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JPL – Roadmaster

JPL

O ano se encerra e o novo se abre com a mesma perspectiva: atar as duas pontas da vida, como escrevia Dom Casmurro quando botou na balança suas dores de pseudo-corno. Finalizando nossos compromissos com duas hamburguerias que ficaram pela metade, o Brooklyn Coffee Shop e o JPL, igualamos a atenção que damos a todas elas: one life, one chance, no melhor estilo H20, e é melhor que ninguém cague no pau porque perdoar é coisa de cristão e ninguém aqui anda de escapulário. Sendo assim, voltamos ao Jean Pierre Lobo Burgers, ou JPL, na abreviação que esconde a identidade do renomado chef sob uma modesta e enigmática sigla.

O lugar é aquela coisa: típica birosquinha chiquérrima do Batel. Lugar pequeno, frequentemente flanqueado por motocas Harley Davidson, a liberdade em forma de pistões, rodas e motor em V que hoje está mais nas mãos de playboys bandidinhos do que idealistas bandidões. Não espere portanto, uma alcateia de motociclistas, quando muito um rendez-vous de pleissitude máxima, patricinhas e seus iPhones, mauricinho com camisa listrada com brasões e números, enfim, aquela coisa. Ainda assim, o atendimento é bom e não roubam na conta, então já tá valendo.

Pela parede junto ao caixa, um hall da fama com os diversos prêmios que o estabelecimento ganha todo ano. Veja Comer & Beber e Bom Gourmet da Gazeta do Povo. A minha escolha da vez, o Roadmaster, está lá em alguma dessas tabuletas, não me recordo do ano. E o que é o Roadmaster, esse sanduíche premiado? Nada mais que o famoso hambúrguer de Cheddar, com todos os clichês da fórmula: queijo processado TIPO cheddar, não o verdadeiro irlandês de 60 reais o quilo, cebola caramelizada no barbecue (shoyu também é aceitável), pão fofinho e carne suculenta. Há aí ainda a adição de um queijo mussarela e do potinho extra de barbecue porque os hamburgueiros da newschool americana aprenderam que molho barbecue nunca é demais num hambúruger. O resultado é isso aqui:

Roadmaster

Mas, afinal, porque o Roadmaster ganha o prêmio Bom Gourmet e o Cheddar McMelt, que ainda tem a ousadia de colocar um hambúrguer num pão preto, não? Algumas razões, filhão. Existem muitos diferenciais no Roadmaster, mas o mais óbvio e o primeiro a se perceber é o pão. Até porque é difícil achar um pão de hambúrguer que se destaque do resto, a maioria quando quer caprichar na casca substitui pelo arcaico pão d’água. Mas o pão de hambúrguer do JPL é tão macio que chega a ser imediatamente digerido pela amilase da saliva, quase não restando consistência que o faça lembrar que por ali, há pouco tempo, passou um pão. Nem o gergelim sobra direito para contar história, é como aquela mistureba ácida que preparam no final do Retrato de Dorian Gray, algo intenso, cheiroso e inesquecível. Tipo meu pau.

Agora, a carne não fica atrás. Feita no fogo alto, mas temperada secretamente, de maneira que nem seus chapeiros tem noção da fórmula, o disco de hambúrguer vem embalado e congelado pronto para fritar, e fica ali no segundo andar para quem quiser ver como o lance é feito. A carne não perde água e ainda assim, não esparrama seus sucos vitais pelo prato mais do que o barbecue da cebola, embora não deixe de tingir um pouco as duas faces do pão. A crosta não fica crocante de queimado, e ainda assim, ele não desmonta. É algo realmente impressionante de se conseguir em uma carne, acredite em mim porque de vez em quando eu me aventuro no meu George Foreman.

A cebola serve, como sempre, para pouca coisa. No caso aqui, dar alguma consistência a uma pasta em formato de hambúrguer, pão e queijos. A crocância de suas folhas dá um sentido de unitarismo ao bolo alimentar, e delimita sua forma e avisa nossos molares sobre seu real volume. Mas é verdura e verdura aqui não tem vez.

E por fim, há o queijo. Ou melhor, os queijos. Cheddar combina com cebola, pão e carne, mas ainda que esse cheddar fosse de verdade ao invés do queijo processado, e falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens, sem essa mussarela quase fritinha ele nada seria. Ora, o que a mussarela tem que o cheddar não tem? Em primeiro lugar, sabor; em segundo lugar, elasticidade; em terceiro lugar, experiência no tatame para saber que o lugar de um queijo é colado na carne, coisa que uma pastinha de cheddar nunca vai fazer. Não há cheddar brasileiro que resista num pão à passada de um dedo. Cai tudo no prato, mas graças à mussarela velha de guerra, há justaposição de queijos e carne numa dança cigana, linda e sensual, uma forésia entre uma anêmona e um paguro, um número de trapézio em que o cheddar quer o ar, mas a mussarela o puxa para solo firme.

Não podemos nos esquecer da batata. Mas é que depois de falar tudo isso, não importa muito o que eu falar da batata, né? Mesmo assim, ela é muito boa. Contentem-se com isso porque aqui não é good batata, aqui é GOOD BURGER MANEEEEEHHHH!!!

Ficha técnica:

Roadmaster

Ingredientes: “200g. do nosso suculento hambúrguer grelhado, queijo mussarella (com dois Ls porque nego é chique), cebola ao molho barbecue, cheddar e batatas fritas crocantes (é bom mesmo que seja crocante, a única razão pela qual a gente frita alguma coisa é pra ficar crocante!)

Preço: R$ 20,90 (O pessoal fica dando prêmio e a galera joga o preço lá em cima).

Ponto alto: hambúrguer metafísico, pão que dissolve na amilase, mussarela simbiótica e barbecue pra caralho.

Ponto baixo: Preço alto.

Avaliação: A

O JPL Burgers fica na Av. Vicente Machado, 833, no Batel. Curitiba – PR. (41) 3024-2910

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Publicado por em 01/10/2013 em Uncategorized

 

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Motodax – Motor Salad Burger

Imagina que você tem uma motoca e precisa dar aquela lavada, tocar o óleo, fazer a manutenção …
Que mané moto, mano, essa bagaça não é um blog de hambúrgueres?

Calma pequeno gafanhoto, coloca/clica aí ->   para criar o clima da parada.
Esse foi o som que estava tocando quando chegamos e o som com o qual estou escrevendo isso aqui.

É o seguinte, o escolhido da vez é o do Motodax. O lugar é uma oficina e “lava car” de motos, e além disso, tem um bar e  tem hambúrgueres!
Lugar de reunião de motociclistas. Veja bem, motociclistas, aqueles caras com motos caras, grandes e bonitas, não motoqueiros, motoqueiros são vida loka de CG, mas acho que esses não vão lá.
Na rua, estacionadas na frente do lugar, parecia uma exposição de motos, devia ter umas 30 customs, essas tipo Harley Davidson e uma ou outra speed, que é moto de jovem playboy que gosta de aparecer.

E você se pergunta: O que esse piá que malemal sabe andar de bicicleta, e não tem nem grana para uma Honda Biz, foi fazer lá?
Comer, ué!  E se for pensar que quase todo motociclista é pançudo, isso quer dizer que os caras entendem de comer porcaria, assim como nós, e gostam de rock, assim como nós, e tem barba, assim como nós, e tem motos caras, e bebem cerveja… é, acabaram as semelhanças.

Mas para você que como a gente não tem uma motoca, vamos fazer um moto-clube, só para termos um coletinho preto de couro com um patch nas costas (coisa que particularmente acho meio brega, e por falar isso provavelmente eu vá apanhar em algum bar de beira de estrada) e frequentarmos o lugar. O nosso clube vai ter um legítimo nome paranaense, sugerido pelo Yuri, vamos ser os “Pinhões do Asfalto”.   LOL

Chega de palhaçada, vamos falar da comida!

Motor Salad Burger, porque sou motociclista barbudo e malvadão no Road Rash, mas não sou pançudo ainda, então tem que ter uma saladinha.

Começando pelo pão, do dia, muito parecido com o que usam no Barba, deve vir do mesmo lugar, um pouco escuro em cima, devem passar ovo e colocar para assar com um monte de gergelim colado, colado mesmo, não é dos que ficam caindo gergelim aos milhares por toda parte.

O hambúrguer é da mesma (boa) escola do Rock’a Burger, olha o tamanho dessa carne em relação ao resto, ela só perde em tamanho para o alface, e isso é muito legal, é aquele história de comer com os olhos, bando de olho gordo rá-rá-rá!
E é aí que entra o ponto alto e baixo de toda história, o nosso querido hambúrguer. Estava suculento a ponto de escorrer pela mão e isso é uma coisa muito bem vinda.
É grande (180g segundo o cardápio, mas de olhar eu achei que tinha umas 200g), bonito e vistoso, com um gostoso bom de “assado” na crostinha de fora, mas estava um tanto cru no núcleo nervoso central, não era mal passado, era cru mesmo, tipo carne de onça, mais um pouquinho na chapa e teria ficado excelente e eu até subiria a nota. Mas aqui no blog e na vida é assim, One life, one chance, gotta do it right!

O queijo não foi derretido direto em cima do hambúrguer, aí rola aquele lance do queijo embolar tudo na hora de tirar da chapa e passar pra cima da carne, aí ficou uma bola de queijo derretido no meio do hambúrguer, mas isso não é problema, ficou bem boa essa concentração de queijo, nas mordidas que vinham queijo.

E a salad, uns baita pedaços de alface fresca e crocante que deixaria minha mãe orgulhosa se me visse colocando aquilo num prato de comida, e umas duas rodelas de tomate um pouco verde, mas é salada né, tem que comer porque faz bem não porque é gostoso.

Últimas considerações antes de pegar a estrada.
O lugar é bem legal, o hambúrguer é dos melhores e nas quartas-feiras os sandubas ficam pela metade do preço, isso é muito convidativo à gula.
E uma coisa nada a ver mas que é legal, é que desde a hora que chegamos até irmos embora os caras lavaram umas três ou quatro motos.

Ficha técnica:

Motor Salad Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger motorcaffe de 180g, maionese, queijo, alface, tomate, molho esp” Mas o cara disse que não vinha com o molho mais.

Preço: R$14,00(quarta-feira paga 50% nos hambúrgueres) mais uma coca-cola lata de R$3,50. Total R$10,50.

Ponto alto: O tamanho, o preço, o lugar legal, bom atendimento.

Ponto baixo: A carne crua e não acompanhar batata.

Avaliação: B

O Motodax fica na Rua Conselheiro Laurindo,2935, no Prado velho, mais ou menos perto do Teatro Paiol. (41) 3333-3077.

 
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Publicado por em 10/25/2012 em Uncategorized

 

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Mustang Sally – Gorgonzola Burger

Ah, o Batel. Gente bonita e cheirosa, mendigos educados, carros importados e preconceito e hipocrisia no ar capazes de deixar a atmosfera grossa como gelatina. É no coração desse glorioso bairro da elite curitibana, construído na base de muito tiro e coronelismo que se situa o Mustang Sally fine burgers, um bar temático que é um mix de cultura de motociclista tiozão, comida mexicana e rockabilly dos anos 50 e 60. Ou seja, tudo aquilo que chegou até nosotros latinoamericanos via enlatados hollywoodianos como a epítome do badass, do mauzão, do James Dean (meninas que têm poster do James Dean na parede: se vocês acham aceitável morrer de tesão por um morto, me deixem em paz com meu fascínio pela Eva Braun), do selvagem da motocicleta, do born-to-be-wild, do johnny-be-good e outras generalidades. Como o próprio nome diz, porém, uma das especialidades da casa são os hambúrgueres, e entre um vasto cardápio que inclui hambúrgueres temperados com cerveja Guiness e Jack Daniels, há um que não fugiu a vista quando passei os olhos pelo cardápio: Gorgonzola Burger.

Você não leu errado. Como o nome a foto acima sugerem, é em todas as suas qualidades um hamburger normal, mas com gorgonzola, o glorioso blue cheese italiano. Sou suspeito para falar, pois poderia passar o dia comendo gorgonzola sem nunca enjoar do gosto (claro que uns copos d’água cairiam bem, porque o queijo é forte), então pedi.

Antes do hamburger chegar, a primeira decepção do recinto: a porção de fritas que pedimos como entrada deve ter sido ignorada na cozinha, e fomos obrigados a cancelar o pedido quando os primi piatti chegaram.Tudo bem que já vinham mais fritas no lanche, mas as papas belgas, como já mencionamos anteriormente, nunca são demais. Enfim, ponto negativo pro atendimento, may your soul burn in hell.

A foto já indica o segundo problema no Mustang Sally: esse gorgonzola não está derretido. Está, no máximo, quentinho pelo calor da carne do hamburger. Sei que o gorgonzola perde um pouco de suas propriedades quando esquentado, mas quer saber? Se eu quisesse ir a uma degustação de queijos e vinhos, estaria em outro lugar. Quero ver no meu sanduíche o cross-over antropofágico, a apropriação indevida da haute cuisine no meu junk-food nosso de cada dia, a transgressão, a heresia, a rebeldia desses ousados chefs que quiseram colocar a arte da pasteurização milanesa em rota de colisão com o enfant terrible da invenção do 4º Conde de Sandwich. Ao invés disso o que encontrei foi uma placa de petri muito bem alimentada — muito bem cortada, por sinal — em baixo de um pão com gergelim. Por esse tipo de consistência eu fico em casa, amigão.

E aí vem a terceira mensagem secreta de Nossa Senhora do Hamburger: esse sanduíche, amigo, está mais seco do deserto do Atacama! O pão é uma secura que só, se despedaça em flocos de trigo em cada mordida, a carne, que até poderia ser mais generosa, passou do ponto e ficou com aquela consistência de areia sabor carne, e a quantidade de maionese que colocaram por baixo mal dá pra fazer um lençol freático que satisfaça os anseios desses retirantes do McDonald’s. O jeito foi pedir mais maionese ao garçom e tascar-lhe o sachê. E acho que isso é permitido num trailer ribeirinho de lanches com um nome imbecil do tipo “Mc Regato” e um chapeiro com camisa do Iced Earth,  mas nunca numa hamburgueria de respeito. A única customização que se permite nesse caso é colocar ou não ketchup. O resto deve vir na medida da arte desses que dizem possuir os tais “fine burgers”. E não veio. Faltou umidade pra dar liga, faltaram sucos viscerais na carne (melhor ser vegetariano e comer hamburger de soja então), faltou frescor no pãozinho e faltou óleo de queijo derretido no queijo. Se a foto tá bonita, o mérito é do Murilo, porque o modelo aqui é difícil de trabalhar.

Ante uma experiência gastronômica decepcionante, uma coisa se salva: as batatinhas fritas que veem sequinhas e ainda assim, sem sal, para salgar a gosto (outra customização permitida), douradas e fritas no ponto certo. Infelizmente, o ponto alto fica só nisso.

Ficha técnica:

Gorgonzola Burger

Ingredientes: pão, carne, gorgonzola e maionese.

Preço: R$24,90 (50% de desconto das 17h às 20h)

Ponto alto: batatas fritas no ponto.

Ponto baixo: hamburguer seco, pão seco, queijo pouco derretido, pouca maionese e logística que não nos permitiu desfrutar de uma porção de fritas antes do prato principal.

Avaliação: D+

O Mustang Sally fica na Rua Coronel Dulcídio, 517, no Batel. Curitiba-PR e funciona diariamente a partir das 17h. (41) 3018-8118.

 
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Publicado por em 02/21/2012 em Uncategorized

 

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