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Hamburgueria Água Verde – Tradicional Duplo Bacon

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Mais uma semana e estamos aqui trazendo mais uma dica de hambúrguer dessa cidade que parece uma velha maluca, mas conservadora, de 321 anos.

Voltamos ao bairro do Água Verde, será que também vão querer falar Água Verde Soho? Meu bairro já falei que quero que chamem de Rebouças Leblon. Obrigado.

Hoje não vai ter muita firula mas vai ser mais ilustrado.

Chegamos e logo ao entrar já deu pra sentir um cheiro bom de carne, na brasa, mora?
Espaço amplo, aberto, com várias mesas e essa bandeirola tipo um banner com uma bandeira do Brasil que se funde com uma dos EUA (Por quê!?)
Nas laterais tem grades vermelhas com floreiras e com aquelas paradas de plástico transparente que da para baixar quando faz frio, tipo tem no Costelão da Chile e em outros lugares que são abertos. O áudio do local era o da televisão, que passava um festival com algumas bandas que nunca vi, mas depois teve o Sting, com Every Breath You Take, e o Eric Clapton (que não quero colocar nenhuma música).

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São mais ou menos 10 opções de sanduíches, sendo uma vegetariana que pra gente nem conta, só consta, e duas opções com dois hambúrgueres.
Foi numa dupla carne dessas que fui.

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O pão é afrancesado e com gergelim. Grande, bem grande, à primeira vista ele esconde todo o recheio e achei que não seria dos melhores, mas ele é bem bom. Muito leve e macio, com uma casquinha que quebra mas que não vira uma farpa. Ainda não tinha visto um pão desses nessa nossa andança por aí. Ponto positivo.

Agora o pulo do gato, mas fiquem atentos.

O pão não deixa ver tudo que tem dentro, e os dois hambúrgueres são bastante coisa.

A carne não estava tanto no ponto como foi ofertado e como foi pedido. Não estava no ponto para o mal, como pedimos, com aquele rosado, mas sim do ponto para o bem passado. Tudo bem, não foi nenhum problema, acho que até foi uma salvação, porque com essa quantidade de carne iria escorrer litros de sucos caso estivesse mal passada.
São mais de 300g de carne. Que abundância, meu irmão!
Surpreendentemente fica muito tranquilo mastigar tudo isso, a carne é bem macia e saborosa.
Mesmo grelhada na brasa, não tem gostão de fumaça. Toda essa carne é o ponto alto do sanduíche, deixa a gente feliz e faz inveja em quem pegou só um hambúrguer.

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#DicaGoodBurgerParaMarombada. Toda essa carne deve ter as proteínas de um scoop de Carnivor… mas também deve ter uns 30% de gordura que você vai ter que queimar na esteira.

Agora olho no laaancê! O nome do sanduíche é Tradicional Duplo Bacon. Tem que ficar ligado que não é o bacon que é duplo como o nome sugere. Na verdade é um Tradicional Duplo com Bacon. São duas carnes, dois queijos , mas só um bacon. Rá! ié, ié!
Acho que nem foi malandragem dos caras, mas que induz ao erro, induz!

O Bacon fica só no topo, embaixo do pão. É uma tira boa e larga que ajuda a salgar mais ainda a coisa toda, mas tive que tirar o topo do pão e pegar com a mão, um pedaço avulso, para poder degustar direito essa parte tão venerada do porco. Se não for comer assim, o bacon some e não da nem pro gosto, literalmente.
Para falar a real, se for pegar um duplo, eu recomendo nem pegar o com bacon porque ele quase some, talvez não sumisse se fosse duplo bacon, hã? hã?!
Se não for pra sentir direito o bacon é melhor economizar  dois reais. Sou muquirana,  dois reais para quem é falido faz diferença. Dá pra jogar na mega-sena.

Eles te dão a opção de escolher o queijo: mussarela ou cheddar.
A mussarela já tá meio ultrapassada nesse lance de hambúrguer, é muito leve e aí nego coloca uma fatia só, nem da para o cheiro. Perde bastante para o cheddar de fatia. E nesse caso é o de fatia mesmo e não aquele meio tosco, em pasta, que é só funciona no cachorro quente.
O cheddar é mais cremoso, mais saboroso mesmo, e  acho que da uma liga maior e melhor se comparado à mussarela. Mas as duas fatias, uma para cada carne, acabaram sendo desintegradas e absorvidas pelo buraco negro do bolo de carne. Deu para aproveitar os pedacinhos que ficaram nas laterais.

Tem um tomate fininho, que quase passa despercebido debaixo da alface. Tem também uma cebola puxada no azeite. Quem diria, eu falando sobre cebola! Mas ela dá uma murchada e perde a crocância. Agora não sei o que seria melhor: ela mais crocante e com o gosto mais acentuado ou assim suavizada.
Também tinha picles, mas picles é um lance de americano que aqui não cola. Não gosto de coisas agridoces então pedi sem.

Não acompanha batata frita. O hambúrguer vem num prato pequeno de propósito, para caber apenas o sanduíche mesmo. Uma verdadeira lástima.

É um dos que eu quero comer de novo?
É!

Ficha técnica:
Tradicional Duplo Bacon

Ingredientes: “Dois saborosos hambugueres de 160g, grelhados na brasa, bacon, queijo mussarela ou cheddar, maionese, picles, tomate, cebola e alface”.

Preço: R$16,90 (o mais caro do cardápio) + Água Crystal 500ml R$3,00.

Ponto alto: O pão, a carne, muita carne boa e o preço.

Ponto baixo: Já que é duplo bacon poderia ter dois bacons e, claro, não acompanhar batatas fritas é um tremendo vacilo.

Avaliação: B

A Hamburgueria Água Verde fica na Avenida Dos Estados, 630. No bairro Água Verde, claro. Não sei os dias e horários de funcionamento, se virem. Fone: (41) 3013-7177.

 
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Publicado por em 04/04/2014 em Uncategorized

 

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O GiraMundo – Hambúrguer Especial

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Fim de ano chegando, a última correria, uns dias de folga entre natal e ano novo e até férias para alguns não esquecerem de como a vida real deveria ser. E férias lembra o que?!
Tempo de viajar, sair por aí, relaxar, cair em roubadas, rodar pelo mundo ou pelo bairro, conhecer lugares novos ou rever os que gostamos. Encontrar gente diferente, novos cheiros e sabores  também, e foi numa dessas que fomos parar em um café recém aberto em Curitiba que tem essa vibe.

E se tem coisa que a gente gosta tanto quanto hambúrguer é viajar.

Tem aquela frase muito compartilhada no face em tempos de férias, do Mario Quintana, “Viajar é mudar a roupa da alma”. Pela minha pouca experiência posso falar que quando a gente viaja, principalmente se for um período meio longo, acaba virando outra pessoa enquanto descobre o seu destino (destino sina e destino local de chegada). Quando voltamos, é a nova pessoa que está de volta, é você um pouco mais evoluído com as experiências da viagem…  mas aí o tempo passa e a gente tem que cuidar para não voltar a ser o antigo eu. No meu caso um implicante deprimido.
Sobre a frase do Quintana, prefiro dizer que muda a vida mesmo, sou um racionalista, ateu desalmado, mas muito consciente da vida aqui e agora. Recomendo para todo mundo viajar, ainda mais se estiver meio fodido ou perdido na vida, aí é algo quase obrigatório. Melhor que gastar dinheiro com terapia ou antidepressivo, você vai se entender melhor, entender um pouco das diferenças do mundo e a vida, on the road.
Seja um viajante e não um turista.

Bora falar de lanche?!

No água verde, bairro que não passamos desde o Mister Dog e a melhor maionese verde da cidade, encontramos o “O GiraMundo”.

O lugar é uma casa transformada em café, numa vibe meio hostel. Tem uma máquina de café que por fora lembra a traseira de um cadillac vermelho, que lembra meus planos de pegar aquelas longas retas da Route 66 num conversível ouvindo um Rancid, carregando armas e dinheiro, acompanhado de uma garota de bikini com cabelos ao vento ou um chimpanzé com roupas de gente.(férias é pra sonhar, galera!).
No café também tinha um robô gigante climatizador, coisa que precisa numa Curitiba com clima de deserto, 30° de tarde e 10° à noite. Mas um cara chegou e levou ele embora.
Na parede pintada de verde tem uma lista dessas cervejas especiais escritas em giz, além de camisetas e outros souvenirs ao lado do balcão, as outras paredes são laranja e marrom, um lance meio Irish cervejeiro.
São só cinco mesas, todas são de madeira e lisinhas (gosto de passar a mão em coisas lisas como mesas, capas de livros, pessoas…), mas em uma tem cadeiras estofadas e uma cadeira dupla, cabe um casal na mesma cadeira ou um gordo confortável.
Isso tudo embalado por som ambiente de rock/blues e vídeos de surf na tv.

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A primeira impressão é: “Que pequenininho!”
A segunda é: “Quanto queijo, que legal!”
A terceira e já na primeira mordida: “Que pão lazarento.”

Já vou começar pelo ponto negativo, o pão não sei o que de cerveja.
Legal inovar e tentar uma coisa diferente, dar uma cara própria às coisas, mas não é sempre que dá certo, né?! Esse foi um caso que não deu. Talvez manter no arroz com feijão dos pães de hambúrguer funcionaria melhor.
Esse pão de cerveja ficou massudo, pesado, borrachudo, a fermentação dos levedos não rolou direito e a massa também estava um pouco crua no meio. E com farinha por cima. Farinha por cima é foda, gruda tudo nos dedos, na barba… mas isso é frescura minha, o resto não é.
Chegou uma hora que desisti e comecei a comer apenas o recheio, depois voltei à tampa do pão só para cumprir tabela e não desperdiçar nada.

O recheio é simples e do jeito que tem que ser, só o básico e o gostoso. Carne, bacon, queijo e maionese (tinha cebola caramelizada, mas quem acompanha isso aqui e leu o último post já se liga que pedi sem). A maionese parece ser boa mas se perde no pão grosso.

O queijo é uma beleza, enche os olhos e logo de cara se percebe que esses caras são dos meus, não ficam regulando e colocando só aquela única fatiazinha de queijo. Aqui o negócio quase embrulha a carne, é uma camada grossa e salgada de cheddar. Ponto bem positivo.

A carne tem aquele tempero dito caseiro de sal, cebola e um verdinho (verdinho pra mim é todo qualquer tempero verde, não sei o nome dessas paradas).Tem um tamanho legal ou pelo menos suficiente. Quanto ao ponto, estava quase lá, um pouco seca, mas nem se tratava tanto do ponto, acho que um pouco mais de gordura na carne deixaria mais suculenta, gostosa e menos fibrosa.

Em cima da carne, o queijo, em cima do queijo o bacon.  Generosa fatia de bacon cortado em tira e umas lascas grandes que dão consistência e um pouco mais de sal e sabor ao morder. Na foto aparece bem a parte da gordura, mas ele tinha uma boa carninha também.

Acompanha batatas chips, fininhas, bem sequinhas e crocantes. Um potinho de molho adocicado com gosto de fumaça, barbecue.(sem essa de cobrar extra por um potinho de molho como uns lugares sem vergonhas fazem).
O refri é servido num tipo de taça de vinho, gosto de copos diferentes mesmo para tomar refrigerante.

Surpreendentemente o bicho tem um fator sustância bom, deve ser por conta do pão pesado.

No final o cara fez a conta de cabeça no papel, no melhor estilo do finado seu Zé e o Alvaro do Montesquieu.

Para fechar, uma dica natalina e não hamburguística. Uma fatia de chocotone, doce de leite e outra fatia de chocotone. De nada!

Semana que vem tem mais um post novo do Yuri. Eu vou ficando por aqui. Até janeiro.

See you mothafuckers, ho-ho-ho!!

Ficha técnica:

Hambúrguer Especial

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo cheddar, fatias de bacon, cebola caramelizada e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$18,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$22,00.

Ponto alto: A quantidade do queijo e o bacon bem servido.

Ponto baixo: Definitivamente, o pão não agradou.

Avaliação: C+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437. Fica ao lado de um boteco de tiozinho, daqueles todo amarelo da skol.

 
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Publicado por em 12/13/2013 em Uncategorized

 

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Denver Burger & Grill – Denver Burger

Denver

Não é pouca a literatura destinada ao tema do duplo. Os doppelgänger, como os escribas germânicos batizaram a figura mística que em tudo se parece com a forma original, desestabilizam nosso mundo orgânico idealmente único – e imperfeito, por consequência. De certa maneira, um duplo é uma ferida narcísica que se abre na carne de nossa crença máxima de que somos resultados da ação de nossas próprias experiências sobre o suco genético que nos foi impresso nas células. Se somos especiais, o somos por sermos únicos. Se não somos únicos, não somos tão especiais portanto, com o perdão da expressão axiomática aqui. Mais ainda (e aqui entram os devaneios dos nossos romancistas) o temor de que apareça um doppelgänger fisicamente idêntico a nós, mas com valores invertidos – um gêmeo do mal –, para nos usurpar a vida virtuosa construída sob muito esforço e resignação, ao mesmo tempo em que pode ser interpretado como uma autossabotagem psicoanalítica, de que nosso maior nêmesis são nossos monstros interiores, guardados a sete palmos abaixo de nossa manta de civilidade, é também fruto de um otimismo assertivo que não nos deixa enganar: se há um gêmeo do mal, é apenas porque nós não podemos sê-lo, acreditando-nos tão outro, tão espelho do vício, tão cornucópia de virtudes. Fato é que, seja qual for o caso, o duplo só pode existir para dizer algo sobre o original, nunca para figurar com vontades e características próprias.

O Denver Burger, ao criar um duplo do Madero, a hamburgueria favorita do curitibano de classe média alta, parece fazer o mesmo. Mais do que copiar uma fórmula que se sabe eficiente, o hambúrguer do Denver diz mais sobre a galinha dos ovos de ouro do Durski do que sobre si mesmo. Ao replicar uma fórmula em um mundo orgânico e imperfeito, ele dá contornos de perfeição a esse mesmo mundo. É como se dissesse “este é igual ao outro porque em nada pode ser melhorado”. E de fato não há, substancialmente, nenhuma diferença entre a montagem do Denver Burger e a montagem de um Cheeseburger Jr. Hambúrguer grelhado, pão francês bola, queijo processado, alface, tomate e cebola com maionese. É tão parecido que a foto que o Murilo colocou na sua explanação como sendo a foto publicitária da hamburgueria do Novo Mundo não deixa negar a homenagem, a inspiração, o plágio, o clone, o duplo, a cópia, o xerox, o doppelgänger, chamem como quiser.

Denver Burger

Obviamente que o que o Madero pensa sobre isso não nos interessa. Estamos aqui para falar do Denver, algo inédito na história dos doppelgänger, vamos dissecar o duplo ao invés do original, dando assim contribuições sociológicas e gastronômicas nunca antes vistas na nossa esparsa e aleatória produção acadêmica.

É claro que o gosto não é e não pode ser o mesmo. A carne é boa, mas algo faltou. Um it, um mojo que não pode ser igualado sem o know-how devidamente passado pelo mestre hamburgueiro. Ela ficou seca, parecendo um kibe por dentro, como a foto tirada porcamente com celular abaixo pode atestar.

Denver Burger

O queijo também não ajudou muito na coisa. Processado e sem aquela gordura líquida necessária para lubrificar as engrenagens da suculência, toda a parte liquefeita do lanche ficou por conta da ínfima camada de maionese que se perde entre folhas de alface, tiras de cebola e rodelas bem secas de tomate, com muito pouca geleia. Era preciso pelo menos meia pá a mais de maionese pra coisa ficar fluída, gostosa, como tem que ser. Hamburguer seco é coisa de McDonald’s e ninguém realmente gosta de McDonald’s, não é mesmo?

Agora, sobre a salada. Eu confesso que eu não entendo direito como é que algumas cebolas podem ser tão inócuas e ao mesmo tempo deixar um cheiro infernal na mão, que impregna debaixo da unha e não sai nem com muito sabonete, e tem outras que nem isso fazem. Bom, a cebola do Denver é dessas cheirosas que não te deixam em paz nem depois de muito tempo após a refeição. Só um comentário que eu queria fazer.

Por último, o pão também não é o mesmo. É, como o resto do conjunto, extremamente seco e com o miolo já meio endurecido, com aquela consistência de isopor. Nada muito grave, mas como a gente sabe que um pão bem feito e gostoso é meio caminho andado na estrada do bom sanduíche, o Denver Burger ficou um pouquinho abaixo também por isso.

A única coisa em que o Denver supera, e supera muito fácil o Madero, é nas batatas fritas, bem crocantes, sequinhas e gostosas. Estavam quase queimadas, mas não chegaram nesse ponto. Realmente muito boas, valem o lanche.

No geral, entretanto, não é um lanche ruim. Não é igual ao Madero, mas nem por isso é ruim. Poderia ser melhor, mas nem por isso é ruim. É secão e precisava de mais sucos, mas nem por isso é ruim. É um hambúrguer bom que poderia ter sido melhor executado. Mas isso, a malandragem da grelha, se constrói com anos, tentativas e queimaduras de segundo grau. Um chef tem as mãos que merece aos cinquenta anos.

Ficha técnica:

Denver Burger

Ingredientes: “Hambúrguer com 200g, queijo cheddar, maionese, tomate, alface, cebola e pão”.

Preço: R$13,80, com uma coca lata ficou R$17,80

Ponto alto: Batatinhas fritas gostosas e carne de qualidade.

Ponto baixo: Sanduíche seco, carne mal executada e cebola que deixa cheiro na mão (embora não possa atribuir isso ao restaurante, eu acho).

Avaliação: C+

Denver Burger & Grill fica na Rua Aleixo Skraba, 144,no Novo Mundo,  do lado de um Mercado. Funciona de  Segunda à Domingo, 18:00 – 00:00. Fone (41)3268-3297

 
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Publicado por em 11/08/2013 em Uncategorized

 

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Square Burger – Chuck B., Elvis e Ritchie V.

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Um frio de 7°C, ventando, numa quinta-feira à noite. Não dá vontade de sair de casa nem para comer, mas nós fomos, e fomos porque temos um compromisso com isso aqui.
Estivemos num lugar que tem delivery, então na próxima noite fria vou pedir e comer no sofá de casa sem precisar tirar o pijama. Por falar em pijama, quando chegamos tinha uma família, com uma menininha de uns 9 anos usando um pijama rosa choque, esperando para levar o lanche. Gosto de ver que existem pais legais que deixam as crianças serem crianças.

O Square Burger que fomos é uma local pequeno, no Rebouças. Acho que consegue ser menor que o Rock’a Burger. São só três mesas de madeira entre paredes vermelhas com discos de vinil alinhados decorando o ambiente.  Os nomes dos hambúrgueres são nomes de astros cinema e do rock, o (bom) som ambiente também é dos velhos do rock.
O barato do Square é que são mini sanduíches, a menina do caixa disse que três equivalem ao tamanho de um normal. Eles são servidos embalados em papel alumínio e dentro de numa caixa, com as batatas-fritas, mesmo sendo para comer ali na hora.
O grande diferencial é a carne que não é redonda como um disquinho, é SquareBurguer, sacaram? O hambúrguer é quadrangular.

Quando vi pela primeira vez um hambúrguer quadrado, lá em Moscou, pensei: “Orra, esses russos são foda, fizeram um hambúrguer quadrado só para ser diferente dos americanos”, mas depois descobri que a lanchonete era uma Wendy’s, uma rede norte americana, e perdeu um pouco a graça.
Mas também pensei: “Como ninguém fez isso antes?” Agora parece tão óbvio tentar essa mudança geométrica.  Mas espero que ninguém queira inventar moda e fazer em forma de estrela ou outra merda do tipo.

Tentando ser objetivo, vamos à brincadeira.

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O pão é o mesmo em todos. Pão de leite sem gergelim, muito macio, fresco e levemente tostado nas partes internas. Daquele que se desmancha ao morder.

O velho Chuck B. (de Chuck Berry) é o mais simples, peguei justamente por isso. Porque se o negócio mais básico é interessante, o resto só vem a acrescentar.
O diferencial dele é a maionese, que é bem boa e vem numa quantidade suficiente para ser notada.  É aquela maionese com uns verdes, que sempre vai me lembrar a do Mister Dog, a melhor maionese verde de todas as galáxias das araucárias.
O queijo, faz um tempo que não digo isso, poderia ter um pouco mais. Não é porque é um sanduichinho, que tem que vir só um queijinho.

O Elvis é um Chuck Berry turbinado com bacon em cubinhos. Talvez isso explique um pouco o Elvis ter morrido gordo e decadente e o Chuck Berry esteja fazendo shows até hoje, mesmo velho decrépito.
Já da para imaginar como é, bacon e sua gordurinha

O Ritchie V. (Eu não sabia quem era, procurei agora e descobri que Ritchie Valens era o cara do “La Bamba”) tem um lance chicano,  vem dois Doritos, cheddar e a carne quadrada. É tipo um Nachos, mas não lembra muito nachos, mesmo com o Doritos que da crocância e um temperinho. Diz que tem pimenta, mas não senti. Eu colocaria mais pimenta, um barbecue derramando e chamaria de Machete!

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Além do pão, uma coisa que vai ser igual em todos, é a carne, e devia ser um hamburguinho quadrado mais gordinho ou mesmo colocar dois juntos….quiçá um “quadradinho de oito“(risos).
O hambúrguer é muito fininho, não da para morder e sentir realmente a carne, mas deu para perceber que era bem temperada e também bem passada, com essa espessura nem tem como não ser passada, colocou na chapa e virou, já era.

As batatas fritas (por mais 3 reais) vem numa quantidade boa.
Porque metade de mim é sanduíche e a outra metade é batata frita”, disse a caixa do Square Burger.
As batatas estavam um pouco moles, me lembrou as que minha mãe faz, sempre ficam molengas, me agrada, mas poderia fritar mais para deixar mais crocante por fora. Fazer aquele lance de fritar uma vez, tirar e colocar num óleo mais quente para dar mais uma fritada, mais ou menos isso. Manjo mais de comer, semana que vem o Yuri explica no post dele, voltem aí conferir.

Uma coisa legal que descobri dos caras, se o McDonald’s tem a boa ação (de marketing) do McDia Feliz, o Square também tem, no dia 18 de setembro rolou o dia de doar uma porcentagem para ajudar o Hospital Pequeno Príncipe.
Como diriam os cartazes de shows de hard core do início dos anos 2000. “Prestigie a cena local”.
É tipo aquele lance que circulou no Facebook, pra que doar para o Criança Esperança, que já é uma parada gigante e milionária, se você pode doar para uma APAE ou o Pequeno Cotolengo, que é um lugar muito mais próximo da gente?!  #DicaGoodBurger

No geral foi uma experiência diferente, vem tudo numa caixa, os sanduíches embrulhados, tem um lance meio infantil, é divertido. Além de termos sido atendidos por uma menina bonita e sorridente.

Acho que nunca tinha escrito tantos diminutivos em um textinho só.

Ficha técnica:

Chuck B., Elvis e Ritchie V.

Ingredientes: “Chuck B. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo e maionese especial. – Elvis; Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo, cubos de bacon crocantes e maionese especial. – Ritchie V. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo cheddar, molho de pimenta e nachos.”

Preço: R$16,90 os três sanduíches e meia porção de batata frita + Coca-Cola de 600ml R$4,00(dividimos o refrigerante, mas o Yuri que pagou).

Ponto alto: Escolher diferentes “sabores” no combo e vir na caixa embrulhadinho é legal.

Ponto baixo: É pouco recheio, carne muito fininha.

Avaliação: C

O Square Burger fica na Rua Lamenha Lins, 1550, no Rebouças, meio perto da Arena da Baixada. Não achei o horário e dias de funcionamento, então liguem lá. Tem delivery, (41)3032-3773 ou 3032-2727, no Alto da Glória.

 
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Publicado por em 09/27/2013 em Uncategorized

 

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Au-Au – Texas Burger

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Eis que a falibilidade dos canais de comunicação institucionais dos redutos gastronômicos da cidade e, por que não dizer, nosso próprio desleixo com a curadoria das hamburguerias da semana nos colocaram mais uma vez desnorteados no centro da cidade sem saber para onde ir em plena terça-feira à noite. Vagando pelos arredores de uma área gentrificada cujo nome não ouso dizer neste querido blog, deparamo-nos com a onipresente fortificação cross-over fast-food/casual dinning curitibana Au-Au, um estabelecimento principalmente objetivado a construir o cardápio do inimigo número 1 dos nossos queridos hambúrgueres, o cachorro-quente de rua, o cachorro quente de praça, de festas juninas, quermesses e aniversários, o sanduíche de carne embutida, condimentada, pré-cozida e, ao que tudo indica, cancerígena que conquista a tudo e a todos por onde passa, um enfant-terrible das porcarias que nossas mães nos impediam de comer.

Por que buscar hambúrguer em um lugar como esse? Seria como buscar compreensão no terceiro Reich, amor no prostíbulo, redenção na política, honradez no contrabando, concupiscência na igreja? Talvez sim, talvez não, mas parte das capacidades do olhar treinado para a sensibilidade do não-óbvio é encontrar lógica no caos e beleza no lixão. Por isso fomos, e nos aboletamos nas insistentes mesas americanas de sofá e pedimos para a garçonete a carta de hambúrgueres.

Talvez tenha sido a decisão mais acertada que tenhamos tomado nesses últimos tempos. Não só o Au-Au tem uma grande variedade de comida decente como também são receitas inventivas, com ovo, com rúcula, com mostarda e mel, enfim, algo que saia da tríade x-buger, x-salada e x-bacon. A minha escolha foi o Texas Burger, um sanduíche marcado principalmente pelo molho barbecue e pelas cebolas grelhadas. A ideia parece simplória, mas ganha no conjunto da obra, veja.

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A propósito, essas batatinhas smiles que estão aí são opcionais e podem ser obtidas se o cliente quiser abdicar das tradicionais batatas palito, mas não recomendo dada a pouquíssima quantidade e a artificialidade do pastiche tuberoso. Ainda assim, são aquelas batatas sequinhas e gostosas que, caso viessem em maiores quantidades, até valeriam uma ponderação prévia.

Fora a apresentação do lanche, que é sim muito bonita e prática, o que se nota nesse Texas Burger é a quantidade de salada que vem nele – o que seria uma coisa terrível não fosse o cuidado na escolha dos alimentos. A alface extremamente crocante e o tomate carnudo e bem vermelho fazem o papel da boa salada num sanduíche, que é acrescentar cavalinhos de textura no carrossel de sensações experimentado em um lanche bem composto por carne, pão, vegetais, queijo e condimentos. A salada do hambúrguer é assim: se não faz parte da solução, então faz parte do problema.

O queijo é outra grata surpresa. Uma grata gratinada surpresa, eu diria mais. A generosidade na porção que cobre a carne tem a possibilidade de fagocitar parte dos outros ingredientes e se sobrepor a todos eles sorrateiramente, um coadjuvante que não se contenta com o pano de fundo e parte para o ataque sempre que necessário, um paladino laticinioso engajado em uma cruzada santa pela tradição perdida do queijo farto nos hambúrgueres com queijo.

A cebola e o barbecue são a comissão de frente do Texas Burger, algo claramente evidenciado em seu nome de pia. A combinação, embora não seja original e muito menos incomum, agrada apenas quando o resto é bem servido. Ou seja, muita cebola e barbecue com pouca carne e queijo não é exatamente algo que mereça registro, mas o contrário é enriquecedor e um colírio para as papilas gustativas.

Mas é claro que nada disso adiantaria de muita coisa caso a carne, que é o ponto central, não fosse bem executada. E preciso reconhecer: para quem trabalha com uma carne tão pobre quanto a salsicha de um cachorro-quente, o pessoal do Au-Au até que sabe manejar um disco de hambúrguer.  A carne é boa, macia, alta, vermelha e suculenta. Bom, não tão suculenta, mas dá conta do recado, embora algumas vezes seja sobreposta pela quantidade sobrenatural de alface do Texas Burger. E nem preciso dizer que carne combina com molho barbecue.

Como calcanhar de aquiles deste belo monumento, o pão é uma decepção pela sua obviedade e falta de requinte. Um pãozinho mixuruca industrializado desses que você encontra em qualquer lanchonete que venda uma porcaria de hambúrguer pré-frito com queijo e presunto por três reais. Tal conjunto merecia um acabamento melhor, mas não é sempre que é possível. Se acabam as tintas do artista, pintar com bosta talvez não seja a melhor solução, mas antes isso do que não entregar nada.

Ficha técnica:

Combo Texas Burger

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, molho barbecue, queijo musarela, cebolas douradas na chapa, alface, tomate e maionese no pão especial de hambúrguer + 5 fritas smiles + Refri lata.”

Preço: R$23,80 no combo com coca-cola lata e batata frita.

Ponto alto: Bom conjunto, apresentação, salada boa, queijo e combinação clássica barbecue + cebola que não falha.

Ponto baixo: Pão mixuruca e preço um tanto alto.

Avaliação: B-

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
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Publicado por em 09/20/2013 em Uncategorized

 

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Guiolla – Gourmand 33

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Um estabelecimento da cidade vai estrear uma nova receita de hamburguer e quer fazer uma festa de lançamento e sondar a opinião dos convidados. Who are you gonna call? O Guiolla nos chamou para conhecer o Gourmand 33, um sanduíche composto por, pão, queijo, vinagrete, maionese e um baita hambúrguer de costela (e aqui fica a indireta pra vocês, outras hamburguerias que nunca chamam a gente de Godfather). Simples assim. Já resenhamos os hambúrgueres do Guiolla aqui, então esse entra num off-topic, mas nem por isso vamos deixar de fazer nosso comentário abalizado ineditamente escrito a quatro mãos (embora boa parte tenha sido trabalho do Murilo). E obrigado ao Guiolla pelo convite!

Antes de mais nada, tá aqui o bicho:

Gourmand 33

Quando esse prato chegou, achei ele bem pequeno e moderado, mas até que no fim das contas encheu a pança. O hambúrguer continua vindo num chapeuzinho de origami que é muito engenhoso e funcional,  além dos caras terem uma das melhores batatas-fritas da cidade. Mesmo assim, é meio inevitável comparar com o hambúrguer da foto promocional, confiram:

Gourmand 33

Bom, o mais legal desse sanduíche é que a carne é e parece costela, no meio do hambúrguer tem até as tirinhas de fibra da carne e um pedacinho ou outro de gordura (a gordura é que da o prazer dessa vida, mas se for muito, no corpo e no coração, aí é problema, jovens).
Deve dar um puta trabalho fazer isso, já conheci gente que não ia no costelão porque é muito empenho ficar separando só a carninha boa. Os caras fazem isso por você e colocam no formato de um puck, aquele disco de hockey. Então obrigado.
O hambúrguer faz o sanduíche parecer um planeta com um anel de carne ao redor do pão. Carne maior que o pão ganha a nossa simpatia, ainda mais se for gostosa como essa costela do Goumand.

Esse hambúrguer, acho que por causa do pão e do vinagrete me lembra essas festas de cidades do interior, rodeios e exposições agropecuárias que tem “X-pernil”. Aquelas barracas com uma luz bem na chapa para chamar atenção, uma porrada de carne e vinagrete para colocar num pão francês com a casca quebrando e colocado num saquinho branco.
No caso do Guiolla, eles transformaram um desses lanches toscos em algo sofisticado, coisa da inventividade do homem moderno das grandes cidades. Troca-se o cheiro de bosta de vaca no meio da terra batida por um lugar mais bonito e confortável no batel. Nada mal.

Tem o vinagrete, sim, aquele molinho de cebola, tomate, um verdinho e, pasmem, vinagre! (rá-rá!)
Confesso que comecei a comer cebola e realmente achar interessante agora há muito pouco tempo, depois dos Pita Gyros da Grécia (mano, que troço massa aquilo. Saudades, Grécia). Então não posso falar muito, mas basicamente é aquele lance, cebola da uma textura crocante ao mastigar, além do gosto característico, o tomate molha e com isso difunde o gosto da salada por onde escorrer.
Tem também uma maionese, mas é pouco, confesso que não reparei muito. Então poderia ter mais maionese, pode dar uma besuntada que a gente não se importa, deixa mais deslizante goela abaixo.

Eu (Yuri), pedi o meu hambúrguer sem o vinagrete, pra dar uma variada e ter uma espécie de grupo de controle. Bom, posso dizer que talvez o vinagrete desempenhe papel fundamental no lanche, porque com a pouca maionese e o queijo propositalmente escasso (senão a coisa fica extremamente salgada), o pão e a carne ficam bem secos. E hambúrguer seco é uma coisa que você jurou pra você mesmo que nunca mais comeria desde aquela vez que comprou uma caixa de frigão texas burger pra fazer em casa, esturricou a porra toda e acabou se fartando de pão com queijo e maionese, depois de comer meio disco de carne carbonizada. De maneira que é aconselhável pedir mais maionese caso não goste de vinagrete. Ah, senti falta do barbecue também, que sempre vai muito bem com costela e quem não concorda, boa gente não é.

Uma coisa legal do 33 é que é um sanduíche limitado, são só 33 por dia,  quer mais exclusividade que isso? Seja idiota e pague mais de 200reais no hambúrguer que tem lá em São Paulo, vai ser um dos poucos manés a comerem aquilo.
No combo do Goumand vem uma cerveja Stella Artois incluída no preço, que nós trocamos por um refrigerante. Engraçado como já é meio implícito que quase todo mundo consuma álcool e já oferecem direto com uma cerveja. Tudo bem, tudo bem…

Claro que não vamos só ficar rasgando seda, aqui é Good Burger, o bonde sem freio. Falamos a real mesmo quando parece que é jabá.
Achei o pão um pouco branco, seco e quebradiço, talvez para contrastar com a carne macia e não ser tudo mole, mas eu gosto de pão macio sem casca quebrando, esfarelando e espetando o céu da boca.

Quando chegamos tinha um tiozinho tocando Esse Cara Sou Eu, quando fomos embora estava tocando My Way, do Sinatra, então dá pra dizer que melhorou na hora que fomos embora.

O Guiolla é um pouco coxinha mas continua sendo o lugar que eu recomendo para ir em casal e tem um dos melhores hambúrgueres da cidade (Vejam no nosso ranking). Eu levaria uma gata lá.  #FicaDica

Fomos convidados para experimentar esse sanduíche novo. Comemos de graça e achamos muito legal, mas nem por isso virou uma matéria paga ou coisa do tipo.
Continuamos com a dignidade em dia e os bolsos vazios. Obrigado e voltem sempre!

 
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Publicado por em 08/23/2013 em Uncategorized

 

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X-Montanha: Homeopatia ou mitridatismo?

Créditos da foto: Gazeta do Povo

Créditos da foto: Gazeta do Povo

O X-Montanha, um dos sanduíches mais famosos de Curitiba, nunca foi julgado no Good Burger por ser hors-concours. Sua mistura suja de bolinho de carnel, risóle, bacon, queijo, presunto, alface e tomate pelo módico preço de R$7,50 é algo que nenhuma outra hamburgueria vai conseguir resolver tão bem. Para essa sexta-feira pós-carnaval, segue uma crônica escrita por esse que vos fala há alguns anos atrás.

***************

Quase dois anos depois, volto à Lanchonete Montesquieu, para, mais uma vez, entupir as artérias com os sucos conspurcados do X-Montanha. O sanduíche, conhecidíssimo dos estudantes da UTFPR e de quem mais se interessar pelo roteiro gastronômico thrash da capital, rendeu-me no passado uma reportagem e uma indisposição estomacal digna de um freegan. Recorro a ele para que dessa vez renda-me uma crônica. Uma experiência similar à dos daimistas: caso não consiga uma percepção maior do que me cerca, terei apenas funções fisiológicas desagradáveis.

Escatologia à parte, noto que quase nada mudou no estabelecimento. A única exceção é a ausência dos letreiros que anunciavam o nome do filósofo francês. Uma delas, um dos donos me conta, foi derrubada pelas titânicas tempestades desta primavera. A outra, simplesmente roubada. Nada que abale o bom humor do japonês. Conta tudo com uma leve risada ao fundo de suas falas. Imagino que não haja motivos para aborrecimento. A lanchonete resiste bravamente no coração da rua Silva Jardim há mais de 30 anos. Com pouquíssimas variações no cardápio, decoração inexistente, comida insalubre e lugares limitados (o balcão em forma de U dispõe de uns quinze banquinhos), Hiroyuki Ota, o seu Zé (duas letras para designar o homem comum nas palavras cruzadas) sustenta o lugar com a fama do sanduíche.

Comer um x-montanha é absorver todo o substrato da cidade grande. Assim como o já comparado Santo Daime é o suco da floresta, de cor e sabor similar ao lixo orgânico que a cada dia é engolido por raízes e subleitos na Amazônia, o sanduíche é o lixo da comida que afronta o tempo por razões irracionais, como a tradição e o prazer mundano. Não foi à toa que usei a palavra “sucos” no começo desse texto. Lembrei de Plutarco em seu ensaio moral “Περὶ σαρκοφαγίας” (Sobre Comer Carne), no qual responde à pessoa que come carne e pergunta como ele pode ter se tornado vegetariano. Reproduzindo imperfeitamente, ele silencia a conversa: “Eu, de minha parte, fico assombrado de você ser capaz de colocar na boca o corpo de um animal morto, assombrado de você não achar horrendo mascar a carne mutilada e engolir os sucos de feridas mortais”. Os que analisam o discurso de Plutarco concordam que ele ganha a discussão com “sucos”, muito chocante para quem o faz involuntariamente. Mutatis mutandis, o discurso de estende ao x-montanha. Como temos coragem de sugar os sucos deletérios de seu cerne e ainda pagar (barato, é verdade) por isso?

A resposta para essa questão, a meu ver, não poderia ser mais simples e direta: porque nós podemos. No meio do turbilhão de comida natureba e vida saudável propagada à náusea pela mídia, não há como escapar ao pensamento de que o amplo sanduíche que nos é entregue no saquinho plástico irá nos deixar três passos mais próximos da ponte de safena. Mas, como Peter Greenaway bem apontou em seu filme O Cozinheiro, O Ladrão, sua Mulher e o Amante, confrontamos a morte na gastronomia. Não só em tudo o que é preto, como o caviar, mas em tudo o que tem o potencial de nos injuriar de alguma forma. O Japão tem o Fugu, peixe que, se não limpado corretamente, pode guardar veneno em sua espinha para matar um homem; A Namíbia, o Sapo Boi Gigante, também repleto de toxinas; A Jamaica, a ackee, uma frutinha que, se consumida depois de passada, provoca a morte. Flertar com o perigo ainda é o melhor jeito que o homem contemporâneo encontrou para se sentir mais vivo. E ainda dá pra fazer isso na hora de comer!

Claro que o veneno do x-montanha de fato nem veneno é. Tudo não passa de óleos e gorduras, cuja moléstia ainda é questionada pelos nutricionistas. E o que de fato essa ciência sabe? Volta e meia aparece uma descoberta inacreditável que coloca em xeque nosso conhecimento prévio sobre a gastronomia. O homem na Lua e até agora nada de descobrir os malefícios do ovo. Há menos certezas na ciência dos alimentos do que em nossa vã filosofia.

De um jeito ou de outro, portanto, comer um sanduíche regularmente como esse pode ser saudável. Caso algum dia descubra-se que o colesterol ruim é na verdade bom (e eu não me espantaria se assim fosse), estaria medicando-me lentamente, a doses homeopáticas, com todos esses lipídios. Caso contrário, há sempre o precedente de Mitrídates VI do Ponto, retratado na ópera de Mozart e na peça de Racine, para que nos justifiquemos de boca cheia enquanto deglutimos mais um naco. Mitrídates, explicaríamos, foi o rei do Ponto, região litorânea da Grécia Antiga, onde hoje é a Turquia. Com medo de ser traiçoeiramente envenenado, ele passou a ingerir pequenas quantidades de veneno regularmente para imunizar-se contra uma dose letal. Como nós próprios, que iremos fazer resistir a mais alguns anos com a dieta do século XXI do que estes ruminantes vegetarianos da Nova Era.

Hora de parar de refletir: a conta chegou. Desprovida de qualquer vaidade e floreios típicos de restaurantes, esta escrita em um guardanapo de botequim. Cinco reais e vinte centavos. Com um olhar desconfiado, o atendente olha o bloco de notas onde escrevo o esboço desta crônica, embora não seja raro reportagens sobre o consagrado sanduíche. Deixo a lanchonete, no bairro Rebouças, para voltar a pé para casa, no Cristo Rei. Apesar de todas as desculpas, é preciso ser hipócrita e equilibrar a balança da vida saudável outra vez.

A Lanchonete Montesquieu fica na esquina da Rua Silva Jardim com a Rua Desembargador Westphalen, nº 918 (da Westphalen), e quase sempre está aberta. Tel: (41) 3233-7065.

 
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Publicado por em 02/15/2013 em Uncategorized

 

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Brooklyn Coffee Shop – Bacon Burger

Brooklyn Coffee Shop

“Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer.” (Clemente, banda Inocentes)

Queria começar o texto com uma citação vagabunda dessas de cartão de Natal, essas coisas genéricas e impessoais de quem não sabe o que escrever porque não sabe sentir. Mas lembrei dessa frase foda do Clemente, e é nessa vibe que a vida e esse blog seguem.

Final de ano, hora de prestar contas, pagar as dívidas com o acaso e cumprir as promessas antes do suspiro final. Então aqui estou eu pagando com um post que sei lá porque cargas d’água estava faltando. Taí, Brooklyn Coffee Shop.

O Brooklyn tem aquele visual legal com teto alto, meio galpão, tipo aqueles locais industriais que transformaram em apartamentos bem legais em NY. Tipo aquele que o Tom Hanks mora quando ele cresce em Quero Ser Grande. Só não tem aquelas janelas laterais, nesse Brooklyn a iluminação é meio fraca mas tem algumas luzes pontuais em algumas mesas, tem uma baita foto da Ponte do Brooklyn (supõe a lógica) em uma das paredes, e nesse dia estava rolando um jazz chatinho e repetitivo. (intelectuais entendedores de música não me critiquem, jazz é chato às vezes, vivam com isso).

Tem uma coisa que me incomoda lá no Brooklin. Já fui algumas vezes e sempre achei isso, o povo que vai lá é uma galera muito blasé. Te olham e viram a cara empinando o nariz e fingindo que não estavam te olhando, acho isso bem engraçado. E depois eu que sou estranho.
Fora a galerinha frequentadora que está chegando
na casa dos 30 e não fica mais bebendo cerveja sentado nas calçadas das redondezas, gente que formou em design, jornalismo,(iria falar publicidade também, mas publicidade não considero muito como curso superior)… esses cursos em que você não precisa estudar muito. Agora essas pessoas estão ganhando seus dinheiros e vão lá gastar na cerveja dos Simpsons, cafés, comidinhas, e como nós, hambúrgueres.
Dia de semana é até comum achar algum macfag
“trabalhando” com seu Macbook  (nunca um notebook Positivo!) e achando que está realmente num café de Nova Iorque.

Agora sim, o que realmente interessa, comida!

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Começando pelo Bacon que é quem da o nome do sanduíche e deveria dar a tônica da parada é o que menos foi percebido. Cortadinho em pedaços fininhos e pequenos, foi bem feito, não passou e não ficou seco, mas foi pouca quantidade. Como todo bacon bem feito estava muito gostoso, mas só foi realmente notado quando já estava na metade do sanduíche, e sentir mesmo o gosto foi em umas duas ou três mordidas, uma pena, porque não é o que se espera de um “x-bacon”.

Mas a carne estava muito boa, rosadinha e molhadinha assim como outra coisa eu que adoro.
Por fora nas bordas estava com uma cor estranha, até um pouco feia, meio esbranquiçada, de carne que só levou um susto no fogo, mas mais para o meio estava até torradinha, não sei como faz esse efeito de “cozer” na chapa, do meio para as bordas. Mas isso não importa. O que importa é que estava muito boa. Hambúrguer de picanha, gordura, já da para sacar que a coisa vai ser boa se for bem feita, e fui altamente correspondido nesse quesito.

Dessa vez não vou reclamar do queijo e dizer que poderia vir mais, gostei da quantidade. Olha que bonita essa camada derretida cobrindo a carne.
Mas rolou uma parada. No cardápio não dizia que vinha “mozarella”, falava apenas no gorgonzola, não curto muito gorgonzola, mas para minha sorte acho que estava acabando o gorgonzola, ou sei lá o que rolou, veio só um pouco na parte de baixo do pão, aí em cima do hambúrguer uma agradável camada de um bom queijo mozarella que logo se transformou em um sorriso.

O pão é igual aquele que usam no Barba e no Motodax. Não é o meu preferido, é escuro em cima, tipo pão que passam ovo antes de assar e colam um monte de gergelim. Rolou aquele efeito decomposição post mortem por causa do sangue da carne morta. Tive que terminar de comer com os talheres porque o sanduíche se despedaçou em minhas mãos.

Tem uma saladinha de leve, um pouco de alface ralada para dar uma crocância e uma umedecida, além de ajudar a digerir. Não é salada, mas também vem uma pitada de algum matinho sem gosto desidratado como parte da decoração.

Acompanha uma porção de batata chips. Às vezes é legal variar um pouco, e batata chips é batata de verdade, afinal. Pena que algumas estavam começando a ficar amargas, tipo passando do ponto, mas ainda assim estavam boas. Foi bom variar as batatas no último sanduba do ano.

Resumindo, é um belo hambúrguer de um bom lugar blasé!  😛

Ah!! Semana passada, pra quem não ficou sabendo, participamos de um programa na Ótv. Depois colocamos aí para quem quiser saber a nossa cara e nos perseguir na rua ou nos pagar um lanche.

Ficha técnica:

“Bacon Burger + Fries”

Ingredientes: “Hamburger de Picanha, com Gorgonzola & Bacon Bits c/ fritas”

Preço: R$18,00 (não lembro quanto deu com a coca-cola de garrafinha).

Ponto alto: Carne bem boa e no ponto e a quantidade de queijo.

Ponto baixo: Pouco bacon.

Avaliação: B-

O Brooklyn Coffee Shop fica na Rua Trajano Reis, 389, no São Francisco. Curitiba-PR. (41) 3618-0388

 
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Publicado por em 12/27/2012 em Uncategorized

 

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Motodax – Motor Salad Burger

Imagina que você tem uma motoca e precisa dar aquela lavada, tocar o óleo, fazer a manutenção …
Que mané moto, mano, essa bagaça não é um blog de hambúrgueres?

Calma pequeno gafanhoto, coloca/clica aí ->   para criar o clima da parada.
Esse foi o som que estava tocando quando chegamos e o som com o qual estou escrevendo isso aqui.

É o seguinte, o escolhido da vez é o do Motodax. O lugar é uma oficina e “lava car” de motos, e além disso, tem um bar e  tem hambúrgueres!
Lugar de reunião de motociclistas. Veja bem, motociclistas, aqueles caras com motos caras, grandes e bonitas, não motoqueiros, motoqueiros são vida loka de CG, mas acho que esses não vão lá.
Na rua, estacionadas na frente do lugar, parecia uma exposição de motos, devia ter umas 30 customs, essas tipo Harley Davidson e uma ou outra speed, que é moto de jovem playboy que gosta de aparecer.

E você se pergunta: O que esse piá que malemal sabe andar de bicicleta, e não tem nem grana para uma Honda Biz, foi fazer lá?
Comer, ué!  E se for pensar que quase todo motociclista é pançudo, isso quer dizer que os caras entendem de comer porcaria, assim como nós, e gostam de rock, assim como nós, e tem barba, assim como nós, e tem motos caras, e bebem cerveja… é, acabaram as semelhanças.

Mas para você que como a gente não tem uma motoca, vamos fazer um moto-clube, só para termos um coletinho preto de couro com um patch nas costas (coisa que particularmente acho meio brega, e por falar isso provavelmente eu vá apanhar em algum bar de beira de estrada) e frequentarmos o lugar. O nosso clube vai ter um legítimo nome paranaense, sugerido pelo Yuri, vamos ser os “Pinhões do Asfalto”.   LOL

Chega de palhaçada, vamos falar da comida!

Motor Salad Burger, porque sou motociclista barbudo e malvadão no Road Rash, mas não sou pançudo ainda, então tem que ter uma saladinha.

Começando pelo pão, do dia, muito parecido com o que usam no Barba, deve vir do mesmo lugar, um pouco escuro em cima, devem passar ovo e colocar para assar com um monte de gergelim colado, colado mesmo, não é dos que ficam caindo gergelim aos milhares por toda parte.

O hambúrguer é da mesma (boa) escola do Rock’a Burger, olha o tamanho dessa carne em relação ao resto, ela só perde em tamanho para o alface, e isso é muito legal, é aquele história de comer com os olhos, bando de olho gordo rá-rá-rá!
E é aí que entra o ponto alto e baixo de toda história, o nosso querido hambúrguer. Estava suculento a ponto de escorrer pela mão e isso é uma coisa muito bem vinda.
É grande (180g segundo o cardápio, mas de olhar eu achei que tinha umas 200g), bonito e vistoso, com um gostoso bom de “assado” na crostinha de fora, mas estava um tanto cru no núcleo nervoso central, não era mal passado, era cru mesmo, tipo carne de onça, mais um pouquinho na chapa e teria ficado excelente e eu até subiria a nota. Mas aqui no blog e na vida é assim, One life, one chance, gotta do it right!

O queijo não foi derretido direto em cima do hambúrguer, aí rola aquele lance do queijo embolar tudo na hora de tirar da chapa e passar pra cima da carne, aí ficou uma bola de queijo derretido no meio do hambúrguer, mas isso não é problema, ficou bem boa essa concentração de queijo, nas mordidas que vinham queijo.

E a salad, uns baita pedaços de alface fresca e crocante que deixaria minha mãe orgulhosa se me visse colocando aquilo num prato de comida, e umas duas rodelas de tomate um pouco verde, mas é salada né, tem que comer porque faz bem não porque é gostoso.

Últimas considerações antes de pegar a estrada.
O lugar é bem legal, o hambúrguer é dos melhores e nas quartas-feiras os sandubas ficam pela metade do preço, isso é muito convidativo à gula.
E uma coisa nada a ver mas que é legal, é que desde a hora que chegamos até irmos embora os caras lavaram umas três ou quatro motos.

Ficha técnica:

Motor Salad Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger motorcaffe de 180g, maionese, queijo, alface, tomate, molho esp” Mas o cara disse que não vinha com o molho mais.

Preço: R$14,00(quarta-feira paga 50% nos hambúrgueres) mais uma coca-cola lata de R$3,50. Total R$10,50.

Ponto alto: O tamanho, o preço, o lugar legal, bom atendimento.

Ponto baixo: A carne crua e não acompanhar batata.

Avaliação: B

O Motodax fica na Rua Conselheiro Laurindo,2935, no Prado velho, mais ou menos perto do Teatro Paiol. (41) 3333-3077.

 
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Publicado por em 10/25/2012 em Uncategorized

 

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Elvis Costella – The Real Deal Burger

Pensar os fenômenos que ocorrem ao seu redor no dia a dia exige sensibilidade, paciência e observação. Mas como nós temos tudo isso, podemos perceber e fazer a pergunta que pede para ser feita: por que, afinal, tantas hamburguerias estão brotando na cidade? Não me levem a mal, Deus sabe que eu gosto de um hambúrguer (aliás, graças a esse blog, agora acho que todo mundo sabe), mas é preciso descobrir de onde vem a demanda por tantos hambúrgueres gourmet, por tantas opções de recheio, por tantas alternativas vegetarianas a uma comida que quem não come carne não deveria nem querer chegar perto.

E bom, exatidão é algo que só existe no mundo dos homens de Protágoras e suas medidas antropocêntricas, mas isso não impede que tentemos esboçar uma explicação plausível. E a resposta para isso, doa a quem doer, vem da morte da alta-gastronomia. As crianças de classe média não comem mais comidas elaboradas, seus cardápios resumem-se a congelados, fast-food e as três ou quatro opções que a empregada tem na manga, porque cozinhar em casa, além de ter se tornado algo caro, também se tornou algo muito trabalhoso e vagaroso para o ritmo do século 21.

Sendo assim, o homem moderno, quando ganha liberdade para voar para fora do ninho, busca nas hamburguerias refeições que explorem o parvo repertório com que foi criado. E é esse o principal desafio dos chefs de hoje em dia (por chefs, refiro-me àqueles que não querem surpreender ninguém): trabalhar com o repertório da galera, fazer mais com menos, construir algo que seja ao mesmo tempo gastronomicamente desafiador e confortavelmente familiar. É só uma questão de tempo até aparecerem restaurantes especializados em miojo, vai por mim.

É justamente a tentativa de trabalhar com o repertório distorcido das crianças da geração coca-cola que faz com que tantas hamburguerias associem seu principal produto à famigerada estética rockabilly dos anos 50. A cultura estadunidense é tão contundente que tanto bate até que fura e todos se esquecem que a palavra vem do nome de uma cidade alemã, e associar qualquer elemento teutônico a esse bolo de carne é um disparate lógito semelhante a associar as batatas fritas a seu lugar de origem, a Bélgica.

Tudo isso para dizer que o Elvis Costella, restaurante das mercês que, com palavra e imagem, funde os dois únicos Elvis que o rock n’ roll já conheceu, levou essa brincadeira longe demais. O lugar é uma caricatura grotesca da cultura americana de que os ianques tanto se orgulham. Guitarras nas paredes, bancos que simulam Cadillacs, jukebox decorativa, pôsteres de filmes, o restaurante é imenso e se reabrisse como museu, poucas pessoas notariam a diferença. Se é assim tão grande a vontade de parecer um restaurante norte-americano, é uma pista de que em matéria de hambúrguer os caras devem ser bons. E se são, é melhor a gente ir conferir.

Mas não na primeira tentativa. Chegamos lá e tinha uma banda cover de Elvis tocando, com um sujeito que parecia muito o Elvis mesmo (o Presley), mas que não justifica, na minha opinião, o couvert artístico de 20 reais – mais do que eu pretendia gastar em comida naquela noite. De maneira que retornamos num dia mais tranquilo, vazio, com aquele ar de fim de festa. Foi aí que finalmente demos uma olhada no cardápio.

Três opções de hambúrguer, caros leitores. Senti-me observando a obra pop de Andy Warhol sobre Marilyn Monroe, que com suas cores e pictoração fauvistas wanna-be, emulam, para mim, a falsa ilusão de escolha da massificação cultural. Veja você também o quadro para acompanhar meu raciocínio.

Andy Warhol

Então, basicamente o que eu tenho é a opção de escolher o Real Deal, que é um hambúrguer, o Elvis Jr, que é o mesmo hambúrguer, só que menor, e o Alaska Burger, que é feito com pão integral, salmão e guacamole. Ou seja, não é hambúrguer. Resumindo, você tem duas opções de hambúrguer nesse grande restaurante americano: o grande e o pequeno. Tá bom pra você? Que bom, porque pra mim não tá. Quase não tivemos post sobre o Elvis Costella, mas acertamos que o Murilo comeria o menor e eu pegaria o Real Deal Burger, porque, afinal, ninguém aqui vai encostar num hambúrguer de salmão!

E vamos ao que interessa. O The Real Deal Burger, imperativo dizer para os que não manjam de inglês, tem um nome um tanto prepotente para virtualmente a única opção de hambúrguer do cardápio. Real Deal é tipo “A parada de verdade”, sem caô, sem vacilação, leva o que paga, tá ligado? No cardápio diz: “Pão, hambúrguer de carne (Red Angus, 250g) de carne [sim, repete o ‘de carne’, acho que é pra mostrar que não é de salmão], queijo, tomate, pickles [assim mesmo, com k], cebola e maionese……..24 reais”. Xi… passou dos 20 reais, pra mim, a brincadeira fica séria, o sorriso some e o profissionalismo fala mais alto. Aqui não tem moleque, virei o boné pra trás no estilo Falcão – O Campeão dos Campeões e comecei a prestar atenção em tudo. E a primeira coisa, obviamente, é a pose, que isso esse sanduba tem.

Elvis Costella

Infelizmente, começamos mal. O garçom, que não anotou nada confiando na sua memória infalível, errou nossos pedidos e o meu sanduíche veio como o Murilo queria: sem cebola e sem picles. Tudo bem, não sou mesmo fã desses ingredientes e geralmente só como para relatar a experiência mais próxima da realidade que vocês terão. Por isso não reclamei, mas isso não justifica a má conduta do garçom. Papel e caneta existem, são baratos e eficientes. Acredite no simples, acredite na beleza. Fica a dica, como dizem as patricinhas.

Comecemos pelo topo. O pão reforça aquele ditado “por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”. Não que tenha bolor, nada disso, mas é que, se por um lado a crosta cativa, o miolo, mais seco que tabule que caiu na areia, tira toda a graça do resto e dá a impressão de se estar comendo algum tipo brando de poliuretano, com aquela textura de isopor. Eu cheguei a destacar um pedaço grande do pão e mostrar para o Murilo, para ele procurar, tal qual um investigador do CSI, algum traço que indique que aquele pedaço pertenceu a um hambúrguer, e não foi possível provar nada. Pena que não tirei foto para mostrar.

Sobre a salada, eu geralmente falo pouco mais que generalidades de praxe, para cumprir tabela, mas serei obrigado a puxar a orelha do chef do Elvis Costella nesse quesito. O cara usou alface lisa no sanduíche! Alface lisa! Como alguém, em pleno século 21, com acesso a Wikipédia, usa uma alface lisa no sanduíche. Parece muito bom se a intenção é passar a impressão de se estar mordendo um boi que está afundando num brejo, mas, cambada, vamos usar a boa e velha alface crespa, também calha bem uma americana, porque em time que se está ganhando não se mexe. Sério, é a primeira vez que eu vejo isso desde uma lanchonete na Bahia em que o x-burger custava um real.

O queijo é outra decepção. Longe de ter sabor de queijo, reduz o ingrediente a sua essência primitiva: gordura. O gosto é a pura gordura do queijo, como se você derretesse num prato no microondas, tirasse o queijo e bebesse o óleo que fica no prato. Passou do ponto, misturou com a fumaça da carne e usaram queijo sem graça para compor o Real Deal. Uma pena, a parte que eu mais gosto nos sandubas é o queijo.

Por fim, a carne. Quando vi o meu prato chegar, fiquei animado com a cara boa que ele tinha, e, uma um, os ingredientes foram se mostrando mais fotogênicos do que gostosos, como um sanduíche publicitário. A carne, porém, eu acreditava fielmente que não iria me decepcionar. Uma carne consistente e suculenta como aquela não podia ser de mentira. Bom, não é mesmo, mas nem de longe é tão boa quanto parece. O principal erro aqui é o gosto excessivo da fumaça na superfície, falha crassa de quem deixa queimar um lado pouco untado. Mais passado do que o suficiente, sem a suculência do interior, inutilizou a boa carne de Angus, cuja maior qualidade é a maciez e a capacidade de guardar mais e melhores sucos no recheio.

Uma coisa, entretanto, se salvou. As batatas fritas, gostosas, sequinhas e bem feitinhas, raras de encontrar por aí, só pecam por serem escassas como sempre. Mas é tanto desanimo e decepção que nem me animo muito a falar delas. No fim das contas, foi isso o resumo da visita ao Elvis Costella: uma grande decepção.

Ficha técnica:

The Real Deal Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger de carne (Red Angus, 250g) de carne, queijo, tomate, pickles, cebola e maionese”.

Preço: R$24. Salgado como o mar morto.

Ponto alto: Não sei… a decoração? A fotogenia do meu lanche? Ah, e as batatas!

Ponto baixo: Falta de opções, pão seco, carne seca, alface lisa (!!!), queijo que é pura gordura e preço estratosférico.

Avaliação: E+

O Elvis Costella fica na Av .Manoel Ribas 396 “nas” Mercês, e funciona de segunda a sexta-feira das 11h30 às 14h30, de terça a sexta-feira das 18 horas às 23h30. Sábados, das 14 horas às 23h30. (41) 3618-7089.

 
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Publicado por em 08/30/2012 em Uncategorized

 

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