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Bravus Burger e Grill – Caesar Burger

Bravus

Mimetismo. O conceito, aqui emprestado da biologia, serve a animais que, por causa de sua aparência, conseguem se camuflar em certos ambientes ou passar por outros seres vivos, imitando assim uma outra forma de vida. O Caesar Burger, do Bravus Burger e Grill, simpático e pequeno estabelecimento no coração do batel, que, como qualquer outro, se vale dos clichês da arte pop cinquentista para sua modesta decoração, talvez seja o primeiro caso de mimetismo gastronômico da história deste blog.

Veja, não é que o hambúrguer em si esteja mimetizando outra comida, mas o lanche é batizado a partir da clássica fórmula de salada verde com carne (geralmente frango), queijo e molho característico a base de mostarda, parmesão e suco de limão. Então, de certa maneira, a intenção do chef foi fazer um hambúrguer com gosto de salada. E deixo para vocês adivinharem as razões para tão tresloucada e despropositada invenção. Uma salada com gosto de hambúrguer sim, seria a invenção do século, mas o contrário? Por quê? Pra quê? A quem interessa um hambúrguer com gosto de salada?

Enquanto vocês pensam nessas questões, aqui vai uma foto da criança.

Bravus Burger e Grill

A receita para esse hambúrguer é: Pão, hambúrguer, alface americana, molho caesar, parmesão e cheddar. Nem preciso dizer que debaixo do queijo cheddar — essa fatia de queijo processado, que, para ser bem sincero, não tem muito gosto de cheddar —, o parmesão desaparece por completo, misturado no molho e em meio a todo o sal da coisa.

O pão é bem macio e cheio de gergelim, e é levemente tostado, o que dá aquele balanço entre uma crosta crocante e um interior tenro, então é um ponto alto e relativamente falando, é meio caminho andado para um bom sanduíche. Pena que é só meio caminho andado, porque a outra metade do caminho ficou mesmo pela metade. A carne do hambúrguer é o maior mistério pra mim: ela é extremamente bem executada, mas muito mal temperada. O resultado é curioso: um puta hambúrguer suculento com gosto de absolutamente nada. Bom, ele passou um pouco do ponto também, isso deve ter ajudado. Inteiro da mesma cor, parece uma carne do Madero, mas só parece.

Agora vamos dar uma atenção especial à salada. Sim, porque a salada deve ser o principal nesse sanduíche, então dai a Caesar Burger o que é de Caesar Burger. Devo repetir aqui minha opinião de que o Caesar Burger é uma invenção muito pouco saliente para se constar num cardápio de hambúrgueres Premium, mas já que está aqui e que a ideia é fazer um hambúrguer com gosto de salada, acrescento que é bem impressionante o fato da ausência de um tomate deixar o lanche com um vazio de texturas até então impensável para mim. Mas é verdade. A falta de um tomate no alface ajudou a eximir o hambúrguer de sabores, quem diria. A alface é boa, como a próxima alface do próximo hambúrguer que eu vou comer, mas sério, quem se importa? É como se eu fizesse um sanduíche chamado Gergelim Burger, em que eu cobrisse o hambúrguer e o pão de gergelim e fizesse você prestar atenção numa parada que sempre esteve lá.

Mas Nego Dito, vocês diriam, o Caesar do nome se refere ao molho Caesar. Eu sei, amiguinho, e é disso que eu vou falar. Como posso colocar isso? Um molho para salada no hambúrguer simplesmente não combina. Caso encerrado.

Ah sim, por último, uma leve ilusão. O Caesar Burger é o único da página do cardápio ilustrado, e na foto podemos vê-lo rodeado por lindas batatinhas fritas. O problema é que essas batatas não vêm no sanduíche, e você precisa pagar mais 5 reais para ter um adicional, segundo a pequena lista de adicionais da carta. Aliás, essa lista é de uma incoerência matemática que eu imagino que se tem alguém com tutano que frequenta esse lugar, deve aproveitar bastante. Pegue, por exemplo, um cheese burger básico, que custa R$8,50. Pão, queijo e mussarela. Agora pegue um adicional de ovo (R$1) e um adicional de bacon (R$2). Total: R$11,50. Um real mais barato que o Egg Bacon Burger do cardápio, que vem com tudo isso e mais presunto – um ingrediente desprezível por qualquer um que goste de hambúrguer bem feito, mas altamente apreciável no x-burger de R$3 que você compra na padaria da sua casa com uma carninha mirrada. Que tal transformá-lo então em um Especial Cheese Burger, esse que o Murilo resenhou na semana passada? Basta um adicional de cheddar (R$2) e um de provolone (R$2) e voilà! A mesmíssima receita do cardápio acaba de ficar um real mais barata! Ao mesmo tempo, o Egg Burger custa a mesma coisa do Egg Bacon Burger, que tem um ingrediente a mais, e por aí vai. Olha, parabéns pra quem fez esse cardápio por dar ao homem comum, urbanoide proletário abatido, a oportunidade de se sentir um pouco malandro em ludibriar o estabelecimento com esses preços manipuláveis. É uma boa ação que o Bravus Burger e Grill faz por você.

Ficha técnica:

Caesar Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger, alface americana, molho caesar, queijo parmesão e cheddar”.

Preço: R$15,50 + R$3,50 coca-cola em lata. Total: 20,90 (10% incluso).

Ponto alto:  Pão bom e carne bem executada.

Ponto baixo: Carne mal temperada, receita incipiente, preço e o fato de não vir com batatas.

Avaliação: D-

O Bravus Burger Grill que fomos fica na Av. Batel, 1.700, na frente de um tal Boteco Santi. Seg. – Sáb. 11:00 – 00:00 e Domingo das 17:00 – 00:00. Tem delivery, (41) 3010-2525.

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Publicado por em 08/16/2013 em Uncategorized

 

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Mister Dog – Big Bagunça

Hohohohohoho, agora sim! Big Bagunça. Não é preciso explicar nada de um sanduíche batizado com essa alcunha vinda do caos, da desordem, da mistura inusitada, da surpresa em forma de sal — mas claro, vamos explicar, afinal, é para isso que estamos aqui.

O Big Bagunça é assim, esse titã de Rabelais, porque é uma criação do Mister Dog, simpática lanchonete de mesas de plástico situada nas divisas entre o Água Verde e o Portão. Como o nome diz — ah, a simplicidade dos nomes objetivos! Hoje são eles quem escrevem o texto —, o Mister Dog é um lugar especializado em hot-dogs, ou cachorros-quentes, por definição o antípoda do hambúrguer no beligerante território dos sanduíches de fast-food. Claro, para quem não sabe, na derivação da salsicha processada (outra invenção alemã, temo eu), disfarça-se a falta de frescor de uma carne embutida mega condimentada com o quê? O quê? Mais condimentos. Todos, se for possível, quanto mais, melhor. Vem daí a lógica das barraquinhas de cachorro quente, que tabelam seus preços baseado apenas na quantidade de salsicha ou no tipo de queijo (queijo?) que acompanha, sendo todo o resto opcional. E estamos falando aí de molho de tomate, milho, ervilha, queijo ralado, maionese, ketchup, mostarda, frango desfiado… já vi colocarem até coração de galinha (!).

Resta então, ao estabelecimento acostumado a mexer com essas carnes de décima categoria, a boa e velha carne de várzea, o refugo, aquela cujo processo de fabricação desmotivaria seus consumidores se estes o conhecessem, como dizia Churchill, resta a esses antros, enfim, transferir a lógica do know-how obtido em anos de camuflagem do sabor ao hambúrguer, sanduíche em que, diferentemente do hot-dog, o sabor em si não é um problema técnico a ser resolvido, mas um ideal a ser alcançado. Nessa brincadeira inventaram o Big Bagunça, nada mais, nada menos que o sanduíche mais caro do estabelecimento que, para ser totalmente justo, não é exigente com seus preços. Diz o cardápio feito de papelão molhado pelas tulipas de cerveja, pela chuva que passa o toldo de plástico, pelas intempéries dessa vida boêmia de tempestades e bonanças: Big pão, hambúrguer 200g, queijo, ovo, calabresa, bacon, frango desfiado, milho, maionese e ketchup. Tudo isso, meus senhores, tudo isso, é fácil de perceber, configura um hambúrguer com alma de cachorro-quente. Como Tarzan, que cresce em meio aos gorilas selvagens alheio à sua verdadeira essência humana, o Big Bagunça é um homo-sapiens entre primatas do velho mundo.

Mister Dog

Numa primeira olhada, fica fácil ver, de cara, que o hambúrguer não tem, como diz seu anúncio, 200g. Eu já vi hambúrgueres de 200g antes e nenhum se parecia com esse disco achatado e esturricado que encontra a camuflagem perfeita entre outras carnes. Por outro lado, com essa quantidade de coisa dentro do sanduíche, quem é que iria conseguir parar para pesá-la? Eu sei, eu sei, não dá para ver a carne nessa foto, mas temos que apresentar o hambúrguer aqui como ele é apresentado para nós, sem frescura, sem favorecer nada, sem fingimento. O que é bom e ruim ao mesmo tempo, já que sabemos que a foto é apenas uma fração da realidade, e que o sabor da coisa não dá para ser transmitido com propriedade em todas as fotos. Sei que esse Big Bagunça, por exemplo, do jeito que tá, parece que foi feito de detritos encontrados no lixão e jogados numa fritadeira com oléo guardado de duas semanas, e com isso não estou dizendo que essa é uma possibilidade descartável. Uma coisa é certa: algumas coisas foram tostadas, outras, nem tanto. Mas vamos por partes.

Aliás, por partes não, porque não sou profissional para conseguir, em uma mordida no Big Bagunça, distinguir o frango da calabresa do bacon, da carne, de tudo. É tudo uniforme, homogêneo, e o sabor que prevalece aqui é, obviamente, a da calabresa. Ora, embutidos, embutidos, por onde se embutirão? Em cima do Big Bagunça, ora essa. A casa não poderia deixar de colocar uma linguiça nesse hambúrguer, é como o conto do sapo e do escorpião, está nos seus genes f*** com o sistema, para usar aqui um bordão do esquecido Capitão Nascimento. O resultado é uma sobreposição de sabores cobertos por uma calabresa dominante, um embutido macho-alfa nessa terra de carnes fritas. Por baixo vem o bacon, depois o frango, o queijo, o milho e lá embaixo, nas profundezas das fossas Marianas, a carne, seca, salgada e sem graça.

O pão é uma grata surpresa. O bom e velho pão industrializado, vendido em sacos plásticos com 50 deles colados uns nos outros pelas laterais, pode manter um frescor se armazenado corretamente, o que parece que aconteceu. E isso é ótimo, na verdade, porque indica uma boa vontade higiênica que poucos podrões têm hoje em dia. Se o pão viesse meio estragado, ia saber que ele ficou guardado embaixo da pia, junto com aquele fungo nojento que cresce atrás do encanamento e se expande como uma esponja que não sabe a hora de parar, ou sabe lá Deus onde mais! Não não, o pão é uma boa primeira impressão. Pelo menos a essa aula ninguém faltou no curso do Centro Europeu!

O resto do sanduíche é uma fanfarronice que só, mas ainda assim, não podemos tirar o mérito de quem tem senso de humor. Uma receita que nasceu da falta de criatividade, um nome que nasceu da interjeição surpresa do chef, isso não pode ser desprezado por quem é jovem, gosta de comida salgada e de bons desafios para o jejuno-íleo. O Big Bagunça é isso, afinal. É a juventude de quem pode pensar amanhã nos problemas coronários, na baixa taxa de colesterol HDL, na dieta do verão, nos problemas da vida adulta pós-moderna. Como não amar, como não respeitar, como resistir ao impulso de se jogar tão perigosamente assim dentro do campo de visão da morte apenas para retornar à zona de conforto logo depois com a pança cheia? Ficamos por aqui com a certeza de que, na falta de aventuras e na falta de frescuras, Big Bagunça to the rescue!

Ficha técnica:

Big Bagunça

Ingredientes: Big pão, hambúrguer 200g, queijo, ovo, calabresa, bacon, frango desfiado, milho, maionese e ketchup”.

Preço: R$14,90 mais uma coca-cola lata e 50% de uma porção de batatas fritas, ficou R$21,40.

Ponto alto: O tamanho, o preço, a aventura e a ousadia.

Ponto baixo: Carne seca, justaposição de sabores, caos (no mau sentido).

Avaliação: C-

O Mister Dog fica na Avenida dos Estados, 1250, esquina com a Rua Morretes, no Água Verde. (41) 3408-0884.

 
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Publicado por em 10/18/2012 em Uncategorized

 

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