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Mister Dog – Big Calabresa

Não tem frescura, não tem quadro do Elvis, não custa 28reais, não tem decoração kitsch e nem música lounge. Uma televisão grande passando Jornal Nacional, mesas e cadeiras vermelhas de plástico da coca-cola, um único atendente atencioso, cardápios já disponíveis em todas as mesas, um lugar tranquilo e meio de família, coisa que só se encontra fora desse circuito supervalorizado e glamourizado de hambúrgueres gourmets, especiais, primes e et cetera.
O negócio aqui é simplão, tá ligado!

As vezes canso desses lugares da moda, lugares que são meio pré-balada, lugar em que todo mundo vai arrumado, como no Batel, ou lugares onde o povo vai para ver e ser visto, como na Trajano Reis. Ando meio enfastiado dessas babaquices. Quero só sentar e comer, simples assim.
A parada no Mister Dog é tipo lanchonete, não acompanha batata-frita, não tem viadagem decorativa no prato, o sanduiche vem num saquinho de papel branco, clássico.
Mister Dog tem esse nome porque o prato principal da casa é o cachorro quente, são dezessete (!) opções de hot-dogs, contra seis (boas) opções de hambúrguer.
O lugar tem todas as características das lanchonetes dos bairros mais afastados, ou de cidades do interior como foi citado no blog Baixa Gastronomia, da Gazeta, que deu origem às recomendações que recebemos, e nem fica na C.I.C, no Capão da Imbuia ou em Colombo… ou seja, a chance de chegarem atirando em todo mundo na procura de um nóia com dívida na boca vai ser mínima, mas a chance de furtarem o seu carro é alta, já que o Água Verde é o bairro com maior número de furto de veículos. Já avisava o poeta da juventude anos 00, Chorão.
“Nem tudo lhe cai bem.
É um risco que se assume.
O bom é não iludir ninguém.”

Ah, o nome “Mister Dog” parece que não é oficial, tanto que não tem placa nem nada, mas no cardápio ainda está assim e nós vamos chamar disso. A foto no início do post está uma porcaria mas da para perceber a placa da Pizzaria que fica ao lado, é a melhor referência para achar o lugar.

Só mais um detalhe antes de falar de comida, que é pra que foi inventada essa bagaça afinal: uma coisa que chama atenção no ambiente é o caixa na hora de pagar (na real eu reparei logo que entrei), você fica vendo o cara inteiro, é engraçado, o caixa é uma cabine feita nos moldes e na mesma onda arquitetônica que inspirou as paredes de vidro do Kharina Batel. Saca só!

E vocês tirando foto e achando o Sláinte super descolado com aquela cabine telefônica importada.

Agora o Big Calabresa.


Meu contato com linguiça calabresa é quase sempre nas pizzas e as vezes nos X-tudos, e como um X-calabresa ainda não tinha rolado aqui no blog, foi esse o escolhido.
Uma coisa boa dessa calabresa, contrária ao que sugere o nome da pimenta calabresa, é que não é apimentada. Não gosto muito de coisas apimentadas ou picantes, (só das Spice Girls, rá-rá-rá!), acho foda quando você pede pizza e vem calabresa apimentada e ainda colocam um monte de cebola… mas o negócio aqui não é pizza, é hambúrguer, e essa combinação é bem interessante, porquinho e vaquinha são amigos até depois da morte. Bacon com hambúrguer, linguiça com hambúrguer, tudo combina.
A calabresa fatiada fina, junto do hambúrguer, da uma consistência boa ao mastigar, é como se fosse um hambúrguer maior e mais macio, e com gosto de calabresa, claro!

Não é porque simpatizei com o lugar que vou aliviar, aqui a gente não alivia pra ninguém (a não ser que pague muito bem, aí a gente pode conversar! -risos-). O hambúrguer estava bem passado, 200g de carne bem passada, e um tanto seca.
Não é um hambúrguer gordo ou alto, ele é meio fino(mais ou menos um dedo), porém, grande no diâmetro.
Bem passado quase sempre quer dizer seco, o Big Calabresa padeceu do mal do Mustang Sally. Mesmo problema, mesma solução, maionese para curar a secura da carne e lubrificar as coronárias!
E aí aparece um diferencial do lugar. Além da maionese normal, são mais cinco bisnagas com molhos, ou seja, 6 opções de complementos. E tem lugar aí que fica regulando e quer cobrar por um molhinho extra, pfff!
Tem umas duas bisnagas com mostardas, uma de catchup, uma que eu acho que é pimenta, e uma maionese verdinha especial — o especial é por minha conta, pra mim ela foi especial, adorei aquilo!
É uma mistura muito suave de maionese, alho, cheiro-verde e talvez mais alguma coisa que não tenha identificado. Geral fala da maionese do Come-Come (e a verdade é que ela é mais comentada do que realmente saborosa) porque não experimentou essa.
Salada bem fresca, olha esse alface que crespa e que salta, não só aos olhos, e que dá uma benfazeja crocância, além do tomate que foi importante já que a carne estava um pouco seca, mas ao mesmo tempo acho que o tomate rouba um pouco o gosto da calabresa, nada de mais mas da uma roubada.
O queijo confesso que nem reparei, ou seja, poderia ter um pouco mais para que fosse mais representativo e ajudaria a dar uma liga melhor.
Tudo isso dentro de num pão de leite grande e macio, sem gergelim, que para ficar mais típico de lanchonete de interior, poderia ter sido colocado na chapa para dar uma tostadinha. Por enquanto só o Guiolla fez isso e ganhou minha admiração. (outros também ganharam, mas por outros motivos).

Resumindo, se estiver passando pelo  Água Verde, ache a tal Avenida dos Estados e vai até quase o final, no sentido do bairro. Vale dar uma passada para encher a pança.


Ficha técnica:

Big Calabresa

Ingredientes: “Big pão, hambúrguer 200g, queijo, calabresa fatiada, alface, tomate, maionese e catchup.”

Preço: R$12,00 mais uma coca-cola lata e 50% de uma porção de batatas fritas, ficou R$18,40.

Ponto alto: O tamanho, preço, e o molhinho verde especial.

Ponto baixo: A carne seca.

Avaliação: C+

O Mister Dog fica na Avenida dos Estados, 1250, esquina com a Rua Morretes, no Água Verde. (41) 3408-0884.

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Publicado por em 10/04/2012 em Uncategorized

 

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Peggy Sue – Fats Domino

BatelSempre me despertou a curiosidade a busca incessante de algumas civilizações pela harmonia, pelo equilíbrio. Enquanto todo e qualquer sistema econômico apresentado até então na história moderna buscou o contrário, abrir um canyon de diferença social, porque individualmente as pessoas buscam o enriquecimento pessoal, também individualmente buscam o equilíbrio em suas vidas. Os chineses, os indianos, os japoneses, os igbos, os babilônicos, e até os toltecas, pelo que parece, todos eles tinham nomes para essa hipotética balança cósmica que nunca pode pender para um dos lados sem depois pender para o outro. Arrisco dizer que o equilíbrio implica exatidão quantificativa, e a exatidão, por sua vez, acalma o ser humano, dá sentido ao mundo caótico ao seu redor. Seus ângulos retos vieram antes que Leonardo Fibonacci pudesse apresentar ao mundo a constante escondida por baixo de quase todos os movimentos naturais, seus sólidos perfeitos vieram antes que o primeiro olho visse a exatidão microscópica e alotrópica das moléculas rômbicas e monocíclicas, seus pratos a base de berinjela vieram antes que o tomate fosse introduzido na Europa, enfim, o homem busca equilíbrio sem, contudo, enxergar o equilíbrio a sua volta. A harmonia conforta porque é uma aproximação tautológica de nosso senso de medida, de nosso domínio resvalado sobre as coisas.

Tudo isso para dizer que o Fats Domino, sanduíche de alguma maneira despretensioso do Peggy Sue, diz aos meus sentidos de que aquilo é certo porque é harmônico. Todos os ingredientes casam como deveriam, e por mais básica que a combinação seja, não e um efeito tão simples de se conseguir.

Para quem não sabe, o Peggy Sue é um restaurante no Batel, na Avenida do Batel, um dos únicos lugares da cidade capaz de fazer aflorar em mim o típico ódio da luta de classes. O Peggy Sue é da mesma rede do Taco El Pancho, Soviet e Mustang Sally, restaurantes que promiscuamente fundem comida mexicana e comida americana – uma fusão tipicamente americana, diga-se – e decoram suas paredes e suas ondas sonoras com temas do rock’n roll e rockabilly, e etc. Aliás, havia uma taxa de couvert artístico no dia em que nós fomos, mas válida somente para os clientes do Taco el Pancho. O motivo? Um grupo de mariachis tocando ensurdecedoramente ao seu lado enquanto você come. Cada um com seu gosto…

A coisa boa de todos esses restaurantes é a opção de happy hour que corta pela metade os preços absurdos do cardápio e os tornam alcançáveis (não tão acessível, mas alcançável) ao bolso de pobres operários como nós. É o bastante para procurarmos o estabelecimento, não sem uma ponta de preconceito, formado em nossa desastrosa visita ao Mustang Sally, mas com a cabeça aberta o bastante para saber que restaurantes diferentes têm cozinheiros diferentes, receitas diferentes para pratos diferentes.

O cardápio do happy hour é separado porque DEUS ME LIVRE você abusar da nossa promoção e começar a pedir coisas caras de verdade, então só alguns pratos, que já são naturalmente baratos, entram na brincadeira. Os hambúrgueres são alguns deles. Misturas bem americanizadas, com cebola e cheddar, jalapeños e coisa e tal. Resolvi apostar no básico x-bacon, um lanche que sempre agrada (uma pena que judeus, hindus e muçulmanos nunca vão saber do que eu estou falando) pela combinação de carne picante e seca com carne suculenta e salgada, somado ao queijo e a saladinha que nunca machucaram ninguém também.

Os caras que nos serviam logo se ligaram no movimento e descobriram que a gente era crítico, e a partir daí foi um sim senhor pra cá, sim senhor pra lá, mas não me queixo porque o atendimento já estava muito, mas muito bom mesmo antes disso. Garçom simpático e agilizado, até serviu nossa coca e desejou saúde como se brindasse conosco. Pode parecer pouco, mas numa cidade fria e sem amor como Curitiba faz a diferença.

Algumas diferenças então para o sanduíche do Mustang Sally. Em primeiro lugar, o pão. Sai aquele pão com gergelim, seco porém fotogênico, e entra o mal diagramado pão careca com muita história pra contar. Por baixo, sai a fina e esquecível película de queijo e entra uma protuberante onda de laticínio que cobre a carne suculenta e no ponto. E, entre o queijo e a salada raladinha, o almighty bacon, cujo ponto só é acertado por mestres da fritura da carne suína, e acertaram.

E aqui chega o meu problema enquanto crítico. O Fats Domino é um sanduíche tão harmônico que a cada mordida eu sentia todos os sabores como um só. Nunca veio só tomate e nenhum bacon, ou só carne e nenhum queijo, ou só salada e nenhuma carne, a coisa fluía pra dentro da minha boca. Posso tentar comentar algumas coisas pontuais, mas como o que vale é o conjunto da obra. Por exemplo, o prato é apresentado com uma clássica salada de decoração. Não há nada de errado nisso. Mas o tomate que usaram para a decoração era feio de doer. Verde, murcho e desagradável. Em compensação, o tomate que estava dentro do meu sanduíche era vermelho e carnudo, bem mais apresentável do que aquele que deveria apresentar o prato. Acho que isso mostra caráter, e gostei, mesmo porque nunca como salada de decoração. Tudo bem que poderiam escolher melhor o tomate pra não ter nenhum verde horroroso como aquele por perto, mas já que o lance é economizar, que se coloque o refugo no lugar menos apetecível do prato.

Outra coisa que me chamou a atenção, como havia dito, foi o queijo. Os caras foram mais generosos com o queijo do que Hollywood foi generoso com o Harrison Ford. E esse é um ponto que eu venho levantando desde que começamos nossas peregrinações pelos bares da cidade. Queremos queijo e queremos muito, oras! O queijo do Peggy Sue é daqueles que dá pra puxar, que de tão esticado dá pra ficar um pedaço no sanduíche e o outro pedaço já no fundo do estomago, escorrido e derretido sem se partir ao longo do esôfago. Ô coisa boa e desesperadora ao mesmo tempo!

Por fim, ainda sobre a salada, achei boa a ideia da alface ralada. Distribui igualmente a salada por toda a superfície do sanduíche, mesmo a cada mordida dada. Muito melhor que alface lisa e certamente muito melhor do que rúcula. A ideia é essa, vamos aprendendo com os problemas que encontramos na prática, pra frente Brasil!

Ficha técnica:

Fats Domino

Ingredientes (segundo o cardápio): “Pão fofinho com um hambúrguer de tamanho respeitável, queijo prato derretido, maionese, fatias fininhas e crocantes de bacon e salada”

Preço: R$22,80 no preço normal. No horário do happy hour, com uma coca de garrafinha e uma água mineral totalizou R$21,90. Tá bom.

Ponto alto: Queijo em boa quantidade, pão macio, bacon no ponto e salada de boa qualidade.

Ponto baixo: Carne pouco memorável. Acho que é minha única queixa.

Avaliação: B+

O Peggy Sue fica na Rua Bispo Dom José, 2295 – Batel. (41)3014-9615
Happy Hour com alguns pratos com 50% de desconto Segunda a Sábado 17h30 às 20h e Domingo das 17h às 19h.

 
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Publicado por em 09/27/2012 em Uncategorized

 

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Mustang Sally – Mustang Classic

O atrativo que nos levou ao Mustang, fora o hambúrguer, foi o incentivo do desconto de 50% até às 20h em diversos pratos. Não são todos os pratos do cardápio, só alguns que ficam num menu separado. Para quem está com a grana curta, como sempre é o meu caso, es muy interesante!

Casa cheia, nos restou o segundo andar com as sofás de encostos altos, altos a ponto de evitar contato visual direto com a próxima mesa, o que nos poupa de ver um estranho com a cara suja, alface no dente, essas coisas.
Lugar de gente bonita, bem vestida, chata, de terno, no happy hour … Batel, né?!  Vários casais, deve ser mesmo um bom lugar para levar aquela gatinha para comer uns nachos, e se mostrar caliente, rá!

Chega de enrolação, vamos as vias de fato. Esse Mustang Classic infelizmente não me deixou empolgado como eu ficaria ao ver um Mustang Eleanor rodando pela rua.
É bonito, grande, enche o prato e os olhos, mas pecou por parecer burocrático, deu para perceber que foi feito na correria, o queijo nem chegou a derreter, mas pelo menos deu tempo de tirarem aquele plástico que divide as fatias, saca?
A carne estava seca, quase passando do ponto, não escorreu sequer uma gotinha de “suculência” enquanto cortava o hambúrguer. Triste.
Agora me redimindo com os nutricionistas, a salada se fez necessária para dar uma umedecida, e a maionese em quantidade ínfima teve que ser complementada por pelo menos um sachê para ajudar a dar aquela molhadinha marota e ficar mais palatável.  Aí foi!

Acho que vou implementar um novo quesito: o Fator Sustância, tipo um Fator-X da comilança. Porque é foda quando você sai para comer e depois de algum tempo, quando chega em casa, ter que comer um pão para complementar.
Então no Fator Sustância, o X-salada, ops!, o Mustang Classic, me deixou saciado e com isso chegou ao seu ponto positivo. Joinha para ele!

Sobre as fotos dos sanduiches aqui no blog, é assim mesmo, não tem essa de produção, de fazer parecer bonito, isso aqui não é pra fazer propaganda, é pra mostrar a real de como o bicho chega na mesa para o cliente. Ok!

Uma curiosidade, já repararam no tamanho do guardanapo desse lugar? Feito para pessoas delicadas, com dedos e boquinhas pequenas (ui!), não para ogros que tem barba e ficam com a cara toda suja ao comer.

Ficha técnica:

Mustang Classic

Ingredientes: pão, carne, alface, tomate, queijo e maionese.

Preço: R$24,90 (vinte quarto e noventa? Nem fodendo! 50% tá bem pago!)

Ponto alto: O fator sustância … e estava tocando Michael Jackson quando chegamos, conta?

Ponto baixo: Os problemas basicamente do post anterior, a secura do hambúrguer o queijo não estar derretido, a pequena amostra de maionese, a batata frita que não chegou, e o preço abusivo do refrigerante de garrafinha, mais de R$4,00, mais caro que uma Coca-Cola de 2 litros no posto. No posto!

Avaliação: C-

O Mustang Sally fica na Rua Coronel Dulcídio, 517, no Batel. Curitiba-PR e funciona diariamente a partir das 17h. (41) 3018-8118.

 
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Publicado por em 02/28/2012 em Uncategorized

 

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Mustang Sally – Gorgonzola Burger

Ah, o Batel. Gente bonita e cheirosa, mendigos educados, carros importados e preconceito e hipocrisia no ar capazes de deixar a atmosfera grossa como gelatina. É no coração desse glorioso bairro da elite curitibana, construído na base de muito tiro e coronelismo que se situa o Mustang Sally fine burgers, um bar temático que é um mix de cultura de motociclista tiozão, comida mexicana e rockabilly dos anos 50 e 60. Ou seja, tudo aquilo que chegou até nosotros latinoamericanos via enlatados hollywoodianos como a epítome do badass, do mauzão, do James Dean (meninas que têm poster do James Dean na parede: se vocês acham aceitável morrer de tesão por um morto, me deixem em paz com meu fascínio pela Eva Braun), do selvagem da motocicleta, do born-to-be-wild, do johnny-be-good e outras generalidades. Como o próprio nome diz, porém, uma das especialidades da casa são os hambúrgueres, e entre um vasto cardápio que inclui hambúrgueres temperados com cerveja Guiness e Jack Daniels, há um que não fugiu a vista quando passei os olhos pelo cardápio: Gorgonzola Burger.

Você não leu errado. Como o nome a foto acima sugerem, é em todas as suas qualidades um hamburger normal, mas com gorgonzola, o glorioso blue cheese italiano. Sou suspeito para falar, pois poderia passar o dia comendo gorgonzola sem nunca enjoar do gosto (claro que uns copos d’água cairiam bem, porque o queijo é forte), então pedi.

Antes do hamburger chegar, a primeira decepção do recinto: a porção de fritas que pedimos como entrada deve ter sido ignorada na cozinha, e fomos obrigados a cancelar o pedido quando os primi piatti chegaram.Tudo bem que já vinham mais fritas no lanche, mas as papas belgas, como já mencionamos anteriormente, nunca são demais. Enfim, ponto negativo pro atendimento, may your soul burn in hell.

A foto já indica o segundo problema no Mustang Sally: esse gorgonzola não está derretido. Está, no máximo, quentinho pelo calor da carne do hamburger. Sei que o gorgonzola perde um pouco de suas propriedades quando esquentado, mas quer saber? Se eu quisesse ir a uma degustação de queijos e vinhos, estaria em outro lugar. Quero ver no meu sanduíche o cross-over antropofágico, a apropriação indevida da haute cuisine no meu junk-food nosso de cada dia, a transgressão, a heresia, a rebeldia desses ousados chefs que quiseram colocar a arte da pasteurização milanesa em rota de colisão com o enfant terrible da invenção do 4º Conde de Sandwich. Ao invés disso o que encontrei foi uma placa de petri muito bem alimentada — muito bem cortada, por sinal — em baixo de um pão com gergelim. Por esse tipo de consistência eu fico em casa, amigão.

E aí vem a terceira mensagem secreta de Nossa Senhora do Hamburger: esse sanduíche, amigo, está mais seco do deserto do Atacama! O pão é uma secura que só, se despedaça em flocos de trigo em cada mordida, a carne, que até poderia ser mais generosa, passou do ponto e ficou com aquela consistência de areia sabor carne, e a quantidade de maionese que colocaram por baixo mal dá pra fazer um lençol freático que satisfaça os anseios desses retirantes do McDonald’s. O jeito foi pedir mais maionese ao garçom e tascar-lhe o sachê. E acho que isso é permitido num trailer ribeirinho de lanches com um nome imbecil do tipo “Mc Regato” e um chapeiro com camisa do Iced Earth,  mas nunca numa hamburgueria de respeito. A única customização que se permite nesse caso é colocar ou não ketchup. O resto deve vir na medida da arte desses que dizem possuir os tais “fine burgers”. E não veio. Faltou umidade pra dar liga, faltaram sucos viscerais na carne (melhor ser vegetariano e comer hamburger de soja então), faltou frescor no pãozinho e faltou óleo de queijo derretido no queijo. Se a foto tá bonita, o mérito é do Murilo, porque o modelo aqui é difícil de trabalhar.

Ante uma experiência gastronômica decepcionante, uma coisa se salva: as batatinhas fritas que veem sequinhas e ainda assim, sem sal, para salgar a gosto (outra customização permitida), douradas e fritas no ponto certo. Infelizmente, o ponto alto fica só nisso.

Ficha técnica:

Gorgonzola Burger

Ingredientes: pão, carne, gorgonzola e maionese.

Preço: R$24,90 (50% de desconto das 17h às 20h)

Ponto alto: batatas fritas no ponto.

Ponto baixo: hamburguer seco, pão seco, queijo pouco derretido, pouca maionese e logística que não nos permitiu desfrutar de uma porção de fritas antes do prato principal.

Avaliação: D+

O Mustang Sally fica na Rua Coronel Dulcídio, 517, no Batel. Curitiba-PR e funciona diariamente a partir das 17h. (41) 3018-8118.

 
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Publicado por em 02/21/2012 em Uncategorized

 

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