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O GiraMundo – Hambúrguer

Giramundo

A verdade é que é Natal. É fim do ano. Ninguém mais quer saber de hambúrguer. Todo mundo agora quer saber de peru, Chester®, ave navidad, lombo, arroz com passas, tender com pêssego em caldas, nozes, avelã, panetone, chocotone, bacalhau, rabanada, Roberto Carlos, mega-sena da virada, engarrafamento, caixas de cerveja, garrafas de espumante, toalhas de mesa vermelhas, calça branca e sandália, balões dourados, casa na praia alugada, abraçar pessoas suadas, piadas de pavê, retrospectiva, show da Ivete Sangalo, amigo secreto, presente genérico do Boticário, primos menores, primos maiores, parentes mais ricos do que você, Esqueceram de Mim e papai noel da Coca-Cola. Mesmo assim vamos falar de mais um hambúrguer antes de 2013 virar uma página na história mundial.

O Giramundo Café é um café simpático e discreto no Água Verde que, por alguma razão, faz muita propaganda de seu hambúrguer nas redes sociais. Foi por causa dessas propagandas que a gente resolveu ir lá experimentar. Mas não acho que seja para tanta propaganda não. O tal hambúrguer, batizado criativamente de “Hambúrguer”, oferece como diferencial um pão de cerveja com hambúrguer, queijo, maionese e picles, segundo o cardápio. O que o cardápio se esquece de mencionar é que ele é um hambúrguer para pessoas muito, muito pequenas, e que não estão com muita fome. Seu tamanho diminuto explicita a ideia.

Giramundo

Vamos começar pelos problemas. O maior deles, se é que existe alguma coisa grande aqui, é o pão, que tem o miolo miseravelmente cru. Estava duvidando no começo mas tirei um pedaço de dentro dele para ver e realmente a massa ainda estava em formação. Isso o torna incrivelmente duro e extremamente pesado (não era esse o nome de um livro do Jonathan Safran Foer?), o que torna qualquer esforço para arrancar um pedaço dele um desafio ao poder de oclusão da mandíbula e de qualquer pedaço ingerido uma carga submarina que aterrissa com toda força no fundo do jejuno-ílio. Em todos esses anos resenhando hambúrgueres isso nunca tinha me acontecido antes. Seria melhor ter comprado um pão industrial da padaria, oras. Não gosto de pagar (caro) para comer pão meio cru.

O segundo problema é a carne que, embora bem temperada, tem apenas isso a seu favor: o tempero, o que esconde uma carne mal executada e possivelmente (no sentido de possibilidade, não de probabilidade) de quinta categoria. O fato dela ser maior do que o pão pode impressionar na foto, só se você lembrar que a área do pão não deve passar dos 5 πcm². Não é das melhores lembranças que eu tenho.

A favor aqui temos o queijo, que é farto e realmente saboroso, e a maionese, que serve para dar aquela lubrificada na máquina engendrada de qualquer hambúrguer com falhas no percurso. Mesmo assim, não dá pra dizer que sejam pontos altos em seu valor absoluto, já que aí o mérito é simplesmente não ter feito nada de errado – algo que se espera de um hambúrguer requintado e caro como anunciado no Facebook. Enfim, o queijo e a maionese são como o baixo e a bateria do Jota Quest: Salva parte da obra, mas é impossível salvar todo o conjunto.

E, claro, temos as batatas chips que, se não se destacam pela lembrança inesquecível de batatas deliciosas, ao menos fazem bem seu papel de coadjuvante oferecendo uma opção mais leve do tubérculo nosso de cada dia. Sinceramente, das batatas chips que já comi na vida, essa está entre as boas, mas batata chip nunca é um troço muito impressionante quanto uma batata belga frita da maneira adequada (embora o processo de produção seja tão difícil quanto). Ela vem ainda com um molhinho, que ou é um barbecue muito fino, ou um ketchup muito estragado. Prefiro acreditar que se trate da primeira opção, mas não curti o gosto de qualquer forma, então deixei de lado.

No fim, o Hamburguer do Giramundo é mais um dos que chega na esteira da popularização do hambúrguer gourmet, um arrivista que não se defende quando confrontado friamente. E na moral, amigo, por 16 reais você consegue coisa bem melhor nessa cidade. Mas BEM melhor.

Ficha técnica:

Hambúrguer

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo mussarela, picles de pepino e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$16,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$20,00.

Ponto alto: Queijo farto e maionese boa. Batatas chips boas também, pra quem curte.

Ponto baixo: Pão com miolo cru, carne mal executada, relação custo/benefício e ketchup meio esquisito.

Avaliação: D+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437.

 
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Publicado por em 12/20/2013 em Uncategorized

 

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O GiraMundo – Hambúrguer Especial

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Fim de ano chegando, a última correria, uns dias de folga entre natal e ano novo e até férias para alguns não esquecerem de como a vida real deveria ser. E férias lembra o que?!
Tempo de viajar, sair por aí, relaxar, cair em roubadas, rodar pelo mundo ou pelo bairro, conhecer lugares novos ou rever os que gostamos. Encontrar gente diferente, novos cheiros e sabores  também, e foi numa dessas que fomos parar em um café recém aberto em Curitiba que tem essa vibe.

E se tem coisa que a gente gosta tanto quanto hambúrguer é viajar.

Tem aquela frase muito compartilhada no face em tempos de férias, do Mario Quintana, “Viajar é mudar a roupa da alma”. Pela minha pouca experiência posso falar que quando a gente viaja, principalmente se for um período meio longo, acaba virando outra pessoa enquanto descobre o seu destino (destino sina e destino local de chegada). Quando voltamos, é a nova pessoa que está de volta, é você um pouco mais evoluído com as experiências da viagem…  mas aí o tempo passa e a gente tem que cuidar para não voltar a ser o antigo eu. No meu caso um implicante deprimido.
Sobre a frase do Quintana, prefiro dizer que muda a vida mesmo, sou um racionalista, ateu desalmado, mas muito consciente da vida aqui e agora. Recomendo para todo mundo viajar, ainda mais se estiver meio fodido ou perdido na vida, aí é algo quase obrigatório. Melhor que gastar dinheiro com terapia ou antidepressivo, você vai se entender melhor, entender um pouco das diferenças do mundo e a vida, on the road.
Seja um viajante e não um turista.

Bora falar de lanche?!

No água verde, bairro que não passamos desde o Mister Dog e a melhor maionese verde da cidade, encontramos o “O GiraMundo”.

O lugar é uma casa transformada em café, numa vibe meio hostel. Tem uma máquina de café que por fora lembra a traseira de um cadillac vermelho, que lembra meus planos de pegar aquelas longas retas da Route 66 num conversível ouvindo um Rancid, carregando armas e dinheiro, acompanhado de uma garota de bikini com cabelos ao vento ou um chimpanzé com roupas de gente.(férias é pra sonhar, galera!).
No café também tinha um robô gigante climatizador, coisa que precisa numa Curitiba com clima de deserto, 30° de tarde e 10° à noite. Mas um cara chegou e levou ele embora.
Na parede pintada de verde tem uma lista dessas cervejas especiais escritas em giz, além de camisetas e outros souvenirs ao lado do balcão, as outras paredes são laranja e marrom, um lance meio Irish cervejeiro.
São só cinco mesas, todas são de madeira e lisinhas (gosto de passar a mão em coisas lisas como mesas, capas de livros, pessoas…), mas em uma tem cadeiras estofadas e uma cadeira dupla, cabe um casal na mesma cadeira ou um gordo confortável.
Isso tudo embalado por som ambiente de rock/blues e vídeos de surf na tv.

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A primeira impressão é: “Que pequenininho!”
A segunda é: “Quanto queijo, que legal!”
A terceira e já na primeira mordida: “Que pão lazarento.”

Já vou começar pelo ponto negativo, o pão não sei o que de cerveja.
Legal inovar e tentar uma coisa diferente, dar uma cara própria às coisas, mas não é sempre que dá certo, né?! Esse foi um caso que não deu. Talvez manter no arroz com feijão dos pães de hambúrguer funcionaria melhor.
Esse pão de cerveja ficou massudo, pesado, borrachudo, a fermentação dos levedos não rolou direito e a massa também estava um pouco crua no meio. E com farinha por cima. Farinha por cima é foda, gruda tudo nos dedos, na barba… mas isso é frescura minha, o resto não é.
Chegou uma hora que desisti e comecei a comer apenas o recheio, depois voltei à tampa do pão só para cumprir tabela e não desperdiçar nada.

O recheio é simples e do jeito que tem que ser, só o básico e o gostoso. Carne, bacon, queijo e maionese (tinha cebola caramelizada, mas quem acompanha isso aqui e leu o último post já se liga que pedi sem). A maionese parece ser boa mas se perde no pão grosso.

O queijo é uma beleza, enche os olhos e logo de cara se percebe que esses caras são dos meus, não ficam regulando e colocando só aquela única fatiazinha de queijo. Aqui o negócio quase embrulha a carne, é uma camada grossa e salgada de cheddar. Ponto bem positivo.

A carne tem aquele tempero dito caseiro de sal, cebola e um verdinho (verdinho pra mim é todo qualquer tempero verde, não sei o nome dessas paradas).Tem um tamanho legal ou pelo menos suficiente. Quanto ao ponto, estava quase lá, um pouco seca, mas nem se tratava tanto do ponto, acho que um pouco mais de gordura na carne deixaria mais suculenta, gostosa e menos fibrosa.

Em cima da carne, o queijo, em cima do queijo o bacon.  Generosa fatia de bacon cortado em tira e umas lascas grandes que dão consistência e um pouco mais de sal e sabor ao morder. Na foto aparece bem a parte da gordura, mas ele tinha uma boa carninha também.

Acompanha batatas chips, fininhas, bem sequinhas e crocantes. Um potinho de molho adocicado com gosto de fumaça, barbecue.(sem essa de cobrar extra por um potinho de molho como uns lugares sem vergonhas fazem).
O refri é servido num tipo de taça de vinho, gosto de copos diferentes mesmo para tomar refrigerante.

Surpreendentemente o bicho tem um fator sustância bom, deve ser por conta do pão pesado.

No final o cara fez a conta de cabeça no papel, no melhor estilo do finado seu Zé e o Alvaro do Montesquieu.

Para fechar, uma dica natalina e não hamburguística. Uma fatia de chocotone, doce de leite e outra fatia de chocotone. De nada!

Semana que vem tem mais um post novo do Yuri. Eu vou ficando por aqui. Até janeiro.

See you mothafuckers, ho-ho-ho!!

Ficha técnica:

Hambúrguer Especial

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo cheddar, fatias de bacon, cebola caramelizada e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$18,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$22,00.

Ponto alto: A quantidade do queijo e o bacon bem servido.

Ponto baixo: Definitivamente, o pão não agradou.

Avaliação: C+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437. Fica ao lado de um boteco de tiozinho, daqueles todo amarelo da skol.

 
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Publicado por em 12/13/2013 em Uncategorized

 

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Mister Dog – Big Bagunça

Hohohohohoho, agora sim! Big Bagunça. Não é preciso explicar nada de um sanduíche batizado com essa alcunha vinda do caos, da desordem, da mistura inusitada, da surpresa em forma de sal — mas claro, vamos explicar, afinal, é para isso que estamos aqui.

O Big Bagunça é assim, esse titã de Rabelais, porque é uma criação do Mister Dog, simpática lanchonete de mesas de plástico situada nas divisas entre o Água Verde e o Portão. Como o nome diz — ah, a simplicidade dos nomes objetivos! Hoje são eles quem escrevem o texto —, o Mister Dog é um lugar especializado em hot-dogs, ou cachorros-quentes, por definição o antípoda do hambúrguer no beligerante território dos sanduíches de fast-food. Claro, para quem não sabe, na derivação da salsicha processada (outra invenção alemã, temo eu), disfarça-se a falta de frescor de uma carne embutida mega condimentada com o quê? O quê? Mais condimentos. Todos, se for possível, quanto mais, melhor. Vem daí a lógica das barraquinhas de cachorro quente, que tabelam seus preços baseado apenas na quantidade de salsicha ou no tipo de queijo (queijo?) que acompanha, sendo todo o resto opcional. E estamos falando aí de molho de tomate, milho, ervilha, queijo ralado, maionese, ketchup, mostarda, frango desfiado… já vi colocarem até coração de galinha (!).

Resta então, ao estabelecimento acostumado a mexer com essas carnes de décima categoria, a boa e velha carne de várzea, o refugo, aquela cujo processo de fabricação desmotivaria seus consumidores se estes o conhecessem, como dizia Churchill, resta a esses antros, enfim, transferir a lógica do know-how obtido em anos de camuflagem do sabor ao hambúrguer, sanduíche em que, diferentemente do hot-dog, o sabor em si não é um problema técnico a ser resolvido, mas um ideal a ser alcançado. Nessa brincadeira inventaram o Big Bagunça, nada mais, nada menos que o sanduíche mais caro do estabelecimento que, para ser totalmente justo, não é exigente com seus preços. Diz o cardápio feito de papelão molhado pelas tulipas de cerveja, pela chuva que passa o toldo de plástico, pelas intempéries dessa vida boêmia de tempestades e bonanças: Big pão, hambúrguer 200g, queijo, ovo, calabresa, bacon, frango desfiado, milho, maionese e ketchup. Tudo isso, meus senhores, tudo isso, é fácil de perceber, configura um hambúrguer com alma de cachorro-quente. Como Tarzan, que cresce em meio aos gorilas selvagens alheio à sua verdadeira essência humana, o Big Bagunça é um homo-sapiens entre primatas do velho mundo.

Mister Dog

Numa primeira olhada, fica fácil ver, de cara, que o hambúrguer não tem, como diz seu anúncio, 200g. Eu já vi hambúrgueres de 200g antes e nenhum se parecia com esse disco achatado e esturricado que encontra a camuflagem perfeita entre outras carnes. Por outro lado, com essa quantidade de coisa dentro do sanduíche, quem é que iria conseguir parar para pesá-la? Eu sei, eu sei, não dá para ver a carne nessa foto, mas temos que apresentar o hambúrguer aqui como ele é apresentado para nós, sem frescura, sem favorecer nada, sem fingimento. O que é bom e ruim ao mesmo tempo, já que sabemos que a foto é apenas uma fração da realidade, e que o sabor da coisa não dá para ser transmitido com propriedade em todas as fotos. Sei que esse Big Bagunça, por exemplo, do jeito que tá, parece que foi feito de detritos encontrados no lixão e jogados numa fritadeira com oléo guardado de duas semanas, e com isso não estou dizendo que essa é uma possibilidade descartável. Uma coisa é certa: algumas coisas foram tostadas, outras, nem tanto. Mas vamos por partes.

Aliás, por partes não, porque não sou profissional para conseguir, em uma mordida no Big Bagunça, distinguir o frango da calabresa do bacon, da carne, de tudo. É tudo uniforme, homogêneo, e o sabor que prevalece aqui é, obviamente, a da calabresa. Ora, embutidos, embutidos, por onde se embutirão? Em cima do Big Bagunça, ora essa. A casa não poderia deixar de colocar uma linguiça nesse hambúrguer, é como o conto do sapo e do escorpião, está nos seus genes f*** com o sistema, para usar aqui um bordão do esquecido Capitão Nascimento. O resultado é uma sobreposição de sabores cobertos por uma calabresa dominante, um embutido macho-alfa nessa terra de carnes fritas. Por baixo vem o bacon, depois o frango, o queijo, o milho e lá embaixo, nas profundezas das fossas Marianas, a carne, seca, salgada e sem graça.

O pão é uma grata surpresa. O bom e velho pão industrializado, vendido em sacos plásticos com 50 deles colados uns nos outros pelas laterais, pode manter um frescor se armazenado corretamente, o que parece que aconteceu. E isso é ótimo, na verdade, porque indica uma boa vontade higiênica que poucos podrões têm hoje em dia. Se o pão viesse meio estragado, ia saber que ele ficou guardado embaixo da pia, junto com aquele fungo nojento que cresce atrás do encanamento e se expande como uma esponja que não sabe a hora de parar, ou sabe lá Deus onde mais! Não não, o pão é uma boa primeira impressão. Pelo menos a essa aula ninguém faltou no curso do Centro Europeu!

O resto do sanduíche é uma fanfarronice que só, mas ainda assim, não podemos tirar o mérito de quem tem senso de humor. Uma receita que nasceu da falta de criatividade, um nome que nasceu da interjeição surpresa do chef, isso não pode ser desprezado por quem é jovem, gosta de comida salgada e de bons desafios para o jejuno-íleo. O Big Bagunça é isso, afinal. É a juventude de quem pode pensar amanhã nos problemas coronários, na baixa taxa de colesterol HDL, na dieta do verão, nos problemas da vida adulta pós-moderna. Como não amar, como não respeitar, como resistir ao impulso de se jogar tão perigosamente assim dentro do campo de visão da morte apenas para retornar à zona de conforto logo depois com a pança cheia? Ficamos por aqui com a certeza de que, na falta de aventuras e na falta de frescuras, Big Bagunça to the rescue!

Ficha técnica:

Big Bagunça

Ingredientes: Big pão, hambúrguer 200g, queijo, ovo, calabresa, bacon, frango desfiado, milho, maionese e ketchup”.

Preço: R$14,90 mais uma coca-cola lata e 50% de uma porção de batatas fritas, ficou R$21,40.

Ponto alto: O tamanho, o preço, a aventura e a ousadia.

Ponto baixo: Carne seca, justaposição de sabores, caos (no mau sentido).

Avaliação: C-

O Mister Dog fica na Avenida dos Estados, 1250, esquina com a Rua Morretes, no Água Verde. (41) 3408-0884.

 
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Publicado por em 10/18/2012 em Uncategorized

 

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Mister Dog – Big Calabresa

Não tem frescura, não tem quadro do Elvis, não custa 28reais, não tem decoração kitsch e nem música lounge. Uma televisão grande passando Jornal Nacional, mesas e cadeiras vermelhas de plástico da coca-cola, um único atendente atencioso, cardápios já disponíveis em todas as mesas, um lugar tranquilo e meio de família, coisa que só se encontra fora desse circuito supervalorizado e glamourizado de hambúrgueres gourmets, especiais, primes e et cetera.
O negócio aqui é simplão, tá ligado!

As vezes canso desses lugares da moda, lugares que são meio pré-balada, lugar em que todo mundo vai arrumado, como no Batel, ou lugares onde o povo vai para ver e ser visto, como na Trajano Reis. Ando meio enfastiado dessas babaquices. Quero só sentar e comer, simples assim.
A parada no Mister Dog é tipo lanchonete, não acompanha batata-frita, não tem viadagem decorativa no prato, o sanduiche vem num saquinho de papel branco, clássico.
Mister Dog tem esse nome porque o prato principal da casa é o cachorro quente, são dezessete (!) opções de hot-dogs, contra seis (boas) opções de hambúrguer.
O lugar tem todas as características das lanchonetes dos bairros mais afastados, ou de cidades do interior como foi citado no blog Baixa Gastronomia, da Gazeta, que deu origem às recomendações que recebemos, e nem fica na C.I.C, no Capão da Imbuia ou em Colombo… ou seja, a chance de chegarem atirando em todo mundo na procura de um nóia com dívida na boca vai ser mínima, mas a chance de furtarem o seu carro é alta, já que o Água Verde é o bairro com maior número de furto de veículos. Já avisava o poeta da juventude anos 00, Chorão.
“Nem tudo lhe cai bem.
É um risco que se assume.
O bom é não iludir ninguém.”

Ah, o nome “Mister Dog” parece que não é oficial, tanto que não tem placa nem nada, mas no cardápio ainda está assim e nós vamos chamar disso. A foto no início do post está uma porcaria mas da para perceber a placa da Pizzaria que fica ao lado, é a melhor referência para achar o lugar.

Só mais um detalhe antes de falar de comida, que é pra que foi inventada essa bagaça afinal: uma coisa que chama atenção no ambiente é o caixa na hora de pagar (na real eu reparei logo que entrei), você fica vendo o cara inteiro, é engraçado, o caixa é uma cabine feita nos moldes e na mesma onda arquitetônica que inspirou as paredes de vidro do Kharina Batel. Saca só!

E vocês tirando foto e achando o Sláinte super descolado com aquela cabine telefônica importada.

Agora o Big Calabresa.


Meu contato com linguiça calabresa é quase sempre nas pizzas e as vezes nos X-tudos, e como um X-calabresa ainda não tinha rolado aqui no blog, foi esse o escolhido.
Uma coisa boa dessa calabresa, contrária ao que sugere o nome da pimenta calabresa, é que não é apimentada. Não gosto muito de coisas apimentadas ou picantes, (só das Spice Girls, rá-rá-rá!), acho foda quando você pede pizza e vem calabresa apimentada e ainda colocam um monte de cebola… mas o negócio aqui não é pizza, é hambúrguer, e essa combinação é bem interessante, porquinho e vaquinha são amigos até depois da morte. Bacon com hambúrguer, linguiça com hambúrguer, tudo combina.
A calabresa fatiada fina, junto do hambúrguer, da uma consistência boa ao mastigar, é como se fosse um hambúrguer maior e mais macio, e com gosto de calabresa, claro!

Não é porque simpatizei com o lugar que vou aliviar, aqui a gente não alivia pra ninguém (a não ser que pague muito bem, aí a gente pode conversar! -risos-). O hambúrguer estava bem passado, 200g de carne bem passada, e um tanto seca.
Não é um hambúrguer gordo ou alto, ele é meio fino(mais ou menos um dedo), porém, grande no diâmetro.
Bem passado quase sempre quer dizer seco, o Big Calabresa padeceu do mal do Mustang Sally. Mesmo problema, mesma solução, maionese para curar a secura da carne e lubrificar as coronárias!
E aí aparece um diferencial do lugar. Além da maionese normal, são mais cinco bisnagas com molhos, ou seja, 6 opções de complementos. E tem lugar aí que fica regulando e quer cobrar por um molhinho extra, pfff!
Tem umas duas bisnagas com mostardas, uma de catchup, uma que eu acho que é pimenta, e uma maionese verdinha especial — o especial é por minha conta, pra mim ela foi especial, adorei aquilo!
É uma mistura muito suave de maionese, alho, cheiro-verde e talvez mais alguma coisa que não tenha identificado. Geral fala da maionese do Come-Come (e a verdade é que ela é mais comentada do que realmente saborosa) porque não experimentou essa.
Salada bem fresca, olha esse alface que crespa e que salta, não só aos olhos, e que dá uma benfazeja crocância, além do tomate que foi importante já que a carne estava um pouco seca, mas ao mesmo tempo acho que o tomate rouba um pouco o gosto da calabresa, nada de mais mas da uma roubada.
O queijo confesso que nem reparei, ou seja, poderia ter um pouco mais para que fosse mais representativo e ajudaria a dar uma liga melhor.
Tudo isso dentro de num pão de leite grande e macio, sem gergelim, que para ficar mais típico de lanchonete de interior, poderia ter sido colocado na chapa para dar uma tostadinha. Por enquanto só o Guiolla fez isso e ganhou minha admiração. (outros também ganharam, mas por outros motivos).

Resumindo, se estiver passando pelo  Água Verde, ache a tal Avenida dos Estados e vai até quase o final, no sentido do bairro. Vale dar uma passada para encher a pança.


Ficha técnica:

Big Calabresa

Ingredientes: “Big pão, hambúrguer 200g, queijo, calabresa fatiada, alface, tomate, maionese e catchup.”

Preço: R$12,00 mais uma coca-cola lata e 50% de uma porção de batatas fritas, ficou R$18,40.

Ponto alto: O tamanho, preço, e o molhinho verde especial.

Ponto baixo: A carne seca.

Avaliação: C+

O Mister Dog fica na Avenida dos Estados, 1250, esquina com a Rua Morretes, no Água Verde. (41) 3408-0884.

 
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Publicado por em 10/04/2012 em Uncategorized

 

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Porco Nobre – Nobre Bacon

Em nossa procura incansável pela batida hambúrguer perfeito (parece que agora a cada novo artigo temos que fazer uma referência ao Planet Hemp/Marcelo D2?), existem barreiras intransponíveis, como a geográfica (começando por Curitiba, pra ficar mais fácil), a do hambúrguer de soja (não vão me fazer encostar num troço desses), a do hambúrguer de frango, a da picanha fatiada, e por aí vai. Mais do que limitar nosso escopo, nos oferece foco e palpabilidade dos resultados – e isso qualquer pesquisador científico pode confirmar. Por outro lado, existem também arestas, terrenos em aberto pelos quais podemos adentrar caso a força das circunstâncias os provem necessários. Por exemplo, as inúmeras redes de fast-food, os hambúrgueres do Sesc, o hambúrguer que a sua mamãe faz pra você (aceitamos convites pro lanche!), enfim, um mundo de possibilidades.

Dito isso, é preciso ressaltar que eu não sei direito em que categoria o Porco Nobre se encaixa. Um híbrido entre podrão, hambúrguer gourmet e fast food, o restaurante contempla o melhor e o pior das três categorias, e isso não é nem um elogio nem uma crítica, antes de tudo uma observação sobre a natureza dessa pequena rede curitibana de duas lojas. O diagrama que eu fiz exemplifica melhor o meu ponto de vista.

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Eu não sei direito sobre a história do Porco Nobre, mas os mais antigos dessa cidade me dizem que ele começou na Rua 24 Horas, esse pedaço mágico para a sociedade curitibana, uma galeria de lojas supostamente abertas dia e noite que emula a sensação de andar numa rua coberta, calçada, monitorada, climatizada e com portas automáticas nas duas pontas. Enfim, uma rua como outra qualquer (%) (eu gosto de usar esse símbolo % para apontar uma ironia, para os mais intelectualmente lentos não ficarem de fora da piada. Democracia passa também pelo acesso às bobagens). Depois que a rua se tornou ponto de drogas e travestis e caiu de vez no ostracismo, forçando seus comerciantes a fecharem as portas da esperança de ver curitibano na rua, o Porco Nobre estabeleceu sua matriz no Água Verde, onde está até hoje, até voltar para o lugar de origem – de novo, isso foi o que me contaram. Novidade das novidades, fomos para a 24 porque a rua é nóiz.

E aqui vem a questão: a nobreza do Porco Nobre, que ostenta o estandarte de um aristocrata suíno com cabelo engomado e gravata borboleta, nascido para servir, morrer e servir outra vez, se estende a todos os sanduíches do menu? Porque uma coisa são os sanduíches de pão com salsicha, linguiça, pernil desfiado (meu favorito, pessoalmente, mas aqui o assunto é outro), todos requintados e minimamente originais, outra coisa são os tradicionais e conservadores (aqui em Curitiba essas duas palavras não são tão sinonímicas assim) hambúrgueres com mínimas variações. Um bacon aqui, um ovo ali, uma porrada de salada acolá, enfim, as operações básicas da gastronomia hamburguesca (falei que era um pouco podrão também). Já que o lance não é esperar ousadia, vejamos a destreza da mão desses chapeiros de mais-valia mamada. Minha escolha foi o Nobre Bacon, que como o nome diz, tem bacon. E se tem bacon, tem charme (pode, pode copiar essa frase e colar no seu facebook/fazer uma camiseta), por isso apontei meu dedo gordo no cardápio pra moça do caixa anotar meu pedido, que chega à mesa pouco menos de dez minutos depois, dessa forma.

Porco Nobre

Ora, apresentação, como já bem dissemos algumas vezes, é essencial. Mas que diabos é isso? Um hambúrguer embrulhado para presente? Um resquício da faceta fast-food do restaurante? Um fetiche pseudo-islâmico de cobrir tudo o que é gostoso? Um artefato para aumentar nosso desejo e ansiedade? Não sei, estou aqui para comer, não para interpretar os mistérios do decorador mutcho louco que esconde o hambúrguer mas não embrulha as batatinhas. Sem o papel, seria apresentado assim:

porco nobre

Pra não dizer que não falei das batatinhas, aliás. Batatas românticas, daquelas pelas quais Lorde Byron baba. Pálidas, bucólicas, mergulhadas no óleo ainda congeladas, flertando com a morte e com a vida, fumando ópio pelas lúgubres esquinas de Londres. Batatas que têm lá sua consistência e seu sabor, mas nada parecido com o padrão de beleza de batata frita que temos hoje. Há quem goste, porém, e eu não faço objeção.

E aí temos a questão da salada. O que era para ser coadjuvante virou um protagonista wanna-be, daqueles que querem roubar a cena a todo momento. Isso acontece, experimenta ver um filme em que o Jack Black faz um papel secundário pra ver se você também não fica com raiva. Tem gente que curte atenção sobre todas as coisas, e isso nem é legal. A salada veio em uma quantidade exagerada, quando deveria ser somente, na minha cabeça, um quinto do sanduíche. E o pior de tudo foi o tomate, que roubou o gosto de todas as coisas, gelado e ácido. Mas isso não é necessariamente culpa do restaurante pois, se vocês são antenados no noticiário de economia, o tomate está caro e feio por causa do frio. Não é uma época boa para comer tomate, e eu recomendo a vocês pedirem para tirar os tomates dos sanduíches por esses dias e esperar o calorzinho voltar às lavouras. A maionese, entretanto, salvou um pouco o resto do sanduíche fagocitando parte do tomate.

Não esperava outra coisa do pão. Aquele tipo seco e industrial que conhecemos dos lugares sem gente competente para botar a mão na massa. Tava tudo indo muito bem até chegar no miolo. Aí tudo degringolou, o pão se partiu sozinho em diversos pedacinhos, a carne idem, a alface se esparramou e o jeito foi juntar tudo como se estivesse comendo farelo de tabuleiro. Nada agradável.

O bacon, por outro lado, é mais do que agradável. Aquele bacon na medida certa, nem mal passado nem esturricado e escuro, mantendo sua integridade na língua de carne que ostenta pendurada para o lado de fora do pão. O problema é que no minuto que o bacon sai do âmago do sanduíche, fica gelado. E bacon gelado é igual assassinar o arquiduque Ferdinando: é guerra. Então, para a segurança dos demais, mantenha seu bacon afivelado dentro do hambúrguer.

Por último a carne. Na verdade, por último deveria mesmo ser o queijo, mas uma coisa estranha acontece: não tenho qualquer memória do queijo do Nobre Bacon. Lembro vagamente de uma mussarela que cobria sem pressa a carne, mas nada que tenha deixado impressões mais marcantes. Talvez esse seja o destino de toda mussarela, afinal, o queijo regular, o primeiro que vem à mente quando o assunto é queijo. Acho que não tinha muito, mas é só. Lembro, sim, de haver um presunto. Como eu odeio presunto em hambúrguer, O-D-E-I-O. Nada me diz mais “eu sou um incompetente na arte do hambúrguer e aprendi tudo o que eu sei vendo o chapeiro que estacionava seu Fiat Prêmio branco e velho na frente do estádio e fritava hambúrguer numa chapa instalada no porta-mala com um pequeno botijão de gás” do que enfiar um presunto no meio do sanduba. Percam essa mania, gente, percam.

Agora, a carne sim, dessa me lembro bem. Uma carne cuja textura se assemelha em vários aspectos à do McDonald’s, com aquela crosta esturricada que descasca aos pequenos pedaços para revelar um interior cinzento e inútil sem a parte de fora, que conserva o sabor da fumaça e de hambúrgueres passados que deixaram sua marca na chapa. Isso é hambúrguer congelado e descongelado ao longo do dia, perdendo aos poucos sua propriedade de carne e sua integridade física. Uma carne minimamente saborosa, que poderia ser feita em casa pela mamãe ou por um chapeiro semi-escravo de 17 anos pagando as prestações do aparelho ortodôntico inter-ligável enquanto estuda via correspondência para o curso de auxiliar administrativo pelo Instituto Universal Brasileiro e tenta reatar com a namorada grávida pela sétima vez (todo o meu respeito por esses guerreiros da vida) no McDonald’s mais próximo de você. Só que com um toque caseiro.

No final das contas, o Porco Nobre é um bom lugar para se comer outros sanduíches, porque hambúrguer não é mesmo o forte do lugar. Não que seja uma experiência desagradável, longe disso, mas falta amor e falta liga no Nobre Bacon. Recomendo pra quem curte uma parada monstro e não se sente especial no McDonald’s, não se sente confortável no meio de gente rica em hamburgueria gourmet e não se sente seguro em podrão.

Ficha técnica:

Nobre Bacon

Ingredientes: “Hamburger, queijo, presunto, bacon, maionese e salada”

Preço: R$16,90 o combo com batata frita e refrigerante. Vale, hein?

Ponto alto: Lanche grande, misterioso envolto no papelzinho, preço bom.

Ponto baixo: Pão que se despedaça, queijo esquecível e carne com pouco sabor.

Avaliação: C-.

O Porco Nobre fica na Rua 24 horas, entre a Visconde de Nácar e a Visconde do Rio Branco.  (41) 3224-1022.

 
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Publicado por em 07/27/2012 em Uncategorized

 

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