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Rause – Rause Bovino

rause café e vinho

Rause que se escreve como se fala, e não House de casa em inglês (ou do Dr. House), como eu achava que era quando só tinha ouvido falar do lugar.

É uma casa pequena, tem umas quatro ou cinco mesas. Nesse dia numa delas tinha um grupo de umas 4 pessoas falando em inglês, um sofázinho de dois lugares vazio, pufs quadrados com rodinhas em frente a uma mesa vermelha, baixa, em forma de gota (que foi onde ficamos), e uns 4 lugares no balcão, dois deles ocupados, um por um cara e outro por uma japonesa de uns 30 anos, nos lábios um batom vermelho vivo e um rosto branco como uma maquiagem de Kabuki, roupa preta, elegante. Atrás de mim acho que duas mulheres tomavam vinho sentadas em cadeiras mais altas.

No balcão tem um espelho, assim como na Pastelaria Brasileira, você pode comer se olhando se for um filho da puta narcisista ou olhando outras pessoas e não se sentir tão sozinho, ou também olhando dissimuladamente as(os) gatinhas(os) no ambiente. E no balcão ainda tem alguns livros, revistas, e até uns joguinhos como Dama, Xadrez ou Gamão. (Até perdi para o Yuri uma partida de Damas enquanto esperávamos o hambúrguer). Além da lateral de vidro que dá para a rua e tem uma bancada em que se pode sentar também, tem até umas almofadinhas para você se sentir em casa comendo com uma almofada no colo.

Uma coisa legal que me chamou atenção é que eles oferecem “água free”. Algo útil quando se dá uma de criança e pede uma vaca-preta (sorvete com Coca-Cola) antes da comida. Vaca-preta é outra coisa bem legal, mas não vou falar sobre isso.
“Nossa, grande coisa…água grátis”. Mas na balada uma garrafinha custa até quatro reais, e da marca mais vagabunda que tiver, e quatro reais numa água pra mim é grande coisa sim.
Sempre achei meio sacanagem cobrar, ainda mais se for caro, por água. Sem água a gente morre! Cadê o espírito cristão, cacete!?
E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão”. Mateus, 10:42.

Lá tem uma jarra vermelha com água e o escrito na parede: “H2O Filtrada, Refrescante, Gratuita.”
Enfim, achei legal isso da água grátis (e a gente se contenta com pouco, nessa vida, né?!).

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O cardápio fica todo escrito na parede, com giz, tipo um quadro negro da escola. A não ser que você estude no Positivo que hoje deve ser uma tela touch screen 3D de realidade aumentada e o caralho a quatro.
Me lembrou de quando na escola a professora mandava ir ao quadro fazer alguma coisa, e eu sempre burro e tímido, mas malandro, dizia que tinha alergia ao giz só pra não ir lá na frente. Incrivelmente essa desculpa colava e ela chamava outro.

Não vou falar nada dessa vertente minimalista dos nomes dos sanduíches porque o Yuri já falou bastante no post da Mãe Joana. Fui de bovino, hambúrguer bovino, ou apenas hambúrguer já que subentende-se que seja carne de boi. Essas coisas de salmão, frango, soja e outras coisas é tudo frescura de gente moderna. Hambúruger é de carne bovina e ponto final.

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Visto de cima não sei porque me lembrou um palhaço, deve ser o nariz vermelho de tomatinho cereja… ou minha imaginação fértil com muita açucar (vacapreta) na cabeça.

Logo de cara, se forem comer lá, prestem atenção numa coisa muito importante. Tem um palito de dente stealth enfiado no meio do sanduíche. Por quê?! Nem é um sanduíche tão grande assim que precise ser estruturado por um palito para firmar, como o Memphis Tudo e seu palito de churrasco.
Não vi o palito e na primeira mordida o que senti foi uma espetada no queixo, quase como uma abelha te ferroando. Mas como bom representante da categoria dos machos, tirei o palito como quem tira o ferrão (sabiam que alguns órgãos da abelha vem junto do ferrão quando ela te pica? Por isso ela morre depois.) e continuei comendo como se nada tivesse acontecido.

Pão de hambúrguer branquinho e bem macio, mas com aquela farinha de milho que normalmente vem nos pães d’água.
Você segura o hambúrguer, aí enche a mão com as bolinhas de farinha, solta o hambúrguer, passa os dedos uns nos outros para tirar um pouco da farinha, pega o guardanapo para tirar o resto e só aí conseguir pegar o copo com a mão limpa. . . acho que é por causa disso que te oferecem talheres: para pessoas mais civilizadas comerem sem se sujar, ou se sujando menos. Não tinha pensado nisso.
E pela segunda vez (a primeira foi no romântico Guiolla) em toda as nossas andanças, um pão foi para a chapa e ficou levemente tostadinho e crocante nas partes internas. Aí sim, macio por fora e com parte tostadinha crocante. Ponto para o Dr.Rause.

Como todo x-salada, acompanha queijo, maionese, tomate e alface.
O queijo pra mim é queijo prato, é amarelo, mas o Yuri disse que pode ser um outro, mas aí não seria um X-salada se fosse um queijo bom, e aqui nesse sanduba do Rause vale a minha ideia de que quase sempre pode ter um pouco mais desse querido laticínio derretido.
Sobre a salada não há o que falar. Alface fresca, umas duas rodelas finas de tomate também frescos,Ok.

Agora o ponto alto do sanduba. Alto mesmo: um baita hambúrguer de dois dedos de altura.
Foi legal ver  a carne aparentemente bem passada, escura,  mas saborosa e macia sem estar seca, surpreendendo até este que vos escreve que acha que a carne tem que estar borbulhando sucos vitais para estar boa. Nesse dia aprendi que carne bem passada nem sempre é seca e pode estar boa, se bem feita, o que infelizmente não é a regra.
Agora vou compartilhar com vocês uma coisa que pensei já que o tempero desse hambúrguer é parecido com o clássico bolinho de carne do Montesquieu (Lugar do X-montanha pra quem não liga o nome à pessoa). Tempero caseirão de alho, cebola, e uns verdinhos.
Um X-Bolinho, do Seu Zé, hoje deve custar uns cinco reais, há alguns anos atrás era tudo que eu poderia pagar, era jovem e sem grana. Hoje continuo sem grana mas consigo ir num lugar “melhor”, mais bonito, mais confortável e tal, mesmo que seja para comer algo parecido. Não que eu não coma um Montanha às vezes, mas hoje é mais por opção do que por não ter dinheiro para comer outra coisa. Enfim, não tem nada a ver com nada essa história, só queria contar porque foi uma das coisas que pensei enquanto comia, talvez alguns se identifiquem.

Contrario ao Yuri, eu gostei das batatas molengas não fritas. É novidade, e a princípio é estranho, mas são gostosas as batatas cozidas e temperadas com óleo e ervas, tipo tempero de carneiro, alecrim e sei lá mais o que que da um gostinho levemente adocicado. Elas ficam muito molinhas, quase desmanchando. Pena que vem tão pouco, uma meia dúzia de lascas apenas.
Uma dica é pegar o palito que vem oculto no meio do sanduíche e usar para comer as batatas sem engordurar os dedos. Essa foi tipo dica de etiqueta. Boa, heim!?

Resumindo, é um belo X-Salada de 16,00 de um lugar legal.

Ficha técnica:

Hambúrguer – bovino.

Ingredientes: Pão,hambúrguer, queijo, maionese, alface e tomate. Acompanha batatas.

Preço: R$16,00 + 7 reais de uma Vaca Preta (coca-cola lata e sorvete)+ 00,00 de um copo d’água = R$23,00.

Ponto alto: A carne e, sim, as batatas complementares.

Ponto baixo: Pouca batata e o preço alto para um X-salada. Ah, e o palito assassino.

Avaliação: B-

O Rause fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 696, no Centro (acho que é Centro). De segunda a sexta, das 9h às 23h e sábados das 12h às 18h.   (41) 3024-0696.

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Publicado por em 02/08/2013 em Uncategorized

 

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Rause – Rause Suíno

rause café e vinho

Ora, comentava aqui ainda no post da semana passada (o logo abaixo deste) sobre a falta de imaginação da Casa da Mãe Joana em batizar seu hambúrguer tradicional de “Hambúrguer”. A elocubração completa está lá, não vou me repetir desnecessariamente. Fato é que, dado isso, muitos de vocês poderiam apontar o mesmo dedo acusatório para o Rause, simpática casinha de cafés e vinhos da Al. Dr. Carlos de Carvalho (já morei nessa rua, aliás), cuja carta de hambúrgueres é composto por três exemplares, nominados “Bovino”, “Suíno” e “Fallafel” – este último, a julgar pela descrição da simpática garçonete que nos atendeu, nada tem a ver com o estilo teutônico de carne discoidal em pão rotundo, sendo uma dessas variações morféticas vegetarianas inventadas unicamente com o intuito de não perder a freguesia seleta. Não obstante, a verificação do cardápio in loco condena o primeiro e absolve o segundo. Isso porque o Rause, com seu espaço minúsculo e poucas cadeiras, dispõe sua variedade ao longo da maior parede do recinto. Por isso, não cabe, obviamente uma descrição dos pratos abaixo de um nome de guerra para o lanche. O cardápio de parede, esse renegado subgênero dos muralistas, exige objetividade, simplicidade e, acima de tudo, economia de palavras. Diego Rivera nenhum poderia fazer diferente, por isso “Suíno” me parece um nome adequado. Rause Suíno, vá, para não confundir a simplicidade muralista de um com a preguiçosa invencionice de outros.

Pois bem, um pouco mais sobre o lugar. O nome, se meus domínios sobre as línguas nórdicas andam em dia, quer dizer algo como “generoso” em norueguês. Por que norueguês? Não sei. Seria a Noruega a nova Islândia, com seus hipsters e sua música mutcho loka? Espero que sim, pois sou um fã da música de Varg Vikernes. E por que “generoso”? Acho que isso pode ter a ver com uma autoimagem dos proprietários, ou uma imagem exterior a ser projetada por meio de um lugar aconchegante e familiar. Afinal, no dia em que fomos havia água filtrada de graça para os fregueses, algo muitíssimo generoso sim se levarmos em conta o jeito de se fazer negócios em Curitiba (algo que eu chamo de Capitalismo Paulista: nem a água é de graça). Fora isso, há a opção de ler um livro sobre teatro ou jogar um jogo de tabuleiro. Enquanto esperávamos nossos lanches e o Murilo tomava sua peculiar vaca preta, aproveitei para dar uma coça no nosso amigo nas damas. Até que nos veio esse prato:

Hambúrguer suíno

Ora, que coisinha mais simpática. Nada me agrada mais em um hambúrguer à primeira vista do que a constatação de que a altura da carne é equivalente à altura das fatias do pão. Excelente começo. O tomatinho em cima do pão é dispensável, é verdade, e esconde por baixo dele um palito de dente. Veja bem que eu sou um entusiasta afetivo do palito de dente no hambúrguer, isso me lembra muito a minha infância, mas se existe algo perigoso é esconder um palito de dente no meio de tanta carne e cobrir qualquer evidência que ele existe com um tomate cereja. Sorte que eu percebi isso e evitei uma perfuração de palato a tempo.

Outra coisa que não é boa nesse prato são as batatas. São rústicas, fritas ou cozidas, ou cozidas e depois assadas e cortadas em tiras, é um acompanhamento muito leve, porém pouco condizente com o meu paladar (quem quer comer hambúrguer quer comer uma boa batata frita, imagino eu)  e nada generoso. Apenas umas seis ou oito fatias desse estranho tubérculo molhado e meio frio que comi como quem come comida de avião. Dispensável, mas já que está ali, farei por bem comer.

Em sua composição, o Suíno é um hambúrguer muito convencional: pão, carne, queijo, alface e tomate. O pão é um híbrido muito louco entre o pão d’água com o pão de hambúrguer. Exatamente um meio termo entre a consistência dos dois, até a casca crocante é meio mole. Agradável, deixa para a carne a responsabilidade de dar trabalho para seus molares. Não há mistério. Trata-se de um pão de hambúrguer tostado. Uma saída simples que oferece uma variedade interessante à mesmice que assola a gastronomia do fast-food revisitado.

O queijo, por sua vez, é digno de nota. Amarelo e francamente generoso, escorre pelas paredes da carne e estica na tentativa de tentar separá-lo com os incisivos frontais. É claro, derretido não há como precisar, mas chutaria algo entre o prato (pela coloração), o emmenthal (pela consistência) e o padrão (pelo sabor acentuado).

Salada é salada e não quero falar de salada hoje.

Quero falar sim, da carne, a grande estrela de qualquer hambúrguer e o grande diferencial desse Suíno. Ora, que é carne de porco não há dúvidas, o próprio nome diz. Agora, é bem verdade também que, moída e frita, as carnes se parecem muito. Você pode constatar isso comendo um filé mignon e um músculo, e depois comendo um hambúrguer de cada parte do boi supracitada. Mesmo o hambúrguer de frango de caixinha que você compra no supermercado, embora tenha um gosto acentuado de frescuragem, ainda recende a óleo e gordura como qualquer outro. E a carne suína se aproxima da carne de boi nesse sentido. Mas há aqui um diferencial. Um molho de mel e mostarda sobre a carne que a deixa ainda mais doce do que o hambúrguer de cordeiro do Madero. A alegria de comer um hambúrguer doce naquele fim de tarde de uma segunda-feira preguiçosa foi um alento para o meu coração que passou o dia inteiro trabalhando intensamente em exercícios cardiovasculares. O tom adocicado abre espaço para o sal do queijo e os sucos da carne, de maneira que o conjunto fica quase irresistível. Arrisco dizer que seja a melhor pedida na casa, cujo cardápio ainda conheço pouco, mas que já tem grandes provas de seu valor nessa combinação inusitada de doce e salgado.

Ficha técnica:

Rause Suíno.

Ingredientes: Aqui vai uma descrição dos ingredientes que não consta em cardápio nenhum: pão, carne suína ao molho de mel e mostarda, queijo, alface e tomate. Acompanha batatas meh.

Preço: R$16,00 (preço padrão) + 1 Coca-cola + 1 brownie com sorvete = R$29.

Ponto alto: Carne adocicada, queijo farto e pão híbrido muito interessante.

Ponto baixo: Batatas murchas, moles, molhadas e ruins e palito de dente perigoso no meio do sanduíche.

Avaliação: B+

O Rause fica na Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 696, no Centro (acho que é Centro). De segunda a sexta, das 9h às 23h e sábados das 12h às 18h.   (41) 3024-0696.

 
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Publicado por em 02/01/2013 em Uncategorized

 

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