RSS

Arquivo de etiquetas: madero

Denver Burger & Grill – Denver Burger

Denver

Não é pouca a literatura destinada ao tema do duplo. Os doppelgänger, como os escribas germânicos batizaram a figura mística que em tudo se parece com a forma original, desestabilizam nosso mundo orgânico idealmente único – e imperfeito, por consequência. De certa maneira, um duplo é uma ferida narcísica que se abre na carne de nossa crença máxima de que somos resultados da ação de nossas próprias experiências sobre o suco genético que nos foi impresso nas células. Se somos especiais, o somos por sermos únicos. Se não somos únicos, não somos tão especiais portanto, com o perdão da expressão axiomática aqui. Mais ainda (e aqui entram os devaneios dos nossos romancistas) o temor de que apareça um doppelgänger fisicamente idêntico a nós, mas com valores invertidos – um gêmeo do mal –, para nos usurpar a vida virtuosa construída sob muito esforço e resignação, ao mesmo tempo em que pode ser interpretado como uma autossabotagem psicoanalítica, de que nosso maior nêmesis são nossos monstros interiores, guardados a sete palmos abaixo de nossa manta de civilidade, é também fruto de um otimismo assertivo que não nos deixa enganar: se há um gêmeo do mal, é apenas porque nós não podemos sê-lo, acreditando-nos tão outro, tão espelho do vício, tão cornucópia de virtudes. Fato é que, seja qual for o caso, o duplo só pode existir para dizer algo sobre o original, nunca para figurar com vontades e características próprias.

O Denver Burger, ao criar um duplo do Madero, a hamburgueria favorita do curitibano de classe média alta, parece fazer o mesmo. Mais do que copiar uma fórmula que se sabe eficiente, o hambúrguer do Denver diz mais sobre a galinha dos ovos de ouro do Durski do que sobre si mesmo. Ao replicar uma fórmula em um mundo orgânico e imperfeito, ele dá contornos de perfeição a esse mesmo mundo. É como se dissesse “este é igual ao outro porque em nada pode ser melhorado”. E de fato não há, substancialmente, nenhuma diferença entre a montagem do Denver Burger e a montagem de um Cheeseburger Jr. Hambúrguer grelhado, pão francês bola, queijo processado, alface, tomate e cebola com maionese. É tão parecido que a foto que o Murilo colocou na sua explanação como sendo a foto publicitária da hamburgueria do Novo Mundo não deixa negar a homenagem, a inspiração, o plágio, o clone, o duplo, a cópia, o xerox, o doppelgänger, chamem como quiser.

Denver Burger

Obviamente que o que o Madero pensa sobre isso não nos interessa. Estamos aqui para falar do Denver, algo inédito na história dos doppelgänger, vamos dissecar o duplo ao invés do original, dando assim contribuições sociológicas e gastronômicas nunca antes vistas na nossa esparsa e aleatória produção acadêmica.

É claro que o gosto não é e não pode ser o mesmo. A carne é boa, mas algo faltou. Um it, um mojo que não pode ser igualado sem o know-how devidamente passado pelo mestre hamburgueiro. Ela ficou seca, parecendo um kibe por dentro, como a foto tirada porcamente com celular abaixo pode atestar.

Denver Burger

O queijo também não ajudou muito na coisa. Processado e sem aquela gordura líquida necessária para lubrificar as engrenagens da suculência, toda a parte liquefeita do lanche ficou por conta da ínfima camada de maionese que se perde entre folhas de alface, tiras de cebola e rodelas bem secas de tomate, com muito pouca geleia. Era preciso pelo menos meia pá a mais de maionese pra coisa ficar fluída, gostosa, como tem que ser. Hamburguer seco é coisa de McDonald’s e ninguém realmente gosta de McDonald’s, não é mesmo?

Agora, sobre a salada. Eu confesso que eu não entendo direito como é que algumas cebolas podem ser tão inócuas e ao mesmo tempo deixar um cheiro infernal na mão, que impregna debaixo da unha e não sai nem com muito sabonete, e tem outras que nem isso fazem. Bom, a cebola do Denver é dessas cheirosas que não te deixam em paz nem depois de muito tempo após a refeição. Só um comentário que eu queria fazer.

Por último, o pão também não é o mesmo. É, como o resto do conjunto, extremamente seco e com o miolo já meio endurecido, com aquela consistência de isopor. Nada muito grave, mas como a gente sabe que um pão bem feito e gostoso é meio caminho andado na estrada do bom sanduíche, o Denver Burger ficou um pouquinho abaixo também por isso.

A única coisa em que o Denver supera, e supera muito fácil o Madero, é nas batatas fritas, bem crocantes, sequinhas e gostosas. Estavam quase queimadas, mas não chegaram nesse ponto. Realmente muito boas, valem o lanche.

No geral, entretanto, não é um lanche ruim. Não é igual ao Madero, mas nem por isso é ruim. Poderia ser melhor, mas nem por isso é ruim. É secão e precisava de mais sucos, mas nem por isso é ruim. É um hambúrguer bom que poderia ter sido melhor executado. Mas isso, a malandragem da grelha, se constrói com anos, tentativas e queimaduras de segundo grau. Um chef tem as mãos que merece aos cinquenta anos.

Ficha técnica:

Denver Burger

Ingredientes: “Hambúrguer com 200g, queijo cheddar, maionese, tomate, alface, cebola e pão”.

Preço: R$13,80, com uma coca lata ficou R$17,80

Ponto alto: Batatinhas fritas gostosas e carne de qualidade.

Ponto baixo: Sanduíche seco, carne mal executada e cebola que deixa cheiro na mão (embora não possa atribuir isso ao restaurante, eu acho).

Avaliação: C+

Denver Burger & Grill fica na Rua Aleixo Skraba, 144,no Novo Mundo,  do lado de um Mercado. Funciona de  Segunda à Domingo, 18:00 – 00:00. Fone (41)3268-3297

Anúncios
 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 11/08/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Denver Burger & Grill – Denver Bacon

Denver

Fomos parar no Denver Burger & Grill por causa dessa foto que apareceu um dia no facebook.

1240108_215009181993300_1551589438_n

Mas é o Madero?!
Não. É um emulador do Madero. É o Denver.

Depois do Batha com o cardápio que explicitava “igual a cebola do Outback”, e o molho bigméki,  outra surpresa da região do CIC e do 666 Novo Mundo (pra quem não sabe 666 é o número do ônibus da linha Novo Mundo, e número da besta também). Acho engraçado que essa galera não tá nem aí para direito autoral, propriedade intelectual, plágio … na verdade eu também não, eles e os advogados que se entendam. Estou mais interessado em comer e que o negócio seja bom, cópia ou não.

Lá fomos nós para o outro lado da cidade.
Por fora o Denver é meio escuro, por um momento achei que estava fechado por causa do vidro fumê que faz parecer estar com as luzes apagadas, mas não estava.  O lugar parece ser bem novo, tudo arrumadinho ainda, mesas e cadeiras de madeira, o primeiro ambiente logo na entrada é todo em madeira, até teto. Sentamos na parte mais interna por estar mais claro pra fazer as fotos. Essa parte é onde fica o bar, tem um balcão com umas luminárias, várias garrafas de whisky decorando(?) o ambiente.
Nenhuma Jack Daniels, mas isso me lembrou que sinto uma certa vergonha quando vejo você, jovem roqueiro(a), tirando foto segurando garrafa de Jack Daniels como se fosse algo super legal. Parem de ser manés.
Nada de muita frescura no lugar, mas me passou a impressão de ser bem limpo. E isso é bom em um lugar que você vai comer. Que tenham mais lugares assim nos bairros. Descentralizar o poder, valorizar o bairro onde se mora, movimentar e colocar o povo na rua, tudo isso ajuda a inibir um pouco a bandidagem, é bom.
O Denver é um lugar família, até tinha mesmo uma família com criança e tudo, parece que o povo também trabalha em família.

Tocou sertanejo universitário da hora que chegamos até a hora que fomos embora, infelizmente deve ser uma constante do recinto.

O refrigerante é servido em taça, tipo de vinho, gosto de copos diferentes para tomar refrigerante. Em casa tomo em xícara, caneco, copo de requeijão…

_MG_0082

Não sei se é assim ou se hoje tinha acabado o papel que embalam e servem o sanduíche, mas parece que pegaram uma folha do Chamequinho na impressora, forraram com guardanapo e enrolaram as pontas. Funcional, improvisado, inventivo, mas muito estranho! O meu tinha um adesivinho falando que era o Denver Bacon.

Demorou um pouco além do que a gente considera normal ou está acostumado, levou uns 20 min ou mais. Mas a moça que nos atendeu foi bem educada desde a hora que chegamos, até puxou uma cadeira para colocarmos as bolsas, vou dar um desconto.

O pão é um pão francês bolinha. É um pouco seco, bem quebradiço na parte de fora, mas o miolo era macio. Não curto muito pão quebradiço que enche o prato de farelo e cascas partidas. Parece pão que você come em casa com margarina.

Só uma fatia de queijo cheddar processado, aquele que sempre parece um plástico e que nem derrete, só fica mole. Ele quase da uma cremosidade ao morder e mastigar, mas é pouco, uma pena. Sério, tinha que ter duas fatias pra ficar legal, e umas quatro pra ficar loco!

Não sei se a carne é Friboi, mas gostei. Tem seu tempero e tem um bom tamanho, no cardápio diz 200g, é um hambúrguer gordinho. Às vezes, em algumas mordidas, rolava até um gosto de churrasco, de fumaça, e isso é legal. O hambúrguer nem estava tão passado e estava um pouco seco, acho que nem é questão do ponto da carne, mas sim da quantidade de gordura. Mais gordura e ficaria mais suculento, logo, mais gostoso.

Tem também uns pedaços de bacon em tiras, cortado até um pouco grosso, legal de ver. Seria perfeito se não fosse pelo fato do bacon estar bizarramente mal passado de um lado e carbonizado do outro. Estava amargo, com gosto de queimado mesmo. Um pecado fazer isso com o beican.

Tem uma saladinha, inha mesmo.  Devia ter uma rodela e mais e 1/3 de rodela de tomate, algumas partes de alface ralada. Junto tem um pouco de maionese, que se faz necessária devida a falta de sucos vitais da carne, mas assim como quase tudo nesse hambúrguer, poderia vir mais.

Acompanha umas boas e bem douradas batatas fritas.

Como dizem os chatos apreciadores de café, rola um retrogosto de casca de limão com eucalipto da montanha e bibibi … nesse pós lembra o Madero mesmo, algum tempo depois de comer rolou tipo uns refluxos e aí você sente o gosto do sanduíche. Sou meio Homer Simpson, nessa hora, paro e penso: “humm hambúrguer… gostoso…”.

Parece, mas não é um Madero. Embora esteja no caminho ainda tem chão para chegar no Don Vito Durski.

Ficha técnica:

Denver Bacon

Ingredientes: “Hambúrguer com 200g, bacon, queijo cheddar, maionese, tomate, alface, cebola e pão”.

Preço: R$14,80, com uma coca lata ficou R$18,15 (não sei se tem 10%).

Ponto alto: No geral é bom.

Ponto baixo: Bacon queimado, pouca quantidade dos componentes do sanduíche e é pequeno.

Avaliação: C

O Denver Burger & Grill fica na Rua Aleixo Skraba, 144,no Novo Mundo,  do lado de um Mercado. Funciona de  Segunda à Domingo, 18:00 – 00:00. Fone (41)3268-3297

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 10/25/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Casa da Mãe Joana – Hambúrguer de Barreado

C360_2012-02-28-17-46-07

No ritmo preguiçoso de férias(mesmo não estando de férias) e de início de ano, estamos na atividade.
O bonde não para!

“Casa da Mãe Joana”, já começo achando o nome do lugar bem bom. Me lembra Mãe brigando com o filho porque a casa está uma zona. “Parece a casa da mãe Joana isso aqui!”
Se bem que essa Casa mesmo parece uma casa de vó, e bem arrumadinha.

O lugar tem um lance tipo aquela Casa di Bel que mais parece o Sítio do Pica Pau Amarelo, onde nada combina com nada, é muita coisa pendurada, é muita informação, você fica sem saber para onde olhar. Na Casa da Mãe Joana o negócio é mais simples, visualmente é mais limpo e agradável, tem várias coisas decorativas antigas que vão desde um refrigerador de alguma mercearia até mesinha e telefone de discar, bules de porcelana, quadrinhos gringos que os Caçadores de Relíquias do History Channel adoram, latas e várias outras coisas. Tem uma área externa com umas mesas, chão de pedrinhas brancas e redes para quem sabe tirar um cochilo, tipo baiano.
O lugar tem um ar de carimbóGaribaldis e Sacis, bicho grilo da reitoria, só que mais arrumadinhos e que felizmente essa referência não se manifesta na trilha sonora, que foi do Jazz ao Rock e nada de MPB lésbica da nova geração.

Agora falando da comida, quem acompanha o blog ou leu alguns posts já deve ter percebido que meu negócio é testar o tradicional de cada lugar, e nas poucas vezes que me aventurei, deu merda, parceiro! Veja aqui um exemplo.
Mas hoje depois de muito pensar e olhar para o cardápio diversas vezes, aceitei o desafio do Yuri e arrisquei encarar uma coisa nova que tem tudo para dar errado, um X-Barreado.

Sim, um hambúrguer de Barreado. Para quem não é do Paraná, (momento wikipedia), o Barreado é um prato tradicional do estado, mais precisamente do litoral. A turistada adora ir para Morretes e Antonina comer essa parada. Basicamente é carne de boi desfiada que fica cozinhando por umas 12h numa panela de barro lacrada com uma massa feita de trigo, e servido com farinha e banana.
Com doze horas de cozimento (hoje deve ser feito na panela de pressão com muito menos horas) já da para imaginar como as fibras musculares ficam completamente relaxadas, a carne fica muito molinha e desmanchando, o negócio vira quase uma “sopa de carne”.

Eis que os filhos da mãe Joana resolvem remontar esse prato num sanduíche. E o pior é que fica interessantemente bom!

_MG_0006

Detalhe para a bela apresentação do prato. Sanduíche, salada, molhinho de maionese e banana chips.

O pão é um pão d’água coberto com um pouco de fubá, particularmente gosto bastante de pão assim, bem molinho e sem casquinha crocante quebrando. Há que quem ache ruim e diga que é tipo pão amanhecido e, por isso poderia ser arriscado usar num hambúrguer de quase vinte reais.
Mas um cara que faz um sanduíche que tem banana com bacon e carne não está com medo de arriscar.

Sim, bacon e banana que incrivelmente combinam. A banana fica predominante na maior parte do tempo, e nas duas ultimas mordidas já estava começando a ficar enjoativo, mas em alguns momentos você sente bem o bacon, e às vezes a mistura dos dois, é interessante e longe de ser ruim.
São duas tiras classudas de um bacon muito bonito e com pouca gordura, até abri o sanduba para conferir e gostei bastante do que vi lá dentro. Também duas fatias de banana grelhada por cima do queijo, que, diga-se de passagem, é apresentado numa quantidade legal de muçarela (com ç mesmo, como no cardápio) com direito ao efeito estica e puxa,essa é a festa da Xuxa.

Assim como a banana, o hambúrguer também tinha suas belas marcas de grelha. Feito com a carne do barreado, não sei direito, mas pelo que me pareceu a carne desfiada foi processada(batida) para poder dar a liga necessária para moldar o hambúrguer.
Fica uma textura diferente, mais macia e sem a “granulação” da carne moída tradicional, quase não tem resistência ao morder e o pedaço se desmancha ao mastigar.
E como a carne já foi cozida não tem isso de mal passado ou no ponto sangrando, nem seca nem molhadinha, esse é o ponto que fica.

Tudo isso junto e logo na primeira mordida me surpreendo com uma das coisas mais macias que já mordi (incluindo pessoas), é tipo comida para velho banguela, bem legal.

Acompanha também uma porção de salada considerável, muito maior do que viria dentro de qualquer hambúrguer. Dois tipos de folhas (alface crespa e alface frisé), cenoura ralada, e um tomatinho cereja cortado ao meio. Além de um potinho com a maionese local, que nem usei muito mas é mais líquida que a normal e com um gostinho de alho e(ou) cebola.

No cardápio dizia batatas rústicas, mas veio uma surpresa na vibe do passeio na feirinha de Morretes no final de semana.  Bananas chips, banana frita como se fosse batata. Fica meio seca, parece uma madeirinha, é legal por ser diferente, mas eu prefiro batata, ainda mais se forem rústicas.

“A Casa”
 fica na Jerônimo Durski, esse nome que já lembra o que? Madero, né, seus bois de presépio.
Curitibano tem mania de fazer sempre as mesmas coisas, frequentar sempre os mesmos lugares…  Acho que vale uma boicotada no Madero e passar na Casa da Mãe Joana para experimentar um hambúrguer diferente, bem diferente, e bom, na mesma faixa de preço do Madeireiro.

Ficha técnica:

Hambúrguer de Barreado

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro de barreado grelhado com fatias de bacon, coberto com queijo muçarela derretido, rodelas de cebola e banana assadas em forno a lenha. Acompanha mini salada, batatas rústicas fritas e maionese especial”.

Preço: R$18,00 + 1 Itubaina (que troço doce!)  + 1 coca-cola lata = R$27,50 (caro para um lanche mas vale por uma refeição).

Ponto alto: Apresentação, bons ingredientes, inovação, e o gosto, claro.  

Ponto baixo: Preço.

Avaliação: A

A Casa da Mãe Joana fica na rua Jerônimo Durski, 1010, no Bigorrilho. Terça à Sexta: 18:30 – 00:00, Sábado e Domingo 12:00 – 16:00   –  (41)3092-2322

 
4 Comentários

Publicado por em 01/18/2013 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Madero – Cheeseburger Clássico

Nesses tempos pós ultra(violence) moderno em que a vida da gente é tão merda, e é tudo tão de plástico (até no mundo dos hambúrgueres, vide hot pocket da Sadia), acabamos tendo que pagar por toda e qualquer coisa que nos traga um conforto, nos faça dar uma relaxada e ter aquela sensação (momentânea) de paz e tranquilidade. E isso inclui o momento de comer. Eu não quero comer com o mendigo todo ferrado vindo pedir dinheiro para comprar pinga e beck, ainda mais a gente que tem cara de maluco e eles acham que podem falar isso na boa, que vamos simpatizar com a causa dele.  Tsc, tsc, tsc…
Mas o pessoal do Madero levou isso um pouco a sério de mais. É mais ou menos nesse contexto que entra o Madero na nossa história, em especial o da Comendador Araújo, não sei as outras 7483 lojas espalhadas por Curitiba, mas essa é assim:
Você passa pela porta e vai para num outro mundo, eles tem  uma cidade cenográfica!! Tem rua de paralelepípedo, postes de luz (sem a fiação a mostra, que é feio), uma lambreta estacionada, loja de vinhos, mesinhas na calçada, árvore iluminada, é como se você estivesse andando por aquelas ruazinhas charmosas da Itália, Espanha, França… (não sei, ainda não conheço nenhum desses países pessoalmente, mas pelo que vi em fotos e no Globo Repórter, é assim) e aí você vai sendo guiado pela recepcionista loirinha e se depara com um restaurante com letreiro de neon, tudo muito tranquilo, pessoas bem arrumadas, é uma outra vibe.
Fomos levados para um ambiente que parecia uma balada, telão passando videoclipes, luz baixa, lâmpadas dicróicas pontuais nas mesas, papel de parede com arabescos, filigranas ou algo do tipo, e uma mesa feita com uma rodela do tronco de alguma árvore que devia ter lá seus muitos anos, não sei que relação tinha essa mesa com o resto da decoração, enfim, não sou decorador e não sei dos lançamentos feira de design de Milão.
É assim o Madero da Comendador. A Lanchonete (ou restaurante) da Família Classe A Curitibana, acho que devia ser esse o slogan deles.

Tem um amiguinho mexicano que o Yuri me apresentou que definiria bem todo esse lance de cidade cenográfica. O pequeno Tóchtli diria: “Patético”.

A primeira coisa que se repara no prato é uma bandeirinha para identificar o “sem cebola”, mas não evitou a troca dos pedidos (que foi resolvido sem problemas). Será que se eu pedir sem cebola, sem alface, sem maionese, sem tomate… viria cravejado de bandeirinhas? Pensamento de troll, eu sei. Detalhes que encarecem a parada, é legal, mas eu preferia sem bandeirinha e 50cents a menos na conta.

Ao contrario do pedido do Yuri que veio meio desmoronando, o meu veio bonitão!
Pão francês produzido por eles de hora em hora (mas não podem ficar contando tanta vantagem nesse quesito, o subway deve tirar fornadas de pão a cada 15minutos, e tem uns 3 tipos diferentes de pão), mas já começa aí a diferença para os outros lugares, não é o tradicional pão de hambúrguer com gergelim. É o pão francês do jeito que eu gosto, não estava seco e quebradiço como o maldito pão do Mercadorama aqui perto de casa, e sim com uma casquinha crocante por fora, com o interior macio, daqueles que você aperta, ele racha por fora e volta ao seu formato original. Redondo e cortado ao meio, parecia uma ostra que guardara a pérola dos hambúrgueres curitibanos.  E que coisa mais suculenta (deliciosa) essa carne!  É incrível como o gosto escorre, estando mal ou bem passado, não importa o ponto.
Eles mesmos explicam parcialmente no menu como conseguem isso, mistura de carnes. O hambúrguer é feito de: “pura carne em um mix de fraldinha, picanha e bife de chorizo, sem adição de nenhum outro ingrediente”.  Esse “sem adição de nenhum outro ingrediente”, quer dizer: Temos um ingrediente secreto (ou um feitiço, é bem possível) que os outros lugares não sabem fazer e por isso somos fodas na arte da hamburgueria!  Tiro meu chapéu, virtualmente, para eles.


Alface ralada e duas rodelas de tomate é a salada. Alface para dar uma textura e tomate para a umidade(que é o não precisa nesse sanduíche, ainda estou impressionado com a suculência da carne) mas salada é sempre a mesma coisa, né, nunca vi ninguém dizer, nossa que delícia esse alface. Segundo o cardápio, a salada é orgânica, então meu organismo agradece por não ingerir agrotóxicos, pelo menos nessa refeição.
Tem também uma maionese tipo a que tem na Hamburgueria do Vicente, com um gostinho de cebola e limão, só que mais suave, e por isso melhor. Somando aí as duas fatias de queijo que só agregam valor e sabor, essa é a grande matemática do Madero(e deveria ser de todos os lugares), fazer com que os sabores e texturas se complementem e se tornem um só (do tipo somos todos Pinheirinho!).

Resumindo, é para comer curtindo o prazer de cada mordida. Para fechar os olhos tipo cantor romântico e aproveitar o momento.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas tem os contras também. Somos como a morte, não poupamos ninguém, ou como diz o Emicida não confio, nem perdoo, por isso mandaram eu.”
São dois hambúrgueres de 130 gramas, acho que fiquei um pouco mal acostumado comendo coisas monstruosas, como o Double do Vicente, o Memphis Tudo do Memphis ou os dois sanduíches no Dom Corleone, e essas 260g do Madero me pareceram meio pouco. Tá, não é pouco, é o suficiente, mas eu queria mais. Sim sou um pecador da gula e não estou nem aí. E talvez por isso, por pensar em gente assim que eles fizeram a opção de 3 hambúrgueres e suas 390g de carne. Mas aí a brincadeira “começa” a ficar cara para esse proletário que aqui escreve.
Segundo ponto, as french fries me deixaram um pouco decepcionado, as batatas estavam gordurosas demais para o meu gosto e para o que se espera de um lugar classe A, com um dourado bonito mas com uma gordura que poderia ser evitada e deixaria a batata ainda mais bonita, “saudável” (se é que alguma fritura pode ser considerada saudável) e gostosa.

Antes que esqueça, as últimas considerações, o tipo de “embalagem”, de um papel bom, no qual o hambúrguer vem embrulhado é muito útil, foi boa sacada! E o moleque (não sei seu nome, tem dias que não sei nem o meu nome, e moleque porque era um rapaz bem novo de cabelo arrepiado), nos atendeu muito bem.

Mas então é o “best buger in the world”?
É muito bom, mas essa propaganda (como toda obra dos queridos publicitários) é meio forçar a barra né, ou talvez seja o melhor, mas nesse mundo mágico no qual entramos ao passar pela porta que fica no número 152 da Comendador Araújo . . . tipo Nárnia.

Ficha técnica:

Cheeseburger Clássico 2 hamburgers

Ingredientes: Pão, 2 x 160 gramas de hambúrguer, queijo, maionese, alface e tomate (pedi sem cebola que dizem ser grelhada). Acompanha batata frita.

Preço: R$20,90 + R$3,90.  Total: R$28,27
O preço do hambúrguer é um pouco mais caro que a média, que deve ser na casa dos 13,90(para falar a verdade não fiz as contas), mas o sabor também é bem acima da média.

Ponto alto: Carne fantástica! (eu ia falar fodástica, mas fantástica fica mais familiar, somos um blog de família, ora pois!)

Ponto baixo: Batata frita gordurosa e cobrar R$3,90(+10%) por uma coca-cola de garrafinha é abusivo.

Avaliação: A (eu não iria dar A para ninguém, meu B+ já é um A- disfarçado, mas esse mereceu a nota).

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

 
8 Comentários

Publicado por em 05/31/2012 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Madero – Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Madero

Pensem no caráter dual da luz. Não apenas a luz se comporta como onda, como afirmava Maxwell do alto de sua idade vitoriana, como também não só era partícula como Newton e seus asseclas defendiam, mas das duas formas como só Einstein poderia afirmar – e o bicho ainda ganhou o Nobel por estudos relacionados! De forma que a ciência, melhor do que o taoismo e melhor do que a nossa sociedade maniqueísta acostumada com a novela das oito e seus núcleos de vilões inescrupulosos, é aberta à verdade inquestionável de que não existe apenas uma maneira certa de encarar ou de fazer as coisas. E talvez tenha sido esse o pensamento do Sr. Durski quando resolveu construir o hambúrguer do Madero – e, tempos depois, o Cheeseburguer de Cordeiro Clássico, o nosso prato de hoje.

Poderia apresentar o recinto, mas se você mora em Curitiba, dificilmente desconhece o Madero. Até porque essa cidade ainda vai acabar em Madero, Salão Marly, Farmácia Nissei, Subway e pastelaria de chinês. Mas, vá lá: sei que esse blog tem leitores de outras cidades, de outros países e, por que não, de outros planetas, então cabe uma breve explicação. Lembram do filme Good Burger (do qual este humilde blog empresta o título), quando do lado da simpática hamburgueria familiar abre uma hamburgueria monstro, com hambúrgueres ubber-suculentos? Se o Mondo Burger existisse na vida real, seria o Madero. A rede tem hoje 10 lojas, sendo duas em outras cidades, com mais umas 20 em construção (inclusive aqui do lado de casa). Todas são chiquérrimas, com uma seleta carta de vinhos, carnes nobres e garçons arianos (reparem). E não escolhemos ao acaso a loja que visitamos. Fomos no Madero da Comendador Araújo, onde há uma pequena vila dentro da loja, com direito a uma lambreta do Projac, uma árvore de verdade, uma barraquinha de café (ou de cerveja, não lembro) e uma humilde “tenda” de vinhos, guardados na caixa ainda. De certa maneira, a “Vila Madero” não apenas seria o Chavo del Ocho com dinheiro mas guarda em si um arquétipo do Sonho Curitibano, uma espécie de American Dream, mas que consiste em viver num país minúsculo, seleto, do tamanho do Batel, onde todo mundo come carne de primeira, os pobres não se atrevem a entrar e ninguém precisa conversar contigo a não ser por razões meramente profissionais.

Rua comendador araújo

Pois muito bem, entramos nesse país mágico chamado Batel e pedimos a carta dos hambúrgueres. Arredio e escaldado que sou, a primeira coisa que fiz foi bater o olho nos preços e fazer uma busca na minha memória por meu último saldo de conta corrente. O Murilo tem me ensinado muito sobre algo que ele chama de “o preço da carne”, que é um imposto na forma de dinheiro que, à sua maneira, restabelece parte do equilíbrio kármico de se alimentar da carne de um animal indefeso morto para servir a esse propósito. Não é algo tão simples de explicar, mas felizmente é simples de entender, e o que importa nesse caso é que, por causa do preço da carne, eu procurei relevar o fato de estar prestes a pedir um hambúrguer de vinte e quatro reais. De longe o hambúrguer mais caro que eu já comi. Mas esse tem um adicional: a carne é feita de cordeirinhos. Pior que eu tô falando aqui de cordeiro mas vocês, povo da cidade, ignorantes sobre espécies de fazenda, podem nem saber o que é um cordeiro, embora façam uma vaga ideia de um bicho fofinho (o que realmente é). Com duas carnes, é chamado o Clássico (em contraposição ao Cheeseburger Jr, que tem uma carne só e é bem normal, mas aqui é tratado como hambúrguer de mulherzinha), e acompanha alface, cebola grelhada, queijo, tomate e maionese. Eis aqui o meu bicho:

Madero

Quase desmontado pela má finalização do chef, o cheeseburguer de cordeiro é bem sucedido, contudo, em preservar a suculência e o sabor adocicado do cordeiro – que, infelizmente se perde um pouco com esse tomate verde, muito pouco doce. Aí aconteceu um problema de erro nos pedidos (não vou dizer qual foi) que demandou uma troca de sanduíches, e isso aconteceu logo depois de tirarmos essas fotos. Obviamente o radar de crítico bateu nos garçons do Madero e me trouxeram um segundo sanduíche que estava digno de figurar na capa de uma revista gastronômica. Esqueçam essa montagem porca, esqueçam o tomate verde, veio um pitéu de hambúrguer que não merece figurar aqui porque foi trapaceado. Mas como o que vale é o gosto, e quanto a isso não me resta escolha, vou falar desse mesmo.

First things first: repararam no acompanhamento? É, possivelmente, a maior porção de batata que já acompanhou um hambúrguer desde o começo desse blog. São batatas fininhas, crocantes e muito gostosas, embora um tanto gordurosas. Mas batata não é pra ser diet mesmo, então releve e aproveite. Gosto disso: generosidade. Aprendam, hamburguerias de Curitiba, a oferecer mais batata aos vencedores. Vamos ao sanduba em questão.

Bom, o que mais chama a atenção no hambúrguer do Madero é o pão. Longe do tradicional e macio pão de hambúrguer, o que há aqui é uma espécie de pão de sal (ou pão d’água ou pão francês, seja lá como chamem isso aqui em Curitiba). Com toda sua crosta crocante e seu formato imperfeito, este pão se aproxima da estética vitoriana do sanduíche, embebido na gastronomia francesa e sua boulangerie rococó. Este pão da art nouveau é eficaz em absorver os líquidos da carne sem amolecer (muito embora isso possa acontecer se o sanduíche for servido inclinado, o que é bem desagradável para quem gosta de comer com a mão, como eu). Outra vantagem dele é o frescor. Segundo o cardápio explica, os pães são assados de hora em hora, o que impede aquele esfacelamento do pão de mais de quatro horas. O pão rococó, o pão afrancesado, o pão David Lean, enfim, esse pão da foto, serve como uma caminha perfeita para o que está dentro, mas o palato duro quer o que o palato duro quer, e nem sempre ele quer ser espetado com crosta de pão de sal. Enfim, é um bom pão, um tanto heterodoxo para os padrões atuais da arte da hamburgueria, mas ainda assim, uma opção interessante (oferecer outro tipo de pão, como no finado Saldanha Moreira é uma boa, hein?).

Logo abaixo, há o queijo. Quando vi aquela fina camada amarela de queijo processado em cima de cada uma das carnes achei que não fosse nem sentir o gosto, mas me enganei por conta de um detalhe: a maionese, que empurra o gosto salgado do queijo para as papilas gustativas, um caso de protocooperação muito interessante. Não é comum que isso aconteça, mas a maionese do Madero é levemente azeda – talvez com uma dose de limão – e isso, de alguma forma cuja lógica me escapa, realça o sabor do queijo. De qualquer forma, o conceito de queijo do Madero enquanto acompanhamento de carne – esse doce prazer que os judeus nunca descobrirão – é um tanto diferente do conceito de queijo de qualquer lanchonete. Não temos aqui aquela coberta maleável de queijo derretido, que se estica na mordida e se pinça a cauda longa com os dedos para derramar o cordão goela abaixo, é uma manta, quase uma capa de PVC por cima da carne, praticamente indissociável dela, como um híbrido geneticamente criado de carne e queijo combined. Enfim, é bom.

Aí temos a salada, a parte que na verdade não interessa a ninguém. A salada usa o cheeseburger assim como a Igreja Católica usa o Padre Marcelo Rossi: para mascarar coisas menos atraentes, mas importantes, como sentar o rabo num banco de madeira e pensar na vida. A salada do meu hambúrguer – do segundo hambúrguer – estava mesmo uma delícia. O tomate, diferente do da foto, estava de um vermelho vivo, e de tão doce quase mascarou o sabor da carne. A cebola grelhada, bem ao fundo, funcionava mais na paleta de textura do que com aquele sabor forte e característico das cebolas, e o alface não tinha todas essas partes fibrosas, estava um matinho verde levemente crocante com muito pouco a oferece além de uma subtextura, preenchendo os lugares não-crocantes que a cebola não alcança. Enfim, não sei nem porque eu to falando isso, salada não leva a nada.

Por fim, a toda poderosa carne, que é o que garante o pagamento da parcela do iate do Durski. A carne do Madero é um mistério que não consigo entender de jeito nenhum. Ela é levemente fibrosa, que garante a integridade da carne melhor que a compressa da carne moída, mas não é vermelha por dentro e grelhada por fora, como a do Barba, ela é toda de uma cor só, levemente mais clara no centro, e ainda assim mantém um núcleo tenro, suculento, cheio de vida e de sabor. É passada por fora como qualquer outra carne, lógico, e ainda é um pouco escura, mas por dentro é como se guardasse um bife macio e inteiro. Enfim, uma maluquice. A carne do cordeiro é mais “molhadinha” (ui!) e um tanto mais doce, característica que o tomate não deixa transparecer muito, então talvez seja melhor comer sem tomate.

O Madero tem todos os elementos estéticos para ser odiado. Os ricos pomposos, o preço extorsivo, o pretensioso slogan “The Best Burger in The World!” (Em inglês ainda, meu Deus!) e tudo o mais. Entretanto, fazem lá um hambúrguer tão gostoso e tão ousado, capaz de nos fazer relevar tudo e enfrentar a nata curitibana para comer uma boa refeição. E mostra que embora tenhamos um ideal muito concreto de um bom hambúrguer, é possível construir outro com elementos mais inovadores e ainda assim ser ideal. Aprendamos com a ciência, aprendamos com o Madero.

Ficha técnica:

Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Ingredientes: Duas carnes (260g no total), queijo, cebola, tomate, alface e maionese num pão de sal.

Preço: R$23,90 (Uma facada! Mas lembro do preço da carne e fico mais calmo).

Ponto alto: Carne excelente, inovação nos elementos

Ponto baixo: Preço extorsivo, montagem péssima (do primeiro hambúrguer) e má escolha dos ingredientes da salada (também no primeiro hambúrguer).

Avaliação: A

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

 
6 Comentários

Publicado por em 05/24/2012 em Uncategorized

 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,