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O GiraMundo – Hambúrguer

Giramundo

A verdade é que é Natal. É fim do ano. Ninguém mais quer saber de hambúrguer. Todo mundo agora quer saber de peru, Chester®, ave navidad, lombo, arroz com passas, tender com pêssego em caldas, nozes, avelã, panetone, chocotone, bacalhau, rabanada, Roberto Carlos, mega-sena da virada, engarrafamento, caixas de cerveja, garrafas de espumante, toalhas de mesa vermelhas, calça branca e sandália, balões dourados, casa na praia alugada, abraçar pessoas suadas, piadas de pavê, retrospectiva, show da Ivete Sangalo, amigo secreto, presente genérico do Boticário, primos menores, primos maiores, parentes mais ricos do que você, Esqueceram de Mim e papai noel da Coca-Cola. Mesmo assim vamos falar de mais um hambúrguer antes de 2013 virar uma página na história mundial.

O Giramundo Café é um café simpático e discreto no Água Verde que, por alguma razão, faz muita propaganda de seu hambúrguer nas redes sociais. Foi por causa dessas propagandas que a gente resolveu ir lá experimentar. Mas não acho que seja para tanta propaganda não. O tal hambúrguer, batizado criativamente de “Hambúrguer”, oferece como diferencial um pão de cerveja com hambúrguer, queijo, maionese e picles, segundo o cardápio. O que o cardápio se esquece de mencionar é que ele é um hambúrguer para pessoas muito, muito pequenas, e que não estão com muita fome. Seu tamanho diminuto explicita a ideia.

Giramundo

Vamos começar pelos problemas. O maior deles, se é que existe alguma coisa grande aqui, é o pão, que tem o miolo miseravelmente cru. Estava duvidando no começo mas tirei um pedaço de dentro dele para ver e realmente a massa ainda estava em formação. Isso o torna incrivelmente duro e extremamente pesado (não era esse o nome de um livro do Jonathan Safran Foer?), o que torna qualquer esforço para arrancar um pedaço dele um desafio ao poder de oclusão da mandíbula e de qualquer pedaço ingerido uma carga submarina que aterrissa com toda força no fundo do jejuno-ílio. Em todos esses anos resenhando hambúrgueres isso nunca tinha me acontecido antes. Seria melhor ter comprado um pão industrial da padaria, oras. Não gosto de pagar (caro) para comer pão meio cru.

O segundo problema é a carne que, embora bem temperada, tem apenas isso a seu favor: o tempero, o que esconde uma carne mal executada e possivelmente (no sentido de possibilidade, não de probabilidade) de quinta categoria. O fato dela ser maior do que o pão pode impressionar na foto, só se você lembrar que a área do pão não deve passar dos 5 πcm². Não é das melhores lembranças que eu tenho.

A favor aqui temos o queijo, que é farto e realmente saboroso, e a maionese, que serve para dar aquela lubrificada na máquina engendrada de qualquer hambúrguer com falhas no percurso. Mesmo assim, não dá pra dizer que sejam pontos altos em seu valor absoluto, já que aí o mérito é simplesmente não ter feito nada de errado – algo que se espera de um hambúrguer requintado e caro como anunciado no Facebook. Enfim, o queijo e a maionese são como o baixo e a bateria do Jota Quest: Salva parte da obra, mas é impossível salvar todo o conjunto.

E, claro, temos as batatas chips que, se não se destacam pela lembrança inesquecível de batatas deliciosas, ao menos fazem bem seu papel de coadjuvante oferecendo uma opção mais leve do tubérculo nosso de cada dia. Sinceramente, das batatas chips que já comi na vida, essa está entre as boas, mas batata chip nunca é um troço muito impressionante quanto uma batata belga frita da maneira adequada (embora o processo de produção seja tão difícil quanto). Ela vem ainda com um molhinho, que ou é um barbecue muito fino, ou um ketchup muito estragado. Prefiro acreditar que se trate da primeira opção, mas não curti o gosto de qualquer forma, então deixei de lado.

No fim, o Hamburguer do Giramundo é mais um dos que chega na esteira da popularização do hambúrguer gourmet, um arrivista que não se defende quando confrontado friamente. E na moral, amigo, por 16 reais você consegue coisa bem melhor nessa cidade. Mas BEM melhor.

Ficha técnica:

Hambúrguer

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo mussarela, picles de pepino e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$16,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$20,00.

Ponto alto: Queijo farto e maionese boa. Batatas chips boas também, pra quem curte.

Ponto baixo: Pão com miolo cru, carne mal executada, relação custo/benefício e ketchup meio esquisito.

Avaliação: D+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437.

 
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Publicado por em 12/20/2013 em Uncategorized

 

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O GiraMundo – Hambúrguer Especial

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Fim de ano chegando, a última correria, uns dias de folga entre natal e ano novo e até férias para alguns não esquecerem de como a vida real deveria ser. E férias lembra o que?!
Tempo de viajar, sair por aí, relaxar, cair em roubadas, rodar pelo mundo ou pelo bairro, conhecer lugares novos ou rever os que gostamos. Encontrar gente diferente, novos cheiros e sabores  também, e foi numa dessas que fomos parar em um café recém aberto em Curitiba que tem essa vibe.

E se tem coisa que a gente gosta tanto quanto hambúrguer é viajar.

Tem aquela frase muito compartilhada no face em tempos de férias, do Mario Quintana, “Viajar é mudar a roupa da alma”. Pela minha pouca experiência posso falar que quando a gente viaja, principalmente se for um período meio longo, acaba virando outra pessoa enquanto descobre o seu destino (destino sina e destino local de chegada). Quando voltamos, é a nova pessoa que está de volta, é você um pouco mais evoluído com as experiências da viagem…  mas aí o tempo passa e a gente tem que cuidar para não voltar a ser o antigo eu. No meu caso um implicante deprimido.
Sobre a frase do Quintana, prefiro dizer que muda a vida mesmo, sou um racionalista, ateu desalmado, mas muito consciente da vida aqui e agora. Recomendo para todo mundo viajar, ainda mais se estiver meio fodido ou perdido na vida, aí é algo quase obrigatório. Melhor que gastar dinheiro com terapia ou antidepressivo, você vai se entender melhor, entender um pouco das diferenças do mundo e a vida, on the road.
Seja um viajante e não um turista.

Bora falar de lanche?!

No água verde, bairro que não passamos desde o Mister Dog e a melhor maionese verde da cidade, encontramos o “O GiraMundo”.

O lugar é uma casa transformada em café, numa vibe meio hostel. Tem uma máquina de café que por fora lembra a traseira de um cadillac vermelho, que lembra meus planos de pegar aquelas longas retas da Route 66 num conversível ouvindo um Rancid, carregando armas e dinheiro, acompanhado de uma garota de bikini com cabelos ao vento ou um chimpanzé com roupas de gente.(férias é pra sonhar, galera!).
No café também tinha um robô gigante climatizador, coisa que precisa numa Curitiba com clima de deserto, 30° de tarde e 10° à noite. Mas um cara chegou e levou ele embora.
Na parede pintada de verde tem uma lista dessas cervejas especiais escritas em giz, além de camisetas e outros souvenirs ao lado do balcão, as outras paredes são laranja e marrom, um lance meio Irish cervejeiro.
São só cinco mesas, todas são de madeira e lisinhas (gosto de passar a mão em coisas lisas como mesas, capas de livros, pessoas…), mas em uma tem cadeiras estofadas e uma cadeira dupla, cabe um casal na mesma cadeira ou um gordo confortável.
Isso tudo embalado por som ambiente de rock/blues e vídeos de surf na tv.

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A primeira impressão é: “Que pequenininho!”
A segunda é: “Quanto queijo, que legal!”
A terceira e já na primeira mordida: “Que pão lazarento.”

Já vou começar pelo ponto negativo, o pão não sei o que de cerveja.
Legal inovar e tentar uma coisa diferente, dar uma cara própria às coisas, mas não é sempre que dá certo, né?! Esse foi um caso que não deu. Talvez manter no arroz com feijão dos pães de hambúrguer funcionaria melhor.
Esse pão de cerveja ficou massudo, pesado, borrachudo, a fermentação dos levedos não rolou direito e a massa também estava um pouco crua no meio. E com farinha por cima. Farinha por cima é foda, gruda tudo nos dedos, na barba… mas isso é frescura minha, o resto não é.
Chegou uma hora que desisti e comecei a comer apenas o recheio, depois voltei à tampa do pão só para cumprir tabela e não desperdiçar nada.

O recheio é simples e do jeito que tem que ser, só o básico e o gostoso. Carne, bacon, queijo e maionese (tinha cebola caramelizada, mas quem acompanha isso aqui e leu o último post já se liga que pedi sem). A maionese parece ser boa mas se perde no pão grosso.

O queijo é uma beleza, enche os olhos e logo de cara se percebe que esses caras são dos meus, não ficam regulando e colocando só aquela única fatiazinha de queijo. Aqui o negócio quase embrulha a carne, é uma camada grossa e salgada de cheddar. Ponto bem positivo.

A carne tem aquele tempero dito caseiro de sal, cebola e um verdinho (verdinho pra mim é todo qualquer tempero verde, não sei o nome dessas paradas).Tem um tamanho legal ou pelo menos suficiente. Quanto ao ponto, estava quase lá, um pouco seca, mas nem se tratava tanto do ponto, acho que um pouco mais de gordura na carne deixaria mais suculenta, gostosa e menos fibrosa.

Em cima da carne, o queijo, em cima do queijo o bacon.  Generosa fatia de bacon cortado em tira e umas lascas grandes que dão consistência e um pouco mais de sal e sabor ao morder. Na foto aparece bem a parte da gordura, mas ele tinha uma boa carninha também.

Acompanha batatas chips, fininhas, bem sequinhas e crocantes. Um potinho de molho adocicado com gosto de fumaça, barbecue.(sem essa de cobrar extra por um potinho de molho como uns lugares sem vergonhas fazem).
O refri é servido num tipo de taça de vinho, gosto de copos diferentes mesmo para tomar refrigerante.

Surpreendentemente o bicho tem um fator sustância bom, deve ser por conta do pão pesado.

No final o cara fez a conta de cabeça no papel, no melhor estilo do finado seu Zé e o Alvaro do Montesquieu.

Para fechar, uma dica natalina e não hamburguística. Uma fatia de chocotone, doce de leite e outra fatia de chocotone. De nada!

Semana que vem tem mais um post novo do Yuri. Eu vou ficando por aqui. Até janeiro.

See you mothafuckers, ho-ho-ho!!

Ficha técnica:

Hambúrguer Especial

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo cheddar, fatias de bacon, cebola caramelizada e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$18,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$22,00.

Ponto alto: A quantidade do queijo e o bacon bem servido.

Ponto baixo: Definitivamente, o pão não agradou.

Avaliação: C+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437. Fica ao lado de um boteco de tiozinho, daqueles todo amarelo da skol.

 
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Publicado por em 12/13/2013 em Uncategorized

 

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Denver Burger & Grill – Denver Burger

Denver

Não é pouca a literatura destinada ao tema do duplo. Os doppelgänger, como os escribas germânicos batizaram a figura mística que em tudo se parece com a forma original, desestabilizam nosso mundo orgânico idealmente único – e imperfeito, por consequência. De certa maneira, um duplo é uma ferida narcísica que se abre na carne de nossa crença máxima de que somos resultados da ação de nossas próprias experiências sobre o suco genético que nos foi impresso nas células. Se somos especiais, o somos por sermos únicos. Se não somos únicos, não somos tão especiais portanto, com o perdão da expressão axiomática aqui. Mais ainda (e aqui entram os devaneios dos nossos romancistas) o temor de que apareça um doppelgänger fisicamente idêntico a nós, mas com valores invertidos – um gêmeo do mal –, para nos usurpar a vida virtuosa construída sob muito esforço e resignação, ao mesmo tempo em que pode ser interpretado como uma autossabotagem psicoanalítica, de que nosso maior nêmesis são nossos monstros interiores, guardados a sete palmos abaixo de nossa manta de civilidade, é também fruto de um otimismo assertivo que não nos deixa enganar: se há um gêmeo do mal, é apenas porque nós não podemos sê-lo, acreditando-nos tão outro, tão espelho do vício, tão cornucópia de virtudes. Fato é que, seja qual for o caso, o duplo só pode existir para dizer algo sobre o original, nunca para figurar com vontades e características próprias.

O Denver Burger, ao criar um duplo do Madero, a hamburgueria favorita do curitibano de classe média alta, parece fazer o mesmo. Mais do que copiar uma fórmula que se sabe eficiente, o hambúrguer do Denver diz mais sobre a galinha dos ovos de ouro do Durski do que sobre si mesmo. Ao replicar uma fórmula em um mundo orgânico e imperfeito, ele dá contornos de perfeição a esse mesmo mundo. É como se dissesse “este é igual ao outro porque em nada pode ser melhorado”. E de fato não há, substancialmente, nenhuma diferença entre a montagem do Denver Burger e a montagem de um Cheeseburger Jr. Hambúrguer grelhado, pão francês bola, queijo processado, alface, tomate e cebola com maionese. É tão parecido que a foto que o Murilo colocou na sua explanação como sendo a foto publicitária da hamburgueria do Novo Mundo não deixa negar a homenagem, a inspiração, o plágio, o clone, o duplo, a cópia, o xerox, o doppelgänger, chamem como quiser.

Denver Burger

Obviamente que o que o Madero pensa sobre isso não nos interessa. Estamos aqui para falar do Denver, algo inédito na história dos doppelgänger, vamos dissecar o duplo ao invés do original, dando assim contribuições sociológicas e gastronômicas nunca antes vistas na nossa esparsa e aleatória produção acadêmica.

É claro que o gosto não é e não pode ser o mesmo. A carne é boa, mas algo faltou. Um it, um mojo que não pode ser igualado sem o know-how devidamente passado pelo mestre hamburgueiro. Ela ficou seca, parecendo um kibe por dentro, como a foto tirada porcamente com celular abaixo pode atestar.

Denver Burger

O queijo também não ajudou muito na coisa. Processado e sem aquela gordura líquida necessária para lubrificar as engrenagens da suculência, toda a parte liquefeita do lanche ficou por conta da ínfima camada de maionese que se perde entre folhas de alface, tiras de cebola e rodelas bem secas de tomate, com muito pouca geleia. Era preciso pelo menos meia pá a mais de maionese pra coisa ficar fluída, gostosa, como tem que ser. Hamburguer seco é coisa de McDonald’s e ninguém realmente gosta de McDonald’s, não é mesmo?

Agora, sobre a salada. Eu confesso que eu não entendo direito como é que algumas cebolas podem ser tão inócuas e ao mesmo tempo deixar um cheiro infernal na mão, que impregna debaixo da unha e não sai nem com muito sabonete, e tem outras que nem isso fazem. Bom, a cebola do Denver é dessas cheirosas que não te deixam em paz nem depois de muito tempo após a refeição. Só um comentário que eu queria fazer.

Por último, o pão também não é o mesmo. É, como o resto do conjunto, extremamente seco e com o miolo já meio endurecido, com aquela consistência de isopor. Nada muito grave, mas como a gente sabe que um pão bem feito e gostoso é meio caminho andado na estrada do bom sanduíche, o Denver Burger ficou um pouquinho abaixo também por isso.

A única coisa em que o Denver supera, e supera muito fácil o Madero, é nas batatas fritas, bem crocantes, sequinhas e gostosas. Estavam quase queimadas, mas não chegaram nesse ponto. Realmente muito boas, valem o lanche.

No geral, entretanto, não é um lanche ruim. Não é igual ao Madero, mas nem por isso é ruim. Poderia ser melhor, mas nem por isso é ruim. É secão e precisava de mais sucos, mas nem por isso é ruim. É um hambúrguer bom que poderia ter sido melhor executado. Mas isso, a malandragem da grelha, se constrói com anos, tentativas e queimaduras de segundo grau. Um chef tem as mãos que merece aos cinquenta anos.

Ficha técnica:

Denver Burger

Ingredientes: “Hambúrguer com 200g, queijo cheddar, maionese, tomate, alface, cebola e pão”.

Preço: R$13,80, com uma coca lata ficou R$17,80

Ponto alto: Batatinhas fritas gostosas e carne de qualidade.

Ponto baixo: Sanduíche seco, carne mal executada e cebola que deixa cheiro na mão (embora não possa atribuir isso ao restaurante, eu acho).

Avaliação: C+

Denver Burger & Grill fica na Rua Aleixo Skraba, 144,no Novo Mundo,  do lado de um Mercado. Funciona de  Segunda à Domingo, 18:00 – 00:00. Fone (41)3268-3297

 
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Publicado por em 11/08/2013 em Uncategorized

 

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Square Burger – Chuck B., Elvis e Ritchie V.

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Um frio de 7°C, ventando, numa quinta-feira à noite. Não dá vontade de sair de casa nem para comer, mas nós fomos, e fomos porque temos um compromisso com isso aqui.
Estivemos num lugar que tem delivery, então na próxima noite fria vou pedir e comer no sofá de casa sem precisar tirar o pijama. Por falar em pijama, quando chegamos tinha uma família, com uma menininha de uns 9 anos usando um pijama rosa choque, esperando para levar o lanche. Gosto de ver que existem pais legais que deixam as crianças serem crianças.

O Square Burger que fomos é uma local pequeno, no Rebouças. Acho que consegue ser menor que o Rock’a Burger. São só três mesas de madeira entre paredes vermelhas com discos de vinil alinhados decorando o ambiente.  Os nomes dos hambúrgueres são nomes de astros cinema e do rock, o (bom) som ambiente também é dos velhos do rock.
O barato do Square é que são mini sanduíches, a menina do caixa disse que três equivalem ao tamanho de um normal. Eles são servidos embalados em papel alumínio e dentro de numa caixa, com as batatas-fritas, mesmo sendo para comer ali na hora.
O grande diferencial é a carne que não é redonda como um disquinho, é SquareBurguer, sacaram? O hambúrguer é quadrangular.

Quando vi pela primeira vez um hambúrguer quadrado, lá em Moscou, pensei: “Orra, esses russos são foda, fizeram um hambúrguer quadrado só para ser diferente dos americanos”, mas depois descobri que a lanchonete era uma Wendy’s, uma rede norte americana, e perdeu um pouco a graça.
Mas também pensei: “Como ninguém fez isso antes?” Agora parece tão óbvio tentar essa mudança geométrica.  Mas espero que ninguém queira inventar moda e fazer em forma de estrela ou outra merda do tipo.

Tentando ser objetivo, vamos à brincadeira.

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O pão é o mesmo em todos. Pão de leite sem gergelim, muito macio, fresco e levemente tostado nas partes internas. Daquele que se desmancha ao morder.

O velho Chuck B. (de Chuck Berry) é o mais simples, peguei justamente por isso. Porque se o negócio mais básico é interessante, o resto só vem a acrescentar.
O diferencial dele é a maionese, que é bem boa e vem numa quantidade suficiente para ser notada.  É aquela maionese com uns verdes, que sempre vai me lembrar a do Mister Dog, a melhor maionese verde de todas as galáxias das araucárias.
O queijo, faz um tempo que não digo isso, poderia ter um pouco mais. Não é porque é um sanduichinho, que tem que vir só um queijinho.

O Elvis é um Chuck Berry turbinado com bacon em cubinhos. Talvez isso explique um pouco o Elvis ter morrido gordo e decadente e o Chuck Berry esteja fazendo shows até hoje, mesmo velho decrépito.
Já da para imaginar como é, bacon e sua gordurinha

O Ritchie V. (Eu não sabia quem era, procurei agora e descobri que Ritchie Valens era o cara do “La Bamba”) tem um lance chicano,  vem dois Doritos, cheddar e a carne quadrada. É tipo um Nachos, mas não lembra muito nachos, mesmo com o Doritos que da crocância e um temperinho. Diz que tem pimenta, mas não senti. Eu colocaria mais pimenta, um barbecue derramando e chamaria de Machete!

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Além do pão, uma coisa que vai ser igual em todos, é a carne, e devia ser um hamburguinho quadrado mais gordinho ou mesmo colocar dois juntos….quiçá um “quadradinho de oito“(risos).
O hambúrguer é muito fininho, não da para morder e sentir realmente a carne, mas deu para perceber que era bem temperada e também bem passada, com essa espessura nem tem como não ser passada, colocou na chapa e virou, já era.

As batatas fritas (por mais 3 reais) vem numa quantidade boa.
Porque metade de mim é sanduíche e a outra metade é batata frita”, disse a caixa do Square Burger.
As batatas estavam um pouco moles, me lembrou as que minha mãe faz, sempre ficam molengas, me agrada, mas poderia fritar mais para deixar mais crocante por fora. Fazer aquele lance de fritar uma vez, tirar e colocar num óleo mais quente para dar mais uma fritada, mais ou menos isso. Manjo mais de comer, semana que vem o Yuri explica no post dele, voltem aí conferir.

Uma coisa legal que descobri dos caras, se o McDonald’s tem a boa ação (de marketing) do McDia Feliz, o Square também tem, no dia 18 de setembro rolou o dia de doar uma porcentagem para ajudar o Hospital Pequeno Príncipe.
Como diriam os cartazes de shows de hard core do início dos anos 2000. “Prestigie a cena local”.
É tipo aquele lance que circulou no Facebook, pra que doar para o Criança Esperança, que já é uma parada gigante e milionária, se você pode doar para uma APAE ou o Pequeno Cotolengo, que é um lugar muito mais próximo da gente?!  #DicaGoodBurger

No geral foi uma experiência diferente, vem tudo numa caixa, os sanduíches embrulhados, tem um lance meio infantil, é divertido. Além de termos sido atendidos por uma menina bonita e sorridente.

Acho que nunca tinha escrito tantos diminutivos em um textinho só.

Ficha técnica:

Chuck B., Elvis e Ritchie V.

Ingredientes: “Chuck B. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo e maionese especial. – Elvis; Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo, cubos de bacon crocantes e maionese especial. – Ritchie V. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo cheddar, molho de pimenta e nachos.”

Preço: R$16,90 os três sanduíches e meia porção de batata frita + Coca-Cola de 600ml R$4,00(dividimos o refrigerante, mas o Yuri que pagou).

Ponto alto: Escolher diferentes “sabores” no combo e vir na caixa embrulhadinho é legal.

Ponto baixo: É pouco recheio, carne muito fininha.

Avaliação: C

O Square Burger fica na Rua Lamenha Lins, 1550, no Rebouças, meio perto da Arena da Baixada. Não achei o horário e dias de funcionamento, então liguem lá. Tem delivery, (41)3032-3773 ou 3032-2727, no Alto da Glória.

 
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Publicado por em 09/27/2013 em Uncategorized

 

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Au-Au – Texas Burger

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Eis que a falibilidade dos canais de comunicação institucionais dos redutos gastronômicos da cidade e, por que não dizer, nosso próprio desleixo com a curadoria das hamburguerias da semana nos colocaram mais uma vez desnorteados no centro da cidade sem saber para onde ir em plena terça-feira à noite. Vagando pelos arredores de uma área gentrificada cujo nome não ouso dizer neste querido blog, deparamo-nos com a onipresente fortificação cross-over fast-food/casual dinning curitibana Au-Au, um estabelecimento principalmente objetivado a construir o cardápio do inimigo número 1 dos nossos queridos hambúrgueres, o cachorro-quente de rua, o cachorro quente de praça, de festas juninas, quermesses e aniversários, o sanduíche de carne embutida, condimentada, pré-cozida e, ao que tudo indica, cancerígena que conquista a tudo e a todos por onde passa, um enfant-terrible das porcarias que nossas mães nos impediam de comer.

Por que buscar hambúrguer em um lugar como esse? Seria como buscar compreensão no terceiro Reich, amor no prostíbulo, redenção na política, honradez no contrabando, concupiscência na igreja? Talvez sim, talvez não, mas parte das capacidades do olhar treinado para a sensibilidade do não-óbvio é encontrar lógica no caos e beleza no lixão. Por isso fomos, e nos aboletamos nas insistentes mesas americanas de sofá e pedimos para a garçonete a carta de hambúrgueres.

Talvez tenha sido a decisão mais acertada que tenhamos tomado nesses últimos tempos. Não só o Au-Au tem uma grande variedade de comida decente como também são receitas inventivas, com ovo, com rúcula, com mostarda e mel, enfim, algo que saia da tríade x-buger, x-salada e x-bacon. A minha escolha foi o Texas Burger, um sanduíche marcado principalmente pelo molho barbecue e pelas cebolas grelhadas. A ideia parece simplória, mas ganha no conjunto da obra, veja.

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A propósito, essas batatinhas smiles que estão aí são opcionais e podem ser obtidas se o cliente quiser abdicar das tradicionais batatas palito, mas não recomendo dada a pouquíssima quantidade e a artificialidade do pastiche tuberoso. Ainda assim, são aquelas batatas sequinhas e gostosas que, caso viessem em maiores quantidades, até valeriam uma ponderação prévia.

Fora a apresentação do lanche, que é sim muito bonita e prática, o que se nota nesse Texas Burger é a quantidade de salada que vem nele – o que seria uma coisa terrível não fosse o cuidado na escolha dos alimentos. A alface extremamente crocante e o tomate carnudo e bem vermelho fazem o papel da boa salada num sanduíche, que é acrescentar cavalinhos de textura no carrossel de sensações experimentado em um lanche bem composto por carne, pão, vegetais, queijo e condimentos. A salada do hambúrguer é assim: se não faz parte da solução, então faz parte do problema.

O queijo é outra grata surpresa. Uma grata gratinada surpresa, eu diria mais. A generosidade na porção que cobre a carne tem a possibilidade de fagocitar parte dos outros ingredientes e se sobrepor a todos eles sorrateiramente, um coadjuvante que não se contenta com o pano de fundo e parte para o ataque sempre que necessário, um paladino laticinioso engajado em uma cruzada santa pela tradição perdida do queijo farto nos hambúrgueres com queijo.

A cebola e o barbecue são a comissão de frente do Texas Burger, algo claramente evidenciado em seu nome de pia. A combinação, embora não seja original e muito menos incomum, agrada apenas quando o resto é bem servido. Ou seja, muita cebola e barbecue com pouca carne e queijo não é exatamente algo que mereça registro, mas o contrário é enriquecedor e um colírio para as papilas gustativas.

Mas é claro que nada disso adiantaria de muita coisa caso a carne, que é o ponto central, não fosse bem executada. E preciso reconhecer: para quem trabalha com uma carne tão pobre quanto a salsicha de um cachorro-quente, o pessoal do Au-Au até que sabe manejar um disco de hambúrguer.  A carne é boa, macia, alta, vermelha e suculenta. Bom, não tão suculenta, mas dá conta do recado, embora algumas vezes seja sobreposta pela quantidade sobrenatural de alface do Texas Burger. E nem preciso dizer que carne combina com molho barbecue.

Como calcanhar de aquiles deste belo monumento, o pão é uma decepção pela sua obviedade e falta de requinte. Um pãozinho mixuruca industrializado desses que você encontra em qualquer lanchonete que venda uma porcaria de hambúrguer pré-frito com queijo e presunto por três reais. Tal conjunto merecia um acabamento melhor, mas não é sempre que é possível. Se acabam as tintas do artista, pintar com bosta talvez não seja a melhor solução, mas antes isso do que não entregar nada.

Ficha técnica:

Combo Texas Burger

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, molho barbecue, queijo musarela, cebolas douradas na chapa, alface, tomate e maionese no pão especial de hambúrguer + 5 fritas smiles + Refri lata.”

Preço: R$23,80 no combo com coca-cola lata e batata frita.

Ponto alto: Bom conjunto, apresentação, salada boa, queijo e combinação clássica barbecue + cebola que não falha.

Ponto baixo: Pão mixuruca e preço um tanto alto.

Avaliação: B-

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
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Publicado por em 09/20/2013 em Uncategorized

 

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Au-Au – Burguer 3 Queijos

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Semana passada por motivo de festa não teve post, podem dar parabéns para o “Nego Dito”. E também porque 6 hambúrgueres de 6 lugares diferentes em pouco mais de 6 horas, marcando a tríade 666 do capeta hamburguístico, merece ficar mais uma semana no ar.

Agora, voltamos à programação normal e voltamos com um clássico Curitibano. Au-Au. Não, isso não foi uma onomatopeia do Frank Aguiar, político brasileiro e cãozinho dos teclados, é o nome do lugar que fomos.

Quando chegamos, ainda sem saber se teria hambúrguer, não tinha nenhuma foto de hambúrguer em nenhuma parte. Pensei que seria uma tragédia anunciada, o lugar é totalmente voltado ao cachorro quente burguês e a gente chega pedindo um hambúrguer. Era o Au-Au( não era Mu-Mu, cacete!), era claro que ia dar merda.
Eis que, quando sentamos e vimos o cardápio, a surpresa: tinha, e boas opções até! Já ganham um ponto por nos surpreender.
Os caras servem várias coisas além de cachorro-quente. Tem desde saladas e sanduíches naturais de presunto e atum — o que explica a grande quantidade de pessoas de meia idade com roupas da academia —, até algumas sobremesas interessantes, além de uma penca de opções de cachorro quente (que particularmente comi uma vez e nem curti, prefiro muito mais os rueiros). Vocês estão ligados que a verdade vem das ruas, né?!

Estou numa vibe tipo Lulinha paz e amor, 2002, não vou ficar criticando esse povo classe média que vai lá, não se contenta, e também vai no Au-Au no litoral (ia falar na praia, mas isso que temos no Paraná é litoral, praia é outra coisa) e paga 17 reais num cachorro quente.

A menina chegou com os refrigerantes, colocou a lata na mesa e colocou um canudo do lado, nessa hora me liguei que estou ficando velho. Pedi um copo, afinal, não estou bebendo de pé na rua. Ganhei um copo de papel.
Enquanto não chegam os pedidos, fico olhando a movimentação no balcão. Gosto de ver a comida das outras pessoas. O salão logo de entrada não é tão grande mas eles conseguem colocar muitas mesas, fora os bancos laterais encostados nas paredes que já descascam  o adesivo que imita madeira, mais a parte lateral e as carrocinhas fast food mais fast, na frente.

auau3quijos

O Blob, nome carinhoso que dei para o 3 queijos, que mais parece um monstro derretendo, meio tipo A Coisa, ou uma amoeba, é uma massa quase viva de queijos, algo que eu realmente queria. Esse é o tipo de coisa  para a qual você assume o risco. Um bolo de queijos e uma carninha, era o que eu queria e foi o que recebi. Feio e zoado como um lanche barato de lanchonete de bairro e a mesma satisfação, só que mais caro.

Pão bem genérico, um pouco fino, sem nada muito especial, mas do jeito que eu gosto. Pão de leite macio e sem gergelim que cumpre bem o seu papel.

Bastante catupiry, poderiam dar uma equilibrada melhor. Menos catupiry, um pouco mais de parmesão, que dos três é o que tem o gosto mais característico, e um pouco mais do mussarela também, para dar a elasticidade e consistência. Embora seja uma bela mistureba, não achei enjoativo, talvez por ser mais volumoso que realmente quantitativo. O que é bom também, não precisar comer toneladas de queijo e ficar satisfeito.

A carne, embora não estivesse totalmente seca, estava bem passada, até aí beleza, com esse conjunto não precisava estar tão suculenta, mas as partes com a marca da grelha estavam carbonizadas, fazendo uma crosta que da um crocante interessante, mas com um amargor de queimado lamentável. Mancada, galera, foi o ponto negativo do sanduíche que até então estava legal, mesmo com essa aparência.

Acompanha alface ralada e maionese, que juntos formam uma dupla imbatível para fazer o pão ficar escorregando pra lá e pra cá enquanto você tenta equilibrar tudo e fazer com que uma das partes do pão não acabe antes que a outra.
Nesse quesito bagunça tem uma coisa legal: eles tem uma embalagem/origami tipo do Guiolla. É uma parada muito funcional e evita fazer lambança.

Acompanha batatas fritas bem regulares, padronizadas industrialmente, cortadas fininhas e meio sem graça, mas vai, tem lugar que nem tem nada.
Da para trocar as batatas fritas por 5 batatas de carinhas, essas de criança, eu aconselho, são mais gostosas e divertidas, não fiz isso mas induzi o Yuri a fazer e acho que foi melhor pra ele.

Sustentou como uma refeição, comemos lá pelas 21h e agora são 2:33, vou comer um empadinha porque não se pode deixar para amanhã o que se pode comer hoje ainda fresco (não que eu esteja com fome).

Para fechar, semana passada alguém caiu aqui no blog porque estava procurando por uma “receita de abobrinha para colocar no hamburguer”.
Se liguem na #DicaGoodBurger. Nunca coloquem abobrinha no hambúrguer… e nem no cu.


Ficha técnica:

Combo Burguer 3 Queijos

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, alface americana, queijos parmesão, catupiry e mussarela e maionese no pão especial de hambúrguer + Fritas 120g + Refri lata.”

Preço: R$24,80 no combo com coca-cola lata e batata frita. (Acho que 20,00 estava susse)

Ponto alto: Tem um geral bom, nada que se destaque tanto, mas os queijos são o principal.

Ponto baixo: A carne queimada foi marcação.

Avaliação: C+

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
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Publicado por em 09/13/2013 em Uncategorized

 

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Kaes Bar – Kaes Cheddar

Kaes Bar

Honestamente, não sei por que ainda me atrevo a pedir hambúrguer de cheddar em estabelecimentos que eu não conheço. Deve ser o impulso que me lança intrepidamente rumo ao desconhecido dos sabores e, tal qual o astronauta perdido busca a estrela mística Galadriel, eu busco me surpreender ante o vasto oceano de mesmice que encontro quando falamos deste queijo específico. Mais uma vez, a pasta processada – e muito mal processada, se alguém quiser saber – é a lebre vendida por gato por essas bandas, e o problema continua sendo o gosto. Eu gostaria de saber se tem alguém que come essa porcaria que não seja esse tipo de degenerado que come salgadinho Elma Chips aos borbotões, porque se o que você está procurando é o fino sabor de gordura e especiarias, você achou o cheddar do Kaes Cheddar. Taí um sanduíche que até teria um certo potencial se não fosse a escolha desastrosa dos ingredientes.

O primeiro ponto alto seria o próprio lugar. O Kaes é um desses bares que se orgulha de vender cerveja, uma paixão pelo próprio produto que só encontra similares em sex shops, lojas de videogame e certas igrejas. Com suas bolachas de chopp cobrindo o teto, suas capas de garrafa fazendo as vezes de luminárias e suas mesas cravejadas de chapinhas, sua decoração rústica e seu pay-per-view ligadão no futebol, o lugar é o equivalente social da chamada man-cave, o reduto do guerreiro homem que, quando menos percebe, tem sua casa toda redecorada pelo toque feminino da cônjuge e retrai-se, resignado, a um mísero quartinho de mobília duvidosa, guitarras, charutos e destilados. No Kaes, os homens podem se sentir homens, e, ainda que a oferta de narguiles atraia a atenção de muitas patricinhas e a playboyzada de costume, o lugar se fortalece sem deixar o público o prejudicar.

Seus lanches, por outro lado, são uma bela decepção. Os hambúrgueres, embora disponham de vasta e rara disponibilidade, não passam de variações sobre o mesmo tema – e isso não é tão óbvio quanto pode parecer. A diferença entre um e outro às vezes é o acréscimo ou a subtração de um único ingrediente, e a diferenciação entre hambúrgueres “Classics” e “Premium” não é tanta como queria o apartheid gastronômico promovido nesse estabelecimento. Por isso, escolho o sanduíche que mais destoasse do quadro geral, que é esse Kaes Cheddar. O cardápio diz que ele vem com dois hambúrgueres de 90g, queijo cheddar derretido com cebola caramelada. Basicamente os ingredientes que compõem qualquer hambúrguer de cheddar no Brasil. Agora, os caras devem achar que eu nasci ontem pra cair nessa de “queijo cheddar derretido”, porque, amigo, o dia que alguém aqui nessa terrinha esquecida por Dios derreter um naco de queijo cheddar pra colocar num hambúrguer, gabiru ganha chifre. Sério, qual o problema de falar que é um requeijão sabor cheddar, ou uma gordura sabor queijo, qual é a questão moral de se falar a verdade, afinal de contas? Pois muito bem, eis o bicho:

Kaes Cheddar

A apresentação é desajeitada como o sanduíche inteiro. Em uma noite fria que fomos, servir a carne assim, à mostra e desprotegida do sereno, é um crime contra todo ser humano que deseja fazer uma refeição quente. As batatas, por sua vez, são dignas de lágrimas raivosas. Como, meu Deus, como um estabelecimento serve batata chips industrializada para acompanhar seus lanches? Nem se você resolver ser auditor de prédio público você vai testemunhar tamanha negligência, amigo. Eu me recuso a comer essas paradas, não foi pra isso que me inscrevi nesse casual dining crawl que faço com tanta diligência e esfomeada dedicação. Me recuso.

A carne e o pão, esses sim são dignos de nota. A carne, é bem verdade, estava um pouco fria e monocromática, indicando a pobreza de gordura, a ausência de sucos e a demora que fez passar do ponto, mas tinha boas e saudáveis marcas de grelha e é de uma espessura considerável. E o fato de serem dois hambúrgueres foi o que me chamou a atenção, não só porque eu estava com muita fome, mas porque também fica difícil por esses tempos de concorrência acirrada considerar que um único hambúrguer de 90g possa ser o protagonista de um “Premium”. De qualquer forma, a quantidade foi insuficiente – talvez se eu tivesse me entupido de batatinha hidrogenada, estivesse saciado, mas tive que pedir um hamburguinho pra calibrar o estômago depois. O pão, por sua vez, é um pão bem macio e gostoso, não tem muito o que possa se dizer sobre ele devido a seu caráter genérico, mas acho que se o pão não pode brilhar, que pelo menos passe ao largo como bom coadjuvante que não deseja roubar a cena.

Agora, há um quinto elemento nesse disparate que chamaram de sanduíche que é a maionese caseira. Trata-se de uma pasta verde, levemente temperada com alho e outras especiarias, o que pode ser muito bom, se você estiver imaginando a coisa por um aspecto positivo, mas é a pior maionese caseira que eu já comi. O gosto é tão forte, e ao mesmo tempo, tão suave, que só pode se tornar enjoativo. O gosto me lembrou umas coisas que comi num Subway em Santiago do Chile, uma péssima lembrança gastronômica que não gostaria de lembrar. Por sorte a maior parte do molho vem num potinho separado, mas ainda vem um pouco dentro do pão. Uma pena.

No fim, o Kaes é uma man-cave coletiva com muita ruteza e personalidade, mas os hambúrgueres Premium que eu pude testemunhar não são aquilo que prometem. Por sorte, o lugar tem um diferencial que faz todo o resto vale minimamente a pena: o preço. O sanduba mais caro de todos ainda tem um precinho camarada, e como não gostar de um lugar desses?

Ficha técnica:

Kaes Cheddar

Ingredientes:  “Pão especial, maionese, 2 hambúrgueres 90g, queijo cheddar derretido com cebola caramelada”

Preço: R$12,90 + Coca-Cola lata R$3,50 e R$2 de entrada. Francamente, dois reais de entrada???

Ponto alto: Preço bom, carne dignamente grelhada (embora não tão bem composta) e pão coadjuvante.

Ponto baixo: Cheddar horroroso, maionese pior ainda, batata industrializada como acompanhamento.

Avaliação: E+

O Kaes Bar fica na Rua Doutor Manoel Pedro, 715, no Cabral. Funciona de segunda à quinta 18h-00h. Sexta e sábado 18h-02h. (41)3253-3997.

 
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Publicado por em 04/12/2013 em Uncategorized

 

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