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O GiraMundo – Hambúrguer

Giramundo

A verdade é que é Natal. É fim do ano. Ninguém mais quer saber de hambúrguer. Todo mundo agora quer saber de peru, Chester®, ave navidad, lombo, arroz com passas, tender com pêssego em caldas, nozes, avelã, panetone, chocotone, bacalhau, rabanada, Roberto Carlos, mega-sena da virada, engarrafamento, caixas de cerveja, garrafas de espumante, toalhas de mesa vermelhas, calça branca e sandália, balões dourados, casa na praia alugada, abraçar pessoas suadas, piadas de pavê, retrospectiva, show da Ivete Sangalo, amigo secreto, presente genérico do Boticário, primos menores, primos maiores, parentes mais ricos do que você, Esqueceram de Mim e papai noel da Coca-Cola. Mesmo assim vamos falar de mais um hambúrguer antes de 2013 virar uma página na história mundial.

O Giramundo Café é um café simpático e discreto no Água Verde que, por alguma razão, faz muita propaganda de seu hambúrguer nas redes sociais. Foi por causa dessas propagandas que a gente resolveu ir lá experimentar. Mas não acho que seja para tanta propaganda não. O tal hambúrguer, batizado criativamente de “Hambúrguer”, oferece como diferencial um pão de cerveja com hambúrguer, queijo, maionese e picles, segundo o cardápio. O que o cardápio se esquece de mencionar é que ele é um hambúrguer para pessoas muito, muito pequenas, e que não estão com muita fome. Seu tamanho diminuto explicita a ideia.

Giramundo

Vamos começar pelos problemas. O maior deles, se é que existe alguma coisa grande aqui, é o pão, que tem o miolo miseravelmente cru. Estava duvidando no começo mas tirei um pedaço de dentro dele para ver e realmente a massa ainda estava em formação. Isso o torna incrivelmente duro e extremamente pesado (não era esse o nome de um livro do Jonathan Safran Foer?), o que torna qualquer esforço para arrancar um pedaço dele um desafio ao poder de oclusão da mandíbula e de qualquer pedaço ingerido uma carga submarina que aterrissa com toda força no fundo do jejuno-ílio. Em todos esses anos resenhando hambúrgueres isso nunca tinha me acontecido antes. Seria melhor ter comprado um pão industrial da padaria, oras. Não gosto de pagar (caro) para comer pão meio cru.

O segundo problema é a carne que, embora bem temperada, tem apenas isso a seu favor: o tempero, o que esconde uma carne mal executada e possivelmente (no sentido de possibilidade, não de probabilidade) de quinta categoria. O fato dela ser maior do que o pão pode impressionar na foto, só se você lembrar que a área do pão não deve passar dos 5 πcm². Não é das melhores lembranças que eu tenho.

A favor aqui temos o queijo, que é farto e realmente saboroso, e a maionese, que serve para dar aquela lubrificada na máquina engendrada de qualquer hambúrguer com falhas no percurso. Mesmo assim, não dá pra dizer que sejam pontos altos em seu valor absoluto, já que aí o mérito é simplesmente não ter feito nada de errado – algo que se espera de um hambúrguer requintado e caro como anunciado no Facebook. Enfim, o queijo e a maionese são como o baixo e a bateria do Jota Quest: Salva parte da obra, mas é impossível salvar todo o conjunto.

E, claro, temos as batatas chips que, se não se destacam pela lembrança inesquecível de batatas deliciosas, ao menos fazem bem seu papel de coadjuvante oferecendo uma opção mais leve do tubérculo nosso de cada dia. Sinceramente, das batatas chips que já comi na vida, essa está entre as boas, mas batata chip nunca é um troço muito impressionante quanto uma batata belga frita da maneira adequada (embora o processo de produção seja tão difícil quanto). Ela vem ainda com um molhinho, que ou é um barbecue muito fino, ou um ketchup muito estragado. Prefiro acreditar que se trate da primeira opção, mas não curti o gosto de qualquer forma, então deixei de lado.

No fim, o Hamburguer do Giramundo é mais um dos que chega na esteira da popularização do hambúrguer gourmet, um arrivista que não se defende quando confrontado friamente. E na moral, amigo, por 16 reais você consegue coisa bem melhor nessa cidade. Mas BEM melhor.

Ficha técnica:

Hambúrguer

Ingredientes: “Hambúrguer caseiro com queijo mussarela, picles de pepino e maionese no pão de cerveja. Acompanha batatas chips.”

Preço: R$16,00 mais uma coca-cola lata de R$4,00(!) ficou R$20,00.

Ponto alto: Queijo farto e maionese boa. Batatas chips boas também, pra quem curte.

Ponto baixo: Pão com miolo cru, carne mal executada, relação custo/benefício e ketchup meio esquisito.

Avaliação: D+

O GiraMundo Café fica na Rua Santa Catarina,456, no Água Verde. Funciona de Terça à Sábado das 15h-22h e Domingo 15h-20h. (41) 3205-0437.

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Publicado por em 12/20/2013 em Uncategorized

 

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Square Burger – Marlon B., Elvis e Ritchie V.

square burger

A vanguarda – simples e pura, a vanguarda per se – pode ser válida num ambiente de total estagnação? Para ser bom, basta ser vanguarda? Questionamentos como esse desafiam a lógica da crítica artística mundo a fora, enquanto Jeff Koons e Damien Hirst dividem o mercado da arte com suas bolinhas coloridas, balõezinhos e caveiras cravejadas de pedras, as academias ensinam o artista iniciante a ter reverência pelos clássicos. E aquilo que Tzvetan Todorov contesta não é aquilo em que Umberto Eco acredita. Pode a arte ser ensinada, afinal, ou o conhecimento transmitido não pode ser arte?

Indagações que talvez seja melhor deixar no ar para que o leitor que encare um Square Burger (anteriormente chamado de Burning Burger) e depois (ou antes) leia esta resenha possa tirar suas próprias conclusões acerca de um lanche que abriu mão de todas as apostas gastronômicas para inovar unicamente na apresentação. Um fetiche estético digno do miniaturismo japonês da segunda metade do século 20, somado a também nipônica arte da subversão das formas. Para podermos responder à pergunta “por que, afinal, um hambúrguer quadrado?”, precisamos regredir a questões aristotélicas fundamentais: “por que, afinal, o hambúrguer é redondo?”. Acho que a resposta mais simples é, necessariamente, a mais verdadeira: ninguém gosta de morder as pontas de um sanduíche, notadamente a parte com menos recheio. Felizmente, o Square Burger é um sanduíche cuja carne acompanha cirurgicamente as pontas numa montagem de paciência e acurácia zen.

Acredito que o Murilo já tenha dado os detalhes do lugar e do cardápio. Nomes de celebridades da década do hambúrguer, poucas cadeiras, atendente simpática, Chubby Checker rolando. Pedi a caixa com três e com batatas. Mais ou menos igual ao do Murilo, só que com o Marlon Brando no lugar do Chuck Berry.

Square burger

O Marlon Brando é um sanduíche com uma pasta de gorgonzola, algo que, claro, é sempre pior do que o próprio gorgonzola. A imagem não é das mais convidativas.

Square Burger

Mesmo assim, não chega a ser um sanduíche ruim, embora tenha muito forte o gosto da gorgonzola. Como a carne é muito fina e o pão é muito alto, a sensação é a de estar comendo um daqueles sanduichinhos de petisco em Buffet chique, desses que têm um pedacinho de fiambre no meio de queijo e uma mini folha de alface. A coisa não melhora muito quando você encontra dois doritos dentro do Ritchie V. e quando percebe que o molho barbecue tem um gosto rançoso e o cheddar é duro demais para fazer um dipping básico da batatinha no copinho extra que você pede. Resumindo, a experiência é a que se espera: você, glutão ocasional de fim de semana, degladiando-se internamente com a sua própria falta de jeito com um lanche minúsculo que é mais divertido do que prático e gostoso. Eventualmente tudo degringola e ao consumidor resta pouco mais que a saída inglória de comer tudo depressa antes que se note a inacreditável bagunça que se pode criar com partes tão pequenas de um hamburguinho. A batata frita, por sua vez, também não é das melhores, já que é daquelas fritadas por dentro e por fora, sem qualquer recheio cremoso de amido. A clássica batata-frita não vedada que vocês já conhecem do seu Buffet e das experiências culinárias da sua titia sem muito talento para a cozinha. Uma pena, porque a ideia de hambúrgueres na caixinha batizados a partir de pessoas mortas é por demais atrativa. Agora os leitores podem voltar à reflexão inicial deste texto e concluir o que bem entenderem. Eu, eu sempre saio de barriga cheia.

Ficha técnica:

Marlon B., Elvis e Ritchie V.

Ingredientes: “Marlon B. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão e pasta especial de queijo gorgonzola. – Elvis; Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo, cubos de bacon crocantes e maionese especial. – Ritchie V. Pequeno hambúrguer quadrado, com pão, queijo cheddar, molho de pimenta e nachos.”

Preço: R$16,90 os três sanduíches e meia porção de batata frita + Coca-Cola de 600ml R$4,00. Mais uns centavos aí dos molhos extras que eu pedi, mas não aconselho pra ninguém.

Ponto alto: Lanche divertido, inovador e convidativo.

Ponto baixo: Todo o resto.

Avaliação: D-

O Square Burger fica na Rua Lamenha Lins, 1550, no Rebouças, meio perto da Arena da Baixada. Não achei o horário e dias de funcionamento, então liguem lá. Tem delivery, (41)3032-3773 ou 3032-2727, no Alto da Glória.

 
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Publicado por em 10/11/2013 em Uncategorized

 

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Au-Au – Texas Burger

Logo_auau

Eis que a falibilidade dos canais de comunicação institucionais dos redutos gastronômicos da cidade e, por que não dizer, nosso próprio desleixo com a curadoria das hamburguerias da semana nos colocaram mais uma vez desnorteados no centro da cidade sem saber para onde ir em plena terça-feira à noite. Vagando pelos arredores de uma área gentrificada cujo nome não ouso dizer neste querido blog, deparamo-nos com a onipresente fortificação cross-over fast-food/casual dinning curitibana Au-Au, um estabelecimento principalmente objetivado a construir o cardápio do inimigo número 1 dos nossos queridos hambúrgueres, o cachorro-quente de rua, o cachorro quente de praça, de festas juninas, quermesses e aniversários, o sanduíche de carne embutida, condimentada, pré-cozida e, ao que tudo indica, cancerígena que conquista a tudo e a todos por onde passa, um enfant-terrible das porcarias que nossas mães nos impediam de comer.

Por que buscar hambúrguer em um lugar como esse? Seria como buscar compreensão no terceiro Reich, amor no prostíbulo, redenção na política, honradez no contrabando, concupiscência na igreja? Talvez sim, talvez não, mas parte das capacidades do olhar treinado para a sensibilidade do não-óbvio é encontrar lógica no caos e beleza no lixão. Por isso fomos, e nos aboletamos nas insistentes mesas americanas de sofá e pedimos para a garçonete a carta de hambúrgueres.

Talvez tenha sido a decisão mais acertada que tenhamos tomado nesses últimos tempos. Não só o Au-Au tem uma grande variedade de comida decente como também são receitas inventivas, com ovo, com rúcula, com mostarda e mel, enfim, algo que saia da tríade x-buger, x-salada e x-bacon. A minha escolha foi o Texas Burger, um sanduíche marcado principalmente pelo molho barbecue e pelas cebolas grelhadas. A ideia parece simplória, mas ganha no conjunto da obra, veja.

Texas burger

A propósito, essas batatinhas smiles que estão aí são opcionais e podem ser obtidas se o cliente quiser abdicar das tradicionais batatas palito, mas não recomendo dada a pouquíssima quantidade e a artificialidade do pastiche tuberoso. Ainda assim, são aquelas batatas sequinhas e gostosas que, caso viessem em maiores quantidades, até valeriam uma ponderação prévia.

Fora a apresentação do lanche, que é sim muito bonita e prática, o que se nota nesse Texas Burger é a quantidade de salada que vem nele – o que seria uma coisa terrível não fosse o cuidado na escolha dos alimentos. A alface extremamente crocante e o tomate carnudo e bem vermelho fazem o papel da boa salada num sanduíche, que é acrescentar cavalinhos de textura no carrossel de sensações experimentado em um lanche bem composto por carne, pão, vegetais, queijo e condimentos. A salada do hambúrguer é assim: se não faz parte da solução, então faz parte do problema.

O queijo é outra grata surpresa. Uma grata gratinada surpresa, eu diria mais. A generosidade na porção que cobre a carne tem a possibilidade de fagocitar parte dos outros ingredientes e se sobrepor a todos eles sorrateiramente, um coadjuvante que não se contenta com o pano de fundo e parte para o ataque sempre que necessário, um paladino laticinioso engajado em uma cruzada santa pela tradição perdida do queijo farto nos hambúrgueres com queijo.

A cebola e o barbecue são a comissão de frente do Texas Burger, algo claramente evidenciado em seu nome de pia. A combinação, embora não seja original e muito menos incomum, agrada apenas quando o resto é bem servido. Ou seja, muita cebola e barbecue com pouca carne e queijo não é exatamente algo que mereça registro, mas o contrário é enriquecedor e um colírio para as papilas gustativas.

Mas é claro que nada disso adiantaria de muita coisa caso a carne, que é o ponto central, não fosse bem executada. E preciso reconhecer: para quem trabalha com uma carne tão pobre quanto a salsicha de um cachorro-quente, o pessoal do Au-Au até que sabe manejar um disco de hambúrguer.  A carne é boa, macia, alta, vermelha e suculenta. Bom, não tão suculenta, mas dá conta do recado, embora algumas vezes seja sobreposta pela quantidade sobrenatural de alface do Texas Burger. E nem preciso dizer que carne combina com molho barbecue.

Como calcanhar de aquiles deste belo monumento, o pão é uma decepção pela sua obviedade e falta de requinte. Um pãozinho mixuruca industrializado desses que você encontra em qualquer lanchonete que venda uma porcaria de hambúrguer pré-frito com queijo e presunto por três reais. Tal conjunto merecia um acabamento melhor, mas não é sempre que é possível. Se acabam as tintas do artista, pintar com bosta talvez não seja a melhor solução, mas antes isso do que não entregar nada.

Ficha técnica:

Combo Texas Burger

Ingredientes: “Sanduíche com hambúrguer Au-Au de 130g de carne bovina, molho barbecue, queijo musarela, cebolas douradas na chapa, alface, tomate e maionese no pão especial de hambúrguer + 5 fritas smiles + Refri lata.”

Preço: R$23,80 no combo com coca-cola lata e batata frita.

Ponto alto: Bom conjunto, apresentação, salada boa, queijo e combinação clássica barbecue + cebola que não falha.

Ponto baixo: Pão mixuruca e preço um tanto alto.

Avaliação: B-

O Au-Au que fomos fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 990, no Centro. Funciona de segunda a sábado das 11h até 6h da manhã e domingos das 11h às 0h30min.

 
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Publicado por em 09/20/2013 em Uncategorized

 

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Guiolla – Gourmand 33

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Um estabelecimento da cidade vai estrear uma nova receita de hamburguer e quer fazer uma festa de lançamento e sondar a opinião dos convidados. Who are you gonna call? O Guiolla nos chamou para conhecer o Gourmand 33, um sanduíche composto por, pão, queijo, vinagrete, maionese e um baita hambúrguer de costela (e aqui fica a indireta pra vocês, outras hamburguerias que nunca chamam a gente de Godfather). Simples assim. Já resenhamos os hambúrgueres do Guiolla aqui, então esse entra num off-topic, mas nem por isso vamos deixar de fazer nosso comentário abalizado ineditamente escrito a quatro mãos (embora boa parte tenha sido trabalho do Murilo). E obrigado ao Guiolla pelo convite!

Antes de mais nada, tá aqui o bicho:

Gourmand 33

Quando esse prato chegou, achei ele bem pequeno e moderado, mas até que no fim das contas encheu a pança. O hambúrguer continua vindo num chapeuzinho de origami que é muito engenhoso e funcional,  além dos caras terem uma das melhores batatas-fritas da cidade. Mesmo assim, é meio inevitável comparar com o hambúrguer da foto promocional, confiram:

Gourmand 33

Bom, o mais legal desse sanduíche é que a carne é e parece costela, no meio do hambúrguer tem até as tirinhas de fibra da carne e um pedacinho ou outro de gordura (a gordura é que da o prazer dessa vida, mas se for muito, no corpo e no coração, aí é problema, jovens).
Deve dar um puta trabalho fazer isso, já conheci gente que não ia no costelão porque é muito empenho ficar separando só a carninha boa. Os caras fazem isso por você e colocam no formato de um puck, aquele disco de hockey. Então obrigado.
O hambúrguer faz o sanduíche parecer um planeta com um anel de carne ao redor do pão. Carne maior que o pão ganha a nossa simpatia, ainda mais se for gostosa como essa costela do Goumand.

Esse hambúrguer, acho que por causa do pão e do vinagrete me lembra essas festas de cidades do interior, rodeios e exposições agropecuárias que tem “X-pernil”. Aquelas barracas com uma luz bem na chapa para chamar atenção, uma porrada de carne e vinagrete para colocar num pão francês com a casca quebrando e colocado num saquinho branco.
No caso do Guiolla, eles transformaram um desses lanches toscos em algo sofisticado, coisa da inventividade do homem moderno das grandes cidades. Troca-se o cheiro de bosta de vaca no meio da terra batida por um lugar mais bonito e confortável no batel. Nada mal.

Tem o vinagrete, sim, aquele molinho de cebola, tomate, um verdinho e, pasmem, vinagre! (rá-rá!)
Confesso que comecei a comer cebola e realmente achar interessante agora há muito pouco tempo, depois dos Pita Gyros da Grécia (mano, que troço massa aquilo. Saudades, Grécia). Então não posso falar muito, mas basicamente é aquele lance, cebola da uma textura crocante ao mastigar, além do gosto característico, o tomate molha e com isso difunde o gosto da salada por onde escorrer.
Tem também uma maionese, mas é pouco, confesso que não reparei muito. Então poderia ter mais maionese, pode dar uma besuntada que a gente não se importa, deixa mais deslizante goela abaixo.

Eu (Yuri), pedi o meu hambúrguer sem o vinagrete, pra dar uma variada e ter uma espécie de grupo de controle. Bom, posso dizer que talvez o vinagrete desempenhe papel fundamental no lanche, porque com a pouca maionese e o queijo propositalmente escasso (senão a coisa fica extremamente salgada), o pão e a carne ficam bem secos. E hambúrguer seco é uma coisa que você jurou pra você mesmo que nunca mais comeria desde aquela vez que comprou uma caixa de frigão texas burger pra fazer em casa, esturricou a porra toda e acabou se fartando de pão com queijo e maionese, depois de comer meio disco de carne carbonizada. De maneira que é aconselhável pedir mais maionese caso não goste de vinagrete. Ah, senti falta do barbecue também, que sempre vai muito bem com costela e quem não concorda, boa gente não é.

Uma coisa legal do 33 é que é um sanduíche limitado, são só 33 por dia,  quer mais exclusividade que isso? Seja idiota e pague mais de 200reais no hambúrguer que tem lá em São Paulo, vai ser um dos poucos manés a comerem aquilo.
No combo do Goumand vem uma cerveja Stella Artois incluída no preço, que nós trocamos por um refrigerante. Engraçado como já é meio implícito que quase todo mundo consuma álcool e já oferecem direto com uma cerveja. Tudo bem, tudo bem…

Claro que não vamos só ficar rasgando seda, aqui é Good Burger, o bonde sem freio. Falamos a real mesmo quando parece que é jabá.
Achei o pão um pouco branco, seco e quebradiço, talvez para contrastar com a carne macia e não ser tudo mole, mas eu gosto de pão macio sem casca quebrando, esfarelando e espetando o céu da boca.

Quando chegamos tinha um tiozinho tocando Esse Cara Sou Eu, quando fomos embora estava tocando My Way, do Sinatra, então dá pra dizer que melhorou na hora que fomos embora.

O Guiolla é um pouco coxinha mas continua sendo o lugar que eu recomendo para ir em casal e tem um dos melhores hambúrgueres da cidade (Vejam no nosso ranking). Eu levaria uma gata lá.  #FicaDica

Fomos convidados para experimentar esse sanduíche novo. Comemos de graça e achamos muito legal, mas nem por isso virou uma matéria paga ou coisa do tipo.
Continuamos com a dignidade em dia e os bolsos vazios. Obrigado e voltem sempre!

 
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Publicado por em 08/23/2013 em Uncategorized

 

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Bravus Burger e Grill – Caesar Burger

Bravus

Mimetismo. O conceito, aqui emprestado da biologia, serve a animais que, por causa de sua aparência, conseguem se camuflar em certos ambientes ou passar por outros seres vivos, imitando assim uma outra forma de vida. O Caesar Burger, do Bravus Burger e Grill, simpático e pequeno estabelecimento no coração do batel, que, como qualquer outro, se vale dos clichês da arte pop cinquentista para sua modesta decoração, talvez seja o primeiro caso de mimetismo gastronômico da história deste blog.

Veja, não é que o hambúrguer em si esteja mimetizando outra comida, mas o lanche é batizado a partir da clássica fórmula de salada verde com carne (geralmente frango), queijo e molho característico a base de mostarda, parmesão e suco de limão. Então, de certa maneira, a intenção do chef foi fazer um hambúrguer com gosto de salada. E deixo para vocês adivinharem as razões para tão tresloucada e despropositada invenção. Uma salada com gosto de hambúrguer sim, seria a invenção do século, mas o contrário? Por quê? Pra quê? A quem interessa um hambúrguer com gosto de salada?

Enquanto vocês pensam nessas questões, aqui vai uma foto da criança.

Bravus Burger e Grill

A receita para esse hambúrguer é: Pão, hambúrguer, alface americana, molho caesar, parmesão e cheddar. Nem preciso dizer que debaixo do queijo cheddar — essa fatia de queijo processado, que, para ser bem sincero, não tem muito gosto de cheddar —, o parmesão desaparece por completo, misturado no molho e em meio a todo o sal da coisa.

O pão é bem macio e cheio de gergelim, e é levemente tostado, o que dá aquele balanço entre uma crosta crocante e um interior tenro, então é um ponto alto e relativamente falando, é meio caminho andado para um bom sanduíche. Pena que é só meio caminho andado, porque a outra metade do caminho ficou mesmo pela metade. A carne do hambúrguer é o maior mistério pra mim: ela é extremamente bem executada, mas muito mal temperada. O resultado é curioso: um puta hambúrguer suculento com gosto de absolutamente nada. Bom, ele passou um pouco do ponto também, isso deve ter ajudado. Inteiro da mesma cor, parece uma carne do Madero, mas só parece.

Agora vamos dar uma atenção especial à salada. Sim, porque a salada deve ser o principal nesse sanduíche, então dai a Caesar Burger o que é de Caesar Burger. Devo repetir aqui minha opinião de que o Caesar Burger é uma invenção muito pouco saliente para se constar num cardápio de hambúrgueres Premium, mas já que está aqui e que a ideia é fazer um hambúrguer com gosto de salada, acrescento que é bem impressionante o fato da ausência de um tomate deixar o lanche com um vazio de texturas até então impensável para mim. Mas é verdade. A falta de um tomate no alface ajudou a eximir o hambúrguer de sabores, quem diria. A alface é boa, como a próxima alface do próximo hambúrguer que eu vou comer, mas sério, quem se importa? É como se eu fizesse um sanduíche chamado Gergelim Burger, em que eu cobrisse o hambúrguer e o pão de gergelim e fizesse você prestar atenção numa parada que sempre esteve lá.

Mas Nego Dito, vocês diriam, o Caesar do nome se refere ao molho Caesar. Eu sei, amiguinho, e é disso que eu vou falar. Como posso colocar isso? Um molho para salada no hambúrguer simplesmente não combina. Caso encerrado.

Ah sim, por último, uma leve ilusão. O Caesar Burger é o único da página do cardápio ilustrado, e na foto podemos vê-lo rodeado por lindas batatinhas fritas. O problema é que essas batatas não vêm no sanduíche, e você precisa pagar mais 5 reais para ter um adicional, segundo a pequena lista de adicionais da carta. Aliás, essa lista é de uma incoerência matemática que eu imagino que se tem alguém com tutano que frequenta esse lugar, deve aproveitar bastante. Pegue, por exemplo, um cheese burger básico, que custa R$8,50. Pão, queijo e mussarela. Agora pegue um adicional de ovo (R$1) e um adicional de bacon (R$2). Total: R$11,50. Um real mais barato que o Egg Bacon Burger do cardápio, que vem com tudo isso e mais presunto – um ingrediente desprezível por qualquer um que goste de hambúrguer bem feito, mas altamente apreciável no x-burger de R$3 que você compra na padaria da sua casa com uma carninha mirrada. Que tal transformá-lo então em um Especial Cheese Burger, esse que o Murilo resenhou na semana passada? Basta um adicional de cheddar (R$2) e um de provolone (R$2) e voilà! A mesmíssima receita do cardápio acaba de ficar um real mais barata! Ao mesmo tempo, o Egg Burger custa a mesma coisa do Egg Bacon Burger, que tem um ingrediente a mais, e por aí vai. Olha, parabéns pra quem fez esse cardápio por dar ao homem comum, urbanoide proletário abatido, a oportunidade de se sentir um pouco malandro em ludibriar o estabelecimento com esses preços manipuláveis. É uma boa ação que o Bravus Burger e Grill faz por você.

Ficha técnica:

Caesar Burger

Ingredientes: “Pão, hamburger, alface americana, molho caesar, queijo parmesão e cheddar”.

Preço: R$15,50 + R$3,50 coca-cola em lata. Total: 20,90 (10% incluso).

Ponto alto:  Pão bom e carne bem executada.

Ponto baixo: Carne mal temperada, receita incipiente, preço e o fato de não vir com batatas.

Avaliação: D-

O Bravus Burger Grill que fomos fica na Av. Batel, 1.700, na frente de um tal Boteco Santi. Seg. – Sáb. 11:00 – 00:00 e Domingo das 17:00 – 00:00. Tem delivery, (41) 3010-2525.

 
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Publicado por em 08/16/2013 em Uncategorized

 

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