RSS

Aquivos por Autor: Nego Dito

Hamburgueria Rústica – Mostarda e mel

logoHamburgueriarustica

Ora, por que falar mais da Hamburgueria Rústica além do que o Murilo já falou? Tô mega atrasado nesse post e não posso perder tempo. Hamburgueria maneira, mas tem lanches que não estavam no cardápio. Olha só, como fazem uma coisa dessas? Hambúrguer secreto? Hambúrguer easter egg? Hambúrguer Noob Saibot? Todo mundo, do eleitor ao tarado de festinha, gosta de transparência, e acho que não custa colocar os outros hambúrgueres aí no meio. De qualquer forma, arrisquei pedir o Mostarda e Mel, que vinha, veja só, com mostarda e mel, uma combinação que pode ser maravilhosa ou desastrosa. Depende apenas da execução da carne. Sem mais delongas, taí o bicho.

hamburgueria rustica

Vou te falar, da primeira vez que ele veio, veio frio. Isso deve ter acontecido porque eu pedi pra vir mal passado. Mas não pedi pra vir sem passar, quero um hambúrguer quentinho no meu prato, não quero steak tartar num pão. Feita a correção, aí sim podemos dizer que era um hambúrguer de respeito, imponente, bem montado e sustentado com o tradicional palitão de coluna dorsal gastronômica. A carne, embora tenha um gosto de fumaça mais acentuado do que o normal, é extremamente suculenta e saborosa, bem ao gosto do que se imagina um bom hambúrguer.

O queijo é processado, e quantas vezes já falamos de queijo processado aqui? Devo acrescentar apenas que, enquanto a fumaça em excesso faz mal para o ponto da carne, que fica com aquele gostinho de boi e pneu, uma fumacinha no queijo pode fazer milagres ao gosto meio amargo e meio salgado que ele proporciona. Recomendo a todos, mas com moderação, porque fumaça por fumaça e queijo por queijo, bastava rolar o polenguinho no cinzeiro que estaria uma delícia, e não é bem por aí. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, crianças, aprendam essa lição importante da vida.

Tá, mas e a mostarda e o mel? Existe aqui uma impressão pessoal e existem fatos gastronomicamente comprovados. Eu, particularmente, acho que mostarda e mel não combina muito com alface, porque, sei lá, é estranho. Mas, por outro lado, sabe-se que mostarda e mel vai bem com a carne e que a carne vai bem com uma alfacinha. Axiomaticamente, uma terceira afirmação seria igualmente verdadeira aqui, mas, podem chamar de lógica paraconsistente, podem chamar de assertividade empírica, o tal axioma não se verifica. Então, pode-se dizer aqui, para ficar no âmbito da paraconsistência, que mostarda e mel é bom e mostarda e mel é ruim no hambúrguer com salada. E a salada é salada, sempre vai ser salada e nunca vai ser outra coisa senão a expiação de nossa culpa gastronômica-cristã de comer um verdinho junto. Vê-se por aí que o hot dog nesse quesito, enquanto sanduíche venerado e condenado concomitantemente por essa sociedade hipócrita, está anos à frente do nosso querido e adorado hambúrguer por mandar, no jargão popular, beijinho no ombro pro recalque de quem acha que precisa ter salada pra balancear a refeição quando vai se comer um gordo e delicioso sanduíche de carne bovina no pão.

E o que há mais para se falar a não ser do pão e de seus desdobramentos aristotélicos sobre o resto do sanduíche? Embora pudéssemos escolher dois tipos da nossa fonte de carboidrato favorita – sendo a escolha rejeitada por todos o tradicional e já superado pão de hambúrguer –, creio que aqui nenhuma delas seria uma escolha completamente perfeita. Porque, se por um lado, o pão de hambúrguer é terrível para casar com mostarda e mel, e arruinaria todo o quadro colocando mais coisas doces em um lanche estritamente salgado, por outro, o pão d’água apresentado se mostrou isoporzento, não condizente com o resto da qualidade do material apresentado. Uma pena, de fato, mas que felizmente não compromete de maneira definitiva o quadro inteiro. Uma dica? Tem que saber assar um pãozinho, galera, não subestimem o pão na hora de montar o seu hambúrguer, ele é igualmente importante. É como ter o esqueleto de uma Ferrari sem ter uma carroceria adequada para colocar em cima, tendo que se contentar com o trabalho de papel machê que o seu sobrinho maluco e meio maconheiro fez na aula de educação artística da oitava série, que ele está fazendo pela quinta vez. É, uma vibe dessas.

Vale a visita? Vale. Vale pedir o lanche que tá fora do cardápio? Acho que não, é um dos mais caros e eu esqueci de perguntar o preço. Mas vale pedir os outros. Ah, vale!

Ficha técnica:

Mostarda e Mel

Ingredientes: Pão, alface, queijo, carne e mostarda e mel. Tudo espetado num palitão.

Preço: R$18,50, se não me engano. Saiu mais caro que o lanche do Murilo, e olha que eu não pedi nada pra beber.

Ponto alto: Lugar bacana, execução perfeita, criatividade e variedade no cardápio, bom atendimento.

Ponto baixo: A carne veio fria da primeira vez, depois tinha muito gosto de fumaça, e não sei se mostarda e mel combina com alface ainda. Ah, e o lanche não tá no cardápio também, o que dificulta as coisas pra quem quer pedir. Sorte que eles avisam.

Avaliação: B

A Hamburgueria Rústica fica na Rua Fredolin Wolf, 325. Não sei nenhum ponto de referência, não conheço aqueles lados. Funciona de quarta a sexta das 18h às 22:30h e finais de semana das 13h às 22:30h. Fone: (41) 8857-7438.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 03/28/2014 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , ,

Gold Skull – War Pigs

Gold Skull

E lá vamos nós, amigos. Retorno eu aqui também à temporada 2014 do Good Burger e desde já levanto solene a minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: como hambúrguer, famélico, voraz e prazeirosamente. Essa é a minha vida e é disso que vamos continuar falando, baby.

O Gold Skull é a bola da vez. Pra quem não sabe, o estabelecimento fica no recinto onde outrora era o popular Lino’s Bar, o berçário do punk curitibano, até que fechou porque alguém tomou uma facada lá, pelo que me disseram. O que importa é que ainda há vida pulsante naquele lugar da Augusto Stelfeld esquecido por Deus, e para testar se o pulso ainda pulsa, fomos ver que tipo de carne compactada sai do Gold Skull.

O lugar é bem arrumado e de decoração modesta, não chega a ter os exageros do Barba, mas tem umas caveirinhas aqui e acolá. O cardápio aposta no velho porém eficiente clichê de nomes de música para batizar os pratos, e o que eu peguei foi nada menos que War Pigs (link sacana), uma das melhores músicas do Black Sabbath na opinião de qualquer pessoa sensata. O lanche que casou com a canção é um hambúrguer de pernil, com cheddar e bacon. Ora, tamanha concentração suína aliada ao bom e velho queijo do macho britânico dificilmente seria uma combinação desastrosa. Algum tempo depois, veio este prato aqui, bem apresentado pelos potinhos de molho, mas com muito mais salsinha do que um hambúrguer deveria ter no prato.

War Pigs

Afinal de contas, por Deus, é um hambúrguer! Não é uma panqueca, uma madalena que a sua mãe faz ou um tira-gosto genérico decorado com um vegetal ainda mais genérico, é um hambúrguer, e hambúrgueres não deveriam vir com tanta salsinha no prato porque o efeito é desviar a sua atenção gustativa da carne para prestar atenção em tudo o que não é carne. E você come um hambúrguer pra sentir o gosto da carne, não?

Bom, por ordem do que mais me incomodou para o que menos me incomodou no War Pigs do Gold Skull: definitivamente, em primeiro lugar, está a carne. Extremamente bem executada e tão descomedidamente temperada com cominho, a carne era praticamente só cominho. Impossível sentir gosto de outras coisas. E eu sei que essa é uma prerrogativa do Gold Skull, e vou respeitá-los por isso, mas se tem alguém aí buscando conselhos para sua vida nestas mal traçadas linhas, rogo-lhes: não coloquem cominho em nenhum tipo de hambúrguer. Apenas não. O cominho estragou a boa execução do cozinheiro, que deixou a carne no tempo certo no fogo e conservou vários sucos — ou quantos sucos um hambúrguer de pernil é capaz de conservar. Já na terceira mordida eu continuava comendo pela epitimia moral de finalizar um lanche para relatá-lo aqui, mas a minha vontade era pedir uma porção de batata frita e ficar por isso mesmo. Enfim, uma experiência desagradável pra mim.

Depois, vieram as batatas. Sempre é uma surpresa quando alguém decide fazer as batatas de acompanhamento de um jeito diferente da maneira belga, mas acho que aqui houve um desencontro dos conceitos — no caso, do restaurante, que é um lugar rock n roll, decorado com caveiras, e um hambúrguer por demais carimbó, pouco rock n’ roll, com batatas rústicas cozidas e cortadas em nacos muito grandes. A batata, daquele jeito, precisava de um tempero, e acabou ficando com um sabor meio sem graça. Já comi batatas rústicas em muitos lugares, mas o gosto dessa me desagradou um pouco, parecia estar meio velha. Enfim, também terminei por uma questão moral, mas não fá-lo-ia caso necessário não fosse.

Por dentro do sanduíche, o cheddar também era um problema, e não só porque era um cheddar claramente vagabundo, meio escuro e oleoso, como também porque era diferente do cheddar do hambúrguer do Murilo, mais opaco, consistente e de sabor mais acentuado. Fiquei bem chateado de não ter vindo queijo da mesma procedência dos nossos dois lanches, mas, sei lá, questões de estoque e abastecimento não deveriam ter o efeito final que tiveram nesse caso. Não que o meu cheddar fosse um desastre e o dele fosse o melhor do mundo, mas a diferença, sobretudo, incomodou.

Felizmente, nem tudo está perdido, e o Gold Skull provou excelência naquilo que vocês, fetichistas da internet, mais gostam: o bacon. Não só o lanche vinha com bacon farto, como também muito bem fritinho, na medida, nem esturricado e quebradiço, nem mal passado e borrachudo. Apenas… certo. Aliás, uma coisa é certa: eu não sei se o sujeito que prepara a carne é o mesmo que a executa, mas se for a mesma pessoa, eu diria para abandonar a primeira função e ficar só de chapeiro, porque onde falta bom-senso em uma atividade, abunda  a competência na outra.

Por fim, o pão, que por muitas vezes é o começo de nosso comentário. Bom, meu pão simplesmente sucumbiu às dentadas sempre afiadas dos meus caninos. Despedaçado e sem conseguir conter a carne, embolou-se na maçaroca de carne e molho, substratos do que deveria ser um lanche íntegro. Nada que possamos fazer a respeito, contudo.

Resumindo: há uma clara falta de diálogo entre o conceito do bar e o conceito do War Pigs, e é sempre legítimo que um chef faça tal escolha a favor da personalidade do cardápio, mas não posso dizer que seja uma escolha acertada. Hambúrguer de pernil com cominho não foi a ideia mais brilhante da história da humanidade.

Ficha técnica:

War Pigs

Ingredientes: “Hamburguer pernil com bacon – Todos os pratos vem acompanhados com batatas rústicas e molhos especiais.”

Preço: R$18,00 mais uma água Timbu 500ml, R$2,50 (porque agora eu também sou mais ou menos saudável).  ficou R$20,50.

Ponto alto: Apresentação, ambiente e bacon.

Ponto baixo: Carne com cominho, cheddar diferente, batatas meio meh, salsinha em excesso.

Avaliação: D+

O Gold Skull fica na Rua Augusto Stellfeld, 332, esquina com a Alameda Cabral, no centro. Não achei a informação dos dias que funciona e nem telefone, só achei que abre as 15h.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 02/28/2014 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

O GiraMundo – Hambúrguer

Giramundo

A verdade é que é Natal. É fim do ano. Ninguém mais quer saber de hambúrguer. Todo mundo agora quer saber de peru, Chester®, ave navidad, lombo, arroz com passas, tender com pêssego em caldas, nozes, avelã, panetone, chocotone, bacalhau, rabanada, Roberto Carlos, mega-sena da virada, engarrafamento, caixas de cerveja, garrafas de espumante, toalhas de mesa vermelhas, calça branca e sandália, balões dourados, casa na praia alugada, abraçar pessoas suadas, piadas de pavê, retrospectiva, show da Ivete Sangalo, amigo secreto, presente genérico do Boticário, primos menores, primos maiores, parentes mais ricos do que você, Esqueceram de Mim e papai noel da Coca-Cola. Mesmo assim vamos falar de mais um hambúrguer antes de 2013 virar uma página na história mundial.

O Giramundo Café é um café simpático e discreto no Água Verde que, por alguma razão, faz muita propaganda de seu hambúrguer nas redes sociais. Foi por causa dessas propagandas que a gente resolveu ir lá experimentar. Mas não acho que seja para tanta propaganda não. O tal hambúrguer, batizado criativamente de “Hambúrguer”, oferece como diferencial um pão de cerveja com hambúrguer, queijo, maionese e picles, segundo o cardápio. O que o cardápio se esquece de mencionar é que ele é um hambúrguer para pessoas muito, muito pequenas, e que não estão com muita fome. Seu tamanho diminuto explicita a ideia.

Giramundo

Vamos começar pelos problemas. O maior deles, se é que existe alguma coisa grande aqui, é o pão, que tem o miolo miseravelmente cru. Estava duvidando no começo mas tirei um pedaço de dentro dele para ver e realmente a massa ainda estava em formação. Isso o torna incrivelmente duro e extremamente pesado (não era esse o nome de um livro do Jonathan Safran Foer?), o que torna qualquer esforço para arrancar um pedaço dele um desafio ao poder de oclusão da mandíbula e de qualquer pedaço ingerido uma carga submarina que aterrissa com toda força no fundo do jejuno-ílio. Em todos esses anos resenhando hambúrgueres isso nunca tinha me acontecido antes. Seria melhor ter comprado um pão industrial da padaria, oras. Não gosto de pagar (caro) para comer pão meio cru.

O segundo problema é a carne que, embora bem temperada, tem apenas isso a seu favor: o tempero, o que esconde uma carne mal executada e possivelmente (no sentido de possibilidade, não de probabilidade) de quinta categoria. O fato dela ser maior do que o pão pode impressionar na foto, só se você lembrar que a área do pão não deve passar dos 5 πcm². Não é das melhores lembranças que eu tenho.

A favor aqui temos o queijo, que é farto e realmente saboroso, e a maionese, que serve para dar aquela lubrificada na máquina engendrada de qualquer hambúrguer com falhas no percurso. Mesmo assim, não dá pra dizer que sejam pontos altos em seu valor absoluto, já que aí o mérito é simplesmente não ter feito nada de errado – algo que se espera de um hambúrguer requintado e caro como anunciado no Facebook. Enfim, o queijo e a maionese são como o baixo e a bateria do Jota Quest: Salva parte da obra, mas é impossível salvar todo o conjunto.

E, claro, temos as batatas chips que, se não se destacam pela lembrança inesquecível de batatas deliciosas, ao menos fazem bem seu papel de coadjuvante oferecendo uma opção mais leve do tubérculo nosso de cada dia. Sinceramente, das batatas chips que já comi na vida, essa está entre as boas, mas batata chip nunca é um troço muito impressionante quanto uma batata belga frita da maneira adequada (embora o processo de produção seja tão difícil quanto). Ela vem ainda com um molhinho, que ou é um barbecue muito fino, ou um ketchup muito estragado. Prefiro acreditar que se trate da primeira opção, mas não curti o gosto de qualquer forma, então deixei de lado.

No fim, o Hamburguer do Giramundo é mais um dos que chega na esteira da popularização do hambúrguer gourmet, um arrivista que não se defende quando confrontado friamente. E na moral, amigo, por 16 reais você consegue coisa bem melhor nessa cidade. Mas BEM melhor.

Ficha técnica:

Hambúrguer

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo mussarela, picles de pepino e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$16,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$20,00.

Ponto alto: Queijo farto e maionese boa. Batatas chips boas também, pra quem curte.

Ponto baixo: Pão com miolo cru, carne mal executada, relação custo/benefício e ketchup meio esquisito.

Avaliação: D+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 12/20/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Atelier Bistrô & Bar – ABBURGUER (II)

atelierbistroMais uma vez volto ao tema da harmonia, que tanto me fascina. Porém, se da outra vez, quando discorri sobre o Fats Domino do Peggy Sue, tratei da harmonia em seu conceito amplo e teórico, gostaria de tecer algumas palavras sobre a harmonia gastronômica, e de uma maneira bem simples, para que todos possam entender.

Pois bem: a harmonia na comida é um conceito incomensurável, ainda que não seja um conceito incompreendido. Para essa grande máquina orgânica que é o corpo humano, a harmonia basta ao ser sentida. Ponto. Entretanto, explicar as palpitações do coração e a receptação das papilas gustativas, como tudo que nos tange, é difícil. O famoso quadro de Rembrandt, A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, de certa maneira ironiza essa nossa pobreza científica no empirismo nosso de cada dia. Para quem não se lembra, eis aqui o quadro.

Dr Tulp

Rembrandt, mestre do chiaroscuro da arte holandesa, tem o costume de fazer, em quadros com muitos personagens, com que nenhum deles olhe para o mesmo lado. Ironicamente, nesta Lição de Anatomia, nenhum dos pupilos do Dr. Tulp – nem ele mesmo – está olhando para o cadáver que está pronto para ser dissecado. A grande maioria olha para o livro que está aberto no canto inferior direito da tela, onde está, de fato, a lição de anatomia. Isso tanto indica o rigor teórico dos avanços médicos da época quanto reflete o ensinamento de Descartes, que orientava desviar o olho da carne incompreensível e dirigi-lo para a máquina organizada – no caso, o diagrama corpóreo retratado no livro. Agora, caso vocês tenham a sensibilidade de reparar, e algum conhecimento de anatomia, verão que, em primeiro lugar, a mão do cadáver, um ladrão chamado Aris Kindt, está desproporcionalmente maior que seu corpo, e, em segundo lugar, que os tendões estão invertidos. Em resumo: a mão retratada ali no quadro é uma mão direita, quando deveria ser a esquerda. A isso dizem que se deve ao fato de Rembrandt se identificar muito mais com o ladrão e a violência lhe infligida ao corpo do que com o grupo que lhe encomendou a pintura. Mas eu acho que a crítica aqui – concordando obviamente que Rembrandt nunca cometeria um erro desse de propósito – é justamente a mesma ao ensinamento cartesiano: conhecer é sentir. Conhecer é abandonar os preceitos e deixar-se surpreender, deixar-se descobrir.

A harmonia, dessa mesma forma, é sentida, e percebida não com base em experiências anteriores imperfeitas, mas por meio de uma tênue, porém resistente sintonia com o cosmos e o corpo. De que outra forma poderíamos calcular, ao simples gosto, a proporção entre açúcar e sal, entre farinha e carne, entre queijo e salada? Na clássica brincadeira da aula de matemática, somar laranjas com maçãs é uma tarefa apenas para a subjetiva e paradoxalmente precisa calculadora do corpo humano.

O Abburger, batizado a partir de uma sacadinha meio infame com as iniciais do Ateliê Bistrô Bar, me surpreendeu por sua harmoniosa combinação de carne, pasta de gorgonzola, cebola caramelizada, maionese de pimentão, alface tomate e brioche – e, coisa rara dessas minhas escrivinhações, estou ficando com água na boca só de descrevê-lo. Não imaginaria que um pão doce e massudo poderia ser uma combinação perfeita para uma carne suculenta e grossa. E que um queijo forte como gorgonzola cairia tão bem com uma cebola caramelizada e uma salada fresca. Mas, por outro lado, essa aproximação de elementos aparentemente opostos não está tão longe daquele modelo do cosmos organizado e misturado proposto no yin-yang. É, de certa maneira, o Abburger é o yin-yang dos hambúrgueres.

Ateliê Bistrô e Bar

A maionese é outra grata surpresa. Forte e bem temperada, dá a liga ente o estado líquido do que escorre de dentro da carne e o estado esponjoso do interior do brioche – feito no local, segundo o cardápio, como todos os outros elementos. Só faltou dizer que o bacon, que eu não pedi por razões de diversidade, era de um porco abatido e despelado no mesmo dia. Tudo caseiro e muito bem feito. A mordida é macia e o gosto escorre goela abaixo, passando por todos os cantos da boca.

A batata-frita não é do meu agrado, mas não dá pra culpar os caras pela tentativa e pela identidade impressa no lanche. Um sujeito que faz uma batata frita como essas para acompanhar um lanche como esses quer dizer muito sem dizer nenhuma palavra. Quer dizer, em primeiro lugar, que o estabelecimento cortesmente troca civilidade industrial por brutalidade rústica, quer você goste disso enquanto valor pós-moderno, quer não. Quer dizer também que o lugar e o momento das tradicionais batatas rústicas, cortadas em longos pedaços, compete com a carnosidade da carne (sem nenhuma redundância aqui, acreditem), e que as batatas tortas e orgânicas apresentadas são, antes de tudo, alternativas de textura para um prato praticamente completo neste quesito. Mas quer dizer, principalmente, que a apresentação e os ingredientes é, antes de tudo, uma prerrogativa do chef que, uma vez comprovada sua competência, não deve ser questionada, mesmo que ele escreva certo por batatas tortas. E acho que o Ateliê Bistrô e Bar passa isso como ninguém em seu Abburger. Realmente um lugar nota A que vale a visita.

Ficha técnica:

ABBURGUER (segunda variação)

Ingredientes: “brioche, 180g de fraldinha e entrecôte, creme de gorgonzola, cebola caramelizada, leve maionese de pimentão, além da batatinha frita para acompanhar”.

Preço: R$25,00 + uma coca lata R$4,50 + 10% = R$32,45

Ponto alto: Tudo

Ponto baixo: O preço e, talvez, a batata, num ponto baixo extremamente arbitrário. E o fato de só fazerem hambúrguer na quarta-feira. 😦

Avaliação: A

O Atelier Bistrô & Bar fica na Alameda Augusto Stellfeld, 1527, no batel.  Tem um celular como contato no facebook, sei lá, liguem aí pra ver (41) 8808-2232. Funciona de terça à sexta 19:00 – 00:30, sábados das 11:45 – 15:30 e 19:00 – 00:30, domingos das 10:00 – 15:30.

 
1 Comentário

Publicado por em 11/29/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , ,

Denver Burger & Grill – Denver Burger

Denver

Não é pouca a literatura destinada ao tema do duplo. Os doppelgänger, como os escribas germânicos batizaram a figura mística que em tudo se parece com a forma original, desestabilizam nosso mundo orgânico idealmente único – e imperfeito, por consequência. De certa maneira, um duplo é uma ferida narcísica que se abre na carne de nossa crença máxima de que somos resultados da ação de nossas próprias experiências sobre o suco genético que nos foi impresso nas células. Se somos especiais, o somos por sermos únicos. Se não somos únicos, não somos tão especiais portanto, com o perdão da expressão axiomática aqui. Mais ainda (e aqui entram os devaneios dos nossos romancistas) o temor de que apareça um doppelgänger fisicamente idêntico a nós, mas com valores invertidos – um gêmeo do mal –, para nos usurpar a vida virtuosa construída sob muito esforço e resignação, ao mesmo tempo em que pode ser interpretado como uma autossabotagem psicoanalítica, de que nosso maior nêmesis são nossos monstros interiores, guardados a sete palmos abaixo de nossa manta de civilidade, é também fruto de um otimismo assertivo que não nos deixa enganar: se há um gêmeo do mal, é apenas porque nós não podemos sê-lo, acreditando-nos tão outro, tão espelho do vício, tão cornucópia de virtudes. Fato é que, seja qual for o caso, o duplo só pode existir para dizer algo sobre o original, nunca para figurar com vontades e características próprias.

O Denver Burger, ao criar um duplo do Madero, a hamburgueria favorita do curitibano de classe média alta, parece fazer o mesmo. Mais do que copiar uma fórmula que se sabe eficiente, o hambúrguer do Denver diz mais sobre a galinha dos ovos de ouro do Durski do que sobre si mesmo. Ao replicar uma fórmula em um mundo orgânico e imperfeito, ele dá contornos de perfeição a esse mesmo mundo. É como se dissesse “este é igual ao outro porque em nada pode ser melhorado”. E de fato não há, substancialmente, nenhuma diferença entre a montagem do Denver Burger e a montagem de um Cheeseburger Jr. Hambúrguer grelhado, pão francês bola, queijo processado, alface, tomate e cebola com maionese. É tão parecido que a foto que o Murilo colocou na sua explanação como sendo a foto publicitária da hamburgueria do Novo Mundo não deixa negar a homenagem, a inspiração, o plágio, o clone, o duplo, a cópia, o xerox, o doppelgänger, chamem como quiser.

Denver Burger

Obviamente que o que o Madero pensa sobre isso não nos interessa. Estamos aqui para falar do Denver, algo inédito na história dos doppelgänger, vamos dissecar o duplo ao invés do original, dando assim contribuições sociológicas e gastronômicas nunca antes vistas na nossa esparsa e aleatória produção acadêmica.

É claro que o gosto não é e não pode ser o mesmo. A carne é boa, mas algo faltou. Um it, um mojo que não pode ser igualado sem o know-how devidamente passado pelo mestre hamburgueiro. Ela ficou seca, parecendo um kibe por dentro, como a foto tirada porcamente com celular abaixo pode atestar.

Denver Burger

O queijo também não ajudou muito na coisa. Processado e sem aquela gordura líquida necessária para lubrificar as engrenagens da suculência, toda a parte liquefeita do lanche ficou por conta da ínfima camada de maionese que se perde entre folhas de alface, tiras de cebola e rodelas bem secas de tomate, com muito pouca geleia. Era preciso pelo menos meia pá a mais de maionese pra coisa ficar fluída, gostosa, como tem que ser. Hamburguer seco é coisa de McDonald’s e ninguém realmente gosta de McDonald’s, não é mesmo?

Agora, sobre a salada. Eu confesso que eu não entendo direito como é que algumas cebolas podem ser tão inócuas e ao mesmo tempo deixar um cheiro infernal na mão, que impregna debaixo da unha e não sai nem com muito sabonete, e tem outras que nem isso fazem. Bom, a cebola do Denver é dessas cheirosas que não te deixam em paz nem depois de muito tempo após a refeição. Só um comentário que eu queria fazer.

Por último, o pão também não é o mesmo. É, como o resto do conjunto, extremamente seco e com o miolo já meio endurecido, com aquela consistência de isopor. Nada muito grave, mas como a gente sabe que um pão bem feito e gostoso é meio caminho andado na estrada do bom sanduíche, o Denver Burger ficou um pouquinho abaixo também por isso.

A única coisa em que o Denver supera, e supera muito fácil o Madero, é nas batatas fritas, bem crocantes, sequinhas e gostosas. Estavam quase queimadas, mas não chegaram nesse ponto. Realmente muito boas, valem o lanche.

No geral, entretanto, não é um lanche ruim. Não é igual ao Madero, mas nem por isso é ruim. Poderia ser melhor, mas nem por isso é ruim. É secão e precisava de mais sucos, mas nem por isso é ruim. É um hambúrguer bom que poderia ter sido melhor executado. Mas isso, a malandragem da grelha, se constrói com anos, tentativas e queimaduras de segundo grau. Um chef tem as mãos que merece aos cinquenta anos.

Ficha técnica:

Denver Burger

Ingredientes: “Hambúrguer com 200g, queijo cheddar, maionese, tomate, alface, cebola e pão”.

Preço: R$13,80, com uma coca lata ficou R$17,80

Ponto alto: Batatinhas fritas gostosas e carne de qualidade.

Ponto baixo: Sanduíche seco, carne mal executada e cebola que deixa cheiro na mão (embora não possa atribuir isso ao restaurante, eu acho).

Avaliação: C+

Denver Burger & Grill fica na Rua Aleixo Skraba, 144,no Novo Mundo,  do lado de um Mercado. Funciona de  Segunda à Domingo, 18:00 – 00:00. Fone (41)3268-3297

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 11/08/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Square Burger – Marlon B., Elvis e Ritchie V.

square burger

A vanguarda – simples e pura, a vanguarda per se – pode ser válida num ambiente de total estagnação? Para ser bom, basta ser vanguarda? Questionamentos como esse desafiam a lógica da crítica artística mundo a fora, enquanto Jeff Koons e Damien Hirst dividem o mercado da arte com suas bolinhas coloridas, balõezinhos e caveiras cravejadas de pedras, as academias ensinam o artista iniciante a ter reverência pelos clássicos. E aquilo que Tzvetan Todorov contesta não é aquilo em que Umberto Eco acredita. Pode a arte ser ensinada, afinal, ou o conhecimento transmitido não pode ser arte?

Indagações que talvez seja melhor deixar no ar para que o leitor que encare um Square Burger (anteriormente chamado de Burning Burger) e depois (ou antes) leia esta resenha possa tirar suas próprias conclusões acerca de um lanche que abriu mão de todas as apostas gastronômicas para inovar unicamente na apresentação. Um fetiche estético digno do miniaturismo japonês da segunda metade do século 20, somado a também nipônica arte da subversão das formas. Para podermos responder à pergunta “por que, afinal, um hambúrguer quadrado?”, precisamos regredir a questões aristotélicas fundamentais: “por que, afinal, o hambúrguer é redondo?”. Acho que a resposta mais simples é, necessariamente, a mais verdadeira: ninguém gosta de morder as pontas de um sanduíche, notadamente a parte com menos recheio. Felizmente, o Square Burger é um sanduíche cuja carne acompanha cirurgicamente as pontas numa montagem de paciência e acurácia zen.

Acredito que o Murilo já tenha dado os detalhes do lugar e do cardápio. Nomes de celebridades da década do hambúrguer, poucas cadeiras, atendente simpática, Chubby Checker rolando. Pedi a caixa com três e com batatas. Mais ou menos igual ao do Murilo, só que com o Marlon Brando no lugar do Chuck Berry.

Square burger

O Marlon Brando é um sanduíche com uma pasta de gorgonzola, algo que, claro, é sempre pior do que o próprio gorgonzola. A imagem não é das mais convidativas.

Square Burger

Mesmo assim, não chega a ser um sanduíche ruim, embora tenha muito forte o gosto da gorgonzola. Como a carne é muito fina e o pão é muito alto, a sensação é a de estar comendo um daqueles sanduichinhos de petisco em Buffet chique, desses que têm um pedacinho de fiambre no meio de queijo e uma mini folha de alface. A coisa não melhora muito quando você encontra dois doritos dentro do Ritchie V. e quando percebe que o molho barbecue tem um gosto rançoso e o cheddar é duro demais para fazer um dipping básico da batatinha no copinho extra que você pede. Resumindo, a experiência é a que se espera: você, glutão ocasional de fim de semana, degladiando-se internamente com a sua própria falta de jeito com um lanche minúsculo que é mais divertido do que prático e gostoso. Eventualmente tudo degringola e ao consumidor resta pouco mais que a saída inglória de comer tudo depressa antes que se note a inacreditável bagunça que se pode criar com partes tão pequenas de um hamburguinho. A batata frita, por sua vez, também não é das melhores, já que é daquelas fritadas por dentro e por fora, sem qualquer recheio cremoso de amido. A clássica batata-frita não vedada que vocês já conhecem do seu Buffet e das experiências culinárias da sua titia sem muito talento para a cozinha. Uma pena, porque a ideia de hambúrgueres na caixinha batizados a partir de pessoas mortas é por demais atrativa. Agora os leitores podem voltar à reflexão inicial deste texto e concluir o que bem entenderem. Eu, eu sempre saio de barriga cheia.

Ficha técnica:

Marlon B., Elvis e Ritchie V.

Ingredientes: “Marlon B. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão e pasta especial de queijo gorgonzola. – Elvis; Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo, cubos de bacon crocantes e maionese especial. – Ritchie V. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo cheddar, molho de pimenta e nachos.”

Preço: R$16,90 os três sanduíches e meia porção de batata frita + Coca-Cola de 600ml R$4,00. Mais uns centavos aí dos molhos extras que eu pedi, mas não aconselho pra ninguém.

Ponto alto: Lanche divertido, inovador e convidativo.

Ponto baixo: Todo o resto.

Avaliação: D-

O Square Burger fica na Rua Lamenha Lins, 1550, no Rebouças, meio perto da Arena da Baixada. Não achei o horário e dias de funcionamento, então liguem lá. Tem delivery, (41)3032-3773 ou 3032-2727, no Alto da Glória.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 10/11/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Au-Au – Texas Burger

Logo_auau

Eis que a falibilidade dos canais de comunicação institucionais dos redutos gastronômicos da cidade e, por que não dizer, nosso próprio desleixo com a curadoria das hamburguerias da semana nos colocaram mais uma vez desnorteados no centro da cidade sem saber para onde ir em plena terça-feira à noite. Vagando pelos arredores de uma área gentrificada cujo nome não ouso dizer neste querido blog, deparamo-nos com a onipresente fortificação cross-over fast-food/casual dinning curitibana Au-Au, um estabelecimento principalmente objetivado a construir o cardápio do inimigo número 1 dos nossos queridos hambúrgueres, o cachorro-quente de rua, o cachorro quente de praça, de festas juninas, quermesses e aniversários, o sanduíche de carne embutida, condimentada, pré-cozida e, ao que tudo indica, cancerígena que conquista a tudo e a todos por onde passa, um enfant-terrible das porcarias que nossas mães nos impediam de comer.

Por que buscar hambúrguer em um lugar como esse? Seria como buscar compreensão no terceiro Reich, amor no prostíbulo, redenção na política, honradez no contrabando, concupiscência na igreja? Talvez sim, talvez não, mas parte das capacidades do olhar treinado para a sensibilidade do não-óbvio é encontrar lógica no caos e beleza no lixão. Por isso fomos, e nos aboletamos nas insistentes mesas americanas de sofá e pedimos para a garçonete a carta de hambúrgueres.

Talvez tenha sido a decisão mais acertada que tenhamos tomado nesses últimos tempos. Não só o Au-Au tem uma grande variedade de comida decente como também são receitas inventivas, com ovo, com rúcula, com mostarda e mel, enfim, algo que saia da tríade x-buger, x-salada e x-bacon. A minha escolha foi o Texas Burger, um sanduíche marcado principalmente pelo molho barbecue e pelas cebolas grelhadas. A ideia parece simplória, mas ganha no conjunto da obra, veja.

Texas burger

A propósito, essas batatinhas smiles que estão aí são opcionais e podem ser obtidas se o cliente quiser abdicar das tradicionais batatas palito, mas não recomendo dada a pouquíssima quantidade e a artificialidade do pastiche tuberoso. Ainda assim, são aquelas batatas sequinhas e gostosas que, caso viessem em maiores quantidades, até valeriam uma ponderação prévia.

Fora a apresentação do lanche, que é sim muito bonita e prática, o que se nota nesse Texas Burger é a quantidade de salada que vem nele – o que seria uma coisa terrível não fosse o cuidado na escolha dos alimentos. A alface extremamente crocante e o tomate carnudo e bem vermelho fazem o papel da boa salada num sanduíche, que é acrescentar cavalinhos de textura no carrossel de sensações experimentado em um lanche bem composto por carne, pão, vegetais, queijo e condimentos. A salada do hambúrguer é assim: se não faz parte da solução, então faz parte do problema.

O queijo é outra grata surpresa. Uma grata gratinada surpresa, eu diria mais. A generosidade na porção que cobre a carne tem a possibilidade de fagocitar parte dos outros ingredientes e se sobrepor a todos eles sorrateiramente, um coadjuvante que não se contenta com o pano de fundo e parte para o ataque sempre que necessário, um paladino laticinioso engajado em uma cruzada santa pela tradição perdida do queijo farto nos hambúrgueres com queijo.

A cebola e o barbecue são a comissão de frente do Texas Burger, algo claramente evidenciado em seu nome de pia. A combinação, embora não seja original e muito menos incomum, agrada apenas quando o resto é bem servido. Ou seja, muita cebola e barbecue com pouca carne e queijo não é exatamente algo que mereça registro, mas o contrário é enriquecedor e um colírio para as papilas gustativas.

Mas é claro que nada disso adiantaria de muita coisa caso a carne, que é o ponto central, não fosse bem executada. E preciso reconhecer: para quem trabalha com uma carne tão pobre quanto a salsicha de um cachorro-quente, o pessoal do Au-Au até que sabe manejar um disco de hambúrguer.  A carne é boa, macia, alta, vermelha e suculenta. Bom, não tão suculenta, mas dá conta do recado, embora algumas vezes seja sobreposta pela quantidade sobrenatural de alface do Texas Burger. E nem preciso dizer que carne combina com molho barbecue.

Como calcanhar de aquiles deste belo monumento, o pão é uma decepção pela sua obviedade e falta de requinte. Um pãozinho mixuruca industrializado desses que você encontra em qualquer lanchonete que venda uma porcaria de hambúrguer pré-frito com queijo e presunto por três reais. Tal conjunto merecia um acabamento melhor, mas não é sempre que é possível. Se acabam as tintas do artista, pintar com bosta talvez não seja a melhor solução, mas antes isso do que não entregar nada.

Ficha técnica:

Combo Texas Burger

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, molho barbecue, queijo musarela, cebolas douradas na chapa, alface, tomate e maionese no pão especial de hambúrguer + 5 fritas smiles + Refri lata.”

Preço: R$23,80 no combo com coca-cola lata e batata frita.

Ponto alto: Bom conjunto, apresentação, salada boa, queijo e combinação clássica barbecue + cebola que não falha.

Ponto baixo: Pão mixuruca e preço um tanto alto.

Avaliação: B-

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 09/20/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , ,

Rolê épico pelo CWBurger Fest

CWBurguer Fest

Curitiba recebeu na última semana o CWBurger Fest, uma espécie de Restaurant Week de hambúrgueres. A ideia era mais ou menos como a original: vários restaurantes participam da promoção e, mediante um preço fixo e “acessível” (dependendo, é claro, de quem eles querem que acesse esse preço), estabelecem um prato extra no cardápio para que as pessoas tenham uma desculpa para conhecer a casa e jantar fora. A diferença é que esse Restaurante Week seguiu rigorosamente o nome e durou mesmo só uma semana,  ou dois fins de semana com uma semana no meio. 8 dias, vejam vocês, é muito pouco para comer hambúrguer em 21 estabelecimentos. Uma pessoa fissurada não vai comer mais do que três hambúrgueres fora na mesma semana, penso eu.

Dito isso, ressalvo que nós não somos fissurados. Somos profissionais. De modo que, quando a assessoria do evento entrou em contato e nos mandou seis vouchers para seis hamburguerias diferentes a menos de 5 dias do fim do evento, pensamos que a melhor forma de mostrar a loucura que é uma festa do hambúrguer seria comer nas seis hambúrguerias no mesmo dia. Tiramos um sábado para isso, entramos no burgermóvel (que é o carro da mãe do Murilo) e fomos escrevendo em tempo real o post que você vai ler a seguir. Sem os floreios e os pequenos ensaios dos demais, para dar mais agilidade a um texto que conceitualmente já nasce grande, a coisa funciona assim: dois parágrafos para cada lanche, com uma descrição do momento, do hambúrguer e a nossa avaliação conjunta (eu e Murilo dividimos todos os lanches), com um link no nome do prato para a foto original, para efeitos de comparação.

Acho que não preciso dizer para não tentarem comer seis hambúrgueres no mesmo dia, mas pro caso de ter alguém se sentindo muito intrépido por aí, vale o aviso: não tentem isso em casa, crianças.

15h30
Nossa odisseia pantagruélica começa no Happy Burger, o restaurante mais família do Cristo Rei. O garçom, a principio, não estava sabendo dos vouchers, perguntou onde a gente tinha pegado eles, com todas as razões do mundo para desconfiar. O hambúrguer em questão é o Happy Ribs, um hambúrguer de costela de 110g, alface roxa, cebola frita, tomate e maionese. Acompanha mostarda à ancienne misturada no mel balsâmico. Resumindo: uma novidade que se reinventa nos detalhes, um refinamento de ultima hora que não deixa de ser válido.

Happy Burger

O primeiro choque foi o visual. Geralmente os hambúrgueres não vêm mesmo igual ao da foto, mas o Happy Ribs veio completamente diferente do que esperávamos. Um amontoado de cebolas, pão amassadérrimo e a alface realmente roxa (diferentemente da foto, que era bem verdinha).
O lanche em si não é ruim, mas não tem muito gosto de costela. Ou talvez fosse e eu estava com muita fome porque me preparei com um bom Ramadã para a empreitada do dia. A carne tem uma crosta chamuscada que sim, lembra vagamente a textura e o sal de uma pururuca, mas nada que passe em um teste cego. A quantidade absurda de cebola não interfere muito no gosto, mas deixa tudo meio grotesco demais. A mostarda é uma grata surpresa, trazendo o gosto doce que qualquer carne de costela exigiria (e talvez isso até ajude no efeito placebo da carne). A batatinha é aquela dos restaurantes self-service bem feitas, mas nada excepcionais.
Total: R$9,58 (uma coca e uma água)

17h09
Chegamos ao Madero de São José dos Pinhais, nosso segundo destino. Lugarzinho longe pra dedéu, mas como era o voucher que nos deram e a gente não é louco de não comer de graça, viemos pra cá. O lanche especial do Mr. Durski, o Angus Premium, é exatamente um x-burger Junior só que com carne de Angus, o que pode ser uma grande falcatrua se a gente levar em conta que hambúrguer é carne moída e carne moída pode ser qualquer parte do boi. Ou seja, podemos estar comendo carne de pescoço de Angus a um preço 2 reais mais caro do que o hambúrguer normal.

Angus Prime

O lanche chegou extremamente rápido. Nem conectou o wi-fi! Mas, qual não foi a surpresa em constatar que o hambúrguer tem exatamente o mesmo gosto dos outros hambúrgueres do Madero? Era inclusive mais seco do que o normal, já que geralmente a carne do restaurante chega pingando no prato. É, acho que o Durski não tava muito a fim de participar desse negócio e aceitou só pra não ter o restaurante referência dele de fora de algo que ele meio que ajudou a popularizar na cidade, que é o business do hambúrguer caro.
Total: R$4,40 (uma coca)

18h45
Cervejaria da Vila. Lugar lotado, 10 reais só pra entrar, alguma banda tocando Iron Maiden com White Stripes e o garçom fala que o hambúrguer vai demorar 45 minutos pra ficar pronto. Haja obstinação pra ficar nesse lugar, amigo. Mas tudo para ver qualé a desse Porky Pig Burger, um hambúrguer de costela de porco, com cebola caramelizada reduzida (encorpada) na cerveja Red Ale e queijo coalho, com geleia de pimenta. O hambúrguer mais caro do cardápio custa 19,90. Vai vendo as atrocidades cometidas em nome da festa…

Porky Pig Ribs
Felizmente, o lanche chegou em “apenas” 35 minutos (ufa!), e valeu a pena! Ele é macio à mordida, bem adocicado pela geléia de pimenta, e o queijo coalho combina perfeitamente com a carne de porco que realmente tem gosto de costelinha. O pão era bem genérico e industrial, mas era macio então valeu. Um dos melhores da noite, embora o Murilo tenha achado muito doce.
Total: R$23,80 (duas entradas de 10 reais e uma coca)

20h05
O quarto hambúrguer do dia é no Cana Benta, um lugar em que a gente não iria não fosse o irresistível lanche que eles colocaram na competição. O Bigburguer Canabenta (adoro esses nomes que misturam vários idiomas numa palavra) tem carne de contrafilé e calabresa, provolone, queijo prato e mussarela, molho especial, rúcula e tomate. A essa altura do campeonato, já não temos mais fome e estamos levemente empanturrados de hambúrguer e Coca-Cola (crianças, se vocês estiverem lendo isso, um aviso: fins de semana como esse são as vantagens da vida adulta que lhes espera), mas ainda conseguimos meter pra dentro bons pedaços de carne, pão e batatas.

Cana Benta
Depois de 50 minutos (!!!) o hambúrguer chegou. É bem verdade que não sei se ele demorou tudo isso pra ser feito porque o nosso garçom parecia bem atrapalhado e deve ter esquecido de passar o pedido pra cozinha. Pra mim, o gosto da carne, aliado ao queijo, é muito parecido com o gosto de uma salsicha que você come no dogão de madrugada. O tomate estava verde, mas o mix de queijos estava legal e combinava com a rúcula, muito embora a rúcula seja um elemento indesejável em qualquer sanduíche. Pro Murilo, a carne era gigantesca (e era mesmo), mas completamente sem graça. Nas palavras dele, “bem mediano e meia boca, sem nada de especial”. É, vamos embora desse lugar.
Total: R$12 (!!!!!) por duas Pepsis. (Pepsises?)

21h08
Atravessamos a rua e chegamos ao Estofaria Bar para comer o quinto hambúrguer da noite. Comendo por pura gula e entrando cada vez mais adentro do império gastronômico do senhor Délio, estávamos intrépidos na nossa missão. O Estofa’s Burger é um misto de apostas certeiras com uma bem arriscada, a saber: o molho tártaro. A carne é de maminha e vem com queijo cheddar fatiado, um pouco de gorgonzola e alface americana.

Estofaria
Chegou muito rápido, e com uma apresentação de respeito, quase idêntica a da foto. O problema principal desse hambúrguer é que ele é muito forte. Muito tempero verde na carne, molho tártaro, cheddar, gorgonzola, ficou enjoativo muito rapidamente, embora deva dizer que o empanturramento precoce possa prejudicar em certo grau o julgamento (mas não muito). As batatas cozidas que vieram junto eram meio sem graça e com muito sal, mas vinham com mais cheddar embaixo, o que era legal.
Total: 0 reais. (Nem 10% cobraram, e não pedimos refrigerante).

21h40
Chegamos no destino final da noite, a Forneria Copacabana. Originalmente iríamos no Barba, mas parece que a cozinha dele explodiu e invalidou nosso voucher final. Viemos cá porque esse era um dos hambúrgueres que queríamos experimentar, mas o lugar parece disputado. Ficamos mofando no bar esperando uma mesa na parte do restaurante, mas tudo bem porque, para ser bem honesto, estávamos bem empanturrados. Mas não iríamos para casa sem experimentar o Vegas Burger, uma espécie de calzone com hambúrguer de maminha, queijo cheddar envolto em massa de pizza e assado em forno a lenha. Originalmente a coisa custa R$27,90, mas graças ao CWBurger Fest, iríamos pagar apenas R$21. Ou melhor, R$22, porque diz o garçom que um real é para doar pra caridade. Eu achei que esse real a mais já estava incluído no preço, mas tudo bem, vamos ajudar algum estabelecimento a parecer mais santinho do que os outros. Vamos ver se não nos cobram taxa de serviço de 30%, porque uma coisa vou dizer: o lugar parece caro e badalado, obviamente não é pro nosso bico e acho que destoamos bastante ao olhar dos garçons.

Vegas Burger
Esse bateu recorde de demora: mais de uma hora para o lanche vir. Acho que a equipe de garçons propositalmente ignorou a gente que estávamos mais mal vestidos, porque uma galera sentou depois da gente e comeu primeiro. Não é o tipo de coisa que faz você criar simpatia pelo lugar, mas enfim, azar o deles. O Vegas Burger é gostoso e vem numa massa bem feita, mas dificilmente vale o preço. O cheddar processado servido aqui é visivelmente de qualidade superior, comprovável na cor fosca e no gosto mais forte do que o normal, e a maminha é bem temperada. A carne estava bem no ponto e as batatas se destacam por serem rústicas cobertas de alecrim, páprica e alho. Não entendi foi esse prato de salada cheio de alface, destoando completamente da nossa escolha de comida pouco saudável. Deixamos de lado a cumbuca e encerramos a noite com essa.

Total: R$29,15 (o Vegas Burger e mais duas Cocas).

—————————————————————————————

Balanço final:

O CWBurger Fest é uma ótima ideia e evidencia a quantidade de hamburguerias competentes e criativas na cidade. Talvez alguns restaurantes pouco interessados em participar, como o Madero, tenham elevado muito o preço final do hambúrguer, mas sabemos que a primeira edição sempre serve para testar a boa vontade do cliente em desembolsar mais ou menos grana. Gostaríamos de ter conhecido mais hamburguerias e mais receitas novas, e eu, particularmente, gostaria de ver esse Porky Pig Burger no cardápio da Cervejaria da Vila, mas sei que uma coisa como hambúrguer de costelinha suína deve dar um bom trabalho para fazer. O evento deveria ser estendido em no mínimo mais duas semanas, para ter pelo menos um dia para cada hamburgueria. De qualquer forma, agradecemos a DP9, organizadora do evento, por lembrar da gente e nos mandar esses vouchers. Sei que fizemos bom proveito deles.

 
6 Comentários

Publicado por em 08/30/2013 em Uncategorized

 

Guiolla – Gourmand 33

guiolla-logo1

Um estabelecimento da cidade vai estrear uma nova receita de hamburguer e quer fazer uma festa de lançamento e sondar a opinião dos convidados. Who are you gonna call? O Guiolla nos chamou para conhecer o Gourmand 33, um sanduíche composto por, pão, queijo, vinagrete, maionese e um baita hambúrguer de costela (e aqui fica a indireta pra vocês, outras hamburguerias que nunca chamam a gente de Godfather). Simples assim. Já resenhamos os hambúrgueres do Guiolla aqui, então esse entra num off-topic, mas nem por isso vamos deixar de fazer nosso comentário abalizado ineditamente escrito a quatro mãos (embora boa parte tenha sido trabalho do Murilo). E obrigado ao Guiolla pelo convite!

Antes de mais nada, tá aqui o bicho:

Gourmand 33

Quando esse prato chegou, achei ele bem pequeno e moderado, mas até que no fim das contas encheu a pança. O hambúrguer continua vindo num chapeuzinho de origami que é muito engenhoso e funcional,  além dos caras terem uma das melhores batatas-fritas da cidade. Mesmo assim, é meio inevitável comparar com o hambúrguer da foto promocional, confiram:

Gourmand 33

Bom, o mais legal desse sanduíche é que a carne é e parece costela, no meio do hambúrguer tem até as tirinhas de fibra da carne e um pedacinho ou outro de gordura (a gordura é que da o prazer dessa vida, mas se for muito, no corpo e no coração, aí é problema, jovens).
Deve dar um puta trabalho fazer isso, já conheci gente que não ia no costelão porque é muito empenho ficar separando só a carninha boa. Os caras fazem isso por você e colocam no formato de um puck, aquele disco de hockey. Então obrigado.
O hambúrguer faz o sanduíche parecer um planeta com um anel de carne ao redor do pão. Carne maior que o pão ganha a nossa simpatia, ainda mais se for gostosa como essa costela do Goumand.

Esse hambúrguer, acho que por causa do pão e do vinagrete me lembra essas festas de cidades do interior, rodeios e exposições agropecuárias que tem “X-pernil”. Aquelas barracas com uma luz bem na chapa para chamar atenção, uma porrada de carne e vinagrete para colocar num pão francês com a casca quebrando e colocado num saquinho branco.
No caso do Guiolla, eles transformaram um desses lanches toscos em algo sofisticado, coisa da inventividade do homem moderno das grandes cidades. Troca-se o cheiro de bosta de vaca no meio da terra batida por um lugar mais bonito e confortável no batel. Nada mal.

Tem o vinagrete, sim, aquele molinho de cebola, tomate, um verdinho e, pasmem, vinagre! (rá-rá!)
Confesso que comecei a comer cebola e realmente achar interessante agora há muito pouco tempo, depois dos Pita Gyros da Grécia (mano, que troço massa aquilo. Saudades, Grécia). Então não posso falar muito, mas basicamente é aquele lance, cebola da uma textura crocante ao mastigar, além do gosto característico, o tomate molha e com isso difunde o gosto da salada por onde escorrer.
Tem também uma maionese, mas é pouco, confesso que não reparei muito. Então poderia ter mais maionese, pode dar uma besuntada que a gente não se importa, deixa mais deslizante goela abaixo.

Eu (Yuri), pedi o meu hambúrguer sem o vinagrete, pra dar uma variada e ter uma espécie de grupo de controle. Bom, posso dizer que talvez o vinagrete desempenhe papel fundamental no lanche, porque com a pouca maionese e o queijo propositalmente escasso (senão a coisa fica extremamente salgada), o pão e a carne ficam bem secos. E hambúrguer seco é uma coisa que você jurou pra você mesmo que nunca mais comeria desde aquela vez que comprou uma caixa de frigão texas burger pra fazer em casa, esturricou a porra toda e acabou se fartando de pão com queijo e maionese, depois de comer meio disco de carne carbonizada. De maneira que é aconselhável pedir mais maionese caso não goste de vinagrete. Ah, senti falta do barbecue também, que sempre vai muito bem com costela e quem não concorda, boa gente não é.

Uma coisa legal do 33 é que é um sanduíche limitado, são só 33 por dia,  quer mais exclusividade que isso? Seja idiota e pague mais de 200reais no hambúrguer que tem lá em São Paulo, vai ser um dos poucos manés a comerem aquilo.
No combo do Goumand vem uma cerveja Stella Artois incluída no preço, que nós trocamos por um refrigerante. Engraçado como já é meio implícito que quase todo mundo consuma álcool e já oferecem direto com uma cerveja. Tudo bem, tudo bem…

Claro que não vamos só ficar rasgando seda, aqui é Good Burger, o bonde sem freio. Falamos a real mesmo quando parece que é jabá.
Achei o pão um pouco branco, seco e quebradiço, talvez para contrastar com a carne macia e não ser tudo mole, mas eu gosto de pão macio sem casca quebrando, esfarelando e espetando o céu da boca.

Quando chegamos tinha um tiozinho tocando Esse Cara Sou Eu, quando fomos embora estava tocando My Way, do Sinatra, então dá pra dizer que melhorou na hora que fomos embora.

O Guiolla é um pouco coxinha mas continua sendo o lugar que eu recomendo para ir em casal e tem um dos melhores hambúrgueres da cidade (Vejam no nosso ranking). Eu levaria uma gata lá.  #FicaDica

Fomos convidados para experimentar esse sanduíche novo. Comemos de graça e achamos muito legal, mas nem por isso virou uma matéria paga ou coisa do tipo.
Continuamos com a dignidade em dia e os bolsos vazios. Obrigado e voltem sempre!

 
7 Comentários

Publicado por em 08/23/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Bravus Burger e Grill – Caesar Burger

Bravus

Mimetismo. O conceito, aqui emprestado da biologia, serve a animais que, por causa de sua aparência, conseguem se camuflar em certos ambientes ou passar por outros seres vivos, imitando assim uma outra forma de vida. O Caesar Burger, do Bravus Burger e Grill, simpático e pequeno estabelecimento no coração do batel, que, como qualquer outro, se vale dos clichês da arte pop cinquentista para sua modesta decoração, talvez seja o primeiro caso de mimetismo gastronômico da história deste blog.

Veja, não é que o hambúrguer em si esteja mimetizando outra comida, mas o lanche é batizado a partir da clássica fórmula de salada verde com carne (geralmente frango), queijo e molho característico a base de mostarda, parmesão e suco de limão. Então, de certa maneira, a intenção do chef foi fazer um hambúrguer com gosto de salada. E deixo para vocês adivinharem as razões para tão tresloucada e despropositada invenção. Uma salada com gosto de hambúrguer sim, seria a invenção do século, mas o contrário? Por quê? Pra quê? A quem interessa um hambúrguer com gosto de salada?

Enquanto vocês pensam nessas questões, aqui vai uma foto da criança.

Bravus Burger e Grill

A receita para esse hambúrguer é: Pão, hambúrguer, alface americana, molho caesar, parmesão e cheddar. Nem preciso dizer que debaixo do queijo cheddar — essa fatia de queijo processado, que, para ser bem sincero, não tem muito gosto de cheddar —, o parmesão desaparece por completo, misturado no molho e em meio a todo o sal da coisa.

O pão é bem macio e cheio de gergelim, e é levemente tostado, o que dá aquele balanço entre uma crosta crocante e um interior tenro, então é um ponto alto e relativamente falando, é meio caminho andado para um bom sanduíche. Pena que é só meio caminho andado, porque a outra metade do caminho ficou mesmo pela metade. A carne do hambúrguer é o maior mistério pra mim: ela é extremamente bem executada, mas muito mal temperada. O resultado é curioso: um puta hambúrguer suculento com gosto de absolutamente nada. Bom, ele passou um pouco do ponto também, isso deve ter ajudado. Inteiro da mesma cor, parece uma carne do Madero, mas só parece.

Agora vamos dar uma atenção especial à salada. Sim, porque a salada deve ser o principal nesse sanduíche, então dai a Caesar Burger o que é de Caesar Burger. Devo repetir aqui minha opinião de que o Caesar Burger é uma invenção muito pouco saliente para se constar num cardápio de hambúrgueres Premium, mas já que está aqui e que a ideia é fazer um hambúrguer com gosto de salada, acrescento que é bem impressionante o fato da ausência de um tomate deixar o lanche com um vazio de texturas até então impensável para mim. Mas é verdade. A falta de um tomate no alface ajudou a eximir o hambúrguer de sabores, quem diria. A alface é boa, como a próxima alface do próximo hambúrguer que eu vou comer, mas sério, quem se importa? É como se eu fizesse um sanduíche chamado Gergelim Burger, em que eu cobrisse o hambúrguer e o pão de gergelim e fizesse você prestar atenção numa parada que sempre esteve lá.

Mas Nego Dito, vocês diriam, o Caesar do nome se refere ao molho Caesar. Eu sei, amiguinho, e é disso que eu vou falar. Como posso colocar isso? Um molho para salada no hambúrguer simplesmente não combina. Caso encerrado.

Ah sim, por último, uma leve ilusão. O Caesar Burger é o único da página do cardápio ilustrado, e na foto podemos vê-lo rodeado por lindas batatinhas fritas. O problema é que essas batatas não vêm no sanduíche, e você precisa pagar mais 5 reais para ter um adicional, segundo a pequena lista de adicionais da carta. Aliás, essa lista é de uma incoerência matemática que eu imagino que se tem alguém com tutano que frequenta esse lugar, deve aproveitar bastante. Pegue, por exemplo, um cheese burger básico, que custa R$8,50. Pão, queijo e mussarela. Agora pegue um adicional de ovo (R$1) e um adicional de bacon (R$2). Total: R$11,50. Um real mais barato que o Egg Bacon Burger do cardápio, que vem com tudo isso e mais presunto – um ingrediente desprezível por qualquer um que goste de hambúrguer bem feito, mas altamente apreciável no x-burger de R$3 que você compra na padaria da sua casa com uma carninha mirrada. Que tal transformá-lo então em um Especial Cheese Burger, esse que o Murilo resenhou na semana passada? Basta um adicional de cheddar (R$2) e um de provolone (R$2) e voilà! A mesmíssima receita do cardápio acaba de ficar um real mais barata! Ao mesmo tempo, o Egg Burger custa a mesma coisa do Egg Bacon Burger, que tem um ingrediente a mais, e por aí vai. Olha, parabéns pra quem fez esse cardápio por dar ao homem comum, urbanoide proletário abatido, a oportunidade de se sentir um pouco malandro em ludibriar o estabelecimento com esses preços manipuláveis. É uma boa ação que o Bravus Burger e Grill faz por você.

Ficha técnica:

Caesar Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger, alface americana, molho caesar, queijo parmesão e cheddar”.

Preço: R$15,50 + R$3,50 coca-cola em lata. Total: 20,90 (10% incluso).

Ponto alto:  Pão bom e carne bem executada.

Ponto baixo: Carne mal temperada, receita incipiente, preço e o fato de não vir com batatas.

Avaliação: D-

O Bravus Burger Grill que fomos fica na Av. Batel, 1.700, na frente de um tal Boteco Santi. Seg. – Sáb. 11:00 – 00:00 e Domingo das 17:00 – 00:00. Tem delivery, (41) 3010-2525.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 08/16/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,