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Arquivos mensais: Janeiro 2013

Casa da Mãe Joana – Hambúrguer

Casa da Mãe Joana

Em todos esses anos nessa indústria vital, nunca antes um estabelecimento com hambúrgueres artesanais mostrou tamanha falta de imaginação ao batizar o tradicional hambúrguer da casa. Veja bem: “Hambúrguer” é o nome do prato que comi na Casa da Mãe Joana, esse pequeno e simpático estabelecimento carimbó situado na divisa do Bigorrilho com o Campina do Siqueira. O que há em “Hambúrguer” que desperte as faculdades imaginativas de seu potencial consumidor? O que poderia fazê-lo escolher em um cardápio com outros quatro ou cinco hambúrgueres senão resignação simplista que acomete a todos os frescos? Sim, pois é para isso que está lá a pizza de mozzarella (nem por isso chamada apenas de “pizza”, aliás): para saciar a vontade de quem não tem vontade alguma senão comer algo minimamente aceito nos circuitos sociais sem a necessidade de se aventurar por outros ingredientes ameaçadores. Pois bem, hambúrguer para mim. “Apenas um hambúrguer”, eu poderia ter dito ao garçom, mostrando assim meu conformismo resoluto de ser obrigado a escolher a opção menos bizarra de um cardápio que já se sabe bizarro, do contrário não teria batizado seu sanduíche mais simples de “Hambúrguer”. Aprendam essa valorosa lição com os novos e hipsters estabelecimentos da cidade, em que o simples vira clássico, o tosco vira rústico e qualquer coisa que se interseccione com as predileções do proprietário vira “especial”. É dessa forma que comidas desinteressantes se tornam interessantes no Gedankebild do freguês.

Mas, que seja. “Hambúrguer”, por mais criações pomposas, bizarras, esquizofrênicas e heterodoxas que possam ter surgido desde que o prato perdeu popularidade no Fast-Food para entrar de cabeça no casual dining, ainda é o cuore da nossa investigação jornalística-gonzo pelos restaurantes da cidade. E, como bem e sempre diz o Murilo, o Serj Tankian das araucárias, é preciso acertar no básico para depois querer fazer graça no triplo mortal carpado. E não dá para dizer que o “Hambúrguer” da Casa da Mãe Joana seja o básico porque não é um hambúrguer na concepção mais idealista da palavra, que envolve invariavelmente muita gordura, pão com gergelim, salada fresca e muito queijo. O prato que me foi apresentado é uma espécie de hambúrguer carimbó, algo muito próximo do que você teria se pedisse à sua avó roceira que nunca viu um McDonald’s na vida para lhe fazer um hambúrguer baseado na sua leiga descrição da coisa. A velhinha não deixaria de caprichar para agradar o netinho babão, mas inconscientemente subverteria conceitos básicos que você deixaria de explicar pela aparente naturalidade com que eles existem. O resultado é isso aqui:

casa da mãe joana

Optei por uma foto do pão aberto para ilustrar meu ponto de vista. O que salta aos olhos nesse prato, pelo menos em seu protagonista, é justamente a salada. Tomate e cebola assados no forno, e a cebola com arcos de seus bulbos inteiros sobre a composição – o jeito como a sua avó roceira que nunca viu um McDonald’s na vida costuma servir cebola por cima da carne. Ora, não vamos aqui ignorar a praticidade de uma cebola não-picada em um sanduíche que tradicionalmente desmorona após a terceira ou quarta mordida, mas convenhamos: não é isso que eu queria comer quando pedi um hambúrguer com tomate e cebola, e talvez não seja esse o desejo também de muitas pessoas.  E porque assar um tomate? Ora, porque é assim que a sua avó roceira que nunca viu um McDonald’s na vida faz o seu popular xixo, o espetinho de carne e legumes que os sulistas gostam de comer num churrasco – provavelmente os mesmos que vão à praia e entram no mar de toalhinha e sabonete, desvirtuando o propósito das coisas numa generalização axiomática que pressupõe que toda água é para tomar banho e toda refeição precisa ter salada.

Agora que o choque de ter encontrado um xixo de hambúrguer no seu prato já passou, olhe a seu redor, observe os periféricos do “Hambúrguer”. Uma salada com cenoura e alface frisé também é entregue junto com o prato. Sim, a sua avó roceira que nunca viu McDonald’s na vida também acha que salada nunca é demais, principalmente em um prato altamente gorduroso como esse. Cenoura e hambúrguer combinam? A opinião de vocês é só de vocês, a minha é: não. Olhe para o potinho de porcelana branca agora. Aquilo é maionese, mas uma maionese comum? Nãããoooooooooooo, meus caros, trata-se de uma maionese temperada. Por que diabos alguém comeria uma maionese normal, afinal de contas, e por que a você, freguês fresco que pede o “Hambúrguer” pela simples falta de iniciativa e imaginação, seria dado o direito de escolher que tipo de maionese você gostaria para acompanhar seu hambúrguer carimbó? Mistérios que A Casa da Mãe Joana não pretende enunciar.

Finalmente, olhe para as batatinhas fritas que aparecem no canto da tela, já meio desfocadas em detrimento da preferência pelo objeto principal da fotografia. Batatas fritas belgas fritadas, congeladas e fritadas novamente como todas as outras? Hell no! O que temos são batatas rústicas, com casca, cortadas e fritas em finas tiras irregulares. A sua avó roceira que nunca viu um McDonald’s na vida também ficaria confusa se você pedisse batatas fritas que fossem cortadas em toletes prismáticos retangulares, fritadas duas vezes em alta e baixa temperatura e servidas secas e salpicadas com sal. Esse tipo de coisa não computa no mundo carimbó, o que vale é o artesanato, um lance assim pé descalço no chão de terra, saia rodada, flor no cabelo, sovaco cabeludo, depilação vencida, bordadinho amarrado no tornozelo e penduricalhos barulhentos de pedras e metal laqueado. E longe de mim rejeitar batatas rústicas, que foram boas lá no Clube do Malte e continuam sendo boas aqui também, ainda que com um formato diferente. Só achei coerente e curiosa a carimbozisse desse prato.

E bom, o que dizer de seus componentes? Bom, o pão d’água é molenga, meio muxiba, não chega a ter a textura morosa de um pão amanhecido, mas também não tem a crocância de um pão fresco e quentinho. Acho que isso se assemelha também, afetivamente, às minhas incursões ao campo, ver a parte da família que gosta desse lance de mato e cheiro de bosta de vaca. A padaria fica longe, afinal, o pão pega sol, poeira e chuva no caminho e chega mais ou menos assim, em um saco com outros 49 pãezinhos que aos poucos vão sendo examinados pelas moscas do recinto e ficam lá, por dias e dias até que todos sejam consumidos e outra viagem à padaria se faça necessária. Tudo vale, tudo é, como diria Caetano, lindo e maravilhoso, e nada que tenha me desagradado.

O ponto alto do sanduba, como fica evidente na foto, é o queijo. Queijo sim nunca falta na roça da minha família, e essa porção generosa de queijo amarelo e derretido por cima da carne é de uma benevolência tocante e rara nas hamburguerias da cidade. Responsável por salgar, dar liga, adicionar gordura saturada e fazer inchar as suas papilas gustativas para sentir melhor o gosto de todas as outras coisas, o queijo é um abre-alas da refeição.

Por fim, a carne. Veja, você queria um hambúrguer caseiro, que não fosse daqueles de caixinha, mas se esqueceu de explicar para a sua avó roceira que nunca viu um McDonald’s na vida que a carne precisa ter gordura para ficar boa. O que eu vi foi um disco de carne que, se não fosse a textura desprendida e pouco fibrosa, diria se tratar de um bife arredondado nas pontas. Sua cor escura é a mesma por dentro e por fora, o que significa que passou demais, e ficou seco, o que indica que se trata de uma carne magra e sem graça, dessas que você mói de última hora para fazer um hambúrguer para o seu neto urbanóide que vem lhe visitar de longe e chega fazendo as mais disparatadas exigências a respeito de um prato que ele gosta de comer num tal de McDonald’s. Você faz o que pode, mas o netinho é duro na queda e gosta da parada mais americanizada que a senhora consegue produzir no seu fogão à lenha. Êta moleque bom pra levar uns bolos.

Nossa, por pouco não me esqueço de um ingrediente chave da composição: o bacon (e por quê será que sempre esqueço do bacon?) Sim, meus camaradas, o “Hambúrguer” sabe guardar as suas surpresas em tiras de bacon bem fritas e saborosas, embora perca um pouco do sabor no conjunto da obra por alguma razão. Às vezes o bacon é evidente em um prato, às vezes passa quase despercebido. C’est la vie.

No final das contas, o “Hambúrguer” da Casa da Mãe Joana é um lanche mediano. Não tem o requinte a que se propõem as hamburguerias tradicionais, mas ganha em identidade, personalidade e apresentação, ainda que peque no ponto da carne e na escolha dos ingredientes.

Ficha técnica:

“Hambúrguer”

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro de grelhado com fatias de bacon, coberto com queijo muçarela derretido, rodelas de cebola e tomate assados em forno a lenha. Acompanha mini salad, batatas rústicas fritas e maionese especial”.

Preço: R$16,00 + 2 guaranás em lata = R$23,50 (Acho que foi isso que deu).

Ponto alto: Apresentação e personalidade.

Ponto baixo: Carne passada, xixo no hambúrguer, falta de imaginação pra batizar a criatura.

Avaliação: C

A Casa da Mãe Joana fica na rua Jerônimo Durski, 1010, no Bigorrilho. Terça à Sexta: 18:30 – 00:00, Sábado e Domingo 12:00 – 16:00   –  (41)3092-2322

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Publicado por em 01/25/2013 em Uncategorized

 

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Casa da Mãe Joana – Hambúrguer de Barreado

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No ritmo preguiçoso de férias(mesmo não estando de férias) e de início de ano, estamos na atividade.
O bonde não para!

“Casa da Mãe Joana”, já começo achando o nome do lugar bem bom. Me lembra Mãe brigando com o filho porque a casa está uma zona. “Parece a casa da mãe Joana isso aqui!”
Se bem que essa Casa mesmo parece uma casa de vó, e bem arrumadinha.

O lugar tem um lance tipo aquela Casa di Bel que mais parece o Sítio do Pica Pau Amarelo, onde nada combina com nada, é muita coisa pendurada, é muita informação, você fica sem saber para onde olhar. Na Casa da Mãe Joana o negócio é mais simples, visualmente é mais limpo e agradável, tem várias coisas decorativas antigas que vão desde um refrigerador de alguma mercearia até mesinha e telefone de discar, bules de porcelana, quadrinhos gringos que os Caçadores de Relíquias do History Channel adoram, latas e várias outras coisas. Tem uma área externa com umas mesas, chão de pedrinhas brancas e redes para quem sabe tirar um cochilo, tipo baiano.
O lugar tem um ar de carimbóGaribaldis e Sacis, bicho grilo da reitoria, só que mais arrumadinhos e que felizmente essa referência não se manifesta na trilha sonora, que foi do Jazz ao Rock e nada de MPB lésbica da nova geração.

Agora falando da comida, quem acompanha o blog ou leu alguns posts já deve ter percebido que meu negócio é testar o tradicional de cada lugar, e nas poucas vezes que me aventurei, deu merda, parceiro! Veja aqui um exemplo.
Mas hoje depois de muito pensar e olhar para o cardápio diversas vezes, aceitei o desafio do Yuri e arrisquei encarar uma coisa nova que tem tudo para dar errado, um X-Barreado.

Sim, um hambúrguer de Barreado. Para quem não é do Paraná, (momento wikipedia), o Barreado é um prato tradicional do estado, mais precisamente do litoral. A turistada adora ir para Morretes e Antonina comer essa parada. Basicamente é carne de boi desfiada que fica cozinhando por umas 12h numa panela de barro lacrada com uma massa feita de trigo, e servido com farinha e banana.
Com doze horas de cozimento (hoje deve ser feito na panela de pressão com muito menos horas) já da para imaginar como as fibras musculares ficam completamente relaxadas, a carne fica muito molinha e desmanchando, o negócio vira quase uma “sopa de carne”.

Eis que os filhos da mãe Joana resolvem remontar esse prato num sanduíche. E o pior é que fica interessantemente bom!

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Detalhe para a bela apresentação do prato. Sanduíche, salada, molhinho de maionese e banana chips.

O pão é um pão d’água coberto com um pouco de fubá, particularmente gosto bastante de pão assim, bem molinho e sem casquinha crocante quebrando. Há que quem ache ruim e diga que é tipo pão amanhecido e, por isso poderia ser arriscado usar num hambúrguer de quase vinte reais.
Mas um cara que faz um sanduíche que tem banana com bacon e carne não está com medo de arriscar.

Sim, bacon e banana que incrivelmente combinam. A banana fica predominante na maior parte do tempo, e nas duas ultimas mordidas já estava começando a ficar enjoativo, mas em alguns momentos você sente bem o bacon, e às vezes a mistura dos dois, é interessante e longe de ser ruim.
São duas tiras classudas de um bacon muito bonito e com pouca gordura, até abri o sanduba para conferir e gostei bastante do que vi lá dentro. Também duas fatias de banana grelhada por cima do queijo, que, diga-se de passagem, é apresentado numa quantidade legal de muçarela (com ç mesmo, como no cardápio) com direito ao efeito estica e puxa,essa é a festa da Xuxa.

Assim como a banana, o hambúrguer também tinha suas belas marcas de grelha. Feito com a carne do barreado, não sei direito, mas pelo que me pareceu a carne desfiada foi processada(batida) para poder dar a liga necessária para moldar o hambúrguer.
Fica uma textura diferente, mais macia e sem a “granulação” da carne moída tradicional, quase não tem resistência ao morder e o pedaço se desmancha ao mastigar.
E como a carne já foi cozida não tem isso de mal passado ou no ponto sangrando, nem seca nem molhadinha, esse é o ponto que fica.

Tudo isso junto e logo na primeira mordida me surpreendo com uma das coisas mais macias que já mordi (incluindo pessoas), é tipo comida para velho banguela, bem legal.

Acompanha também uma porção de salada considerável, muito maior do que viria dentro de qualquer hambúrguer. Dois tipos de folhas (alface crespa e alface frisé), cenoura ralada, e um tomatinho cereja cortado ao meio. Além de um potinho com a maionese local, que nem usei muito mas é mais líquida que a normal e com um gostinho de alho e(ou) cebola.

No cardápio dizia batatas rústicas, mas veio uma surpresa na vibe do passeio na feirinha de Morretes no final de semana.  Bananas chips, banana frita como se fosse batata. Fica meio seca, parece uma madeirinha, é legal por ser diferente, mas eu prefiro batata, ainda mais se forem rústicas.

“A Casa”
 fica na Jerônimo Durski, esse nome que já lembra o que? Madero, né, seus bois de presépio.
Curitibano tem mania de fazer sempre as mesmas coisas, frequentar sempre os mesmos lugares…  Acho que vale uma boicotada no Madero e passar na Casa da Mãe Joana para experimentar um hambúrguer diferente, bem diferente, e bom, na mesma faixa de preço do Madeireiro.

Ficha técnica:

Hambúrguer de Barreado

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro de barreado grelhado com fatias de bacon, coberto com queijo muçarela derretido, rodelas de cebola e banana assadas em forno a lenha. Acompanha mini salada, batatas rústicas fritas e maionese especial”.

Preço: R$18,00 + 1 Itubaina (que troço doce!)  + 1 coca-cola lata = R$27,50 (caro para um lanche mas vale por uma refeição).

Ponto alto: Apresentação, bons ingredientes, inovação, e o gosto, claro.  

Ponto baixo: Preço.

Avaliação: A

A Casa da Mãe Joana fica na rua Jerônimo Durski, 1010, no Bigorrilho. Terça à Sexta: 18:30 – 00:00, Sábado e Domingo 12:00 – 16:00   –  (41)3092-2322

 
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Publicado por em 01/18/2013 em Uncategorized

 

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JPL – Roadmaster

JPL

O ano se encerra e o novo se abre com a mesma perspectiva: atar as duas pontas da vida, como escrevia Dom Casmurro quando botou na balança suas dores de pseudo-corno. Finalizando nossos compromissos com duas hamburguerias que ficaram pela metade, o Brooklyn Coffee Shop e o JPL, igualamos a atenção que damos a todas elas: one life, one chance, no melhor estilo H20, e é melhor que ninguém cague no pau porque perdoar é coisa de cristão e ninguém aqui anda de escapulário. Sendo assim, voltamos ao Jean Pierre Lobo Burgers, ou JPL, na abreviação que esconde a identidade do renomado chef sob uma modesta e enigmática sigla.

O lugar é aquela coisa: típica birosquinha chiquérrima do Batel. Lugar pequeno, frequentemente flanqueado por motocas Harley Davidson, a liberdade em forma de pistões, rodas e motor em V que hoje está mais nas mãos de playboys bandidinhos do que idealistas bandidões. Não espere portanto, uma alcateia de motociclistas, quando muito um rendez-vous de pleissitude máxima, patricinhas e seus iPhones, mauricinho com camisa listrada com brasões e números, enfim, aquela coisa. Ainda assim, o atendimento é bom e não roubam na conta, então já tá valendo.

Pela parede junto ao caixa, um hall da fama com os diversos prêmios que o estabelecimento ganha todo ano. Veja Comer & Beber e Bom Gourmet da Gazeta do Povo. A minha escolha da vez, o Roadmaster, está lá em alguma dessas tabuletas, não me recordo do ano. E o que é o Roadmaster, esse sanduíche premiado? Nada mais que o famoso hambúrguer de Cheddar, com todos os clichês da fórmula: queijo processado TIPO cheddar, não o verdadeiro irlandês de 60 reais o quilo, cebola caramelizada no barbecue (shoyu também é aceitável), pão fofinho e carne suculenta. Há aí ainda a adição de um queijo mussarela e do potinho extra de barbecue porque os hamburgueiros da newschool americana aprenderam que molho barbecue nunca é demais num hambúruger. O resultado é isso aqui:

Roadmaster

Mas, afinal, porque o Roadmaster ganha o prêmio Bom Gourmet e o Cheddar McMelt, que ainda tem a ousadia de colocar um hambúrguer num pão preto, não? Algumas razões, filhão. Existem muitos diferenciais no Roadmaster, mas o mais óbvio e o primeiro a se perceber é o pão. Até porque é difícil achar um pão de hambúrguer que se destaque do resto, a maioria quando quer caprichar na casca substitui pelo arcaico pão d’água. Mas o pão de hambúrguer do JPL é tão macio que chega a ser imediatamente digerido pela amilase da saliva, quase não restando consistência que o faça lembrar que por ali, há pouco tempo, passou um pão. Nem o gergelim sobra direito para contar história, é como aquela mistureba ácida que preparam no final do Retrato de Dorian Gray, algo intenso, cheiroso e inesquecível. Tipo meu pau.

Agora, a carne não fica atrás. Feita no fogo alto, mas temperada secretamente, de maneira que nem seus chapeiros tem noção da fórmula, o disco de hambúrguer vem embalado e congelado pronto para fritar, e fica ali no segundo andar para quem quiser ver como o lance é feito. A carne não perde água e ainda assim, não esparrama seus sucos vitais pelo prato mais do que o barbecue da cebola, embora não deixe de tingir um pouco as duas faces do pão. A crosta não fica crocante de queimado, e ainda assim, ele não desmonta. É algo realmente impressionante de se conseguir em uma carne, acredite em mim porque de vez em quando eu me aventuro no meu George Foreman.

A cebola serve, como sempre, para pouca coisa. No caso aqui, dar alguma consistência a uma pasta em formato de hambúrguer, pão e queijos. A crocância de suas folhas dá um sentido de unitarismo ao bolo alimentar, e delimita sua forma e avisa nossos molares sobre seu real volume. Mas é verdura e verdura aqui não tem vez.

E por fim, há o queijo. Ou melhor, os queijos. Cheddar combina com cebola, pão e carne, mas ainda que esse cheddar fosse de verdade ao invés do queijo processado, e falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens, sem essa mussarela quase fritinha ele nada seria. Ora, o que a mussarela tem que o cheddar não tem? Em primeiro lugar, sabor; em segundo lugar, elasticidade; em terceiro lugar, experiência no tatame para saber que o lugar de um queijo é colado na carne, coisa que uma pastinha de cheddar nunca vai fazer. Não há cheddar brasileiro que resista num pão à passada de um dedo. Cai tudo no prato, mas graças à mussarela velha de guerra, há justaposição de queijos e carne numa dança cigana, linda e sensual, uma forésia entre uma anêmona e um paguro, um número de trapézio em que o cheddar quer o ar, mas a mussarela o puxa para solo firme.

Não podemos nos esquecer da batata. Mas é que depois de falar tudo isso, não importa muito o que eu falar da batata, né? Mesmo assim, ela é muito boa. Contentem-se com isso porque aqui não é good batata, aqui é GOOD BURGER MANEEEEEHHHH!!!

Ficha técnica:

Roadmaster

Ingredientes: “200g. do nosso suculento hambúrguer grelhado, queijo mussarella (com dois Ls porque nego é chique), cebola ao molho barbecue, cheddar e batatas fritas crocantes (é bom mesmo que seja crocante, a única razão pela qual a gente frita alguma coisa é pra ficar crocante!)

Preço: R$ 20,90 (O pessoal fica dando prêmio e a galera joga o preço lá em cima).

Ponto alto: hambúrguer metafísico, pão que dissolve na amilase, mussarela simbiótica e barbecue pra caralho.

Ponto baixo: Preço alto.

Avaliação: A

O JPL Burgers fica na Av. Vicente Machado, 833, no Batel. Curitiba – PR. (41) 3024-2910

 
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Publicado por em 01/10/2013 em Uncategorized

 

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