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Gold Skull – War Pigs

28 Fev

Gold Skull

E lá vamos nós, amigos. Retorno eu aqui também à temporada 2014 do Good Burger e desde já levanto solene a minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: como hambúrguer, famélico, voraz e prazeirosamente. Essa é a minha vida e é disso que vamos continuar falando, baby.

O Gold Skull é a bola da vez. Pra quem não sabe, o estabelecimento fica no recinto onde outrora era o popular Lino’s Bar, o berçário do punk curitibano, até que fechou porque alguém tomou uma facada lá, pelo que me disseram. O que importa é que ainda há vida pulsante naquele lugar da Augusto Stelfeld esquecido por Deus, e para testar se o pulso ainda pulsa, fomos ver que tipo de carne compactada sai do Gold Skull.

O lugar é bem arrumado e de decoração modesta, não chega a ter os exageros do Barba, mas tem umas caveirinhas aqui e acolá. O cardápio aposta no velho porém eficiente clichê de nomes de música para batizar os pratos, e o que eu peguei foi nada menos que War Pigs (link sacana), uma das melhores músicas do Black Sabbath na opinião de qualquer pessoa sensata. O lanche que casou com a canção é um hambúrguer de pernil, com cheddar e bacon. Ora, tamanha concentração suína aliada ao bom e velho queijo do macho britânico dificilmente seria uma combinação desastrosa. Algum tempo depois, veio este prato aqui, bem apresentado pelos potinhos de molho, mas com muito mais salsinha do que um hambúrguer deveria ter no prato.

War Pigs

Afinal de contas, por Deus, é um hambúrguer! Não é uma panqueca, uma madalena que a sua mãe faz ou um tira-gosto genérico decorado com um vegetal ainda mais genérico, é um hambúrguer, e hambúrgueres não deveriam vir com tanta salsinha no prato porque o efeito é desviar a sua atenção gustativa da carne para prestar atenção em tudo o que não é carne. E você come um hambúrguer pra sentir o gosto da carne, não?

Bom, por ordem do que mais me incomodou para o que menos me incomodou no War Pigs do Gold Skull: definitivamente, em primeiro lugar, está a carne. Extremamente bem executada e tão descomedidamente temperada com cominho, a carne era praticamente só cominho. Impossível sentir gosto de outras coisas. E eu sei que essa é uma prerrogativa do Gold Skull, e vou respeitá-los por isso, mas se tem alguém aí buscando conselhos para sua vida nestas mal traçadas linhas, rogo-lhes: não coloquem cominho em nenhum tipo de hambúrguer. Apenas não. O cominho estragou a boa execução do cozinheiro, que deixou a carne no tempo certo no fogo e conservou vários sucos — ou quantos sucos um hambúrguer de pernil é capaz de conservar. Já na terceira mordida eu continuava comendo pela epitimia moral de finalizar um lanche para relatá-lo aqui, mas a minha vontade era pedir uma porção de batata frita e ficar por isso mesmo. Enfim, uma experiência desagradável pra mim.

Depois, vieram as batatas. Sempre é uma surpresa quando alguém decide fazer as batatas de acompanhamento de um jeito diferente da maneira belga, mas acho que aqui houve um desencontro dos conceitos — no caso, do restaurante, que é um lugar rock n roll, decorado com caveiras, e um hambúrguer por demais carimbó, pouco rock n’ roll, com batatas rústicas cozidas e cortadas em nacos muito grandes. A batata, daquele jeito, precisava de um tempero, e acabou ficando com um sabor meio sem graça. Já comi batatas rústicas em muitos lugares, mas o gosto dessa me desagradou um pouco, parecia estar meio velha. Enfim, também terminei por uma questão moral, mas não fá-lo-ia caso necessário não fosse.

Por dentro do sanduíche, o cheddar também era um problema, e não só porque era um cheddar claramente vagabundo, meio escuro e oleoso, como também porque era diferente do cheddar do hambúrguer do Murilo, mais opaco, consistente e de sabor mais acentuado. Fiquei bem chateado de não ter vindo queijo da mesma procedência dos nossos dois lanches, mas, sei lá, questões de estoque e abastecimento não deveriam ter o efeito final que tiveram nesse caso. Não que o meu cheddar fosse um desastre e o dele fosse o melhor do mundo, mas a diferença, sobretudo, incomodou.

Felizmente, nem tudo está perdido, e o Gold Skull provou excelência naquilo que vocês, fetichistas da internet, mais gostam: o bacon. Não só o lanche vinha com bacon farto, como também muito bem fritinho, na medida, nem esturricado e quebradiço, nem mal passado e borrachudo. Apenas… certo. Aliás, uma coisa é certa: eu não sei se o sujeito que prepara a carne é o mesmo que a executa, mas se for a mesma pessoa, eu diria para abandonar a primeira função e ficar só de chapeiro, porque onde falta bom-senso em uma atividade, abunda  a competência na outra.

Por fim, o pão, que por muitas vezes é o começo de nosso comentário. Bom, meu pão simplesmente sucumbiu às dentadas sempre afiadas dos meus caninos. Despedaçado e sem conseguir conter a carne, embolou-se na maçaroca de carne e molho, substratos do que deveria ser um lanche íntegro. Nada que possamos fazer a respeito, contudo.

Resumindo: há uma clara falta de diálogo entre o conceito do bar e o conceito do War Pigs, e é sempre legítimo que um chef faça tal escolha a favor da personalidade do cardápio, mas não posso dizer que seja uma escolha acertada. Hambúrguer de pernil com cominho não foi a ideia mais brilhante da história da humanidade.

Ficha técnica:

War Pigs

Ingredientes: “Hamburguer pernil com bacon – Todos os pratos vem acompanhados com batatas rústicas e molhos especiais.”

Preço: R$18,00 mais uma água Timbu 500ml, R$2,50 (porque agora eu também sou mais ou menos saudável).  ficou R$20,50.

Ponto alto: Apresentação, ambiente e bacon.

Ponto baixo: Carne com cominho, cheddar diferente, batatas meio meh, salsinha em excesso.

Avaliação: D+

O Gold Skull fica na Rua Augusto Stellfeld, 332, esquina com a Alameda Cabral, no centro. Não achei a informação dos dias que funciona e nem telefone, só achei que abre as 15h.

 
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Publicado por em 02/28/2014 em Uncategorized

 

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