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Arquivos mensais: Agosto 2012

Elvis Costella – The Real Deal Burger

Pensar os fenômenos que ocorrem ao seu redor no dia a dia exige sensibilidade, paciência e observação. Mas como nós temos tudo isso, podemos perceber e fazer a pergunta que pede para ser feita: por que, afinal, tantas hamburguerias estão brotando na cidade? Não me levem a mal, Deus sabe que eu gosto de um hambúrguer (aliás, graças a esse blog, agora acho que todo mundo sabe), mas é preciso descobrir de onde vem a demanda por tantos hambúrgueres gourmet, por tantas opções de recheio, por tantas alternativas vegetarianas a uma comida que quem não come carne não deveria nem querer chegar perto.

E bom, exatidão é algo que só existe no mundo dos homens de Protágoras e suas medidas antropocêntricas, mas isso não impede que tentemos esboçar uma explicação plausível. E a resposta para isso, doa a quem doer, vem da morte da alta-gastronomia. As crianças de classe média não comem mais comidas elaboradas, seus cardápios resumem-se a congelados, fast-food e as três ou quatro opções que a empregada tem na manga, porque cozinhar em casa, além de ter se tornado algo caro, também se tornou algo muito trabalhoso e vagaroso para o ritmo do século 21.

Sendo assim, o homem moderno, quando ganha liberdade para voar para fora do ninho, busca nas hamburguerias refeições que explorem o parvo repertório com que foi criado. E é esse o principal desafio dos chefs de hoje em dia (por chefs, refiro-me àqueles que não querem surpreender ninguém): trabalhar com o repertório da galera, fazer mais com menos, construir algo que seja ao mesmo tempo gastronomicamente desafiador e confortavelmente familiar. É só uma questão de tempo até aparecerem restaurantes especializados em miojo, vai por mim.

É justamente a tentativa de trabalhar com o repertório distorcido das crianças da geração coca-cola que faz com que tantas hamburguerias associem seu principal produto à famigerada estética rockabilly dos anos 50. A cultura estadunidense é tão contundente que tanto bate até que fura e todos se esquecem que a palavra vem do nome de uma cidade alemã, e associar qualquer elemento teutônico a esse bolo de carne é um disparate lógito semelhante a associar as batatas fritas a seu lugar de origem, a Bélgica.

Tudo isso para dizer que o Elvis Costella, restaurante das mercês que, com palavra e imagem, funde os dois únicos Elvis que o rock n’ roll já conheceu, levou essa brincadeira longe demais. O lugar é uma caricatura grotesca da cultura americana de que os ianques tanto se orgulham. Guitarras nas paredes, bancos que simulam Cadillacs, jukebox decorativa, pôsteres de filmes, o restaurante é imenso e se reabrisse como museu, poucas pessoas notariam a diferença. Se é assim tão grande a vontade de parecer um restaurante norte-americano, é uma pista de que em matéria de hambúrguer os caras devem ser bons. E se são, é melhor a gente ir conferir.

Mas não na primeira tentativa. Chegamos lá e tinha uma banda cover de Elvis tocando, com um sujeito que parecia muito o Elvis mesmo (o Presley), mas que não justifica, na minha opinião, o couvert artístico de 20 reais – mais do que eu pretendia gastar em comida naquela noite. De maneira que retornamos num dia mais tranquilo, vazio, com aquele ar de fim de festa. Foi aí que finalmente demos uma olhada no cardápio.

Três opções de hambúrguer, caros leitores. Senti-me observando a obra pop de Andy Warhol sobre Marilyn Monroe, que com suas cores e pictoração fauvistas wanna-be, emulam, para mim, a falsa ilusão de escolha da massificação cultural. Veja você também o quadro para acompanhar meu raciocínio.

Andy Warhol

Então, basicamente o que eu tenho é a opção de escolher o Real Deal, que é um hambúrguer, o Elvis Jr, que é o mesmo hambúrguer, só que menor, e o Alaska Burger, que é feito com pão integral, salmão e guacamole. Ou seja, não é hambúrguer. Resumindo, você tem duas opções de hambúrguer nesse grande restaurante americano: o grande e o pequeno. Tá bom pra você? Que bom, porque pra mim não tá. Quase não tivemos post sobre o Elvis Costella, mas acertamos que o Murilo comeria o menor e eu pegaria o Real Deal Burger, porque, afinal, ninguém aqui vai encostar num hambúrguer de salmão!

E vamos ao que interessa. O The Real Deal Burger, imperativo dizer para os que não manjam de inglês, tem um nome um tanto prepotente para virtualmente a única opção de hambúrguer do cardápio. Real Deal é tipo “A parada de verdade”, sem caô, sem vacilação, leva o que paga, tá ligado? No cardápio diz: “Pão, hambúrguer de carne (Red Angus, 250g) de carne [sim, repete o ‘de carne’, acho que é pra mostrar que não é de salmão], queijo, tomate, pickles [assim mesmo, com k], cebola e maionese……..24 reais”. Xi… passou dos 20 reais, pra mim, a brincadeira fica séria, o sorriso some e o profissionalismo fala mais alto. Aqui não tem moleque, virei o boné pra trás no estilo Falcão – O Campeão dos Campeões e comecei a prestar atenção em tudo. E a primeira coisa, obviamente, é a pose, que isso esse sanduba tem.

Elvis Costella

Infelizmente, começamos mal. O garçom, que não anotou nada confiando na sua memória infalível, errou nossos pedidos e o meu sanduíche veio como o Murilo queria: sem cebola e sem picles. Tudo bem, não sou mesmo fã desses ingredientes e geralmente só como para relatar a experiência mais próxima da realidade que vocês terão. Por isso não reclamei, mas isso não justifica a má conduta do garçom. Papel e caneta existem, são baratos e eficientes. Acredite no simples, acredite na beleza. Fica a dica, como dizem as patricinhas.

Comecemos pelo topo. O pão reforça aquele ditado “por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”. Não que tenha bolor, nada disso, mas é que, se por um lado a crosta cativa, o miolo, mais seco que tabule que caiu na areia, tira toda a graça do resto e dá a impressão de se estar comendo algum tipo brando de poliuretano, com aquela textura de isopor. Eu cheguei a destacar um pedaço grande do pão e mostrar para o Murilo, para ele procurar, tal qual um investigador do CSI, algum traço que indique que aquele pedaço pertenceu a um hambúrguer, e não foi possível provar nada. Pena que não tirei foto para mostrar.

Sobre a salada, eu geralmente falo pouco mais que generalidades de praxe, para cumprir tabela, mas serei obrigado a puxar a orelha do chef do Elvis Costella nesse quesito. O cara usou alface lisa no sanduíche! Alface lisa! Como alguém, em pleno século 21, com acesso a Wikipédia, usa uma alface lisa no sanduíche. Parece muito bom se a intenção é passar a impressão de se estar mordendo um boi que está afundando num brejo, mas, cambada, vamos usar a boa e velha alface crespa, também calha bem uma americana, porque em time que se está ganhando não se mexe. Sério, é a primeira vez que eu vejo isso desde uma lanchonete na Bahia em que o x-burger custava um real.

O queijo é outra decepção. Longe de ter sabor de queijo, reduz o ingrediente a sua essência primitiva: gordura. O gosto é a pura gordura do queijo, como se você derretesse num prato no microondas, tirasse o queijo e bebesse o óleo que fica no prato. Passou do ponto, misturou com a fumaça da carne e usaram queijo sem graça para compor o Real Deal. Uma pena, a parte que eu mais gosto nos sandubas é o queijo.

Por fim, a carne. Quando vi o meu prato chegar, fiquei animado com a cara boa que ele tinha, e, uma um, os ingredientes foram se mostrando mais fotogênicos do que gostosos, como um sanduíche publicitário. A carne, porém, eu acreditava fielmente que não iria me decepcionar. Uma carne consistente e suculenta como aquela não podia ser de mentira. Bom, não é mesmo, mas nem de longe é tão boa quanto parece. O principal erro aqui é o gosto excessivo da fumaça na superfície, falha crassa de quem deixa queimar um lado pouco untado. Mais passado do que o suficiente, sem a suculência do interior, inutilizou a boa carne de Angus, cuja maior qualidade é a maciez e a capacidade de guardar mais e melhores sucos no recheio.

Uma coisa, entretanto, se salvou. As batatas fritas, gostosas, sequinhas e bem feitinhas, raras de encontrar por aí, só pecam por serem escassas como sempre. Mas é tanto desanimo e decepção que nem me animo muito a falar delas. No fim das contas, foi isso o resumo da visita ao Elvis Costella: uma grande decepção.

Ficha técnica:

The Real Deal Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger de carne (Red Angus, 250g) de carne, queijo, tomate, pickles, cebola e maionese”.

Preço: R$24. Salgado como o mar morto.

Ponto alto: Não sei… a decoração? A fotogenia do meu lanche? Ah, e as batatas!

Ponto baixo: Falta de opções, pão seco, carne seca, alface lisa (!!!), queijo que é pura gordura e preço estratosférico.

Avaliação: E+

O Elvis Costella fica na Av .Manoel Ribas 396 “nas” Mercês, e funciona de segunda a sexta-feira das 11h30 às 14h30, de terça a sexta-feira das 18 horas às 23h30. Sábados, das 14 horas às 23h30. (41) 3618-7089.

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Publicado por em 08/30/2012 em Uncategorized

 

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Elvis Costella – Elvis Jr.

Elvis Costella. Na real não entendi direito esse nome, sempre que eu passava na frente quando voltava de um curso eu pensava no Elvis Costello cantando She, da trilha do Um Lugar Chamado Notting Hill, que é dos dois filminhos bobinhos de menina que eu gosto. (Eu devia estar apaixonado nessa época, sei lá!). Mas eles usam o ícone do Elvis Presley, o costela eu achava que era um trocadilho ruim (tipo os que eu faço por aqui) com costela do boi, a carne costela, dos costelões 24h(que o melhor é o Curitibano, na Chile), mas não é, porque  é Costella com dois “éles”. Resumindo, não entendi nada do nome do lugar. Mas isso não importa, embora também não tenha entendido o cardápio com apenas três opções de hambúrguer. Três não, na verdade são apenas duas. A terceira é um hamburguer de salmão (WTF?), e os outros dois são a mesma coisa só que com carnes em tamanhos diferentes.  Pra piorar, o restaurante estava em falta de salmão, que nessa época deve estar subindo o rio para desovar, então ficamos sem opção.  Mancada, os caras tem mais opções de burritos do que de hambúrgueres.

Quem foi que disse pra gente ir lá?!
Orra, leitor que nos indicou o lugar, tá de sacanagem! (risos)

Mas o lugar é bem grande, bonito, decorado com vários vários quadros de filmes, de astros e outros ícones da cultura americana, além de uns disquinhos de “ouro” e umas guitarras emolduradas, tem uma jukebox apenas decorativa (o que é uma pena, ia ser legal escolher uma música) e mais umas coisas como uma calça de cowboy, um biombo do Jimi Hendrix …  é muita informação, tem muita coisa para ver.
Tem até uns bancos feitos com a traseira de uns Cadillacs Bel Air. Cada mesa tem um azulejo com o rosto de alguma personalidade, nesse dia lanchamos com a Janis Joplin entre os pratos.
E na parte do meio parece um salão de dança, se tirar as cadeiras e mesas daria para fazer um concurso de dança tipo do Pulp Fiction, quase me vi lá dançando com a Mia Wallace, gatinha.  LOL

Uma coisa que vale fazer é ir lavar a mão e dar uma olhada no banheiro, enquanto espera a comida. Eu queria um banheiro legal desses na minha casa.

Veio um cara “anotar” os pedidos, só que ele não anotou, apenas perguntou o que queríamos e saiu.  Quando ele virou as costas eu falei: “Vai vir errado, o cara nem anotou”. Dito e feito!

Usando parte de uma frase do herói nacional, Roberto Nascimento, “Só tinha uma coisa que me deixava mais puto do que erro em operação”, é o cara que faz o negócio sabendo que vai fazer errado. É lógico que ele ia esquecer, pô!

Mas como acho meio sacanagem e um desperdício de comida devolver para eles talvez jogarem fora (e sou daqueles que acham que os caras podem cuspir e passar o pinto no que você devolveu e te mandar de volta), comi como veio mesmo, era para ser sem cebola e quem não gosta muito de cebola em grandes pedaços sabe o quanto isso não é legal. E isso me fez comparar o sanduíche com esfiha de carne do Habib’s. E não era isso que  eu queria.

O pão me lembrou aquela música Vivaaaaaa Las Vegas!! Mas não pelo brilho e alegria, mas pelo secura do deserto que rodeia a cidade da jogatina.
Que pão seco é esse?! Sério, nem com o suco da salada com cebola e tudo, mais a carne, o pão ficou mole.

O hambúrguer tinha um pouco de gosto de fumaça, um pouco do gosto de tempero, um pouco suculenta, um pouco do gosto da grelha(o que não é ruim), de tudo um pouco.
Não quero comer algo com um pouco de gosto, talvez se eu estivesse pagando pouco… mas não era o caso.
Talvez se tivesse pego a versão com 250g eu teria ficado um pouco mais contente.
Se bem que mais uma vez o hambúrguer do Yuri que era o de 250g (semana que vem aqui, não percam!) estava seco e o meu não.  Melhor um pequeno molhadinho que um grande secão, diriam as garotas.
Acho que os caras flagram que eu sou o Good Cop da dupla e me mandam mais batatas, hambúrgueres melhores…
Mas na boa, que lugar que quer parecer americano e não serve direito um hambúrguer?!

O queijo, amarelo parecia um plástico sem gosto, tipo cenográfico está ali fazendo presença visual mas não muito gustativa.

A salada acompanhada das indesejáveis cebolas,reconheço que mesmo com elas não estava ruim e elas até ajudaram a dar uma umedecida junto das duas finas rodelas de tomate e a alface fresca.

Ah, as batatas! São boas, olha que douradinhas (a iluminação ajuda a ficarem douradas) mas estavam realmente bem agradáveis e com a quantidade certa de sal, nem muito e também não sem nada. Felizmente ultimamente só temos encontrado boas batatas, que continue assim.

Em resumo, se depender desse Elvis Júnior, o Rei do Rock não iria ficar gordo nunca, mesmo estando deprimido e decadente.
É um lugar legal, classe média/alta, (acho que se eu tivesse dinheiro até frequentaria com os amigos, a namorada, faria um happy hour  com os colegas depois do trabalho … mas não tenho nada disso, então não sei se vou voltar tão logo). Em alguns dias rola música ao vivo (da primeira vez que tentamos o lugar, o couvert artístico era 20 reais! Desistimos e voltamos outro dia em que não tinha banda, já que queríamos só comer), mas não iria lá comer um hambúrguer, que é bem na linha Lucélia Santos currada pelos negões, bonitinho mas ordinário.

Para fechar, comemos por volta das 20:30 e agora 23:30 já estou indo esquentar um pedaço de pizza de uns dias atrás, fraco de sustância, heim!
Ficha técnica:

Elvis Jr

Ingredientes: “Pão, hamburger de carne (150g)de carne, queijo, tomate, pickles, cebola e maionese”.

Preço: R$19,50 (não vale, da para comprar quase 3 Americans de 7$ no Rock’a Burger) Não lembro quanto era a coca-cola, mas pedi uma e a conta deu R$25,55.

Ponto alto: O lugar é legal e o sanduíche é bonito (conta né?)

Ponto baixo: Falta de opções, pão seco, pequeno e um pouco sem gosto.

Avaliação: C –

O Elvis Costella fica na Av .Manoel Ribas 396 “nas” Mercês, e funciona de segunda a sexta-feira das 11h30 às 14h30, de terça a sexta-feira das 18 horas às 23h30. Sábados, das 14 horas às 23h30. (41) 3618-7089.

 
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Publicado por em 08/23/2012 em Uncategorized

 

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Galeria Lúdica – Os Gêmeos

Voltamos à região mais bonita da cidade. Mentira, nem é, aquela região não tem nada de bonita, só uns nóias, ruas de paralelepípedo, gente descolada e paredes pichadas.
Estamos falando do bairro São Francisco, um dos pontos da cidade que reúnem alguns dos bons hambúrgueres da capital.
A região é feia, mas acho a Galeria Lúdica um lugar bonito até, lugar de reunião de designers, lomógrafos, lésbicas, DJ’s e hipsters curitibanos. Admito que não sei direito o que é hipster (mas eles estão lá!) porque estou por fora dessas coisas,  sou um outsider (risos). Hipster pra mim é aquele povo que tem cara de que foi criado pela vó, sabe como é?!

A Galeria Lúdica era só uma loja que vendia coisas modernas de design, decoração, arte e tal, e que agora além de vender essas coisas tem cadeiras e mesas no meio da loja. Então você pode comer seu sanduíche vendo posters com grafites, ilustrações, fotos, câmeras Diana e afins. Parece que no segundo andar tem um espaço para exposições, mas não subimos para conferir. Acho interessante essa mistura.
E de quebra ainda rola um som, aquele lance meio lounge,músicas que eu nunca tinha ouvido, num volume um tanto alto,mas boas.

A primeira impressão foi boa, assim que entramos estava um “cheiro de lanche” muito bom. Logo fomos atendidos por uma menina, na sequência por um cara e depois outra menina anotou os pedidos, todos muito corteses, gostei do atendimento.

Segundo o cardápio, carne de primeira no pão francês com “uma pegada street art no nome e na montagem”.
Não sei que diabos seria uma “pegada street art” que eles dizem ter na hora de fazer o sanduíche, mas espero que não seja uma parada meio rueira do tipo “Caiu no chão? Pega e come”.

Fui no “Os Gêmeos”, sim, os irmãos dos bonecos amarelos que são mundialmente conhecidos e que já expuseram aqui em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer.


Aí um pequeno desenho dos caras em NY.

Agora parafraseando CINTURA, Paulo, “Issááá! Hambúrguer é o que interessa, o resto não tem pressa!”  (Por essas referências que a gente vê a idade das pessoas).  Então bora falar do motivo pelo qual fomos lá!

A primeira impressão da comida é: “Que pequeniniiiinho!!”.  Da para segurar com uma mão só, sem problemas … se bem que isso é um problema, né?! Mas é bonitinho, e pela primeira vez o hambúrguer, a carne, consegue ser maior que o pão, isso é bem legal.
Logo se repara no pão francês, adoro pão francês com hambúrguer, acho bem mais interessante que o tradicional pão de leite com gergelim.
E esse estava bem bom, fresco, macio no miolo e com a casquinha quebrando em pequenos pedacinhos, sem soltar aquelas lascas pontiagudas que quase furam o céu da boca. Mas tem aquele problema clássico do pão que acaba antes do resto, principalmente a parte de cima.

Alface e tomate muito na medida, ou seja pouco, ou então o suficiente para se fazer notar, como tem que ser, salada não pode roubar a cena, nunca! Não somos vegetarianos e preferimos carne à salada.
Uma única e solitária fatia de queijo dava as caras muito discretamente sobre a carne, não sei por que a galera regula tanto no queijo. Poucas vezes somos bem servidos no queijo, lembro do Guiolla ser bem servido, com queijo notável. Tirando o caso do clássico Fundae de Queijo, o único que peca pelo excesso de queijos.

O hambúrguer é grande, maior que o pão como já disse, por fora parecia que estava um pouco torrado, achei que tinha passado um pouco do ponto, já que me deram a opção de escolher no ponto não poderia vir bem passado, mas por dentro ainda estava suculento, não tanto, mas ainda dava para ver e sentir a carne escorrendo e a gente se deliciando.
Outra coisa legal da carne é que é não é moldada na mãozada instintiva, em que se pega um bolo de carne aperta e joga na chapa, ou grelha. Esse foi modelado com bordas delimitadas e linhas circulares, provavelmente foi colocado numa forma, o que é bom para manter uma uniformidade nos hambúrgueres, mas se não foi feita com ajuda de uma forma, então dou meus parabéns para o escultor.

Uniformidade que não tem na quantidade de batatas-fritas, assim como presenciei um dia desses no Rock’a Burger também (lugar que vale a pena conhecer, ali perto e já resenhado aqui no blog), quem tem sorte ganha mais batatas(menos no Barba Negra, onde vem pouca batata pra todo mundo). Na Lúdica o meu veio mais que no lanche do Yuri. Bom porque as batatas são realmente boas. Douradas, fininhas, com uma leve casquinha crocante por fora e macias por dentro, precisa dizer mais?!

O ponto negativo é o tamanho do bicho, ou tamanho do pão, ou as duas coisas.
No geral e para pessoas normais é comida o suficiente, mas justamente por ser bom que a gente quer que seja um pouco maior, para aproveitar mais e valer melhor o investimento.
Ponto positivo é que ele é todo harmonioso, os ingredientes se combinam (embora na sua pouca quantidade), tudo bem uniforme e gostoso.

O Hambúrguer lúdico é bom de verdade e está entre os melhores para ludibriar o estômago.

Ficha técnica:

Os Gêmeos

Ingredientes: “Hamburger gourmet + mozarela +tomate + alface + molho lúdico”.

Preço: R$8,90 simples ou R$11,90 com fritas e R$15,40 com uma coca lata.

Ponto alto: Gostoso e harmonioso, boas batatas e o lugar é interessante.

Ponto baixo: Pequeno, bem pequeno. Muito pequeno mesmo.

Avaliação: B+

A Galeria Lúdica fica na Rua Inácio Lustosa, esquina com a Rua Duque de Caxias, nº367, no São Francisco, e funciona de quarta à sábado, das 16h à 00h e domingo das 16h às 21h. (41) 3024-8114.

 
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Publicado por em 08/16/2012 em Uncategorized

 

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Galeria Lúdica – Frank Fairey

O quanto de nossas experiências é alterado pelo preconceito, expectativa, ansiedade ou qualquer um desses fatores pré-concebidos? É possível dizer que passamos por qualquer acontecimento sem experimentar, carregado em suas arestas, o peso de nossas vivências, o cansaço ou a monotonia de quem se julga, em algum nível, senhor do devir? A resposta mais honesta é: muito provavelmente não. Mas, ao mesmo tempo em que isso nos distancia de uma vivência plena e livre de preconceitos, há uma beleza nesse nosso convencionalismo de botequim: a capacidade de projetar nossas próprias vidas em eventos futuros e torná-lo em algum aspecto mais previsível é, de certa maneira, uma forma de driblar o medo do desconhecido momento seguinte, enfrentando-o de peito aberto, como se já soubesse o que esperar. E nossos gostos, por conseguinte, transportam consigo emoções passadas, lembranças, retalhos do que conhecíamos para o que não conhecemos ainda. É aí, por exemplo, que reside a beleza da música, que é absorvida de maneira diferente por cada um, fazendo com que os acordes de um Kings of Leon soe maravilhosamente glorioso para um hipster, ao mesmo tempo em que ecoa como uma baladinha de moleques sem talento para pessoas sensatas. Isso torna os gostos subjetivos e diretamente condicionado a nossa cultura, como seria de se esperar, mas a pergunta é: existe, portanto, um gosto puro, carefree, absoluto?

Tudo isso para dizer que a minha experiência na Galeria Lúdica poderia ser completamente diferente se eu já não estivesse versado em hamburguerias top da cidade. Trouxe comigo alguns preconceitos: o fato de ser uma loja “conceito”, que vende lanches na mesma medida que vende câmeras lomográficas, acessórios com design conceitual e obras de arte de gosto pra lá de duvido, por exemplo, ou o fato de já ter passado por este blog um leitor que nos recomendou ficar longe dos hambúrgueres do lugar, ou ainda o tamanico dos lanches (é muito pequeno, vou mostrar na foto), mas fomos dispostos a sermos surpreendidos, e aí está a positividade necessária para apreciar um excelente lanche.

A Galeria Lúdica é o último lugar do São Francisco a ser explorado. Fica na esquina da Inácio Lustosa com a Duque de Caxias, e é um lugar frequentado principalmente pela galera descolada e/ou homossexual, o que explica o fato dos lanches no cardápio terem nomes de street artists (de que outro jeito não homoafetivo pode-se dizer que eu comi um Frank Fairey lá?). E como, obviamente, nós não temos preconceitos, fomos lá ver que tipo de gororoba essa galera de gosto tão “apurado” gosta de comer.

O Frank Fairey, para quem não sabe, é aquele sujeito que fez a campanha CHANGE e HOPE do Obama, entre outras coisas. É um cara conceituado entre a galera rebelde do traço, e o sanduíche a cujo nome empresta lhe faz jus à rebeldia. O sanduíche Frank Fairey é uma releitura do famigerado Fundae de Queijo do Memphis. Não sei qual veio primeiro, mas seja lá quem teve a ideia, a brincadeira continua sendo perigosa: Mussarela, parmesão, provolone e cheddar se encontram debaixo do domo de carboidratos que é o pãozinho lúdico. O lanche é completado ainda, além da carne, pelo tal molho lúdico, que é, segundo consta o cardápio, molho bechamel, especiarias (não sei quais) e parmesão (mais queijo!). O molho bechamel, pode se dizer, é uma novidade para quem lê esse blog assiduamente. Nunca antes um hambúrguer foi contemplado com esse molho. O tal molho, pelo que me consta, não passa de um molho branco afetado, um pouquinho mais temperado e coloidal, encorpando um pouco menos do que uma maionese. O cardápio diz que combina com carnes, e eu concordo, combina mesmo. Opa, mas já comecei a resenhar o lanche sem nem mostrá-lo. Ei-lo aqui então:

Mesmo que a foto esteja bem aproximada, uma comparação com um tamanho regular de uma fatia de batata frita e o tamanho dos padrões na textura não deixa mentir: o Frank Fairey é um sanduíche pequenininho. Longe daqueles exageros a que estamos habituados, não deixei de sentir uma pontinha de decepção antes da primeira mordida. Mas algumas coisas já conseguiram me fazer simpatizar com o danado mesmo antes disso.

A primeira coisa era o pão. Sempre uma alegria ver um pão assado recentemente, com aquela crosta crocante dos pães franceses, e ainda assim, surpreendentemente macio por dentro. É um pão spalla, um pão Macauley Culkin antes do Anjo Mau, um pão Richard Linklater antes do Escola do Rock, um pão que marca território e prova sua qualidade nata, sem experiência requerida, nature born killer.

A segunda coisa era a batata. Por um lado, mais escassas do que nunca, e se tem uma coisa que me deixa puto em hamburgueria é essa pão-durice na batata. Por outro lado, raras vezes comi aqui em Curitiba batatas fritas tão boas como essa. Fritadas no óleo comum, rescendiam a bacon, cebola, todo o passado de uma cozinha sintetizado na pele crocante de um tubérculo. Isso é bom e nós gostamos.

E por último, a carne. De proporção volumosa e tom escuro, encantou-me nesse hambúrguer os cantos bem definidos, que mostram não só um cuidado na apresentação, deixando-o tão mais próximo de uma foto publicitária, mas também uma delimitação de tamanho que serve bem ao propósito do diminuto sanduíche. Aqueles cantos do hambúrguer para mim significavam uma coisa apenas: limites. Ele me lembrou de que a vida tem suas bordas, mas que elas servem tão somente para nossa própria verticalização. Como o sanduba que resolveu crescer para cima ao invés de crescer para os lados. O miolo da carne estava um tanto seco (o sanduíche do Murilo, por outro lado, tava com uma cara melhor, como sempre), mas não estava exatamente desagradável. Poderia ser melhor, isso poderia! Mas gostei de morder um bolo de carne com bordas bem definidas.

Por fim, quando finalmente dei a mordida e confirmei todas essas impressões acima, enfrentei um inimigo do passado: a quantidade tóxica de queijo do fundae, reinventada no Frank Fairey. E aí veio a surpresa: os queijos estavam, misteriosamente todos em harmonia, não degladiavam e não estavam enjoativos. Até o cheddar, para se ter uma ideia, tinha cor de queijo normal. E, de repente, tudo fez sentido. Primeiro, saiu da briga o sabor forte e enjoativo do gorgonzola e o parmesão, um queijo muito mais neutro, deu lugar na contenda a uma harmonia digna de um cachimbo da paz. E por fim, mais importante o que tudo, a verticalização do sanduíche. O queijo, elemento geralmente bidimensional num hambúrguer, não teve tanta área para se esparramar por sobre a minúscula carne, que ganhou em altura e redistribuiu a proporção do lanche. Esse é, portanto o segredo de um sanduíche com tanto queijo: proporção. Comi em deleite, apaixonado, me sentindo o Romeu do primeiro ato, o Tristão da segunda ária, o Dirceu antes do Desterro, e tão glorioso fiquei, que em mim couberam todas as glórias, abateram-se sobre minha cabeça todos os hinos, e se Beethoven eu fosse, passaria, num átimo, da “Patética” à “Heróica”. Que incontida alegria, como diria o Stanislaw Ponte Preta. Resumindo: não saciou tanto a fome, mas curti.

Ficha técnica:

Frank Frairey

Ingredientes: “Hamburger gourmet, mussarela, provolone, cheddar, parmesão e molho lúdico”.

Preço: R$14,90 com fritas. Poderia ser mais justo se fosse um sanduíche maior.

Ponto alto: Pão caseiro, batatas excelentes, hambúrguer vertical e queijos harmônicos.

Ponto baixo: Lanche pequeno, pouca batata, carne um pouco seca.

Avaliação: B

A Galeria Lúdica fica na Rua Inácio Lustosa, esquina com a Rua Duque de Caxias, nº367, no São Francisco, e funciona de quarta à sábado, das 16h à 00h e domingo das 16h às 21h. (41) 3024-8114.

 
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Publicado por em 08/09/2012 em Uncategorized

 

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Porco Nobre – Nobre Egg

Eis que se você está pelo centro da cidade pagando umas contas, matando aula, tomando um bolo da gatinha que conheceu no facebook ou só fazendo os corres do dia e aí bate aquela fome.
Onde comer?
Na nova Rua 24Horas!

Uma rua coberta, só para pedestres, que tem diferentes tipos de comércio funcionando ininterruptamente, 24h por dia. Na teoria é muito legal, mas na prática não funcionou tão bem assim. A Rua 24H funcionou por alguns anos até ficar decadente, precária e abandonada, e então ficou fechada por outros tantos anos e agora está de volta, mas com hora para fechar.
Bonita e bem iluminada, mas ainda meio vazia, pelo menos nas vezes que passei por lá(umas três vezes) tinha pouca gente e o local mais movimentado, e talvez a melhor atração da rua, foi onde nós fomos parar o nosso bonde, o Porco Nobre.

O diagrama que o Yuri fez (e que reproduzo novamente porque achei muito legal), é uma das melhores explicações de onde se encaixa o Porco Nobre na nossa história do hambúrguer curitibano.

Não está nem entre os hambúrgueres especiais, ou gourmet, como os afrescalhados preferem chamar para dar um ar mais glamouroso às coisas(e poder cobrar mais caro), e nem entre os mais toscos, que são os de china com hambúrguer congelado de saquinho, da Sadia.
É bem um hambúrguer de lanchonete, não de hamburgueria, acho que esse é o ponto em que está o Porco Nobre.

Nesse dia fui de “X-Egg”, um x-salada com adicional de ovo.
Minutos depois do pedido direto no caixa, chega na mesa embrulhado para presente,(embrulhado tipo no Burger King, tem até um gabarito no papel  marcando o que vem dentro caso tenha esquecido o que pediu, as vezes acontece!),  acompanhado de batata-frita em um prato branco retangular.

A primeira coisa que se percebe é que ele é grande, um bom começo, mas só isso não garante o sucesso.
Vamos direto ao ponto, já que era um “X-Egg” o dito cujo tinha que ser bem mais representativo, talvez uns dois ovos para começar a brincadeira, ou poderiam dar uma malandreada e deixar ele mais grosso, pode deixar menor mas mais alto e espesso, era só usar uma daquelas forminhas que tem na Casa China.
O que rolou é que deixaram o ovo espalhar na chapa e ficar do tamanho do hambúrguer, e ele ficou finiiiinho, olha na foto.
Aí se perde muito do barato que é o ovo no sanduíche, perde a característica mais marcante que é ser macio com consistência, meio borrachuda sem ser elástica, aquela textura meio porosa e agradável  que apesar dos pesares ainda dava para sentir (se esforçando um pouco) o gosto e tudo mais que envolve um óvulo frito no pão. Para constar, gema durinha (bom que evita a salmonela, né!).

A carne é boa, num tamanho razoável(poderia ser maior), devia ter umas 130g, mais para bem passado mas não estava seco, um pouco sem gosto e com uma cara de industrializado, mesmo não sendo.
Alface, bastante alface, taí uma coisa que não economizaram, da volume e faz crescer (o sanduíche, não nossa pança). O problema é que muita salada tira ainda mais o gosto do ovo e o fraco gosto da carne.

Pão de hambúrguer normal, grande, fresco, daqueles com centenas de gergelins que vão se desprendendo, colando na mão e caindo por toda a mesa, nada de novidade.
Queijo e presunto juntinhos em cima do hambúrguer, quase consigo visualizar isso na chapa, o queijo sendo colocado em cima do hambúrguer para derreter, aí o presunto, e o chapeiro dando uma abafada para derreter mais rápido e o hambúrguer não passar do ponto. . . nicely done!  Contrário ao Yuri, não me importo com o presunto, pode mandar vir.

Uma coisa legal, o Nobre Egg não acompanha batata-frita e custa R$13,90,(quando não acompanha batatas o cliente fica triste e da vontade de ir embora) mas num combo maluco que eles tem, fica R$15,90 com batata e uma coca lata. Aí vi vantagem!
E são até boas as batatinhas, meio branquinhas é verdade, só levaram um susto no óleo quente,mas estavam boas e foram um bom complemento.

Em resumo, não é o tipo de lanche que você para e pensa: “Hoje eu queria comer um X-Egg lá na Rua 24h”. Não é tão marcante assim, mas naquela região é um bom posto de parada para abastecer a pança. Não é um primor, não é especial, mas é um bom sanduba e é grande (grande também conta ponto a favor).
Mas vale a ressalva de que o Porco Nobre, assim como também acho que vai ser com o Waldo X-Picanha, são lugares em que o grande lance pelo qual são reconhecidos e pelo que as pessoas vão até eles, são os sanduíches com carne em pedaços/lascas e não em disco. #FicaAdica (é assim que faz essa frescura de gente que fica o dia todo nas redes sociais?)

Ficha técnica:

Nobre Egg

Ingredientes: “Hamburger, queijo, presunto, ovo, maionese e salada”.

Preço: R$13,90 mas fica R$15,90 no combo com batata frita e refrigerante lata. Curti!

Ponto alto: Sanduiche grande e a vantagem no combo.

Ponto baixo: Faltou um pouco de tempero, faltou um tchan! Pouco ovo e muito alface.

Avaliação: C-

O Porco Nobre fica na Rua 24 horas, entre a Visconde de Nácar e a Visconde do Rio Branco.  (41) 3224-1022.

 
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Publicado por em 08/02/2012 em Uncategorized

 

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