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Arquivos mensais: Setembro 2012

Peggy Sue – Fats Domino

BatelSempre me despertou a curiosidade a busca incessante de algumas civilizações pela harmonia, pelo equilíbrio. Enquanto todo e qualquer sistema econômico apresentado até então na história moderna buscou o contrário, abrir um canyon de diferença social, porque individualmente as pessoas buscam o enriquecimento pessoal, também individualmente buscam o equilíbrio em suas vidas. Os chineses, os indianos, os japoneses, os igbos, os babilônicos, e até os toltecas, pelo que parece, todos eles tinham nomes para essa hipotética balança cósmica que nunca pode pender para um dos lados sem depois pender para o outro. Arrisco dizer que o equilíbrio implica exatidão quantificativa, e a exatidão, por sua vez, acalma o ser humano, dá sentido ao mundo caótico ao seu redor. Seus ângulos retos vieram antes que Leonardo Fibonacci pudesse apresentar ao mundo a constante escondida por baixo de quase todos os movimentos naturais, seus sólidos perfeitos vieram antes que o primeiro olho visse a exatidão microscópica e alotrópica das moléculas rômbicas e monocíclicas, seus pratos a base de berinjela vieram antes que o tomate fosse introduzido na Europa, enfim, o homem busca equilíbrio sem, contudo, enxergar o equilíbrio a sua volta. A harmonia conforta porque é uma aproximação tautológica de nosso senso de medida, de nosso domínio resvalado sobre as coisas.

Tudo isso para dizer que o Fats Domino, sanduíche de alguma maneira despretensioso do Peggy Sue, diz aos meus sentidos de que aquilo é certo porque é harmônico. Todos os ingredientes casam como deveriam, e por mais básica que a combinação seja, não e um efeito tão simples de se conseguir.

Para quem não sabe, o Peggy Sue é um restaurante no Batel, na Avenida do Batel, um dos únicos lugares da cidade capaz de fazer aflorar em mim o típico ódio da luta de classes. O Peggy Sue é da mesma rede do Taco El Pancho, Soviet e Mustang Sally, restaurantes que promiscuamente fundem comida mexicana e comida americana – uma fusão tipicamente americana, diga-se – e decoram suas paredes e suas ondas sonoras com temas do rock’n roll e rockabilly, e etc. Aliás, havia uma taxa de couvert artístico no dia em que nós fomos, mas válida somente para os clientes do Taco el Pancho. O motivo? Um grupo de mariachis tocando ensurdecedoramente ao seu lado enquanto você come. Cada um com seu gosto…

A coisa boa de todos esses restaurantes é a opção de happy hour que corta pela metade os preços absurdos do cardápio e os tornam alcançáveis (não tão acessível, mas alcançável) ao bolso de pobres operários como nós. É o bastante para procurarmos o estabelecimento, não sem uma ponta de preconceito, formado em nossa desastrosa visita ao Mustang Sally, mas com a cabeça aberta o bastante para saber que restaurantes diferentes têm cozinheiros diferentes, receitas diferentes para pratos diferentes.

O cardápio do happy hour é separado porque DEUS ME LIVRE você abusar da nossa promoção e começar a pedir coisas caras de verdade, então só alguns pratos, que já são naturalmente baratos, entram na brincadeira. Os hambúrgueres são alguns deles. Misturas bem americanizadas, com cebola e cheddar, jalapeños e coisa e tal. Resolvi apostar no básico x-bacon, um lanche que sempre agrada (uma pena que judeus, hindus e muçulmanos nunca vão saber do que eu estou falando) pela combinação de carne picante e seca com carne suculenta e salgada, somado ao queijo e a saladinha que nunca machucaram ninguém também.

Os caras que nos serviam logo se ligaram no movimento e descobriram que a gente era crítico, e a partir daí foi um sim senhor pra cá, sim senhor pra lá, mas não me queixo porque o atendimento já estava muito, mas muito bom mesmo antes disso. Garçom simpático e agilizado, até serviu nossa coca e desejou saúde como se brindasse conosco. Pode parecer pouco, mas numa cidade fria e sem amor como Curitiba faz a diferença.

Algumas diferenças então para o sanduíche do Mustang Sally. Em primeiro lugar, o pão. Sai aquele pão com gergelim, seco porém fotogênico, e entra o mal diagramado pão careca com muita história pra contar. Por baixo, sai a fina e esquecível película de queijo e entra uma protuberante onda de laticínio que cobre a carne suculenta e no ponto. E, entre o queijo e a salada raladinha, o almighty bacon, cujo ponto só é acertado por mestres da fritura da carne suína, e acertaram.

E aqui chega o meu problema enquanto crítico. O Fats Domino é um sanduíche tão harmônico que a cada mordida eu sentia todos os sabores como um só. Nunca veio só tomate e nenhum bacon, ou só carne e nenhum queijo, ou só salada e nenhuma carne, a coisa fluía pra dentro da minha boca. Posso tentar comentar algumas coisas pontuais, mas como o que vale é o conjunto da obra. Por exemplo, o prato é apresentado com uma clássica salada de decoração. Não há nada de errado nisso. Mas o tomate que usaram para a decoração era feio de doer. Verde, murcho e desagradável. Em compensação, o tomate que estava dentro do meu sanduíche era vermelho e carnudo, bem mais apresentável do que aquele que deveria apresentar o prato. Acho que isso mostra caráter, e gostei, mesmo porque nunca como salada de decoração. Tudo bem que poderiam escolher melhor o tomate pra não ter nenhum verde horroroso como aquele por perto, mas já que o lance é economizar, que se coloque o refugo no lugar menos apetecível do prato.

Outra coisa que me chamou a atenção, como havia dito, foi o queijo. Os caras foram mais generosos com o queijo do que Hollywood foi generoso com o Harrison Ford. E esse é um ponto que eu venho levantando desde que começamos nossas peregrinações pelos bares da cidade. Queremos queijo e queremos muito, oras! O queijo do Peggy Sue é daqueles que dá pra puxar, que de tão esticado dá pra ficar um pedaço no sanduíche e o outro pedaço já no fundo do estomago, escorrido e derretido sem se partir ao longo do esôfago. Ô coisa boa e desesperadora ao mesmo tempo!

Por fim, ainda sobre a salada, achei boa a ideia da alface ralada. Distribui igualmente a salada por toda a superfície do sanduíche, mesmo a cada mordida dada. Muito melhor que alface lisa e certamente muito melhor do que rúcula. A ideia é essa, vamos aprendendo com os problemas que encontramos na prática, pra frente Brasil!

Ficha técnica:

Fats Domino

Ingredientes (segundo o cardápio): “Pão fofinho com um hambúrguer de tamanho respeitável, queijo prato derretido, maionese, fatias fininhas e crocantes de bacon e salada”

Preço: R$22,80 no preço normal. No horário do happy hour, com uma coca de garrafinha e uma água mineral totalizou R$21,90. Tá bom.

Ponto alto: Queijo em boa quantidade, pão macio, bacon no ponto e salada de boa qualidade.

Ponto baixo: Carne pouco memorável. Acho que é minha única queixa.

Avaliação: B+

O Peggy Sue fica na Rua Bispo Dom José, 2295 – Batel. (41)3014-9615
Happy Hour com alguns pratos com 50% de desconto Segunda a Sábado 17h30 às 20h e Domingo das 17h às 19h.

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Publicado por em 09/27/2012 em Uncategorized

 

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Peggy Sue – Hot Marilyn

Antes tarde do que mais tarde, já dizia o ditado. Post de quinta entrando na sexta, mas é fresquinho, acabou de sair da chapa!

Depois de bater um fliperama no centro após o expediente, resolvemos rumar ao lugar da badalação alto padrão curitibano, a Av. Batel.
Do fliperama com office-boys e pequenos batedores de carteira aos palybas e cocotas do batel, é por aí que a gente transita. Esse é a nossa vida, esse é o nosso clube.  bip-bip, Nextel.

O Peggy Sue é um lugar já manjado dos curitibanos, fica junto (ou ao lado) do Taco El Pancho. Acho que foi a primeira lanchonete estilizada americana anos 50 aqui na cidade, e o lugar é bem bonito, até meio cinematográfico.
Rock n’ Roll tocando em um lugar não muito grande. Quando chegamos tinha umas duas mesas disponíveis, mas eu queria uma daquelas com poltronas de canto, almofadadas e confortáveis, mas o lugar onde elas ficavam estava fechado, é aquela putaria de esperar lotar para aí então abrir a outra parte do lugar. Fico meio puto com essas coisas, não posso nem escolher onde quero sentar, tenho que ficar na cadeira dura sendo que poderia ficar num lugar melhor e mais confortável a três metros de distância.
Tem até um espaço com vários brinquedos e uma televisão passando desenho, um bom incentivo para as famílias frequentarem o lugar. Quase consigo imaginar as crianças branquinhas do batel vestidas como adultos com roupas da ala infantil da Zara.
Depois os pais não sabem por que os filhos crescem idiotas. Criança tem que usar roupa de super-herói, calça azul com blusa laranja, sem se preocupar com uma vaidade que ainda não existe… criança tem que ser criança, não um mini-adulto.

Uma coisa que achei engraçada é que lá ainda usam televisões de tubo, dessas que só tem hoje em dia quem não tem dinheiro pra comprar flat-screen. Me senti até menos pobre por um momento, mas logo lembrei que estava aproveitando o desconto de 50% nos sanduíche e a realidade me veio como um tapa na cara.

Fui de “Hot Marilyn”, nome inspirado, claro, em Marilyn Monroe (não no Marilyn Manson e nem no Mago Merlin, tá essa foi uma péssima piadoca -risos-), um dos ícones americanos. A mulher de beleza indiscutível, mas de caráter questionável.

A quentura do “Marilyn Hot” é por causa do jalapeño que vem num potinho à parte(não experimentei, não curto pimenta), fora isso é um sanduíche clássico de carne, salada, queijo e maionese.

O pão é realmente fofinho assim como dito no cardápio. Pão de leite ou pão de hambúrguer, classe A, sem gergelim, fresco e macio, dos melhores desse tipo que encontrei por nossas andanças.

Uma coisa que me deixou bem contente foi o queijo e sua quantidade. Era um queijo prato, branco, nada de especial, mas eu quase sempre digo aqui que pode ter um pouco mais de queijo e esse pouco mais é pouco mesmo. Nesse Marilyn do Peggy os caras acertaram a medida. Não é nada a ponto de ficar um sanduíche de queijo com hambúrguer, mas é o suficiente para ser sentido, notado, puxado e apreciado. Simples assim.

Fiquei meio sem saber direito qual que é a da carne. É boa, de boa consistência e estava no ponto, com um leve rosadinho por dentro (os vegan chora), mas não estava tão suculenta e senti um pouco de falta de gosto, mas ainda assim é melhor que muitas por aí.
Na opção de personalizar o sanduba  eu pegaria um de picanha, acho que o hamburguer de picanha deve ser melhor por ter mais gordura, e mais gordura é mais gostoso.

Saladinha padrão de alface ralado e três rodelas de tomate (tomate bem adocicado, até achei que tinha um picles junto, mas não tinha). E no prato, além da batata frita, tinha um morrinho de alface com mais uma rodela de tomate decorativa… que na verdade não é muito decorativa, é bem feia na real, ainda mais quando o tomate está verde. Prefiro aquelas firulas desenhadas com barbecue. Se bem que é uma saladinha a mais, nosso intestino agradeceria pela alface extra (agora que estou praticamente entrando na meia idade estou começando a me preocupar com essas coisas), mas a galera normalmente nem come essas paradas decorativas. Desperdício.

E para o final, porque eu também deixo para comer no final, as batatas-fritas.
Eu tinha visto uma foto em que as batatas eram uns nacos de batata de verdade, e não palitinhos de massa de batata como disse o leitor, Gabriel, em um comentário. Era algo tão mais interessante e diferente, um motivo pelo qual eu queria ir lá. Mas quando veio o prato rolou uma decepção, fui murchando na cadeira, eram batatas padrão como de qualquer outro lugar.  Algumas estavam molengas, mas outras estavam crocantes por fora e macias por dentro para salvar a pátria, deviam ser duas remessas diferentes. Mas tenho que dar um crédito, acho que foi a maior porção de batatas acompanhantes que vi até agora.

Resumindo, é um bom sanduíche, tem uma boa liga, mas tem alguma coisa (que não sei direito o que é, deve ser a decepção pela forma das batatas) que não me convenceu totalmente.
Se não fosse pelo horário do happy hour, “pagando meia”, acho que não valeria o que é cobrado pelo preço normal.

Tem a divertida e interessante opção de montar o seu hambúrguer, mas aí a brincadeira para mim iria ficar mais de 30 Reais, e não dá pra pagar isso num hambúrguer, né! Ainda mais que a Batel Grill é ali pertinho e custa R$44,00.

Ficha técnica:

Hot Marilyn

Ingredientes (segundo o cardápio): “O pão fofinho, hambúrguer, queijo prato derretido, pimenta jalapeño, salada super fresca e maionese.”

Preço: R$22,90 no preço normal. No horário do happy hour com uma coca garrafinha ficou R$17,21.

Ponto alto: Queijo em boa quantidade, pão macio e a quantidade de batata frita.

Ponto baixo: Carne com pouco gosto e as batatas que não eram as que eu esperava.

Avaliação: B-

O Peggy Sue fica na Rua Bispo Dom José, 2295 – Batel. (41)3014-9615
Happy Hour com alguns pratos com 50% de desconto Segunda a Sábado 17h30 às 20h e Domingo das 17h às 19h.

 
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Publicado por em 09/21/2012 em Uncategorized

 

Kharina – Kharina Caprese

Quando começamos esse blog, eu sabia, já de antemão, que dois caminhos possíveis seriam trilhados. O primeiro, mais fácil de inferir, é que, assim como na música e no sexo, não há nada de novo debaixo do sol, e meu esforço seria o de qualificar medidas sutis de tempero, preparo, apresentação e afins — o que, realmente, fazemos até hoje. A segunda, um pouco mais improvável, ainda que não de todo impossível, seria vasculhar esta pequena cidade atrás das formas mais esdrúxulas de se montar um pão com carne, e comeria as coisas mais enjoativa (alô, Memphis), bizarras (alô, Fifities!) e horripilantes (alô, Fifities de novo!) que encontrasse pela frente. Felizmente, essa segunda saída de dar continuidade ao nosso nada ambicioso projeto se mostrou muito mais agradável graças à boa vontade criativa de chefs bem intencionados, preocupados sim com a originalidade, mas não apenas. Original por original, o mundo está cheio de desfiles de moda com modelos magérrimas cujas roupas não seriam usadas por nenhuma viva alma. Há um zelo também pelo paladar, o resultado final que é o que vai trazer cliente, oras. Ninguém está aqui para disputar freak shows gastronômicos.

E, quando eu achei que já tinha encontrado uma boa parcela de receitas inusitadas, eis que me deparo, no Kharina, com uma agradável surpresa. Entre a nova linha de hambúrgueres prime, há o curioso Kharina Caprese. Tomates secos e rúcula no meu hambúrguer, ora, por que não?

Bom, diferentemente do Murilo, eu não tenho nenhuma ligação emocional com o Kharina e, quando me mudei para Curitiba, comi algumas vezes lá, tendo me decepcionado em praticamente todas. Não sei, esperava algo de mais qualidade e um atendimento educado, para um lugar que diziam ser tão tradicional na cidade. Mas, eis que visitamos o novo Kharina e tudo mudou. O Kharina entrou oficialmente no ramo das hamburguerias hypes. Lugares confortáveis, funcionários gentis, ambiente limpo, o único defeito foi tocar Los Hermanos. Nada me tira mais do sério do que entrar em um estabelecimento e tocar Los Hermanos. Mentira, tem sim: tocar Engenheiros do Hawaii. A dica é ficar com a boa e velha música Lounge, o único gênero musical feito propositalmente para ser ignorado em conversas. Brincadeira, isso é só implicância minha com os Hermanos, podem tocar o que quiser.

Bom, no jargão da pesca, tá aqui o bicho:

Bom, o Caprese do nome, para quem não sabe, vem da salada caprese, que é uma receita da ilha de Capri, na Itália, pertinho ali do golfo de Nápoles, onde tem os amigos do Roberto Saviano. Basicamente, é uma salada a base de tomate, manjericão e mussarela de búfala. Ou seja, nada a ver com a receita do Kharina, que fez aí sua própria interpretação da saladinha. Ao invés do manjericão e da alface, rúcula, e ao invés do tomate, tomate seco, que é igual a tomate, mas é seco (ah, vá!). Bom, tudo bem, confesso que não sou o maior dos experts em salada e suponho que essa seja uma variação válida da salada caprese original.

Começando então pela explicação do prato, a salada. A grande sacada do Kharina nesse sanduíche foi o tomate seco. Longe de ser um alimento intragável ou sem sabor, o tomate seco foi incorporado a uma pasta de queijo absolutamente deliciosa. Claro, tomate e queijo sempre recende um pouco a pizza, mas é aí que entra a carne para tirar essa estranha impressão de estar comendo pizza no lugar de hambúrguer. O antagonista dessa história fica logo acima da carne, porém. A rúcula. Bom, rúcula é como filme em 3D. As pessoas pagam mais caro por uma parada que ninguém gosta de verdade. Posso estar sendo generalista, mas nunca vi ninguém dizendo “nossa, como eu adoro rúcula. Que fome, que vontade de comer uma rúcula bem verdinha agora”. As pessoas geralmente reclamam da amargura da plantinha, que, ali no conjunto, soa muito como uma alface lisa, tirando boa parte do gosto do lanche, o que é uma pena. Comecei comendo bem intencionado, mas da metade pro fim, tirei o resto das rúculas do pão e deixei para escanteio. Pode ter sido a quantidade também. Abundância de mato no meu hambúrguer é como música do Caleidoscópio: tem que viver, valer, viver, valer, valer, viver.

Passemos então, aos periféricos. De fora pra dentro, temos, antes de tudo, as batatas. Bom, as batatas são bem boas e vem numa quantidade “ok”, nem muito, nem pouco. Duas coisas, entretanto, se fazem necessárias dizer, referentes ao acompanhamento do acompanhamento. A primeira, menos importante, é a decoração do prato. Uma fina linha de vinagre balsâmico orna um dos lados do prato quadrado (prato quadrado, taí uma coisa que quero ter em casa quando for bem rico. Mas só quando for bem rico, porque prato quadrado em casa de pobre fica parecendo cenário suprematista da TV Cultura). Um ornamento bonito, mas inútil. Por favor, não tente comer batata frita com vinagre balsâmico, vai ser desastroso. Ao invés disso, poderiam fazer como os mestres do Rock’a Burger e decorar com barbecue. Tudo bem que é um pouco mais caro, mas vocês já tão cobrando caro pela bagaça, melhor botar algo que o pessoal vai gostar de comer. A outra ressalva é um pouco mais grave, que é o molho que acompanha o prato, uma maionese a base de alho, eu acho, uma coisa tenebrosa mesmo. O que é uma pena, porque maionese com batata frita é uma tradição que ainda queria ver exportada de Benelux para essas paragens. Poucas coisas são mais prazerosas do que afogar uma batatinha num potão de maionese e comer, exceto quando o potão de maionese tem gosto de alho e você fica com aquele bafão gostoso de alho que causa tantas guerras no oriente médio.

O pão sim, esse é algo digno de nota. A galera das hamburguerias já percebeu que não adianta só dominar a arte da carne, é imperativo também ter a maestria sobre o pão. E olha, o pão do Kharina é melhor do que o pão da padaria em que eu compro pão quando quero comer pão em casa. E isso é algo notável, porque a padaria aqui de casa é mestre. Crocante sem ser seco, macio por dentro sem ser massudo, aerado o suficiente sem ser seco, algo para poucos e bons. O molho de tomate seco e os sucos da carne (bem mais escuros do que o normal, por sinal), entram bem no miolo, deixando um gostinho do lanche todo apenas no pão.

E por último, a doce e mortífera carne. Mais escura do que o normal (isso costuma ser uma coisa boa para mim, sempre me lembro do Bife Negro do Tenessee que meu pai fazia lá em casa), a carne tem aquele enigma do Madero: consegue ser suculenta sem, necessariamente ser rosada e quase crua por dentro. Salgada no ponto, entra fácil no top 10 das carnes boas das hamburguerias da cidade.

No geral, o Kharina Caprese é um excelente sanduíche rodeado de pequenos erros. Felizmente, o que realmente importa está salvo e garantido. Saí de lá com a certeza de que sonharia com esse molho de tomate seco, mas igualmente aliviado de não ter mexido muito nessa maionese de alho.

Ficha técnica:

Kharina Caprese

Ingredientes: “Recheado com um delicioso creme feito de tomates secos, coberto com rúcula. Acompanha maionese especial Kharina”. Obviamente vem com pão, carne e batatinha também. Duh.

Preço: R$17,50. Ainda tô ponderando se isso é caro ou tá no preço. Vou dar o benefício da dúvida dessa vez.

Ponto alto: A carne é deliciosa, o pão é impecável e a pasta de tomate secos deveria ser vendida em potes de 1kg.

Ponto baixo: Maionese horrorosa, a rúcula e o vinagre balsâmico dispensável.

Avaliação: B+

Tem alguns Kharinas espalhados pela cidade, esse que fomos fica na Rua Benjamin Lins, 765, no batel. (41) 3024-1253.

 
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Publicado por em 09/13/2012 em Uncategorized

 

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Kharina – The Highway

O Kharina (sim, “o”. Ninguém fala vamos “na” Kharina) é um dos lugares tradicionais de Curitiba, mas agora com a cara da modernidade. A cara que o Batel quer. Adeus àquela decoração anos 90 meio zoada com bancos de fibra de vidro e almofadas que já não amorteciam as bundas que por ali passavam.
Da para ver que o lugar foi todo repensado, arquitetado por algum profissional que assina a obra, mas acho isso frescura e não vamos dar crédito para esses arquitetos de egos inflados. Brincadeira, é que não faço ideia de quem tenha planejado o negócio, mas achei um bom trabalho.
Poltronas vermelhas confortáveis para todos. Esse deveria até ser um slogan para campanha eleitoral, eu queria uma poltrona vermelha confortável na casa de todo brasileiro. Afinal, “gente é pra brilhar”.
Para dar mais uma ideia da nova decoração, o lado de fora pela Av. Batel segue uma linha “clean”, com o nome sem a bandeirinha(?) do logo no nome, colocado no ferro oxidado  que também é utilizado na frente do Shopping Crystal. E esse novo projeto também segue outra onda arquitetônica das paredes e “cercas” de vidro. Algo como, olhem como somos bonitos e ricos e felizes aqui dentro do aquário.

Com a reformulação do exterior e interior,  veio o cardápio novo e a linha Prime de hambúrgueres.
Poderosos Primes de Hamburger para salvar nossas vidas da monotonia alimentícia!
Felizmente mantiveram o clássico Club Kharina, que para mim tem valor sentimental…mas isso é outra história.

Estava rolando um sonzinho relax, de praia, que não combina muito com o clima frio curitibano, tocou Jack Johnson, Sublime( vai curtindo aí enquanto lê), uma versão lounge bizarra de Sweet Child O’ Mine, e várias dos Los Hermanos, os barbudos socialmente aceitos pelas patricinhas e a classe média (o Marcelo Camelo hoje até é considerado intelectual da MPB).
Eu barbudo, que quando passo pelas ruas do batel vejo as pessoas travarem as portas do carro, tenho a impressão de que elas não devem me achar com cara de intelectual da MPB. Eba!

Já posso dizer que essa infinita highway (acho que todo mundo lembra disso quando lê o nome do sanduíche, não que isso seja bom) do Kharina foi uma surpresa positiva, tendo em vista que ultimamente os lugares caros tem mais decepcionado do que agradado. Culpa deles mesmos, colocam os preços lá em cima e a expectativa também, aí não cumprem o prometido e a casa cai.

Quando escolhi pensei “opa esse só tem coisa boa, carne, bacon e queijo (não preciso de muito mais que isso para ser feliz),  não tem salada nenhuma . . . mas será que não vai ficar seco?”
E já te digo que não fica seco.

Já começam acertando na escolha do pão francês bem fresco, artesanal, crocante e macio ao mesmo tempo. E de bom tamanho, não é miniatura como o da Galeria Lúdica ou Elvis Costella, por exemplo. Embora sejam até parecidos, esse é para segurar com as duas mãos.
E agora, para a parte que supre a umidade da salada, adivinhem: a carne. Sim, suculenta, grelhada e gostosa. Se estivesse um pouco mais vermelhinha no interior, estaria perfeita. Mas seria pedir de mais.  160g de gostosura acompanhada daquilo que todo gordo adora, bacon!
Não em tiras como é visualmente mais atraente e como acho que quase todo mundo deve preferir, mas picadinho e numa quantidade boa,(tenho que repetir isso aqui porque é muito engraçado, “X-beico” do SWU) na foto não da para ver mas olha o espaço que separa o hambúrguer da parte superior do pão, sim, quase um dedo de bacon picado, e os caras ainda tiraram boa parte da gordura (clap, clap,clap), deixando apenas a carninha crocante e um pouco da gordura para não deixar seco, claro.

O queijo (que não quero ficar no lenga-lenga de que sempre poderia ter um pouquinho mais), é dos bons e da a liga entre o bacon e a carne, unifica as duas coisas e transforma esse sanduíche num Autobot fantástico.

E agora vos digo que entendo a Ana Maria Braga. Quando você come uma parada boa, na primeira mordida você é surpreendido, e aí acaba rolando até inconscientemente um “Huuummm!!”. Mas não precisa toda aquela putaria de chamar os cachorros, passar em baixo da mesa e blá, blá, blás, né?!

A parte ruim é a maionese especial Kharina que vem no potinho. Que parada ruim, muito forte o gosto de alho!
Ruim, mas eu ficava comendo, acho que na esperança de que em algum momento ficasse bom, mas acabaram as batatas e não ficou. #chatiado
Era uma maionese de alho, fiquem espertos. Se você for daqueles que deixa as batatas para o final e para comer com a maionese, cuidado para não ficar com bafo e depois perder de dar umas bitocas na gatinha! #FicaDica (segunda referência internética, to ficando moderno!)
Poderia ter a opção de maionese normal, simples assim, até ficaria mais interessante, oferecer a opção de maionese normal e a “especial” caso o cliente queira experimentar. Não precisam inventar moda em tudo.
Resumindo, é um Optimus Prime. (Autobots e ótimo hambúrguer prime = Optimus Prime … han-han?!!)

Ficha técnica:

The Highway

Ingredientes: “Queijo prato derretido, bacon tostado. Acompanha maionese especial Kharina”, no cardápio aparece desse jeito, só isso, porque está implícito que todo sanduíche vem pão e carne, né?!

Preço: R$18,50 + 1 lata Pepsi que não lembro quanto é, deu R$23,65.

Ponto alto: Quase tudo, carne boa, bacon, tamanho . . .

Ponto baixo: A maionese especial que nem precisava ser especial.

Avaliação: B+

Tem alguns Kharinas espalhados pela cidade, esse que fomos fica na Rua Benjamin Lins, 765, no batel. (41) 3024-1253

 
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Publicado por em 09/06/2012 em Uncategorized

 

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