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Arquivos mensais: Agosto 2013

Rolê épico pelo CWBurger Fest

CWBurguer Fest

Curitiba recebeu na última semana o CWBurger Fest, uma espécie de Restaurant Week de hambúrgueres. A ideia era mais ou menos como a original: vários restaurantes participam da promoção e, mediante um preço fixo e “acessível” (dependendo, é claro, de quem eles querem que acesse esse preço), estabelecem um prato extra no cardápio para que as pessoas tenham uma desculpa para conhecer a casa e jantar fora. A diferença é que esse Restaurante Week seguiu rigorosamente o nome e durou mesmo só uma semana,  ou dois fins de semana com uma semana no meio. 8 dias, vejam vocês, é muito pouco para comer hambúrguer em 21 estabelecimentos. Uma pessoa fissurada não vai comer mais do que três hambúrgueres fora na mesma semana, penso eu.

Dito isso, ressalvo que nós não somos fissurados. Somos profissionais. De modo que, quando a assessoria do evento entrou em contato e nos mandou seis vouchers para seis hamburguerias diferentes a menos de 5 dias do fim do evento, pensamos que a melhor forma de mostrar a loucura que é uma festa do hambúrguer seria comer nas seis hambúrguerias no mesmo dia. Tiramos um sábado para isso, entramos no burgermóvel (que é o carro da mãe do Murilo) e fomos escrevendo em tempo real o post que você vai ler a seguir. Sem os floreios e os pequenos ensaios dos demais, para dar mais agilidade a um texto que conceitualmente já nasce grande, a coisa funciona assim: dois parágrafos para cada lanche, com uma descrição do momento, do hambúrguer e a nossa avaliação conjunta (eu e Murilo dividimos todos os lanches), com um link no nome do prato para a foto original, para efeitos de comparação.

Acho que não preciso dizer para não tentarem comer seis hambúrgueres no mesmo dia, mas pro caso de ter alguém se sentindo muito intrépido por aí, vale o aviso: não tentem isso em casa, crianças.

15h30
Nossa odisseia pantagruélica começa no Happy Burger, o restaurante mais família do Cristo Rei. O garçom, a principio, não estava sabendo dos vouchers, perguntou onde a gente tinha pegado eles, com todas as razões do mundo para desconfiar. O hambúrguer em questão é o Happy Ribs, um hambúrguer de costela de 110g, alface roxa, cebola frita, tomate e maionese. Acompanha mostarda à ancienne misturada no mel balsâmico. Resumindo: uma novidade que se reinventa nos detalhes, um refinamento de ultima hora que não deixa de ser válido.

Happy Burger

O primeiro choque foi o visual. Geralmente os hambúrgueres não vêm mesmo igual ao da foto, mas o Happy Ribs veio completamente diferente do que esperávamos. Um amontoado de cebolas, pão amassadérrimo e a alface realmente roxa (diferentemente da foto, que era bem verdinha).
O lanche em si não é ruim, mas não tem muito gosto de costela. Ou talvez fosse e eu estava com muita fome porque me preparei com um bom Ramadã para a empreitada do dia. A carne tem uma crosta chamuscada que sim, lembra vagamente a textura e o sal de uma pururuca, mas nada que passe em um teste cego. A quantidade absurda de cebola não interfere muito no gosto, mas deixa tudo meio grotesco demais. A mostarda é uma grata surpresa, trazendo o gosto doce que qualquer carne de costela exigiria (e talvez isso até ajude no efeito placebo da carne). A batatinha é aquela dos restaurantes self-service bem feitas, mas nada excepcionais.
Total: R$9,58 (uma coca e uma água)

17h09
Chegamos ao Madero de São José dos Pinhais, nosso segundo destino. Lugarzinho longe pra dedéu, mas como era o voucher que nos deram e a gente não é louco de não comer de graça, viemos pra cá. O lanche especial do Mr. Durski, o Angus Premium, é exatamente um x-burger Junior só que com carne de Angus, o que pode ser uma grande falcatrua se a gente levar em conta que hambúrguer é carne moída e carne moída pode ser qualquer parte do boi. Ou seja, podemos estar comendo carne de pescoço de Angus a um preço 2 reais mais caro do que o hambúrguer normal.

Angus Prime

O lanche chegou extremamente rápido. Nem conectou o wi-fi! Mas, qual não foi a surpresa em constatar que o hambúrguer tem exatamente o mesmo gosto dos outros hambúrgueres do Madero? Era inclusive mais seco do que o normal, já que geralmente a carne do restaurante chega pingando no prato. É, acho que o Durski não tava muito a fim de participar desse negócio e aceitou só pra não ter o restaurante referência dele de fora de algo que ele meio que ajudou a popularizar na cidade, que é o business do hambúrguer caro.
Total: R$4,40 (uma coca)

18h45
Cervejaria da Vila. Lugar lotado, 10 reais só pra entrar, alguma banda tocando Iron Maiden com White Stripes e o garçom fala que o hambúrguer vai demorar 45 minutos pra ficar pronto. Haja obstinação pra ficar nesse lugar, amigo. Mas tudo para ver qualé a desse Porky Pig Burger, um hambúrguer de costela de porco, com cebola caramelizada reduzida (encorpada) na cerveja Red Ale e queijo coalho, com geleia de pimenta. O hambúrguer mais caro do cardápio custa 19,90. Vai vendo as atrocidades cometidas em nome da festa…

Porky Pig Ribs
Felizmente, o lanche chegou em “apenas” 35 minutos (ufa!), e valeu a pena! Ele é macio à mordida, bem adocicado pela geléia de pimenta, e o queijo coalho combina perfeitamente com a carne de porco que realmente tem gosto de costelinha. O pão era bem genérico e industrial, mas era macio então valeu. Um dos melhores da noite, embora o Murilo tenha achado muito doce.
Total: R$23,80 (duas entradas de 10 reais e uma coca)

20h05
O quarto hambúrguer do dia é no Cana Benta, um lugar em que a gente não iria não fosse o irresistível lanche que eles colocaram na competição. O Bigburguer Canabenta (adoro esses nomes que misturam vários idiomas numa palavra) tem carne de contrafilé e calabresa, provolone, queijo prato e mussarela, molho especial, rúcula e tomate. A essa altura do campeonato, já não temos mais fome e estamos levemente empanturrados de hambúrguer e Coca-Cola (crianças, se vocês estiverem lendo isso, um aviso: fins de semana como esse são as vantagens da vida adulta que lhes espera), mas ainda conseguimos meter pra dentro bons pedaços de carne, pão e batatas.

Cana Benta
Depois de 50 minutos (!!!) o hambúrguer chegou. É bem verdade que não sei se ele demorou tudo isso pra ser feito porque o nosso garçom parecia bem atrapalhado e deve ter esquecido de passar o pedido pra cozinha. Pra mim, o gosto da carne, aliado ao queijo, é muito parecido com o gosto de uma salsicha que você come no dogão de madrugada. O tomate estava verde, mas o mix de queijos estava legal e combinava com a rúcula, muito embora a rúcula seja um elemento indesejável em qualquer sanduíche. Pro Murilo, a carne era gigantesca (e era mesmo), mas completamente sem graça. Nas palavras dele, “bem mediano e meia boca, sem nada de especial”. É, vamos embora desse lugar.
Total: R$12 (!!!!!) por duas Pepsis. (Pepsises?)

21h08
Atravessamos a rua e chegamos ao Estofaria Bar para comer o quinto hambúrguer da noite. Comendo por pura gula e entrando cada vez mais adentro do império gastronômico do senhor Délio, estávamos intrépidos na nossa missão. O Estofa’s Burger é um misto de apostas certeiras com uma bem arriscada, a saber: o molho tártaro. A carne é de maminha e vem com queijo cheddar fatiado, um pouco de gorgonzola e alface americana.

Estofaria
Chegou muito rápido, e com uma apresentação de respeito, quase idêntica a da foto. O problema principal desse hambúrguer é que ele é muito forte. Muito tempero verde na carne, molho tártaro, cheddar, gorgonzola, ficou enjoativo muito rapidamente, embora deva dizer que o empanturramento precoce possa prejudicar em certo grau o julgamento (mas não muito). As batatas cozidas que vieram junto eram meio sem graça e com muito sal, mas vinham com mais cheddar embaixo, o que era legal.
Total: 0 reais. (Nem 10% cobraram, e não pedimos refrigerante).

21h40
Chegamos no destino final da noite, a Forneria Copacabana. Originalmente iríamos no Barba, mas parece que a cozinha dele explodiu e invalidou nosso voucher final. Viemos cá porque esse era um dos hambúrgueres que queríamos experimentar, mas o lugar parece disputado. Ficamos mofando no bar esperando uma mesa na parte do restaurante, mas tudo bem porque, para ser bem honesto, estávamos bem empanturrados. Mas não iríamos para casa sem experimentar o Vegas Burger, uma espécie de calzone com hambúrguer de maminha, queijo cheddar envolto em massa de pizza e assado em forno a lenha. Originalmente a coisa custa R$27,90, mas graças ao CWBurger Fest, iríamos pagar apenas R$21. Ou melhor, R$22, porque diz o garçom que um real é para doar pra caridade. Eu achei que esse real a mais já estava incluído no preço, mas tudo bem, vamos ajudar algum estabelecimento a parecer mais santinho do que os outros. Vamos ver se não nos cobram taxa de serviço de 30%, porque uma coisa vou dizer: o lugar parece caro e badalado, obviamente não é pro nosso bico e acho que destoamos bastante ao olhar dos garçons.

Vegas Burger
Esse bateu recorde de demora: mais de uma hora para o lanche vir. Acho que a equipe de garçons propositalmente ignorou a gente que estávamos mais mal vestidos, porque uma galera sentou depois da gente e comeu primeiro. Não é o tipo de coisa que faz você criar simpatia pelo lugar, mas enfim, azar o deles. O Vegas Burger é gostoso e vem numa massa bem feita, mas dificilmente vale o preço. O cheddar processado servido aqui é visivelmente de qualidade superior, comprovável na cor fosca e no gosto mais forte do que o normal, e a maminha é bem temperada. A carne estava bem no ponto e as batatas se destacam por serem rústicas cobertas de alecrim, páprica e alho. Não entendi foi esse prato de salada cheio de alface, destoando completamente da nossa escolha de comida pouco saudável. Deixamos de lado a cumbuca e encerramos a noite com essa.

Total: R$29,15 (o Vegas Burger e mais duas Cocas).

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Balanço final:

O CWBurger Fest é uma ótima ideia e evidencia a quantidade de hamburguerias competentes e criativas na cidade. Talvez alguns restaurantes pouco interessados em participar, como o Madero, tenham elevado muito o preço final do hambúrguer, mas sabemos que a primeira edição sempre serve para testar a boa vontade do cliente em desembolsar mais ou menos grana. Gostaríamos de ter conhecido mais hamburguerias e mais receitas novas, e eu, particularmente, gostaria de ver esse Porky Pig Burger no cardápio da Cervejaria da Vila, mas sei que uma coisa como hambúrguer de costelinha suína deve dar um bom trabalho para fazer. O evento deveria ser estendido em no mínimo mais duas semanas, para ter pelo menos um dia para cada hamburgueria. De qualquer forma, agradecemos a DP9, organizadora do evento, por lembrar da gente e nos mandar esses vouchers. Sei que fizemos bom proveito deles.

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Publicado por em 08/30/2013 em Uncategorized

 

Guiolla – Gourmand 33

guiolla-logo1

Um estabelecimento da cidade vai estrear uma nova receita de hamburguer e quer fazer uma festa de lançamento e sondar a opinião dos convidados. Who are you gonna call? O Guiolla nos chamou para conhecer o Gourmand 33, um sanduíche composto por, pão, queijo, vinagrete, maionese e um baita hambúrguer de costela (e aqui fica a indireta pra vocês, outras hamburguerias que nunca chamam a gente de Godfather). Simples assim. Já resenhamos os hambúrgueres do Guiolla aqui, então esse entra num off-topic, mas nem por isso vamos deixar de fazer nosso comentário abalizado ineditamente escrito a quatro mãos (embora boa parte tenha sido trabalho do Murilo). E obrigado ao Guiolla pelo convite!

Antes de mais nada, tá aqui o bicho:

Gourmand 33

Quando esse prato chegou, achei ele bem pequeno e moderado, mas até que no fim das contas encheu a pança. O hambúrguer continua vindo num chapeuzinho de origami que é muito engenhoso e funcional,  além dos caras terem uma das melhores batatas-fritas da cidade. Mesmo assim, é meio inevitável comparar com o hambúrguer da foto promocional, confiram:

Gourmand 33

Bom, o mais legal desse sanduíche é que a carne é e parece costela, no meio do hambúrguer tem até as tirinhas de fibra da carne e um pedacinho ou outro de gordura (a gordura é que da o prazer dessa vida, mas se for muito, no corpo e no coração, aí é problema, jovens).
Deve dar um puta trabalho fazer isso, já conheci gente que não ia no costelão porque é muito empenho ficar separando só a carninha boa. Os caras fazem isso por você e colocam no formato de um puck, aquele disco de hockey. Então obrigado.
O hambúrguer faz o sanduíche parecer um planeta com um anel de carne ao redor do pão. Carne maior que o pão ganha a nossa simpatia, ainda mais se for gostosa como essa costela do Goumand.

Esse hambúrguer, acho que por causa do pão e do vinagrete me lembra essas festas de cidades do interior, rodeios e exposições agropecuárias que tem “X-pernil”. Aquelas barracas com uma luz bem na chapa para chamar atenção, uma porrada de carne e vinagrete para colocar num pão francês com a casca quebrando e colocado num saquinho branco.
No caso do Guiolla, eles transformaram um desses lanches toscos em algo sofisticado, coisa da inventividade do homem moderno das grandes cidades. Troca-se o cheiro de bosta de vaca no meio da terra batida por um lugar mais bonito e confortável no batel. Nada mal.

Tem o vinagrete, sim, aquele molinho de cebola, tomate, um verdinho e, pasmem, vinagre! (rá-rá!)
Confesso que comecei a comer cebola e realmente achar interessante agora há muito pouco tempo, depois dos Pita Gyros da Grécia (mano, que troço massa aquilo. Saudades, Grécia). Então não posso falar muito, mas basicamente é aquele lance, cebola da uma textura crocante ao mastigar, além do gosto característico, o tomate molha e com isso difunde o gosto da salada por onde escorrer.
Tem também uma maionese, mas é pouco, confesso que não reparei muito. Então poderia ter mais maionese, pode dar uma besuntada que a gente não se importa, deixa mais deslizante goela abaixo.

Eu (Yuri), pedi o meu hambúrguer sem o vinagrete, pra dar uma variada e ter uma espécie de grupo de controle. Bom, posso dizer que talvez o vinagrete desempenhe papel fundamental no lanche, porque com a pouca maionese e o queijo propositalmente escasso (senão a coisa fica extremamente salgada), o pão e a carne ficam bem secos. E hambúrguer seco é uma coisa que você jurou pra você mesmo que nunca mais comeria desde aquela vez que comprou uma caixa de frigão texas burger pra fazer em casa, esturricou a porra toda e acabou se fartando de pão com queijo e maionese, depois de comer meio disco de carne carbonizada. De maneira que é aconselhável pedir mais maionese caso não goste de vinagrete. Ah, senti falta do barbecue também, que sempre vai muito bem com costela e quem não concorda, boa gente não é.

Uma coisa legal do 33 é que é um sanduíche limitado, são só 33 por dia,  quer mais exclusividade que isso? Seja idiota e pague mais de 200reais no hambúrguer que tem lá em São Paulo, vai ser um dos poucos manés a comerem aquilo.
No combo do Goumand vem uma cerveja Stella Artois incluída no preço, que nós trocamos por um refrigerante. Engraçado como já é meio implícito que quase todo mundo consuma álcool e já oferecem direto com uma cerveja. Tudo bem, tudo bem…

Claro que não vamos só ficar rasgando seda, aqui é Good Burger, o bonde sem freio. Falamos a real mesmo quando parece que é jabá.
Achei o pão um pouco branco, seco e quebradiço, talvez para contrastar com a carne macia e não ser tudo mole, mas eu gosto de pão macio sem casca quebrando, esfarelando e espetando o céu da boca.

Quando chegamos tinha um tiozinho tocando Esse Cara Sou Eu, quando fomos embora estava tocando My Way, do Sinatra, então dá pra dizer que melhorou na hora que fomos embora.

O Guiolla é um pouco coxinha mas continua sendo o lugar que eu recomendo para ir em casal e tem um dos melhores hambúrgueres da cidade (Vejam no nosso ranking). Eu levaria uma gata lá.  #FicaDica

Fomos convidados para experimentar esse sanduíche novo. Comemos de graça e achamos muito legal, mas nem por isso virou uma matéria paga ou coisa do tipo.
Continuamos com a dignidade em dia e os bolsos vazios. Obrigado e voltem sempre!

 
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Publicado por em 08/23/2013 em Uncategorized

 

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Bravus Burger e Grill – Caesar Burger

Bravus

Mimetismo. O conceito, aqui emprestado da biologia, serve a animais que, por causa de sua aparência, conseguem se camuflar em certos ambientes ou passar por outros seres vivos, imitando assim uma outra forma de vida. O Caesar Burger, do Bravus Burger e Grill, simpático e pequeno estabelecimento no coração do batel, que, como qualquer outro, se vale dos clichês da arte pop cinquentista para sua modesta decoração, talvez seja o primeiro caso de mimetismo gastronômico da história deste blog.

Veja, não é que o hambúrguer em si esteja mimetizando outra comida, mas o lanche é batizado a partir da clássica fórmula de salada verde com carne (geralmente frango), queijo e molho característico a base de mostarda, parmesão e suco de limão. Então, de certa maneira, a intenção do chef foi fazer um hambúrguer com gosto de salada. E deixo para vocês adivinharem as razões para tão tresloucada e despropositada invenção. Uma salada com gosto de hambúrguer sim, seria a invenção do século, mas o contrário? Por quê? Pra quê? A quem interessa um hambúrguer com gosto de salada?

Enquanto vocês pensam nessas questões, aqui vai uma foto da criança.

Bravus Burger e Grill

A receita para esse hambúrguer é: Pão, hambúrguer, alface americana, molho caesar, parmesão e cheddar. Nem preciso dizer que debaixo do queijo cheddar — essa fatia de queijo processado, que, para ser bem sincero, não tem muito gosto de cheddar —, o parmesão desaparece por completo, misturado no molho e em meio a todo o sal da coisa.

O pão é bem macio e cheio de gergelim, e é levemente tostado, o que dá aquele balanço entre uma crosta crocante e um interior tenro, então é um ponto alto e relativamente falando, é meio caminho andado para um bom sanduíche. Pena que é só meio caminho andado, porque a outra metade do caminho ficou mesmo pela metade. A carne do hambúrguer é o maior mistério pra mim: ela é extremamente bem executada, mas muito mal temperada. O resultado é curioso: um puta hambúrguer suculento com gosto de absolutamente nada. Bom, ele passou um pouco do ponto também, isso deve ter ajudado. Inteiro da mesma cor, parece uma carne do Madero, mas só parece.

Agora vamos dar uma atenção especial à salada. Sim, porque a salada deve ser o principal nesse sanduíche, então dai a Caesar Burger o que é de Caesar Burger. Devo repetir aqui minha opinião de que o Caesar Burger é uma invenção muito pouco saliente para se constar num cardápio de hambúrgueres Premium, mas já que está aqui e que a ideia é fazer um hambúrguer com gosto de salada, acrescento que é bem impressionante o fato da ausência de um tomate deixar o lanche com um vazio de texturas até então impensável para mim. Mas é verdade. A falta de um tomate no alface ajudou a eximir o hambúrguer de sabores, quem diria. A alface é boa, como a próxima alface do próximo hambúrguer que eu vou comer, mas sério, quem se importa? É como se eu fizesse um sanduíche chamado Gergelim Burger, em que eu cobrisse o hambúrguer e o pão de gergelim e fizesse você prestar atenção numa parada que sempre esteve lá.

Mas Nego Dito, vocês diriam, o Caesar do nome se refere ao molho Caesar. Eu sei, amiguinho, e é disso que eu vou falar. Como posso colocar isso? Um molho para salada no hambúrguer simplesmente não combina. Caso encerrado.

Ah sim, por último, uma leve ilusão. O Caesar Burger é o único da página do cardápio ilustrado, e na foto podemos vê-lo rodeado por lindas batatinhas fritas. O problema é que essas batatas não vêm no sanduíche, e você precisa pagar mais 5 reais para ter um adicional, segundo a pequena lista de adicionais da carta. Aliás, essa lista é de uma incoerência matemática que eu imagino que se tem alguém com tutano que frequenta esse lugar, deve aproveitar bastante. Pegue, por exemplo, um cheese burger básico, que custa R$8,50. Pão, queijo e mussarela. Agora pegue um adicional de ovo (R$1) e um adicional de bacon (R$2). Total: R$11,50. Um real mais barato que o Egg Bacon Burger do cardápio, que vem com tudo isso e mais presunto – um ingrediente desprezível por qualquer um que goste de hambúrguer bem feito, mas altamente apreciável no x-burger de R$3 que você compra na padaria da sua casa com uma carninha mirrada. Que tal transformá-lo então em um Especial Cheese Burger, esse que o Murilo resenhou na semana passada? Basta um adicional de cheddar (R$2) e um de provolone (R$2) e voilà! A mesmíssima receita do cardápio acaba de ficar um real mais barata! Ao mesmo tempo, o Egg Burger custa a mesma coisa do Egg Bacon Burger, que tem um ingrediente a mais, e por aí vai. Olha, parabéns pra quem fez esse cardápio por dar ao homem comum, urbanoide proletário abatido, a oportunidade de se sentir um pouco malandro em ludibriar o estabelecimento com esses preços manipuláveis. É uma boa ação que o Bravus Burger e Grill faz por você.

Ficha técnica:

Caesar Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger, alface americana, molho caesar, queijo parmesão e cheddar”.

Preço: R$15,50 + R$3,50 coca-cola em lata. Total: 20,90 (10% incluso).

Ponto alto:  Pão bom e carne bem executada.

Ponto baixo: Carne mal temperada, receita incipiente, preço e o fato de não vir com batatas.

Avaliação: D-

O Bravus Burger Grill que fomos fica na Av. Batel, 1.700, na frente de um tal Boteco Santi. Seg. – Sáb. 11:00 – 00:00 e Domingo das 17:00 – 00:00. Tem delivery, (41) 3010-2525.

 
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Publicado por em 08/16/2013 em Uncategorized

 

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Bravus Burger e Grill – Especial Chesse Burger

Bravus_logo

Alô, povão, agora é sério!

A mídia ninja do jornalismo gastronômico dos pinheirais está de volta! Voltamos a falar dos hambúrgueres de Curitoba, a cidade da qual a gente vive reclamando, mas gosta.
Nada mais curitibano que retomarmos nossa empreitada pela Av. Batel. Lugar de badalação, gente bonita, riqueza e glamour (bom, talvez em outros tempos).

Por conta de uma sugestão (valeu, Barbara!), fomos conhecer um lugar novo, o Bravus Burger Grill, na Av. Batel, entre a parte residencial e onde começam as baldas. Ali, um pouco antes de chegar no fervo onde é um saco passar de carro (e a pé, de bicicleta, de skate e de patinete também). Fomos numa terça-feira e o transito estava tranquilo. Não entendi direito se eles tem estacionamento ou se são duas vagas, mas o motoboy tirou a moto e pude estacionar o burguer móvel na frente do lugar. Jóia! (+ 3 de camaradagem).
O lugar não é cheio de frescura como se espera dos lugares da região, é meio na linha do Memphis: simples, mas bonito.
Bem iluminado também. Gosto de lugares claros, não só me ajuda pra fazer a foto, mas principalmente ver o que se está comendo, as pessoas, o ambiente e tudo mais.
Você vai ver em uma das paredes uma grande foto de um sanduíche que transborda recheio pelo prato, em outra parede, a mina do “we can do it” fazendo uma banana, um tipo de abajur grande, de teto, com tecido de flores que iluminam bem as mesa logo na entrada.

Chegamos e escolhemos uma mesa da parte dos fundos, mais alta. Isso já é meio que um teste pra ver o atendimento, o cara foi gente boa e falou que já iria ligara luz, que podíamos sentar lá. Diferente de quando fomos no Barba Hamburgueria que ficaram meio de cu doce para liberar as mesas vazias da parte superior.

Isso de sentar no fundo me lembrou uma pira que tenho e vou compartilhar com vocês.
Não gosto de sentar logo na entrada dos lugares com fácil acesso da rua e nem perto de janelas que dão para a rua. Se por um lado facilita uma fuga em caso de emergência, por outro acho que você fica muito vulnerável, que se chegar alguém atirando você é o primeiro a ser alvejado. E também porque sou elitista e não quero que pedintes que não tenham o que comer venham fazer com que eu me sinta culpado por estar ali comendo algo supérfluo. É, eu penso nesse tipo de coisa (o tempo todo).

Enfim, pirações de lado, vamos para a comida que é o que interessa para esse blog bonito.

Já vimos garçom anotar o pedido errado, normal, até acontece, mas dessa vez quem errou fui eu. Pedi errado.  “Ai, que buuurrro, dá zero pra ele!”
Era para pedir o Especial Chesse Burger e acabei falando e mostrando no cardápio o Chesse Burger normal.

Quando chegou na mesa a sensação que me deu foi de solidão ao ver o coitado do Chesse Burger sozinho naquele prato branco. Faltava alguém ali, faltava alma, faltava graça.
Nenhum dos hambúrgueres da casa acompanha batata frita (que marcação, galera!), mas também não custava fazer uma firula de barbecue no prato, uma folha de alface e uma rodela de tomate, sei lá, qualquer coisa para dar uma floreada. Alguém andou faltando a aula de guarnição do prato…

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Em todo caso fiquei com o solitário e pobre Chesse Burger. Chegou rápido e comemos mais rápido ainda.

Mas só pão carne e queijo, é meio pouco, só vai quando não se está com fome ou está sem grana.
Como aqui pra gente rap é compromisso, quer dizer, hambúrguer é compromisso.
Traz um café que pão puro é foda.”

Pedi novamente, dessa vez aquele que eu queria inicialmente. Esse é valendo!
Novamente chegou rápido na mesa. Também solitário e simplório no prato branco, mas agora muito melhor e com muito mais vida dentro do pão.

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O pão dos dois sandubas era o mesmo, o tradicional de hambúrguer, bem fresco,  com a porosidade que deixa fofinho, como um pão como deve ser, e com os gergelins se desprendendo, como não deve ser.
Mas quem liga para gergelim, por mim nem precisava ter isso.

De primeira achei a carne um pouco salgada. Pode ter a ver com o fato de que em casa sou acostumado com muito pouco sal. (Tem que cuidar da pressão, né? A idade está chegando e não quero ter um derrame enquanto for sexualmente ativo. Já é difícil achar uma gatinha sendo quase normal, imagina paralisado de um lado…. se bem que o Carpinejar é todo deformado e tem uma namorada gata, talvez eu deva me preocupar menos com o sal e mais em como fingir entender as mulheres, fazer frases de amor, essas picaretagens.)  Já o Yuri achou meio sem sal, então agora vocês tem que ir lá tirar a prova dos nove.

É um hambúrguer de tamanho médio(bom), um dedo de carne, nem grande e nem pequeno. Os meus dois foram tirados um pouco antes de ficarem bem passados, da para ver pela cor na foto.  Não chegou a secar a carne, mas poderia ter sido tirado um pouco antes, os sucos da carne misturando com os queijos ia fazer subir a nota. Desse jeito, passou raspando no nosso ENEM das hamburguesas.

Agora o que deu vida a esse hambúrguer: o queijo. É um Chesse Burger, derrr!
Essa mistura dos queijos acho que deu bem certo. Eu particularmente gosto, até mais do que devia, desse cheddar cremoso sem vergonha.  É artificial que só ele, mas eu gosto. Rola aquele lance de memória afetiva, me lembra comer cachorro quente de madrugada, não que eu faça muito isso, mas é legal.
A pastosidade do cheddar nesse caso ajuda bem já que não se tem nenhum molho(nem maionese) ou salada complementar que de uma umidade ao sanduíche. Lembrando que a carne estava quase bem passada.
Ah, e essa fatia de provolone, que beleza. Sabe o que é morder e sentir cortar o queijo com os dentes, e também puxar e esticar. Pois é, infelizmente nem sempre é assim. Acho que uns 36% do sucesso de um hambúrguer vem do queijo e a galera não presta muita atenção nisso.
O gosto e o salgado característico do provolone é sentido, mas não é sempre predominante,  às vezes ele é bem amenizado pelo cheddar. As texturas e consistências dos dois queijos mais a carne é bem interessante, só faltou um bacon em cubos, como no finado Alta Voltagem, para ficar uma experiência sensorial mais completa.

Gostei dessa mistura de dois queijos simples, na verdade um queijo e meio né, queijos processados são só 50% queijo. A outra metade deve ser algum derivado do petróleo porque esse negócio parece um plástico.

Por ser na área onde é comum “os boy beber dois mês de salário da minha irmã”,  o Bravus é considerado barato, tá certo que não tem acompanhamento de batata, mas a molecada vai curtir se descobrir que podem forrar o estômago com pouco dinheiro e vai sobrar mais para o gole ou até para pagar um drink para uma gata na balada (olha a dica molecada!).

 

Ficha técnica:

Especial Chesse Burger.

Ingredientes: “Pão, hamburger, queijo cheddar cremoso, provolone”.

Preço: R$8,50 do Chesse Burger +R$3,50 coca-cola lata + R$13,50 do Especial Chesse Burger. Total 25,50.

Ponto alto:  A boa fatia de provolone, bom tamanho, e ser meio em conta.

Ponto baixo: A inexistente apresentação, a carne poderia estar um pouco mais no ponto, e não ter acompanhamento de batata frita.

Avaliação: C

O Bravus Burger Grill que fomos fica na Av. Batel, 1.700, na frente de um tal Boteco Santi. Seg. – Sáb. 11:00 – 00:00 e Domingo das 17:00 – 00:00. Tem delivery, (41) 3010-2525.

 
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Publicado por em 08/09/2013 em Uncategorized

 

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Good Burger Around the World – Parte II

imagem do google.

imagem do google.

“I know, I know, for sure

Deng deng dong dong deng deng dong dong deng deng”

– Anthony Kiedis

Ah, viajar! Botar umas paradas na sacola, pegar uma condução, ir pra bem longe, dormir em espeluncas, andar até fazer bolha no pé, ficar doente em condições adversas, comer comida esquisita – passar fome se preciso for! –, levar uma vida sem frescura por um determinado período de tempo e depois voltar para o conforto do lar. O que a gente ganha com isso? Tudo, ora bolas! Mas para o que serve para nós nesse exato momento é apenas uma coisa: os hambúrgueres que nós comemos. Esses que, pela distância geográfica, configuram-se como raridades exóticas, mesmo que não sejam nada diferentes do que encontramos por aqui.

Enquanto o Murilo ia para os quatro cantos do hemisfério norte central, cruzando a Europa de cabo a rabo e dando uma espiadinha na borda de outros continentes, eu fiz um rolê mais ortodoxo e menos apressado. Meu plano era visitar os países da antiga União Soviética, ver aqueles que foram dos primeiros a entrar e dos últimos a sair dessa ciranda maluca do comunismo não-rural. Então, como uma meta simples, conhecer os países bálticos era algo razoável, já que a Bielorrússia estava fora de questão com seu visto exorbitante, e a Ucrânia estava longe demais e exigiria passar pela maldita Bielorrússia, está feito meu roteiro. Um hambúrguer em cada país, e vamos por partes. As férias do Goodburger estão oficialmente encerradas e semana que vem estaremos aqui com mais pesquisa de campo.

Tallin, Estônia

Eesti

Mad Murphy’s – Mad Burger

Grandes bostas, vocês pensariam. Ir até a Estônia e comer um hambúrguer num pub irlandês é pra acabar mesmo. Mas, amigo, o que eu posso fazer? Não estava procurando o legítimo hambúrguer estoniano, apenas calhou de, num domingo agradável, eu ter descolado uma apresentação no pub. Toquei uns Bob Dylan e uns Johnny Cash acompanhado por uma violinista polonesa e por um acordeonista estoniano, uma diversão que só, e todo mundo do meu albergue foi lá ver a gente. Uma noite divertida, sim senhor. O Mad Murphy’s é o típico pub, com seus pints, seus bêbados alegres, suas televisões passando algum esporte, seus dardos e seus garçons antipáticos.

Mad Murphy's

O hambúrguer em questão é a única opção do lugar, e vem com um hambúrguer caseiro, alface, tomate, molho barbecue, maionese e queijo cheddar, acompanhado por fritas caseiras, cortadas em toletes que mais pareciam polenta frita. O hambúrguer em si é bem bom, comparativamente falando, e que felicidade de ver queijo cheddar derretido pela primeira vez na vida, e não a pasta processada popularizada pelo Cheddar McMelt. O tomate estava bem vermelho, mas a alface parecia velha, e o pão não era lá essas coisas. As batatas estavam boas, mas a qualidade geral é bem inferior aos lanches brasileiros.

Preço: 6,10 euros, ou 18 reais. Tá ok. Levaria um C-.

Riga, Letônia

Letônia

Fontaine Delisnack – Big Louie Boy

Cara, eu queria muito que tivesse um Fountaine Delisnack aqui na minha cidade. Puta lugarzinho massa no miolo da velha Riga, a gema dos Bálticos, como assim foi chamada um dia antes de ser dominada pelas máfias russas, polonesas, ucranianas, enfim, todas as máfias do mundo. Primeiro porque o lugar tem uma variedade imensa de pratos, e abrange a nova cozinha americana, mas mistura ingredientes chineses, sauditas, mexicanos, enfim, tudo o que se possa imaginar. Segundo, é 24 horas, e perfeito para você passar por ali e se empanturrar num café da manhã insalubre e nada recomendável. Todo mundo que trabalha lá é bem jovem e completamente tatuado, acho que ter cara de maluco é requisito básico pra mandar o CV.

Fontaine Delisnack

O Big Louie Boy nem foi o hambúrguer que eu mais gostei de lá (é óbvio que voltei para experimentar pelo menos três), mas foi o único que eu registrei em foto. Basicamente sua concepção é ser um hambúrguer extremamente picante, e não posso dizer que falha nesse objetivo. Dois hambúrgueres de 90g, queijo, chilli, maionese picante, tomate e cebola frita. De longe, esse foi o hambúrguer mais saboroso que eu comi nessa viagem e em muitas outras, uma pena que ele não vem acompanhado por fritas. Sou meio fraco para coisas apimentadas, e comecei a suar igual a um condenado pra comer, e tive que parar e começar a comer bem devagar porque minha boca estava pegando fogo (e na hora que sai, não queira saber), mas vale muito a pena e sacia a fome como poucos.

Preço: 3,80 Lats, ou 5,40 euros, ou 16,40 reais. Um bom preço para um bom hambúrguer e um lugar muito simpático. B-.

Vilnius, Lituânia

Lieutva

Bix Bar – Bix Burger

Vilnius não parece a capital de um país. Parece uma cidade do interior de São Paulo, dessas bem sem-vergonhas, mas é abarrotada de hipsters e moderninhos em geral. O Bix Bar é um dos redutos favoritos da galera da cidade, e comporta várias tribos e várias faixas etárias.

Bix Burger

Mas, meu irmão, olha essa porcaria de hambúrguer. Um lugar desses ali no São Francisco não se criava, hein? Carne, queijo, alface, tomate e molho à base de páprica. Tudo da pior qualidade, como vocês podem ver, e nem uma batatinha pra acompanhar. A carne cinzenta, meio fria e sem sabor parecia um composto de lixo orgânico (a salada já meio podre servia pra reforçar essa sensação). O molho era absurdamente horroroso e o pão, se fosse da semana passada, tava no lucro. Uma desagradável experiência pela minha rápida passagem pela Lituânia.

Preço: 12,90 Litas, ou 3,75 euros, ou 11,40 reais. Péssimo. E-, sorte que não é rankeado aqui.

Varsóvia, Polônia

Polska

kroWarzywa – Saitanex

EEEEEEEEEPA! Páááááára! Pááára! Será que é hoje que o Good Burger vai comentar um sanduíche vegano, feito a base de seitan, pepino, broto de feijão, rúcula, alface e tomate?

kroWarzywa

Acho que seria uma boa, mas a decisão mais sensata por hora é dizer não.

 
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Publicado por em 08/02/2013 em Uncategorized

 

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