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Outback – The Outbacker Burger

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No meio de uma semana fria e chuvosa, resolvemos nos aventurar na aridez do outback australiano sem precisar ir muito longe de casa — nem saímos da capital gralha azul.
Outback é algo como o sertão brasileiro, só que na Austrália, que é aquela ilha lá do outro lado do mundo (15596.065 km de distância), onde uma porrada de brasileiro classe média vai fazer intercâmbio e que também tem bichos muito loucos, perigosos e fofos como o coala (você pode ser todo bronco e machão mas aposto que também abraçaria um coala se não tivesse ninguém olhando).

O Outback Steakhouse já é um lugar meio manjado, tem em outras cidades e tal… esse que fomos fica naquela praça de alimentação chic, logo na entrada principal do Shopping Curitiba, pela rua Brigadeiro Franco. E pensar que em outros tempos o Habib’s comandava aquela área, heim?
O Outback fica bem do lado do The Fifties, que estava totalmente vazio nesse dia. . . já sabemos porque, ?!

Sem mais delongas, escolhemos a mesa e aí chega o garçom, que se ajoelha (tem que se ajoelhar porque o negócio é de bacana e rico não gosta de ser visto de cima nem pelo garçom) e se apresenta: “Olá, meu nome é Daniel e eu vou servi-los…”
O Daniel, agora que sei o nome dele tenho que chamar pelo nome, e não por garçom. Já diria o Christopher McCandless, abordo do Magic Bus “…chamar cada coisa pelo seu nome correto”. Mas confesso que não sou uma pessoa com muito traquejo social e acho estranho ficar chamando o cara pelo nome, parece (e é) uma falsa intimidade que não me agrada muito.
Voltando, o Daniel nos perguntou se era nossa primeira vez no Outback, e era, provavelmente por isso, nos mandou um pãozinho preto levemente adocicado e muito macio, com um pouquinho de manteiga, de aperitivo. Ou seja, sempre diga que é sua primeira vez e ganhe um pão grátis.

Nem tínhamos comido esse pãozinho cortesia e já estava chegando os hambúrgueres, rápido como uma bumerangada de um aborígene.

Uma coisa legal é que o Daniel nos alertou ainda na escolha do pedido, que as carnes são apimentadas e que se quiséssemos poderiam diminuir a quantidade de pimenta. Dito e feito. Aprende aí, New York Café.

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Começando pelo pão, é um pão careca tipo de leite muito, muito macio, assim como o pão preto da cortesia, e lembra um pouco o pão do Rock’a Burger, só que mais robusto. Eu não fazia ideia que os australianos tinham as manhas de fazer um pão molinho e gostoso. O pão também deu uma passada de leves pela chapa porque ficou com a bordinha de dentro levemente tostada. Poderia ficar mais tempo até ficar crocante mesmo.

Carne rosada por dentro e passada por fora, quase que não precisa mais do que isso. Como sempre, carne rosada é sinal de suculência, e com tempero amenizado para clientes frescos, é meio caminho andado para a satisfação do freguês. Tenra a ponto de quase desmanchar à mínima pressão dos dentes.
Embora diga ter 200g, é um hambúrguer relativamente fino, saca só na foto o tamanho em comparação ao tomate. Nunca, digo nunca, a carne pode perder em tamanho para um tomate, né!? Já que não vão aumentar a carne, da pra afinar o tomate, malandrage.

O queijo processado é escasso, poderia ter mais uma fatia, pelo menos. Mas deu para ser sentido e degustado mesmo em meio aos outros gostos, e rolou até um parada legal. Eu estava lá mastigando, conversando e tal, de repente por um segundo tudo para e “humm, queijo!” … e logo em seguida o mundo volta a girar e você continua mastigando e conversando. Pena que isso só aconteceu na primeira mordida, depois nem vi mais o dito cujo.

Vou agrupar as partes negativas. O bacon, cruzado em X em cima do queijo, passou do ponto, uma pena, ficou seco a ponto de quebrar e lascas caírem no prato. Quase arenoso como as terras do outback australiano, não era bem esse toque de autenticidade que eu queria.
O segundo ponto negativo é que tem muita alface ralada que junto da maionese vira uma pista muito escorregadia para o bonde que vem por cima. Junto da rodela anabolizada do tomate (sério, era um tomate muito grande no seu diâmetro), fica muito molhado e a parte de baixo do pão acaba desmilinguido, escorregando e dificultando a manobra braçal de comer sem talheres.

As batatas que acompanham são rústicas pero no mucho, elas são batatas palito bem cortadinhas e algumas tem um pouco da casca para provar que são batatas de verdade e não aquelas industrializada pré-cozidas. Não numa quantidade monstro como do NY Café, mas é uma quantidade bem satisfatória.
As batatas foram levemente salpicadas com uma pimentinha, mas pouca coisa, até eu comi bem de boa, e naquele momento nem teria tanto problema porque o refrigerante era refil, ou seja, poderia tomar tanto quanto fosse necessário.

O refrigerante é no esquema de refil, mas não é como no Burger King onde você vai lá  e pega qual quiser. Aqui você escolhe e o Daniel traz numa caneca pesada dessas que vocês tomam chopp. Acho que nunca tinha usado uma caneca dessas, achei divertido, criança se diverte com qualquer coisa. Quando a caneca está esvaziando, o Daniel passa e pergunta se quer outra, e mais outra, na nossa última rodada ele se antecipou e já chegou com novas canecas cheias.
Muito eficiente esse Daniel, não tinha como negar os 10% (que são opcionais). Até porque com esse lance de agachar para ficar na altura do cliente mala, ele vai precisar da grana para uma futura fisioterapia no joelho.

Resumindo, é uma baita refeição, ainda mais com o complemento do refrigerante infinito, sai de lá quase rolando do banco. Fator sustância alto . . . em cima, alto em cima, alto em cima, em cima!!
Pena que é caro, mas em uma ocasião especial ou no começo do mês até da para gastar parte do soldo para fazer um lanche legal.

Só se vive uma vez.

Ficha técnica:

The Outbacker Burger

Ingredientes: Descrição meio bisonha do cardápio “O suculento hambúrguer dos guerreiros mais “SÉRIO” ainda: agora com 200g. Com maionese, tomate e alface, cebola, picles e queijo(bacon opcional). Servido com fritas”.

Preço: R$29,90 + Coca-Cola refil infinito por R$6,95.

Ponto alto: O conjunto é bem bom, pão muito macio, boa carne, boas batatas e bom fator sustância.

Ponto baixo: Alface ralada com a maionese, pouco queijo e o bacon passado, além do preço que quebra as pernas proletárias.

Avaliação: B+

O Outback fica no Largo Curitiba do Shopping Curitiba, que por sua vez fica Rua Brigadeiro Franco, 2300, no Batel. Funciona durante o horário de funcionamento do Shopping, obviamente. (41) 3013-7978.

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Publicado por em 03/22/2013 em Uncategorized

 

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Outback – Smokehouse Burger

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Alguma coisa me fez repudiar o Outback desde o exato momento em que a tradicional e internacional rede de restaurantes especializados em brutalidades carnívoras se instalou no Largo Curitiba do shopping que leva o mesmo nome da cidade. Minha namorada diz que é porque a gente tentou comer lá algumas vezes e sempre tinha fila de espera de mais ou menos uma hora. Pode ser. Mas o fato é que Curitiba, em seu lento porém constante processo de globalização, têm recebido com muito festejo toda e qualquer iniciativa multinacional que resolve fixar raízes nesse vale de lágrimas e araucárias, e eu, como bom misantropo avesso à comoção popular por novas opções de consumo, tenho uma tendência natural a torcer o nariz para esse tipo de coisa.

Felizmente, nossa visita ao Outback – talvez um dos últimos lugares para irmos a pé em nossa exploração pelas hamburguerias da cidade – bastou para tirar toda e qualquer antipatia que eu pudesse vestir como uma coroa de negatividade, para citar aqui uma boa música do Tool. Do começo ao fim fomos bem recebidos e atendidos por um garçom treinado para lidar com as veleidades sintomáticas do mundo nouveau-riche, que se ajoelha para nos atender e não olhar os poderosos de cima. Ganhamos um pão australiano – um pão de centeio a base de mel e chocolate – como cortesia e o refrigerante custa R$6,95 o refil. Ou seja, refrigerante infinito.

De qualquer forma, cabe aqui uma breve explicação para quem nunca ouviu falar no Outback. Sei lá, gente que talvez é chique demais para ir ao Shopping Curitiba, mas não chique o bastante para viajar para outros lugares que possuam uma cadeia do Outback. Bom, o Outback é um restaurante australiano que, como qualquer produto cultural para exportação do novíssimo continente, é caracterizado por comidas e talheres de proporções exageradas. Algo que me diz que a coisa toda não difere do tamanho da comida nos Estados Unidos, a matriz dessa grande filial que é a Austrália, mas acho que tudo passa pela indústria cultural. Para quem não sabe, no começo dos anos 90, o país dos cangurus, subsidiado pelo país dos maníacos homicidas de colégio, começou a exportar uma série de elementos originários do país para o resto do mundo, como as lanchonetes Subway, atores como Mel Gibson e Nicole Kidman (que não são australianos, aliás) e filmes da franquia Crocodilo Dundee, entre outros. Logicamente, a coisa não durou para sempre e foi preciso reinventar a roda em matérias de exportação. A Austrália então recuperou seu lugar no mercado café-com-leite se utilizando de uma de suas maiores glórias: a pecuária bovina e ovina, que detêm os maiores rebanhos totais do mundo, perdendo apenas para países em que as pessoas preferem venerar a comida do que comê-la. Vai entender. A rede é especializada em carnes, mas não há penetração no mercado global sem variedade, e um cardápio diversificado, que conta inclusive com hambúrgueres, pode ser encontrado em qualquer loja.

Minha escolha, dentre as três opções válidas de hambúrguer picante, como bem frisou o atendente, foi um lanche chamado Smokehouse Burger. A descrição diz:

“Bem ao estilo do Louisiana, com um toque do delicioso Flame Sauce e cebolas grelhadas, que dão a esse novo hambúrguer de 200g um sabor único. Servido com alface, tomate, queijo, maionese e bacon. Ah! E com nossas fritas também! 29,90”.

Bom, antes de irmos direto ao ponto, é preciso dizer que a descrição, por mais detalhada que esteja, deixa muito a desejar por não necessariamente se adequar ao conhecimento de mundo do leitor comum. Eu, por exemplo, por mais que seja um exegeta do hambúrguer, não sei o que é um hambúrguer à moda do Louisiana simplesmente porque nunca fui pra lá, e dito isso me sinto na obrigação de acrescentar que meu julgamento está completamente comprometido, pois não tenho como comprovar que o Smokehouse Burger realmente é feito à moda de Louisiana. Também não sei o que é um Flame Sauce, mas o atendente me diz que é algo “próximo do ketchup”, mas não necessariamente um molho barbecue. Por fim, a aparente distração do redator do menu, com seu informal “Ah! E com nossas fritas também”, devo dizer que é simpático, embora não esteja completamente certo de que tal descuido é desejável em um estabelecimento caro como esse.

Enfim, tá aqui o bicho:

Outback burger

Algumas considerações prévias são constatáveis a olho nu. A batata-frita, por exemplo, é cortada em perfeitos prismas retangulares embora a casca da batata seja mantida. Um novo híbrido entre a batata rústica e a papa belga a que você está acostumado a comer, e ainda por cima, como viria a descobrir mais tarde, é muito boa! Diferentemente da experiência desastrosa do New York Café, aqui a batata é temperada apenas com um pouco de pimenta, se tornando levemente picante, mas de forma alguma comprometendo o protagonismo do prato.

O queijo, por sua vez, é um excelente turn off nesse prato. Uma fatia insossa de queijo processado não era o que você esperaria por um lanche tão refinado como esse. Parte da fatia estava se partindo em uma única e triste listra caindo por cima do resto. Não consigo conceber tamanha desconsideração pelo queijo por parte dos chefs. Gente, botem uma coisa na cabeça: se o sanduíche genérico pelo qual todos pedem se chama Cheeseburger e não, tipo, Bread and Burger ou Saladburger, é porque o queijo se tornou o Jessie Pinkman para o Walter White que é a omnipotente carne. Mais amor, por favor.

O pão dá a tônica do que é o hambúrguer do Outback. Macio como todo o conjunto. Macio, liso e levemente salpicado de farinha por cima, o pão, muito similar ao do JPL é a certeza de que os padeiros australianos são bons e que é possível sempre comer mais um pedacinho. Um interior quente e poroso, repleto de corpos cavernosos para absorver bem os molhos e a umidade da salada, é quase um pão perfeito, ponto alto desse sanduíche.

Aliás, falando em salada, devo dizer que a salada é outro acerto, e olha que pra eu falar isso é realmente algo fenomenal. A alface é ralada, uma coisa muito inteligente de se fazer quando se pretende construir um hambúrguer alto, porque não compromete ainda mais o volume com algo que vai irremediavelmente se deformar quando o glutão-alvo (eu, no caso) pegar com força no pão, e quando os incisivos rasgarem um pedaço para soltá-la dentro da boca. A cebola caramelizada é escassa, o que é uma coisa boa porque quem quer comer uma porrada de cebola em cima da carne come bife acebolado ou carne de onça logo de uma vez e não fica enchendo o saco. Por fim, o tomate é algo digno de nota histórica, porque nunca vi um tomate tão gigantesco quanto o que colocaram dentro do meu hambúrguer. Sério, a rodela inteira era do tamanho da carne, e era um corte generosamente grosso, de maneira que podia se jurar que estava mordendo um hambúrguer vegetal, carnoso e incrivelmente vermelho. Gostoso, mas depois de um tempo encheu o saco.

O bacon também estava surpreendentemente bom. Localizado em uma zona intermediária entre o bacon macio e o bacon crocante, a tira grossa e escura de carne suína temperava o sanduíche de cima para baixo com seu sal e seu gosto defumado, como uma língua de sabor encorpado que depositava suas mais preciosas proteínas por cima do totem lipídico que me encarava.

Por fim, a carne foi uma das melhores que já comi. Quase sempre a carne acaba ficando um tanto aquém do resto da matéria, mas nessa ocasião ela se manteve digna perante o resto, e macia e suculenta sem ser fibrosa nem insossa. Repleta de sucos e com seu cerne intactamente vermelho, ela coroava o meu Smokehouse Burger não apenas com sabor mas com sua textura macia e agradável tanto na entrada quanto na saída, e era levemente empapada pelo tal Flame Sauce que, honestamente me passou despercebido. Por outro lado, não esperaria menos de um lugar que se gaba de saber tratar bem suas carnes. Well played, Outback, well played.

Ah, o Outback é um estabelecimento que se gaba de ter carnes picantes, mas mesmo eu, que sou fraco para pimenta, não senti esse sabor acentuado não. Sei lá, a batata estava mais apimentada. Ainda bem, porque não quero passar a noite bebendo água como daquela vez do New York Café.

Ficha técnica:

Smokehouse Burger

Ingredientes: “Bem ao estilo do Louisiana, com um toque do delicioso Flame Sauce e cebolas grelhadas, que dão a esse novo hambúrguer de 200g um sabor único. Servido com alface, tomate, queijo, maionese e bacon. Ah! E com nossas fritas também!”.

Preço: R$29,90 + Coca-Cola refil infinito por R$6,95.

Ponto alto:  Carne estupenda, pão macio, tomate monstro, alface ralada, bacon sinistro e batatas sinestésicas.

Ponto baixo: Queijo processado chinfrim e, obviamente, o preço, porque ainda não estou convencido de que é legal pagar 30 reais num hambúrguer.

Avaliação: A

O Outback fica no Largo Curitiba do Shopping Curitiba, que por sua vez fica Rua Brigadeiro Franco, 2300, no Batel. Funciona durante o horário de funcionamento do Shopping, obviamente. (41) 3013-7978.

 
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Publicado por em 03/15/2013 em Uncategorized

 

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