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Square Burger – Marlon B., Elvis e Ritchie V.

square burger

A vanguarda – simples e pura, a vanguarda per se – pode ser válida num ambiente de total estagnação? Para ser bom, basta ser vanguarda? Questionamentos como esse desafiam a lógica da crítica artística mundo a fora, enquanto Jeff Koons e Damien Hirst dividem o mercado da arte com suas bolinhas coloridas, balõezinhos e caveiras cravejadas de pedras, as academias ensinam o artista iniciante a ter reverência pelos clássicos. E aquilo que Tzvetan Todorov contesta não é aquilo em que Umberto Eco acredita. Pode a arte ser ensinada, afinal, ou o conhecimento transmitido não pode ser arte?

Indagações que talvez seja melhor deixar no ar para que o leitor que encare um Square Burger (anteriormente chamado de Burning Burger) e depois (ou antes) leia esta resenha possa tirar suas próprias conclusões acerca de um lanche que abriu mão de todas as apostas gastronômicas para inovar unicamente na apresentação. Um fetiche estético digno do miniaturismo japonês da segunda metade do século 20, somado a também nipônica arte da subversão das formas. Para podermos responder à pergunta “por que, afinal, um hambúrguer quadrado?”, precisamos regredir a questões aristotélicas fundamentais: “por que, afinal, o hambúrguer é redondo?”. Acho que a resposta mais simples é, necessariamente, a mais verdadeira: ninguém gosta de morder as pontas de um sanduíche, notadamente a parte com menos recheio. Felizmente, o Square Burger é um sanduíche cuja carne acompanha cirurgicamente as pontas numa montagem de paciência e acurácia zen.

Acredito que o Murilo já tenha dado os detalhes do lugar e do cardápio. Nomes de celebridades da década do hambúrguer, poucas cadeiras, atendente simpática, Chubby Checker rolando. Pedi a caixa com três e com batatas. Mais ou menos igual ao do Murilo, só que com o Marlon Brando no lugar do Chuck Berry.

Square burger

O Marlon Brando é um sanduíche com uma pasta de gorgonzola, algo que, claro, é sempre pior do que o próprio gorgonzola. A imagem não é das mais convidativas.

Square Burger

Mesmo assim, não chega a ser um sanduíche ruim, embora tenha muito forte o gosto da gorgonzola. Como a carne é muito fina e o pão é muito alto, a sensação é a de estar comendo um daqueles sanduichinhos de petisco em Buffet chique, desses que têm um pedacinho de fiambre no meio de queijo e uma mini folha de alface. A coisa não melhora muito quando você encontra dois doritos dentro do Ritchie V. e quando percebe que o molho barbecue tem um gosto rançoso e o cheddar é duro demais para fazer um dipping básico da batatinha no copinho extra que você pede. Resumindo, a experiência é a que se espera: você, glutão ocasional de fim de semana, degladiando-se internamente com a sua própria falta de jeito com um lanche minúsculo que é mais divertido do que prático e gostoso. Eventualmente tudo degringola e ao consumidor resta pouco mais que a saída inglória de comer tudo depressa antes que se note a inacreditável bagunça que se pode criar com partes tão pequenas de um hamburguinho. A batata frita, por sua vez, também não é das melhores, já que é daquelas fritadas por dentro e por fora, sem qualquer recheio cremoso de amido. A clássica batata-frita não vedada que vocês já conhecem do seu Buffet e das experiências culinárias da sua titia sem muito talento para a cozinha. Uma pena, porque a ideia de hambúrgueres na caixinha batizados a partir de pessoas mortas é por demais atrativa. Agora os leitores podem voltar à reflexão inicial deste texto e concluir o que bem entenderem. Eu, eu sempre saio de barriga cheia.

Ficha técnica:

Marlon B., Elvis e Ritchie V.

Ingredientes: “Marlon B. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão e pasta especial de queijo gorgonzola. – Elvis; Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo, cubos de bacon crocantes e maionese especial. – Ritchie V. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo cheddar, molho de pimenta e nachos.”

Preço: R$16,90 os três sanduíches e meia porção de batata frita + Coca-Cola de 600ml R$4,00. Mais uns centavos aí dos molhos extras que eu pedi, mas não aconselho pra ninguém.

Ponto alto: Lanche divertido, inovador e convidativo.

Ponto baixo: Todo o resto.

Avaliação: D-

O Square Burger fica na Rua Lamenha Lins, 1550, no Rebouças, meio perto da Arena da Baixada. Não achei o horário e dias de funcionamento, então liguem lá. Tem delivery, (41)3032-3773 ou 3032-2727, no Alto da Glória.

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Publicado por em 10/11/2013 em Uncategorized

 

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Au-Au – Texas Burger

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Eis que a falibilidade dos canais de comunicação institucionais dos redutos gastronômicos da cidade e, por que não dizer, nosso próprio desleixo com a curadoria das hamburguerias da semana nos colocaram mais uma vez desnorteados no centro da cidade sem saber para onde ir em plena terça-feira à noite. Vagando pelos arredores de uma área gentrificada cujo nome não ouso dizer neste querido blog, deparamo-nos com a onipresente fortificação cross-over fast-food/casual dinning curitibana Au-Au, um estabelecimento principalmente objetivado a construir o cardápio do inimigo número 1 dos nossos queridos hambúrgueres, o cachorro-quente de rua, o cachorro quente de praça, de festas juninas, quermesses e aniversários, o sanduíche de carne embutida, condimentada, pré-cozida e, ao que tudo indica, cancerígena que conquista a tudo e a todos por onde passa, um enfant-terrible das porcarias que nossas mães nos impediam de comer.

Por que buscar hambúrguer em um lugar como esse? Seria como buscar compreensão no terceiro Reich, amor no prostíbulo, redenção na política, honradez no contrabando, concupiscência na igreja? Talvez sim, talvez não, mas parte das capacidades do olhar treinado para a sensibilidade do não-óbvio é encontrar lógica no caos e beleza no lixão. Por isso fomos, e nos aboletamos nas insistentes mesas americanas de sofá e pedimos para a garçonete a carta de hambúrgueres.

Talvez tenha sido a decisão mais acertada que tenhamos tomado nesses últimos tempos. Não só o Au-Au tem uma grande variedade de comida decente como também são receitas inventivas, com ovo, com rúcula, com mostarda e mel, enfim, algo que saia da tríade x-buger, x-salada e x-bacon. A minha escolha foi o Texas Burger, um sanduíche marcado principalmente pelo molho barbecue e pelas cebolas grelhadas. A ideia parece simplória, mas ganha no conjunto da obra, veja.

Texas burger

A propósito, essas batatinhas smiles que estão aí são opcionais e podem ser obtidas se o cliente quiser abdicar das tradicionais batatas palito, mas não recomendo dada a pouquíssima quantidade e a artificialidade do pastiche tuberoso. Ainda assim, são aquelas batatas sequinhas e gostosas que, caso viessem em maiores quantidades, até valeriam uma ponderação prévia.

Fora a apresentação do lanche, que é sim muito bonita e prática, o que se nota nesse Texas Burger é a quantidade de salada que vem nele – o que seria uma coisa terrível não fosse o cuidado na escolha dos alimentos. A alface extremamente crocante e o tomate carnudo e bem vermelho fazem o papel da boa salada num sanduíche, que é acrescentar cavalinhos de textura no carrossel de sensações experimentado em um lanche bem composto por carne, pão, vegetais, queijo e condimentos. A salada do hambúrguer é assim: se não faz parte da solução, então faz parte do problema.

O queijo é outra grata surpresa. Uma grata gratinada surpresa, eu diria mais. A generosidade na porção que cobre a carne tem a possibilidade de fagocitar parte dos outros ingredientes e se sobrepor a todos eles sorrateiramente, um coadjuvante que não se contenta com o pano de fundo e parte para o ataque sempre que necessário, um paladino laticinioso engajado em uma cruzada santa pela tradição perdida do queijo farto nos hambúrgueres com queijo.

A cebola e o barbecue são a comissão de frente do Texas Burger, algo claramente evidenciado em seu nome de pia. A combinação, embora não seja original e muito menos incomum, agrada apenas quando o resto é bem servido. Ou seja, muita cebola e barbecue com pouca carne e queijo não é exatamente algo que mereça registro, mas o contrário é enriquecedor e um colírio para as papilas gustativas.

Mas é claro que nada disso adiantaria de muita coisa caso a carne, que é o ponto central, não fosse bem executada. E preciso reconhecer: para quem trabalha com uma carne tão pobre quanto a salsicha de um cachorro-quente, o pessoal do Au-Au até que sabe manejar um disco de hambúrguer.  A carne é boa, macia, alta, vermelha e suculenta. Bom, não tão suculenta, mas dá conta do recado, embora algumas vezes seja sobreposta pela quantidade sobrenatural de alface do Texas Burger. E nem preciso dizer que carne combina com molho barbecue.

Como calcanhar de aquiles deste belo monumento, o pão é uma decepção pela sua obviedade e falta de requinte. Um pãozinho mixuruca industrializado desses que você encontra em qualquer lanchonete que venda uma porcaria de hambúrguer pré-frito com queijo e presunto por três reais. Tal conjunto merecia um acabamento melhor, mas não é sempre que é possível. Se acabam as tintas do artista, pintar com bosta talvez não seja a melhor solução, mas antes isso do que não entregar nada.

Ficha técnica:

Combo Texas Burger

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, molho barbecue, queijo musarela, cebolas douradas na chapa, alface, tomate e maionese no pão especial de hambúrguer + 5 fritas smiles + Refri lata.”

Preço: R$23,80 no combo com coca-cola lata e batata frita.

Ponto alto: Bom conjunto, apresentação, salada boa, queijo e combinação clássica barbecue + cebola que não falha.

Ponto baixo: Pão mixuruca e preço um tanto alto.

Avaliação: B-

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
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Publicado por em 09/20/2013 em Uncategorized

 

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Kaes Bar – Kaes Especial

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O Kaes Bar é um bar (não, jura?!) de cervejeiros, futeboleiros, estudantes da federal e fumadores de narguilé (potenciais homens tocha sem super poderes).
O lugar é uma casa antiga, com mesas de madeira e cadeiras com assento de palha trançada. A decoração é praticamente toda baseada em cerveja, quadros de cervejas, garrafas de cervejas, luminárias feita com camisinha de cerveja… No primeiro ambiente, o teto tem uma constelação formada com bolachas de chopp. A mesa em que ficamos tinha o tampo cravado de tampinhas (ou champinhas, como diria meu vô) de cerveja Klein.

Tivemos que pagar dois reais de entrada. Não sei se é todo dia, mas quem que cobra DOIS reais de entrada??
Deve ser porque era dia de futebol na TV, então os dois reais devem ser por causa do pay-per-view … Pode isso, Arnaldo? Pode isso, Anatel?

Enfim, o que nos interessa é que tem umas 10 opções de hambúrgueres, divididos em Premium e Classics. Tá certo que muda muito pouco entre um e outro, mas tudo bem, tem lugares que não tem nem tem três opções.

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O sanduba, como estamos vendo na foto, chama Kaes Especial, e chega pra gente aberto, bonito, analisável, aí cabe a você fechar o bicho e botar para dentro.

Uma das primeiras coisas que chamam atenção, logo em cima, são os cubinhos de bacon, fica bonito visto assim com o pão aberto, mas ao fechar eles meio que desaparecem, quase não são sentidos, percebi mesmo os que caíram e comi separadamente. Bacon em tiras seria melhor, sempre é.

Pãozão, no aumentativo mesmo porque o pão é grande. A base dele deve ter quase uns três dedos de altura. É o pão tradicional de X-salada de lanchonete, de leite, grande, com gergelins que vão se desprendendo e ficando pelo caminho.

Agora, uma coisa perturbadora, e logo a segunda coisa que reparei. Presunto. Colocar presunto e queijo num sanduíche dito premium? Não, né! Isso é coisa de X-salada que a gente come nos Chinas do centro. Colocou a alcunha de premium, a expectativa sobe e aí que o Kaes cai na própria armadilha.
Ainda não estamos nesse ponto de transformar o tosco, o old school, em hype. Tem que esperar passar um pouco mais a moda dos hambúrgueres chics para fazer um Origins desses.
Fora que o queijo nem vi direito por estar embrulhado no presunto e não em cima da carne onde é seu lugar.

A carne, tem 90 gramas, segundo o cardápio, quando li achei que seria bem pouca carne, mas surpreendentemente é um hamburguinho bem razoável. Já vi por aí dizerem que tem 120g e não era maior que esse. Alguém está errando a mão.
Com belas marcas de grelha, tipo de comercial, com um tempero verdinho caseiro, bem passada por fora, e quase bem passado por dentro mas sem perder a umidade, a carne é uma das coisas boas desse sanduíche.

Devia ter pedido sem o barbecue, as vezes esqueço as minhas próprias regras, e uma delas é: sem barbecue. Já disse aqui em outros posts que acho que barbecue contamina tudo, tudo fica com aquele gosto de fumaça adocicada (um lance meio narguile), e pra mim perde muito a graça da brincadeira se tudo fica só com esse gosto.
Minha teoria é que os molhos (maionese não entra nessa) tem que ser servidos à parte. A não ser que seja um molho especial que faça parte da poção mágica que é um hambúrguer premium, gourmet, prime, especial ou outro nome desses.
Se não, faz como vi dia desses no JPL, coloca só um pouco no pão e manda mais num potinho. Simples, né. Se você quiser se entupir de molho fica a vontade, mas se não quiser, deixe estar.

Depois de tudo isso, tem a salada de alface, fresca e crocante, além da rodela quase imperceptível de tomate que repousava tranquilamente na em sua king size que era a metade de baixo do pão.
Acompanha molho/maionese de cebola, alho e verdinho,(num potinho extra). Meio mais ou menos esse molho verde, o melhor da cidade ainda é o do Mister Dog.

O acompanhamento de batatas foi surpreendente e também foi das primeiras coisas que chamaram a nossa atenção, ainda na mão do garçom. São batatas chips, até aí tudo bem, se não fossem chips tipo salgadinho industrializado que você compra no mercado. Vem meio saco de Yokitos ou outra “batata” dessas lisas, assadas ou fritas. Bem estranho e bem meia boca… mas comi as minhas e as do segundo hambúrguer do Yuri que vocês vão ver aqui semana que vem.

Embora não seja dos maiores, sustentou até umas hora, jão! O que é bem bom para um hambúrguer de 90g e menos de 10 reais.

Ficha técnica:

Kaes Especial

Ingredientes:  “Pão especial, maionese, hambúrguer 90g, queijo, presunto, alface, tomate, cebola, bacon e barbecue.”

Preço: R$9,50 + Coca-Cola lata R$3,50 e R$2 de entrada. R$15,00

Ponto alto: Preço camarada, carne boa, sustenta…

Ponto baixo: Cobrar entrada, batatas chips de mercado, presunto.

Avaliação: C-

O Kaes Bar fica na Rua Doutor Manoel Pedro, 715, no Cabral. Funciona de segunda à quinta 18h-00h. Sexta e sábado 18h-02h. (41)3253-3997.

 
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Publicado por em 04/05/2013 em Uncategorized

 

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JPL – Roadmaster

JPL

O ano se encerra e o novo se abre com a mesma perspectiva: atar as duas pontas da vida, como escrevia Dom Casmurro quando botou na balança suas dores de pseudo-corno. Finalizando nossos compromissos com duas hamburguerias que ficaram pela metade, o Brooklyn Coffee Shop e o JPL, igualamos a atenção que damos a todas elas: one life, one chance, no melhor estilo H20, e é melhor que ninguém cague no pau porque perdoar é coisa de cristão e ninguém aqui anda de escapulário. Sendo assim, voltamos ao Jean Pierre Lobo Burgers, ou JPL, na abreviação que esconde a identidade do renomado chef sob uma modesta e enigmática sigla.

O lugar é aquela coisa: típica birosquinha chiquérrima do Batel. Lugar pequeno, frequentemente flanqueado por motocas Harley Davidson, a liberdade em forma de pistões, rodas e motor em V que hoje está mais nas mãos de playboys bandidinhos do que idealistas bandidões. Não espere portanto, uma alcateia de motociclistas, quando muito um rendez-vous de pleissitude máxima, patricinhas e seus iPhones, mauricinho com camisa listrada com brasões e números, enfim, aquela coisa. Ainda assim, o atendimento é bom e não roubam na conta, então já tá valendo.

Pela parede junto ao caixa, um hall da fama com os diversos prêmios que o estabelecimento ganha todo ano. Veja Comer & Beber e Bom Gourmet da Gazeta do Povo. A minha escolha da vez, o Roadmaster, está lá em alguma dessas tabuletas, não me recordo do ano. E o que é o Roadmaster, esse sanduíche premiado? Nada mais que o famoso hambúrguer de Cheddar, com todos os clichês da fórmula: queijo processado TIPO cheddar, não o verdadeiro irlandês de 60 reais o quilo, cebola caramelizada no barbecue (shoyu também é aceitável), pão fofinho e carne suculenta. Há aí ainda a adição de um queijo mussarela e do potinho extra de barbecue porque os hamburgueiros da newschool americana aprenderam que molho barbecue nunca é demais num hambúruger. O resultado é isso aqui:

Roadmaster

Mas, afinal, porque o Roadmaster ganha o prêmio Bom Gourmet e o Cheddar McMelt, que ainda tem a ousadia de colocar um hambúrguer num pão preto, não? Algumas razões, filhão. Existem muitos diferenciais no Roadmaster, mas o mais óbvio e o primeiro a se perceber é o pão. Até porque é difícil achar um pão de hambúrguer que se destaque do resto, a maioria quando quer caprichar na casca substitui pelo arcaico pão d’água. Mas o pão de hambúrguer do JPL é tão macio que chega a ser imediatamente digerido pela amilase da saliva, quase não restando consistência que o faça lembrar que por ali, há pouco tempo, passou um pão. Nem o gergelim sobra direito para contar história, é como aquela mistureba ácida que preparam no final do Retrato de Dorian Gray, algo intenso, cheiroso e inesquecível. Tipo meu pau.

Agora, a carne não fica atrás. Feita no fogo alto, mas temperada secretamente, de maneira que nem seus chapeiros tem noção da fórmula, o disco de hambúrguer vem embalado e congelado pronto para fritar, e fica ali no segundo andar para quem quiser ver como o lance é feito. A carne não perde água e ainda assim, não esparrama seus sucos vitais pelo prato mais do que o barbecue da cebola, embora não deixe de tingir um pouco as duas faces do pão. A crosta não fica crocante de queimado, e ainda assim, ele não desmonta. É algo realmente impressionante de se conseguir em uma carne, acredite em mim porque de vez em quando eu me aventuro no meu George Foreman.

A cebola serve, como sempre, para pouca coisa. No caso aqui, dar alguma consistência a uma pasta em formato de hambúrguer, pão e queijos. A crocância de suas folhas dá um sentido de unitarismo ao bolo alimentar, e delimita sua forma e avisa nossos molares sobre seu real volume. Mas é verdura e verdura aqui não tem vez.

E por fim, há o queijo. Ou melhor, os queijos. Cheddar combina com cebola, pão e carne, mas ainda que esse cheddar fosse de verdade ao invés do queijo processado, e falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens, sem essa mussarela quase fritinha ele nada seria. Ora, o que a mussarela tem que o cheddar não tem? Em primeiro lugar, sabor; em segundo lugar, elasticidade; em terceiro lugar, experiência no tatame para saber que o lugar de um queijo é colado na carne, coisa que uma pastinha de cheddar nunca vai fazer. Não há cheddar brasileiro que resista num pão à passada de um dedo. Cai tudo no prato, mas graças à mussarela velha de guerra, há justaposição de queijos e carne numa dança cigana, linda e sensual, uma forésia entre uma anêmona e um paguro, um número de trapézio em que o cheddar quer o ar, mas a mussarela o puxa para solo firme.

Não podemos nos esquecer da batata. Mas é que depois de falar tudo isso, não importa muito o que eu falar da batata, né? Mesmo assim, ela é muito boa. Contentem-se com isso porque aqui não é good batata, aqui é GOOD BURGER MANEEEEEHHHH!!!

Ficha técnica:

Roadmaster

Ingredientes: “200g. do nosso suculento hambúrguer grelhado, queijo mussarella (com dois Ls porque nego é chique), cebola ao molho barbecue, cheddar e batatas fritas crocantes (é bom mesmo que seja crocante, a única razão pela qual a gente frita alguma coisa é pra ficar crocante!)

Preço: R$ 20,90 (O pessoal fica dando prêmio e a galera joga o preço lá em cima).

Ponto alto: hambúrguer metafísico, pão que dissolve na amilase, mussarela simbiótica e barbecue pra caralho.

Ponto baixo: Preço alto.

Avaliação: A

O JPL Burgers fica na Av. Vicente Machado, 833, no Batel. Curitiba – PR. (41) 3024-2910

 
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Publicado por em 01/10/2013 em Uncategorized

 

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Clube do Malte – Zé Colmeia

Jamais colocaria meus pés num lugar chamado Clube do Malte. Ô nominho para me despertar antipatia. Observe a maestria da pusilanimidade: de um lado, “Clube”, como se convencionou chamar qualquer reduto exclusivo do macho adulto contemporâneo urbanóide domesticado. Aqui em Curitiba, para quem não sabe, tem até uma Barbearia Clube, um “salão de beleza masculino”. Depois o pessoal do Rio vem pra cá achando tudo isso muito esquisitão e vocês não entendem nada. Deixa estar; do outro lado, “Malte”, a redução metonímica digna do profundo conhecedor das coisas banais. Estamos nestes tempos das desprofissionalizações das profissões, onde qualquer um é artista, entramos em um bar qualquer e mergulhamos num mar de preguiçosos aspirantes a intelectual de classe média, em que há a vontade de se exibir sem qualquer formação erudita. E aí, é claro, ler rótulo vira passatempo nacional. De uma hora para a outra, todos passaram a entender as nuances da fabricação de cerveja. O papel do lúpulo, a temperatura de armazenamento, o processo de fermentação, e voilá: uma espiral de ignorância girando sobre um mesmo enfadonho e repetitivo assunto. E antes que alguém possa vir acusar este perspicaz recinto dos mesmos crimes suprarelatados, eu digo: acorda, ô mané, isso aqui é o ensaio das pequenas coisas, sinédoque da vida, e só você ainda não percebeu isso.

Mas é claro, coloquei meus pés no Clube do Malte (argh! Esse nome!) porque, veja bem, anunciaram por aí que o lugar havia inaugurado uma “carta” (para prosseguir no pedantismo) de hambúrgueres, e os amigos botaram pressão, e missão dada é missão cumprida, e etc etc e etc. E lá fomos. Primeira decepção: depois de uma semana anunciando a porcaria da carta de hambúrgueres, chegamos lá e o garçom nos recebe com a desculpa: “vocês viram na internet, né? Ainda não temos os hambúrgueres, mas voltem aí na semana que vem”. Amigo, se você soubesse o quanto eu tive que caminhar (a pé mesmo) só para ter sobre o que escrever naquela semana em que o seu Clube do Malte era a bola da vez, você ia ter me descolado um hambúrguer. Nada me frustra mais, na minha miserável vida de consumidor, do que esse tipo de coisa. Mesmo assim, voltamos lá depois de fazer a ronda no Charles Burger (calcule a distância a pé, saindo do Shopping Estação até o Clube do Malte, até o Charles Burger e você vai entender meu descontentamento), e descobrimos mais sobre o lugar e seu cardápio.

Os nomes e os burgers: heterodoxos e estranhos. Batizados em homenagem a desenhos animados das mais diferentes épocas, dos mais diferentes níveis de qualidade técnica. E aqui entramos num impasse: só provamos, afinal, hambúrgueres bovinos porque, oras, qualquer sujeito que pegar qualquer bicho, matar, colocar num pão e chamar de hambúrguer é um doidivanas que merece não outra coisa que uma prosaica noite de sono trancafiado em uma cela acolchoada. Escolhi então um que chama Zé Colmeia, um dos meus desenhos menos favoritos de todos os tempos (eu sei que estou muito irascível hoje, mas prometo que vou melhorar mais pra baixo). Aquela coisa de produção em série de desenhos animados da Hanna-Barbera, com cenários que andam em loopings e personagens desnecessariamente usando gravatas, encharpes e golas altas para esconder a diferença da célula da cabeça para o resto do corpo me dava um nojo de quem já sabia ter ali, naqueles paupérrimos desenhos, o esgotamento de qualquer maravilha que o subgênero já prometeu proporcionar. O Zé Colmeia em questão é um hambúrguer de carne de costela, bacon, queijo, cebola caramelizada e molho barbecue, acompanhado de batatas rústicas. Muito tempo depois, eis o que me chega:

Clube do Malte

A partir deste momento, minha raiva inerente contra o Clube do Malte começa a ir embora. Como não ceder a uma apresentação impecável dessas? Sinto pena dos que confundem simplicidade com frugalidade, porque isso aqui tem, como diria Freud, tudo o que o corpo precisa. Um bom pão de hambúrguer abrigando uma carne grossa e de respeito, queijo derretidíssimo cobrindo a joia interior, um potinho de barbecue para que você customize como achar melhor e uma batata cortada, cozida e frita com casca e tudo. Uma delícia que nem precisa de sal.

E aí percebemos que a carne de costela não está, afinal, tão longe de um hambúrguer bem feito, por guardar em si dois dos principais ingredientes básicos de uma boa carne de sanduíche: sal e gordura. Sob as condições certas e os temperos certos, o resultado é este: uma carne rosada e suculenta que não toma para si toda a responsabilidade pelo sabor do todo, mas se sabe protagonista de uma disputa gustativa em que carboidrato e laticínio nenhum jamais poderia vencer.

Mas o pão não fica atrás. A farinha que salpica a crosta lembrou-me dos pães que comi em Portugal – aquele povo sabe mesmo fazer pão – e, ainda que seja crocante, não é duro nem espeta o céu da boca. O miolo serve para absorver a gordura excedente do queijo e o sangue da carne, tomando para si os sabores numa antropofagia de dar inveja a Oswald de Andrade. Sem desprender nacos que culminassem numa desproporção entre as mordidas, o pão manteve sua integridade e não nos deixou a ver navios de mãos sujas.

O queijo, por sua vez, faz bem o papel de envelope da carne, cobrindo toda a superfície de cima e parte dos lados. Adiciona sal, sim, mas adiciona consistência e elasticidade ao bolo, sem, contudo, torná-lo borrachudo. É uma mussarela simples, poderiam ter escolhido algo mais estranho pra combinar com as estranhezas do cardápio, mas resignei-me certo de que em tempos estranhos, qualquer traço de familiaridade é uma tábua de salvação referencial.

Por fim, a cebola insossa só tomava forma e proporção se misturada ao barbecue, que poderia ser igualmente usado na batata rústica. O barbecue em questão age como coringa: ora apimentando os tubérculos coadjuvantes, ora salgando o bulbo picado que adiciona textura e resiliência à mastigação. Poderia vir no sanduíche, mas já que veio no potinho, cabe ao bom comedor juntar dois mais dois e formar um vibrante quatro.

Ah, claro, o bacon, já ia me esquecendo. Bom, bacon é bacon, até quando é ruim é relativamente bom, e o desse sanduíche estava muito bom.

O Clube do Malte, com este Zé Colmeia, se redime de todos os pecados e entra na fina elite das hamburguerias top da cidade.

Ficha técnica:

Zé Colmeia

Ingredientes: “Hamburguer de ponta de costela bovina, bacon defumado e temperos frescos. Servido com cebolas caramelizadas, molho barbecue e mussarela. Acompanha batatas rústicas do Clube do Malte.

Preço: R$18,90 (preço único para qualquer hambúrguer, isso é legal)+ coca-cola lata ficou R$23,98.

Ponto alto: A carne, quantidade de queijo, o pão perfeito e.. eu mencionei que ele é monstruoso de grande?

Ponto baixo: Coisas triviais como a péssima escolha do nome e o acento agudo em ditongo crescente. Não adianta nada entender de cerveja e não saber escrever português, afinal. Mentira, adianta sim.

Avaliação: A

O Clube do Malte fica na Rua Desembargador Motta,2200, próximo da Vicente Machado. (41) 3014-3414.

 
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Publicado por em 11/29/2012 em Uncategorized

 

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Rock’a Burger – BBQ Burger

A pergunta é óbvia, mas a resposta não é: já parou para pensar porque as pessoas saem de casa e procuram um estabelecimento que se auto promove sob a categoria “comida caseira”? Por mais paradoxal que isso possa soar, faz completo sentido nesse mundo maluco pós-moderno em que a grande indústria faz questão de padronizar tudo para paladares que, do Oyapock ao Arroio Chuí, têm seus caprichos, predileções e individualidade, se acostumem com a mesma massa amorfa de comida acinzentada, eximida de cromatismo e textura, de carinho e de amor, de toque humano e ternura. E — agora vem o paradoxo de verdade — a busca por “comida caseira” padronizou o próprio conceito de comida caseira, embora eu possa garantir que sua mamãe não faz o t-bone que meu pai faz. E a comida caseira não é, a rigor, requintada, o que faz com que a busca pela comida caseira seja também a busca pela ternura, pela comida fresca feita não do jeito acadêmico, da haute-cuisine, mas a comida que é reinventada no dia a dia, às vezes com falhas, às vezes com desleixo, mas sempre com autenticidade.

Da mesma forma, trazendo a questão para o nosso micro universo, porque saímos de casa para procurar um bom hambúrguer artesanal, quando brotam McDonalds por aí e uma caixa com doze discos de carne custa míseros quatro reais? Bom, poucas comidas carecem mais de ternura e excelência caseira do que o hambúrguer, e o hambúrguer do Rock’a Burger é um desses que te fazem lembrar porque, afinal, deixar o conforto do lar.

O estabelecimento é relativamente novo, abriu ao lado do Blues Velvet, a poucos metros do Brooklyn Coffee Shop, do Dom Corleone e do Madero do Largo da Ordem, então o sujeito tem que ter cacife pra entrar nessa briga de cachorro grande. Pequeno, sim: oito mesas e um balcão para ficar de pé na calçada tomando chope e dividindo seus cigarros e bebidas com crackheads habituées do quarteirão. Na parede e no cardápio, pin-ups gordinhas e filmes thrash de outras décadas, como O Dia em Que a Terra Parou e O Ataque da Mulher de Quinze Metros, além de um filminho preto-e-branco rolando na TV: na ocasião, o clássico do Mankiewicz, A Malvada. Como o espaço e a decoração, o cardápio também é diminuto no quesito hambúrgueres. Meia dúzia de opções e lamba os beiços, e ainda a opção de pedir qualquer um sem pão. Eu sei, também não entendi, mas tem até gente que curte finalizar fliperama de dança, por que não haveria gente disposta a comer hamburguer sem pão?

Enfim, vamos ao petardo de hoje. Tadá, eis o BBQ Burger.

Amigo, dá uma olhada nessa carne! Dá uma olhada nessa língua de bacon, dá uma olhada nesse pão que parece a cabeça de um goomba do Mario Bros. Isso é genuíno.

Bom, antes de mais nada, preciso ser honesto e dizer que quando essa foto foi tirada eu já tinha comido metade das batatinhas, a porção é um pouco mais servida do que isso, mas não muito.

BBQ, para quem não é versado na língua saxônica, é a abreviação de aeroporto (daquelas que não é bem uma abreviação, mas uma sigla aleatória e mnemônica) de Barbecue, que é o que o equivalente americano de churrasco. Por churrasco, eles querem dizer hambúrguer e salsicha na grelha. Triste ver que na maior potência do mundo o ritual culinário carnívoro que aqui demonstra poder e ascensão social  não é mais que uma esquete do patético modo de vida americano, em que você gasta todo seu dinheiro com carro e come carne de segunda aos fins de semana. E, vejam só vocês, na busca por esse gosto nostálgico do “churrasco” de fim de semana, a indústria alimentícia ianque padronizou uma invenção muito provavelmente mourisca batizada de molho barbecue, que basicamente é ketchup com gosto de fumaça. E é não só em referência à carne de churrasco americana mas também ao dito molho que o chef do Rock’a Burger batizou sua obra. O sanduíche é composto de hamburguer, mussarella, bacon, cebola grelhada e molho barbecue.

Comer um BBQ Burger é como apreciar o quadro Noite Estrelada Sobre o Ródano, do Van Gogh: é uma obra que, a princípio, causa assombro pela densidade, mas aí se percebe que naqueles traços bruscos e retos há fluidez, ritmo, sensibilidade e o que era denso e aparentemente impenetrável se torna parte de você e lhe permite viajar por dentro da obra enquanto a obra viaja por dentro de si. Para ninguém ver que eu estou mentindo, aqui está:

Noite estrelada sobre o ródano

O hambúrguer se ganha, antes de mais nada, no pão. Um pão bem macio e fresco pode dar um up no sanduíche, ao passo que um pão seco e esfarelento pode ruir até mesmo uma carne boa. E esse pão é macio e fresco, então começamos bem.

Essa montanha de carne que você pensa que só subtrairá alguns preciosos milímetros do ducto coronário se mostra um maná, repleto de água, sucos vitais de algum bovino que não morreu em vão e carinho de um cozinheiro paciente que não fica espremendo o bolo contra a grelha. A carne usada tem um teor de gordura que eu chutaria girar em torno de uns 15%, o que é uma porcentagem ótima pra fazer hambúrguer: nem muito magro, nem só gordura. A gordura é essencial para reter o líquido e o sabor depois que perde tamanho e água no fogo quente.

A cebola grelhada ao molho barbecue é outra sacada da composição. Já está provado que o brasileiro tem predileção por cebola picada e grelhada em molho agridoce, como a cebola ao shoyu do Cheddar McMelt — uma invenção brasileira, se vocês não sabem. Fica ao fundo, sustentando o sabor da carne, prolongando-o nas pontas, no começo e no final, e colocando mais textura e luz, como o Ródano no Van Gogh.

Agora, o bacon é uma grata surpresa. Confesso que não fiquei muito animado com o aspecto mal passado dele, mas estava no ponto: nem borrachudo nem esturricado. crocante apenas por fora. Foi o bastante para me tontear na rua a caminho de casa. Não coma se tem problemas cardíacos.

Duas pequenas críticas se fazem necessárias, e são visíveis: a primeira, obviamente é o queijo, uma camada fina e transparente que mais parece um pedaço de plástico derretido. Generosidade não parece ser uma virtude ausente no Rock’a Burger a julgar por todo o resto, então há de se investigar o porquê de tão pouco queijo? Será para não deixar over, enjoativo? Vai saber. A outra são as batatinhas muchibas, do tipo restaurante self-service, que se quebram e se auto-detonam ao toque mais brusco. Não que sejam horríveis nem nada, mas sempre fico esperando uma batatinha como a do Mustang Sally. De qualquer jeito, um problema menor, já que estamos ali pelo hambúrguer, e saí do Rock’a Burger mais disposto a dar chance para os novatos e mais satisfeito por ter saído de casa em busca de um bom hambúrguer. Ponto pra casa.

Ficha técnica:

BBQ Burger

Ingredientes: Hambúrguer de picanha (150g), queijo mussarella, bacon crocante, cebola grelhada e molho barbecue. Com batatas fritas

Preço: R$13. Uma pechincha, na minha opinião.

Ponto alto: Preço bom, sanduíche grande, bacon na medida certa e pão macio.

Ponto baixo: Batatas murchas e pouco queijo.

Avaliação: A (apesar dos pontos baixos, ainda é um excelente sanduíche).

O Rock’a Burger fica na Rua Trajano Reis, 310, no São Francisco, e funciona de terça e quarta, das 18h à meia-noite, quinta à sábado, das 18h à 1h30, e domingo das 17h às 23h. (41) 3095-5854.

 
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Publicado por em 03/25/2012 em Uncategorized

 

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JPL Burgers – Super Series

A bola (de carne) da vez é o hambúrguer do JPL, aquele bar pequeno na esquina da Presidente Taunay com a Vicente Machado.  Aquela região (de)bacana da cidade com diversos bares, baladas e afins, para os diferentes bolsos, gostos e preferências sexuais.
O lugar já é bem conhecido pelo povo jovem/moderno e classe média da cidade. Mas era minha primeira vez no recinto, ainda estava claro, horário de verão, duas garotas tomavam seus bons (e bonitos) drinks na mesa do lado de fora enquanto pedíamos o motivo de nossa visita, a minha cota de de prazer (ou de porcaria, como diz minha mãe) semanal.
Sou daqueles criados com restrições alimentares e orçamentárias. Já que não era (e não é) todo dia, fazer um lanche ou comer fora era (é) sempre o momento de satisfação.

A pedida foi o “Super Series” e uma coca-cola com muito gelo, gelo proporcional ao calor que fazia.

No Cardápio:

200g de hambúrguer suculento – confere!  😉

Fatias de tomate – confere!

Queijo Mussarella – confere

Alface – confere!

Maionese com gergelim torrado – confere!

Batatas fritas crocantes – confere!

Agilidade na cozinha (era cedo, poucas pessoas no recinto, acho que facilitou), foi só o tempo de ir lavar as mãos, trocar uma ideia, fazer um checkin no foursquare, e lá estava o sandwich!



A primeira impressão é boa, com direito a uma firula decoração com molho barbecue junto das batatas fritas, e um potinho de molho barbecue extra, a foto não faz jus, a fome era maior que a vontade de fazer uma foto boa.

Dispensado o molho barbecue,  atacamos de garfo e faca por preguiça de sujar a cara toda de maionese. Aliás, tai um condimento diferenciado, temperado com gergelim torrado, não tem gosto forte de gergelim, (se ficasse eu saberia, não curto muito gergelim) e fica diferente da Hellmann’s que você come em casa.

Quase faço a mise en place do prato, separando por partes (embora eu seja um tiozão não vou fazer a piadinha do Jack,o estripador, de ir por partes).

O pão é aquele bem tradicional que se encontra em quase toda lanchonete, daqueles que devem vir em sacos grandes com quatro colunas e cinco fileiras, grudados uns nos outros.
Começando pela salada, aprendi quando era pequeno que tinha que comer a salada para ganhar a sobremesa, é aquilo né, você come porque faz bem e não porque é gostoso, então da-lhe pegar um pedaço de tomate e uma folha de alface com umas batatas para parecer palatavelmente mais agradável.

E aí já está o ponto negativo, muito alface, parecia não acabar mais. Se bem que são 200g de carne, a quantidade descomunal de alface poderia ajudar na digestão… Aham, sei!  Alface é malandragem para o sanduba ficar volumoso, parecer grande, alto, bonito, forte e sensual.  No me gusta!

Agora sim a “sobremesa”. 200g do pecado da carne temperada, moída e compactada em forma de disco de hockey. Suculento, molhadinho, carnoso, rosadinho por dentro, e no ponto conforme o pedido. Coberto por queijo e sem presunto, coberto mesmo, o queijo estava abraçando a carne como um polvo abraça um caranguejo na hora do almoço, uma quantidade de queijo boa, mas poderia ter mais (sempre poderia ter mais!).

Finalizo o hambúrguer, queijo e pão com um mata leão, parto para as últimas fritas que não são em vão. Satisfeito, pago no cartão, nóis não é patrão. Chego em casa e não preciso comer mais nada, só no outro dia, na próxima hamburgueria, na nossa próxima parada, que não sei qual vai ser, mas no Good Buguer você vai ver os melhores lugares dessa cidade para comer!
Sacaram as rimas? To na vibe das batalhas de improviso do rap, te cuida Emicida!

Resumindo, o JPL leva um joinha de Like, ganha do Brooklin e emplaca o segundo post do blog com um B +.

Alguns detalhes foram suprimidos porque já tem alguns dias que fomos lá, e tenho memória curta. Sorry buddy, see ya!

Ficha técnica:

JPL Burgers

Ingredientes: hambúrguer (200g), fatias de tomate, queijo mussarella, alface, maionese com gergelim torrado e batatas fritas.

Preço: R$18,90 (poderia ser uns 17,00 mas vale.)

Ponto alto: hambúrguer gordo(não de gordura), bom tempero, no ponto.

Ponto baixo: Os nutricionistas discordariam, mas o alface, um pouco mais do que o necessário para se enganar achando que está comendo algo não tão maléfico à saúde.

Avaliação: B +

O JPL Burgers fica na Av. Vicente Machado, 833, no Batel. Curitiba – PR. (41) 3024-2910

 
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Publicado por em 02/14/2012 em Uncategorized

 

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