamente, para a primeira olhada nos preços. Hambúrgueres que custam perto de 30 reais, e isso sem a batatinha adicional de praxe. Aqui a teoria do Preço da Carne do Murilo, sinto dizer, foi para as cucuias. Talvez um hambúrguer feito de carne de mico leão dourado valesse esse preço, mas das duas uma: ou esse povo acha que picanha é caviar ou os açougueiros tão sacaneando esses caras vendendo carne pelo quíntuplo do preço. Não tem cabimento um hambúrguer custar o dobro de um sanduíche de qualidade que é ainda acompanhado de batata frita, a menos que exista otário suficiente no mundo para pagar por isso (e, caso vocês não saibam, foi assim que o carro aqui no Brasil chegou ao preço de hoje). Se nós aqui não tivéssemos compromisso com a verdade hamburgável, simplesmente teríamos levantado nossos traseiros das cadeiras, falado um educado boa noite e nunca mais colocar os pés ali. Mas como somos homens com uma missão, resolvemos, antes de falar um educado boa noite e nunca mais colocar os pés ali, comer um lanche para poder criticar com conhecimento.

O cardápio tem relativamente bastante opção, mas ficamos nos principais, os tais pic burger, os hambúrgueres feitos de picanha. Enquanto o Murilo foi em uma receita mais coerente e lógica, resolvi fazer da minha extravagância um exótico safári pela terra da culinária Frankenstein e escolhi o sanduba mais bizarro do cardápio principal, que é o tal do Pic Asiático: hambúrguer de picanha, cream cheese, shitake e alho poro. Asiático? Isso é uma suruba entre um chef alemão, um inglês, um japonês e… sei lá de onde é o alho-poró, mas tenho quase certeza que não é da Ásia. Enfim, se a intenção dos chefs era associar a bizarrice do sanduíche com a bizarrice regular dos asiáticos, então tudo bem. Se era uma tentativa de criar um sanduíche étnico, preciso recomendar aos responsáveis uma viagem à Ásia antes mesmo de uma viagem aos Estados Unidos.

E como não vinha batatinha junto, fomos obrigados a jogar mais 16 reais na mesa e pedir uma porção, afinal, julgar um hambúrguer sem julgar suas batatas é como julgar um filme de ação visto ainda com a tela verde sem Chroma.

Enquanto nosso lanche demorava uma eternidade para chegar, fomos reparando em algumas coisas. Por exemplo, a foto do meu hambúrguer no cardápio mostrava um cream cheese azul, o que me deixou bem preocupado e receoso pela minha saúde. A garçonete, entretanto, me garantiu que não tem nada de azul no sanduíche, e anotou nossos pedidos modestamente em um iPod Touch, artefato sobre o qual quase me garanto ao dizer que não existia na década de 50, quebrando boa parte da mística que tentaram construir. Francamente, não há nada de errado no bom e velho bloquinho de papel e caneta esferográfica azul. Além de conferir mais verossimilhança à experiência, confundiria menos os garçons que – coitados! – erraram 16 pedidos enquanto aguardava minha refeição. Basicamente eles iam de mesa em mesa perguntando: “foi aqui que pediram um chope/batata-frita/ hambúrguer de mico leão dourado/ a conta/ palito de dente/ um pedido errado de outra mesa?”. Não tem sentido anotar no iPod Touch, então. Um conselho para a gerência: vendam essas porcarias e abaixem o preço do hambúrguer, senão vocês vão cair do cavalo mais rápido do que o super-homem original.

E eis que chega a beleza, numa apresentação tosca. Aqui no Good Burger temos a política de não enfeitar a apresentação dos lanches, à exceção, talvez, da sublime qualidade das fotos, que um profissional como o Murilo não consegue evitar. Mas dourar a pílula não é o nosso negócio, principalmente porque quem paga nossos lanches é a gente mesmo. E me chega esse numa porcaria de envelope de papel, como num trailer da rua ou de cantina de colégio? Colega, eu paguei 30 reais num hambúrguer, estava esperando algo como pirotecnia no prato ou ser servido na barriga de uma cambojana ou na testa de um ancião paranormal do Rajastão, qualquer coisa asiática e exótica, mas não: um sem graça envelopinho branco com a logo marca do recinto. Algo que não demandou mais do que cinco centavos e cinco segundos dos preparadores. Tudo bem, tudo bem, embora a primeira impressão seja de fato a que fica, não comemos com os olhos e estava pronto para relevar isso e tirar o sanduíche do envelope para mostrar em mais detalhes para vocês. De quebra, a foto das batatinhas, temperadas com queijo derretido e bacon carbonizado. Eis todas.

FifitiesFifities

bacon e queijo

A decepção começa nas batatas fritas. Como um lugar especializado em um sanduíche que tem como núcleo uma carne frita e como periférico tubérculos fritos à moda belga pode ser tão displicente no tratamento dessas batatas? Sem sacanagem, eu como batatas melhores no restaurante a quilo em que eu almoço todo dia, e isso não é um elogio à espelunca que eu chamo de restaurante. Murcha, pálida, fina a ponto de ter só casca crocante, sem nenhum cerne tenro, só óleo e depressão coberto por um bacon que mais parece torresmo e um queijo derretido como pizza. Se a cozinha do The Fifities trabalha no esquema de chef de partie, sugiro fazer rolar algumas cabeças imediatamente.

Mas vamos ao hambúrguer de fato, já que o acompanhamento não serviu nem de entrada porque chegou na mesma hora. Bom, o pão, por mais fresco e macio que estivesse, não passa de um pão industrial, sem carinho nenhum em sua confecção, e não merece nenhum destaque da minha parte. Esperava realmente uma inovação no pão, algo que deixasse o lugar comum e frustrei-me ante o tédio da mesmice.

O cream-cheese é o grande redentor desse Frankenstein culinário. Sua consistência coloidal fagocita as mil texturas embaralhadas do recheio, fazendo com que a experiência de mastigação seja algo mais coerente e menos parecido com os altos e baixos de se atravessar o sertão de Transpiauí. Porque veja você que samba do crioulo doido são essas texturas: o pão, aerado e macio; o cream cheese, cremoso como o nome já diz; o shitake, borrachudo e levemente úmido; o alho poro; crocante como uma cebola e fino como fio de ovos; e o hambúrguer, cuja consistência todo mundo conhece. Como comer uma coisa dessas sem preparar a mandíbula para triturar o mais forte e deixar os outros ao sabor da maré? A harmonia pode ser feita pela união das coisas contrárias (árias, árias, árias, alô, Cabeça!), mas é bom lembrar que o yin-yang são apenas dois opostos.

O shitake é o elemento mais bizarro da bizarrice toda. O que os cogumelos têm a acrescentar em um prato de sabores fortes, vocês me perguntariam, e a resposta é: pouca coisa. O shitake tem o sabor umami, o quinto elemento do sabor, responsável por, em parte, realçar outros sabores. Mas a carne vermelha, especialmente a picanha, já é rica em umami também, então é um elemento redundante. Aí tem a textura, mas a textura do shitake, como eu já falei, é, também em parte, fagocitada pelo cream cheese, abundante no sanduíche, então perdemos aí boa parte da textura. Por último, o gosto do shitake, que dá uma leve encorpada no sanduíche, algo muito sutil e pouco vantajoso, haja visto o preço do shitake hoje em dia e o aspecto físico da parada fatiada. A sensação é de estar comendo um sanduíche coberto de planárias.

E por último, formando o background do Pic Asiático, está o alho poro. O alho poró, vou dizer, cai muito bem com carnes acompanhadas de pão ou outras massas similares. É agradável misturado ao cream cheese, dá um sabor exótico ao queijo e realça o sabor de tudo. Finalmente algo acertado.

Yuri, esse papo tá muito bom, mas e, afinal, a carne vale mesmo o preço? Olha, amigo, carne nenhuma vale esse preço, mas a foto não deixa mentir: é uma carne muito bem preparada. Cheia de sucos, rechonchuda, no ponto, rosada por dentro. Mas há um porém, como tudo na vida. Falta sabor. Quer dizer, para um hambúrguer de caixinha da Sadia é bem saboroso, mas para um hambúrguer com toda a pompa que chega, é quase uma carne d’água. E não sei explicar direito a razão disso, talvez tenham usado pouca gordura no preparo da carne, usado pouco tempero, vai saber. O maior sabor do sanduíche tava mesmo nos outros ingredientes. É como encontrar uma pessoa bonita e decepcionar-se com sua burrice estupenda. Falta conteúdo na forma. Mens sana in corpore sano. E foi aí que eu me toquei: pão industrial, carne bem preparada, molho abundante e saboroso. Já tinha visto isso em algum lugar, e foi no Dom Corleone. Aqueles caras fazem sanduíches melhores que esse por um preço infinitamente mais honesto. Fiquei feliz de acreditar de novo no pequeno estabelecimento e ver que as grandes cadeias nem sempre são sinônimos de qualidade.

Resultado: saí do The Fifities frustrado, irritado e decepcionado. Colocaram o preço lá em cima, e as expectativas também sobem. Fomos atendidos por funcionários mal treinados, comi uma gororoba bizarra, paguei extra pelas batatas mais horríveis da minha vida de crítico gastronômico e desembolsei uma grana forte que não valeu a pena.

Ficha técnica:

Pic Asiático

Ingredientes: “Hamburger de picanha, cream cheese e shitake temperado com alho-poró”

Preço: R$26,90 + R$4,00 coca-cola lata + 1/3 de uma porção de batata. Total: R$38,60 (incluindo o serviço)

Ponto alto: Cream cheese redentor, carne bem apresentada e ousadia no alho-poró.

Ponto baixo: Batata frita não inclusa (e nem adianta pedir separada porque é horrível), preço extorsivo, montanha russa de texturas e pão tedioso.

Avaliação: E- (minha avaliação aqui conta com toda a minha frustrante experiência).

O The Fifties fica dentro do Shopping Curitiba na Rua Brigadeiro Franco, 2300  (41) 3308-2184.

 
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Publicado por em 07/19/2012 em Uncategorized

 

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The Fifties – Pic Europeu

Adivinha doutor quem tá de volta na praça?”
Não, não é o Planet Hemp, a ex-quadrilha da fumaça (felizmente, né! Já tem muito maconheiro reunido por aí!).

Estamos de volta e já começamos com um lugar recém inaugurado. Então se você ainda não foi ver qualé que é a do tal Fifties,  vê aí o que nós achamos (semana que vêm tem o segundo post, não percam!).

Chegamos e tinha uma lista de espera, demorou pouco menos de 10 minutos para nos chamarem, nunca tinha visto uma lanchonete com tanta fila e gente na expectativa. Mas como ainda está em fase de inauguração, hambúrguer está na moda, e é novidade na cidade, dá para entender o grande movimento.

O Fifties fica naquela parte bonita que fizeram no Shopping Curitiba, logo na entrada pela Rua Brigadeiro Franco. Fica à direita, do mesmo lado do Outback só que no fundo. Ah, vocês vão encontrar.
Lugar bonito que como o próprio nome diz, é inspirado no anos cinquenta. Muito bem iluminada, com uns puta espelhos redondos emoldurados na parede lateral que ficam os bancos de canto vermelhos e confortáveis e também tem uma parte com mesas fora da lanchonete, nessa parte do shopping que virou uma praça de alimentação chic, tirando o Habib’s (que é de pobre mas como ainda dá dinheiro, resiste no meio do núcleo rico) que por sinal ficou com a entrada bem encoberta. Tem coisa mais curitibana que isso? Agora até dentro do shopping escondem a parte pobre e mostram bem a parte rica e bonita.

Os garçons são uniformizados como garçons americanos dos anos 50 mesmo, mas usam um iPod touch para anotar os pedidos. Não seria mais coerente um bloquinho de papel e uma caneta, que eles poderiam colocar presa na orelha para compor o visual?
Já que falei dos uniformes vou falar uma coisa que eu acho, os funcionários dessas redes de fastfood merecem ganhar um adicional de “ridicularidade” por terem que usar esses uniformes escrotos. Os do Bob’s acho que conseguem ser os mais feios, se bem que McDonald’s e Burger King não ficam atrás. Sério, eu ficaria com vergonha de usar aquela roupa nada a ver. Antes que digam qualquer coisa, não estou falando da função, até porque meu sonho até pouco tempo atrás era ser chapeiro (como dizem os modernos, acho “daora”). Talvez por isso eu não seja uma pessoa feliz, preferi  ganhar dinheiro… mas nem ganhei.

Vamos falar de comida que é para isso que serve essa bagaça.
O cardápio deles tem umas opções diferentes, é bom inovar (ou renovaaar, quem lembra do Toninho da Renovaaar?) embora eu seja conservador e sempre pegue mais ou menos a mesma coisa, já falei sobre isso no post do Guiolla, não vou repetir.
Mas dessa vez me atrevi e fui no tal “Pic Europeu”, mas acho que deveria ser Pic Italiano já que tem Peperoni, tomate e creme de queijo, um lance meio pizza.

A primeira impressão é que quando você morde e pega uma rodela de peperoni, tudo fica com o gosto de peperoni, o pedaço de carne que veio junto na bocada, fica parecendo um naco de peperoni, bom se fosse numa pizza e não num hambúrguer onde a carne é o personagem principal e o resto é tipo ator coadjuvante, que vez ou outra rouba a cena, mas para isso tem que ser muito bom. Outro coadjuvante que afundou a obra foi o queijo, ou creme de queijo que pra mim foi a maior decepção, é um creme insosso(tá, para contrabalançar com o peperoni mas mesmo assim) e pra piorar fosco, arenoso, deixava a língua com uma sensação de aspereza que não era legal. E para completar tinha um tomatinho cortado tão fino quase não se percebia o coitado.

O pão na foto parece que tem uma casquinha crocante, mas não tem, é pão de hambúrguer normal, pode ter sido comprado na “maravilhosa” panificadora do Mercadorama aqui perto de casa. Por esse preço, se espera pelo menos um pão melhorzinho, mas nem a isso se deram ao trabalho.

Esse sanduíche é como algumas pessoas, que são bonitas, atraentes e desejáveis a primeira vista, mas quando vamos chegando mais perto, é aí que se percebe que é muito visual para pouco tempero e conteúdo. O hambúrguer de 230g de picanha, por isso o Pic no nome(tem a opção de 150g, mas achei pouco), é um grande hambúrguer, a aparência é bem boa, com um leve rosadinho no interior e suculento, preparado no ponto mesmo, do jeito que a gente gosta de ver.
Pena que no fator primordial que é o gosto, deixa a desejar, e muito. Lá no fundo eu sentia um gostinho da carne, de todas as mordidas, em apenas duas eu pude dizer “hum, que gosto bom”. Não é o que se espera por um hambúrguer de quase trinta reais, o que se espera é que o sabor salte de todos os lados e afogue nossas papilas gustativas numa enxurrada de sabor, e não ter que ficar procurando ou até se esforçando para achar gosto e não ficar se sentindo um mané por ter pago trinta reais nisso.

E não acompanha batata frita! com esse preço e não acompanha batata? Como assim!?
Tá, você resolve pedir uma porção, quer uma maionese para comer com a batata? Tem que pagar quatro reais, mas o catchup Heinz é de graça… Que lógica é essa? O que é mais barato, uma Hellman’s ou um Catchup Heinz?

Que preços são esses? Ceis tão loco? Preço de São Paulo (a rede é de lá) na província de Curitoba não rola. Acho que Fifties não representa só da década de 50, mas também já é a indicação que você vai gastar uns 50 mangos se quiser um lanchinho na casa.
Querem mais um exemplo? Lá eles fazem “vaca preta”, pelo menos tem no cardápio (ponto positivo, faz muito tempo que não vejo isso em lugar nenhum e é uma parada que curto muito) mas cobrar R$13,90, por uma ou duas bolas de sorvete e uma lata de coca-cola, nem fodendo!

Resumindo, foi uma puta decepção, o sanduíche não é bom e pra piorar é absurdamente caro. O lugar é até bonito, mas como vou para comer e não para olhar para as paredes (embora faça muito isso às vezes), prefiro ir a outro lugar na próxima.

Ficha técnica:

Pic Europeu

Ingredientes: “Hamburger de picanha, um saboroso creme de queijo, tomate e peperoni” (no meu colocaram só creme de queijo, esqueceram de colocar o saboroso junto).

Preço: R$25,60 + R$4,00 coca-cola lata + 1/3 de uma porção de batata. Total: R$36,60 (no mínimo abusivo)

Ponto alto: A carne talvez seja realmente a parte boa, mas precisa ser mais bem tratada.

Ponto baixo: Não acompanhar batata frita (mancada!), preço absurdo, pão sem graça, creme de queijo àspero…

Avaliação: D-

O The Fifties fica dentro do Shopping Curitiba na Rua Brigadeiro Franco, 2300  (41) 3308-2184.

 
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Publicado por em 07/12/2012 em Uncategorized

 

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