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Madero – Cheeseburger Clássico

Nesses tempos pós ultra(violence) moderno em que a vida da gente é tão merda, e é tudo tão de plástico (até no mundo dos hambúrgueres, vide hot pocket da Sadia), acabamos tendo que pagar por toda e qualquer coisa que nos traga um conforto, nos faça dar uma relaxada e ter aquela sensação (momentânea) de paz e tranquilidade. E isso inclui o momento de comer. Eu não quero comer com o mendigo todo ferrado vindo pedir dinheiro para comprar pinga e beck, ainda mais a gente que tem cara de maluco e eles acham que podem falar isso na boa, que vamos simpatizar com a causa dele.  Tsc, tsc, tsc…
Mas o pessoal do Madero levou isso um pouco a sério de mais. É mais ou menos nesse contexto que entra o Madero na nossa história, em especial o da Comendador Araújo, não sei as outras 7483 lojas espalhadas por Curitiba, mas essa é assim:
Você passa pela porta e vai para num outro mundo, eles tem  uma cidade cenográfica!! Tem rua de paralelepípedo, postes de luz (sem a fiação a mostra, que é feio), uma lambreta estacionada, loja de vinhos, mesinhas na calçada, árvore iluminada, é como se você estivesse andando por aquelas ruazinhas charmosas da Itália, Espanha, França… (não sei, ainda não conheço nenhum desses países pessoalmente, mas pelo que vi em fotos e no Globo Repórter, é assim) e aí você vai sendo guiado pela recepcionista loirinha e se depara com um restaurante com letreiro de neon, tudo muito tranquilo, pessoas bem arrumadas, é uma outra vibe.
Fomos levados para um ambiente que parecia uma balada, telão passando videoclipes, luz baixa, lâmpadas dicróicas pontuais nas mesas, papel de parede com arabescos, filigranas ou algo do tipo, e uma mesa feita com uma rodela do tronco de alguma árvore que devia ter lá seus muitos anos, não sei que relação tinha essa mesa com o resto da decoração, enfim, não sou decorador e não sei dos lançamentos feira de design de Milão.
É assim o Madero da Comendador. A Lanchonete (ou restaurante) da Família Classe A Curitibana, acho que devia ser esse o slogan deles.

Tem um amiguinho mexicano que o Yuri me apresentou que definiria bem todo esse lance de cidade cenográfica. O pequeno Tóchtli diria: “Patético”.

A primeira coisa que se repara no prato é uma bandeirinha para identificar o “sem cebola”, mas não evitou a troca dos pedidos (que foi resolvido sem problemas). Será que se eu pedir sem cebola, sem alface, sem maionese, sem tomate… viria cravejado de bandeirinhas? Pensamento de troll, eu sei. Detalhes que encarecem a parada, é legal, mas eu preferia sem bandeirinha e 50cents a menos na conta.

Ao contrario do pedido do Yuri que veio meio desmoronando, o meu veio bonitão!
Pão francês produzido por eles de hora em hora (mas não podem ficar contando tanta vantagem nesse quesito, o subway deve tirar fornadas de pão a cada 15minutos, e tem uns 3 tipos diferentes de pão), mas já começa aí a diferença para os outros lugares, não é o tradicional pão de hambúrguer com gergelim. É o pão francês do jeito que eu gosto, não estava seco e quebradiço como o maldito pão do Mercadorama aqui perto de casa, e sim com uma casquinha crocante por fora, com o interior macio, daqueles que você aperta, ele racha por fora e volta ao seu formato original. Redondo e cortado ao meio, parecia uma ostra que guardara a pérola dos hambúrgueres curitibanos.  E que coisa mais suculenta (deliciosa) essa carne!  É incrível como o gosto escorre, estando mal ou bem passado, não importa o ponto.
Eles mesmos explicam parcialmente no menu como conseguem isso, mistura de carnes. O hambúrguer é feito de: “pura carne em um mix de fraldinha, picanha e bife de chorizo, sem adição de nenhum outro ingrediente”.  Esse “sem adição de nenhum outro ingrediente”, quer dizer: Temos um ingrediente secreto (ou um feitiço, é bem possível) que os outros lugares não sabem fazer e por isso somos fodas na arte da hamburgueria!  Tiro meu chapéu, virtualmente, para eles.


Alface ralada e duas rodelas de tomate é a salada. Alface para dar uma textura e tomate para a umidade(que é o não precisa nesse sanduíche, ainda estou impressionado com a suculência da carne) mas salada é sempre a mesma coisa, né, nunca vi ninguém dizer, nossa que delícia esse alface. Segundo o cardápio, a salada é orgânica, então meu organismo agradece por não ingerir agrotóxicos, pelo menos nessa refeição.
Tem também uma maionese tipo a que tem na Hamburgueria do Vicente, com um gostinho de cebola e limão, só que mais suave, e por isso melhor. Somando aí as duas fatias de queijo que só agregam valor e sabor, essa é a grande matemática do Madero(e deveria ser de todos os lugares), fazer com que os sabores e texturas se complementem e se tornem um só (do tipo somos todos Pinheirinho!).

Resumindo, é para comer curtindo o prazer de cada mordida. Para fechar os olhos tipo cantor romântico e aproveitar o momento.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas tem os contras também. Somos como a morte, não poupamos ninguém, ou como diz o Emicida não confio, nem perdoo, por isso mandaram eu.”
São dois hambúrgueres de 130 gramas, acho que fiquei um pouco mal acostumado comendo coisas monstruosas, como o Double do Vicente, o Memphis Tudo do Memphis ou os dois sanduíches no Dom Corleone, e essas 260g do Madero me pareceram meio pouco. Tá, não é pouco, é o suficiente, mas eu queria mais. Sim sou um pecador da gula e não estou nem aí. E talvez por isso, por pensar em gente assim que eles fizeram a opção de 3 hambúrgueres e suas 390g de carne. Mas aí a brincadeira “começa” a ficar cara para esse proletário que aqui escreve.
Segundo ponto, as french fries me deixaram um pouco decepcionado, as batatas estavam gordurosas demais para o meu gosto e para o que se espera de um lugar classe A, com um dourado bonito mas com uma gordura que poderia ser evitada e deixaria a batata ainda mais bonita, “saudável” (se é que alguma fritura pode ser considerada saudável) e gostosa.

Antes que esqueça, as últimas considerações, o tipo de “embalagem”, de um papel bom, no qual o hambúrguer vem embrulhado é muito útil, foi boa sacada! E o moleque (não sei seu nome, tem dias que não sei nem o meu nome, e moleque porque era um rapaz bem novo de cabelo arrepiado), nos atendeu muito bem.

Mas então é o “best buger in the world”?
É muito bom, mas essa propaganda (como toda obra dos queridos publicitários) é meio forçar a barra né, ou talvez seja o melhor, mas nesse mundo mágico no qual entramos ao passar pela porta que fica no número 152 da Comendador Araújo . . . tipo Nárnia.

Ficha técnica:

Cheeseburger Clássico 2 hamburgers

Ingredientes: Pão, 2 x 160 gramas de hambúrguer, queijo, maionese, alface e tomate (pedi sem cebola que dizem ser grelhada). Acompanha batata frita.

Preço: R$20,90 + R$3,90.  Total: R$28,27
O preço do hambúrguer é um pouco mais caro que a média, que deve ser na casa dos 13,90(para falar a verdade não fiz as contas), mas o sabor também é bem acima da média.

Ponto alto: Carne fantástica! (eu ia falar fodástica, mas fantástica fica mais familiar, somos um blog de família, ora pois!)

Ponto baixo: Batata frita gordurosa e cobrar R$3,90(+10%) por uma coca-cola de garrafinha é abusivo.

Avaliação: A (eu não iria dar A para ninguém, meu B+ já é um A- disfarçado, mas esse mereceu a nota).

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

 
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Publicado por em 05/31/2012 in Uncategorized

 

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Madero – Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Madero

Pensem no caráter dual da luz. Não apenas a luz se comporta como onda, como afirmava Maxwell do alto de sua idade vitoriana, como também não só era partícula como Newton e seus asseclas defendiam, mas das duas formas como só Einstein poderia afirmar – e o bicho ainda ganhou o Nobel por estudos relacionados! De forma que a ciência, melhor do que o taoismo e melhor do que a nossa sociedade maniqueísta acostumada com a novela das oito e seus núcleos de vilões inescrupulosos, é aberta à verdade inquestionável de que não existe apenas uma maneira certa de encarar ou de fazer as coisas. E talvez tenha sido esse o pensamento do Sr. Durski quando resolveu construir o hambúrguer do Madero – e, tempos depois, o Cheeseburguer de Cordeiro Clássico, o nosso prato de hoje.

Poderia apresentar o recinto, mas se você mora em Curitiba, dificilmente desconhece o Madero. Até porque essa cidade ainda vai acabar em Madero, Salão Marly, Farmácia Nissei, Subway e pastelaria de chinês. Mas, vá lá: sei que esse blog tem leitores de outras cidades, de outros países e, por que não, de outros planetas, então cabe uma breve explicação. Lembram do filme Good Burger (do qual este humilde blog empresta o título), quando do lado da simpática hamburgueria familiar abre uma hamburgueria monstro, com hambúrgueres ubber-suculentos? Se o Mondo Burger existisse na vida real, seria o Madero. A rede tem hoje 10 lojas, sendo duas em outras cidades, com mais umas 20 em construção (inclusive aqui do lado de casa). Todas são chiquérrimas, com uma seleta carta de vinhos, carnes nobres e garçons arianos (reparem). E não escolhemos ao acaso a loja que visitamos. Fomos no Madero da Comendador Araújo, onde há uma pequena vila dentro da loja, com direito a uma lambreta do Projac, uma árvore de verdade, uma barraquinha de café (ou de cerveja, não lembro) e uma humilde “tenda” de vinhos, guardados na caixa ainda. De certa maneira, a “Vila Madero” não apenas seria o Chavo del Ocho com dinheiro mas guarda em si um arquétipo do Sonho Curitibano, uma espécie de American Dream, mas que consiste em viver num país minúsculo, seleto, do tamanho do Batel, onde todo mundo come carne de primeira, os pobres não se atrevem a entrar e ninguém precisa conversar contigo a não ser por razões meramente profissionais.

Rua comendador araújo

Pois muito bem, entramos nesse país mágico chamado Batel e pedimos a carta dos hambúrgueres. Arredio e escaldado que sou, a primeira coisa que fiz foi bater o olho nos preços e fazer uma busca na minha memória por meu último saldo de conta corrente. O Murilo tem me ensinado muito sobre algo que ele chama de “o preço da carne”, que é um imposto na forma de dinheiro que, à sua maneira, restabelece parte do equilíbrio kármico de se alimentar da carne de um animal indefeso morto para servir a esse propósito. Não é algo tão simples de explicar, mas felizmente é simples de entender, e o que importa nesse caso é que, por causa do preço da carne, eu procurei relevar o fato de estar prestes a pedir um hambúrguer de vinte e quatro reais. De longe o hambúrguer mais caro que eu já comi. Mas esse tem um adicional: a carne é feita de cordeirinhos. Pior que eu tô falando aqui de cordeiro mas vocês, povo da cidade, ignorantes sobre espécies de fazenda, podem nem saber o que é um cordeiro, embora façam uma vaga ideia de um bicho fofinho (o que realmente é). Com duas carnes, é chamado o Clássico (em contraposição ao Cheeseburger Jr, que tem uma carne só e é bem normal, mas aqui é tratado como hambúrguer de mulherzinha), e acompanha alface, cebola grelhada, queijo, tomate e maionese. Eis aqui o meu bicho:

Madero

Quase desmontado pela má finalização do chef, o cheeseburguer de cordeiro é bem sucedido, contudo, em preservar a suculência e o sabor adocicado do cordeiro – que, infelizmente se perde um pouco com esse tomate verde, muito pouco doce. Aí aconteceu um problema de erro nos pedidos (não vou dizer qual foi) que demandou uma troca de sanduíches, e isso aconteceu logo depois de tirarmos essas fotos. Obviamente o radar de crítico bateu nos garçons do Madero e me trouxeram um segundo sanduíche que estava digno de figurar na capa de uma revista gastronômica. Esqueçam essa montagem porca, esqueçam o tomate verde, veio um pitéu de hambúrguer que não merece figurar aqui porque foi trapaceado. Mas como o que vale é o gosto, e quanto a isso não me resta escolha, vou falar desse mesmo.

First things first: repararam no acompanhamento? É, possivelmente, a maior porção de batata que já acompanhou um hambúrguer desde o começo desse blog. São batatas fininhas, crocantes e muito gostosas, embora um tanto gordurosas. Mas batata não é pra ser diet mesmo, então releve e aproveite. Gosto disso: generosidade. Aprendam, hamburguerias de Curitiba, a oferecer mais batata aos vencedores. Vamos ao sanduba em questão.

Bom, o que mais chama a atenção no hambúrguer do Madero é o pão. Longe do tradicional e macio pão de hambúrguer, o que há aqui é uma espécie de pão de sal (ou pão d’água ou pão francês, seja lá como chamem isso aqui em Curitiba). Com toda sua crosta crocante e seu formato imperfeito, este pão se aproxima da estética vitoriana do sanduíche, embebido na gastronomia francesa e sua boulangerie rococó. Este pão da art nouveau é eficaz em absorver os líquidos da carne sem amolecer (muito embora isso possa acontecer se o sanduíche for servido inclinado, o que é bem desagradável para quem gosta de comer com a mão, como eu). Outra vantagem dele é o frescor. Segundo o cardápio explica, os pães são assados de hora em hora, o que impede aquele esfacelamento do pão de mais de quatro horas. O pão rococó, o pão afrancesado, o pão David Lean, enfim, esse pão da foto, serve como uma caminha perfeita para o que está dentro, mas o palato duro quer o que o palato duro quer, e nem sempre ele quer ser espetado com crosta de pão de sal. Enfim, é um bom pão, um tanto heterodoxo para os padrões atuais da arte da hamburgueria, mas ainda assim, uma opção interessante (oferecer outro tipo de pão, como no finado Saldanha Moreira é uma boa, hein?).

Logo abaixo, há o queijo. Quando vi aquela fina camada amarela de queijo processado em cima de cada uma das carnes achei que não fosse nem sentir o gosto, mas me enganei por conta de um detalhe: a maionese, que empurra o gosto salgado do queijo para as papilas gustativas, um caso de protocooperação muito interessante. Não é comum que isso aconteça, mas a maionese do Madero é levemente azeda – talvez com uma dose de limão – e isso, de alguma forma cuja lógica me escapa, realça o sabor do queijo. De qualquer forma, o conceito de queijo do Madero enquanto acompanhamento de carne – esse doce prazer que os judeus nunca descobrirão – é um tanto diferente do conceito de queijo de qualquer lanchonete. Não temos aqui aquela coberta maleável de queijo derretido, que se estica na mordida e se pinça a cauda longa com os dedos para derramar o cordão goela abaixo, é uma manta, quase uma capa de PVC por cima da carne, praticamente indissociável dela, como um híbrido geneticamente criado de carne e queijo combined. Enfim, é bom.

Aí temos a salada, a parte que na verdade não interessa a ninguém. A salada usa o cheeseburger assim como a Igreja Católica usa o Padre Marcelo Rossi: para mascarar coisas menos atraentes, mas importantes, como sentar o rabo num banco de madeira e pensar na vida. A salada do meu hambúrguer – do segundo hambúrguer – estava mesmo uma delícia. O tomate, diferente do da foto, estava de um vermelho vivo, e de tão doce quase mascarou o sabor da carne. A cebola grelhada, bem ao fundo, funcionava mais na paleta de textura do que com aquele sabor forte e característico das cebolas, e o alface não tinha todas essas partes fibrosas, estava um matinho verde levemente crocante com muito pouco a oferece além de uma subtextura, preenchendo os lugares não-crocantes que a cebola não alcança. Enfim, não sei nem porque eu to falando isso, salada não leva a nada.

Por fim, a toda poderosa carne, que é o que garante o pagamento da parcela do iate do Durski. A carne do Madero é um mistério que não consigo entender de jeito nenhum. Ela é levemente fibrosa, que garante a integridade da carne melhor que a compressa da carne moída, mas não é vermelha por dentro e grelhada por fora, como a do Barba, ela é toda de uma cor só, levemente mais clara no centro, e ainda assim mantém um núcleo tenro, suculento, cheio de vida e de sabor. É passada por fora como qualquer outra carne, lógico, e ainda é um pouco escura, mas por dentro é como se guardasse um bife macio e inteiro. Enfim, uma maluquice. A carne do cordeiro é mais “molhadinha” (ui!) e um tanto mais doce, característica que o tomate não deixa transparecer muito, então talvez seja melhor comer sem tomate.

O Madero tem todos os elementos estéticos para ser odiado. Os ricos pomposos, o preço extorsivo, o pretensioso slogan “The Best Burger in The World!” (Em inglês ainda, meu Deus!) e tudo o mais. Entretanto, fazem lá um hambúrguer tão gostoso e tão ousado, capaz de nos fazer relevar tudo e enfrentar a nata curitibana para comer uma boa refeição. E mostra que embora tenhamos um ideal muito concreto de um bom hambúrguer, é possível construir outro com elementos mais inovadores e ainda assim ser ideal. Aprendamos com a ciência, aprendamos com o Madero.

Ficha técnica:

Cheeseburguer de Cordeiro Clássico

Ingredientes: Duas carnes (260g no total), queijo, cebola, tomate, alface e maionese num pão de sal.

Preço: R$23,90 (Uma facada! Mas lembro do preço da carne e fico mais calmo).

Ponto alto: Carne excelente, inovação nos elementos

Ponto baixo: Preço extorsivo, montagem péssima (do primeiro hambúrguer) e má escolha dos ingredientes da salada (também no primeiro hambúrguer).

Avaliação: A

O Madero que a gente foi fica na Rua Comendador Araújo, 152, no Centro, mas tem uma outra penca de restaurantes pela cidade. (41) 3092-0021.

 
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Publicado por em 05/24/2012 in Uncategorized

 

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Barba Hamburgueria – Captain Hook

Há um certo anacronismo no modo como encaramos a evolução técnica do mundo civilizado. Desconsideramos, por exemplo, que a latinha de refrigerante teve várias configurações e várias formas de ser aberta até chegar ao modelo atual, ou que o Minitel foi uma tentativa francesa de fazer a internet antes da internet (ainda que no final tenha virado essencialmente um hotline para telesexo), ou ainda que uma porção de gororoba deve ter entrado entre duas fatias de pão antes do todo-poderoso-hamburguer ser consolidado como o soberano sanduíche sobre as terras do cachorro-quente. E essa progressão é, na maioria das vezes, extremamente lenta, e feita com minúsculas revoluções que se sobrepõem como o acúmulo de design cego que possibilitou a evolução conforme explicada por Darwin. Pois o Barba Hamburgueria trouxe uma dessas revoluções, para minha grata surpresa em matéria de ousadia culinária.

Para quem não conhece, o Barba (anteriormente conhecido como Barba Negra Hamburgueria) é um antro de modernete no coração da Vicente Machado (pobre Vicente Machado, tão longe da Trajano Reis e tão perto do James…), onde aquela galera com muito talento para qualquer coisa que envolva fotografia, música, moda ou desenho encosta suas bikes fixas (Vamos combinar: vocês podem andar numa bicicleta sem freio, mas não podem fazer passeata quando alguém morre, tudo bem?) e tomar uma cerveja importada e comer um belo hambúrguer. Como o nome do ambiente sugere, a decoração gira em torno da cultura de pirata, mais especificamente, tatuagens. A parte de comer peixe todo dia, comer o rabo de quem tá dentro do barril, estuprar as mulheres e aprender gíria de pirata passa longe do estabelecimento.

O cardápio – olha só! – é composto por nomes de piratas, que emprestam suas alcunhas aos mais variados sandubas do lugar. E olha, no que tange a diversidade, pode-se dizer que, apesar da carinha de bar com fichas de consumação, o Barba Hamburgueria é mesmo uma hamburgueria. E entre uma dúzia de opções (não sei ao certo, não contei), com opções vegetarianas e um excêntrico hambúrguer feito de batata e ervilha, um sanduba me chamou a atenção: O Captain Hook. Ei-lo:

Barba hamburgueria

Parece um sanduíche normal, e é mesmo. Um legítimo x-burger de boteco, exceto com uma qualidade acima da média, com uma única diferença: ele tem, além do queijo e da carne, cream cheese. Só isso. Cream cheese. Cream fucking cheese. Quem iria imaginar? Metem tanto queijo em tudo quanto é hambúrguer: catupiry, gorgonzola, provolone. O Fundae de Queijo tá aí para ninguém esquecer. Mas acho que nunca colocaram um cream cheese, um Filadélfia que seja, para colaborar com a mussarela dando uma pegada mais groove no sanduíche, como Andy Warhol cumprimentando todo mundo numa festa. Vamos explicar, mas vamos por partes.

Primeiro, o pão. Dá para ver que esse pão tem a crosta um tanto escura, mais do que o normal. Quando a gente vê um pão assim, sabe que por dentro ele não está aquela cremosidade de trigo dos pães frescos, mas um miolo de farelo que causa pouca comoção a nossas amigas papilas gustativas. Mas esse pão, por mais que seu exterior advogasse contra, não estava no ponto que eu esperava que ele estivesse. Estava longe de ser o pão dos sonhos de qualquer um, mas já vi piores. Bom, o grande problema desse tipo de pão é que não é muito difícil ele ser uma espécie de esponja do bolo mastigado. Ele vem seco e conforme se mistura à carne e o queijo na sua boca, vai tirando para si a textura e a maciez da comida, dando a impressão de que você está comendo uma espécie de tabule sabor hambúrguer. E é aí que o cream cheese entra, restaurando os objetos a seu estado natural, como a resiliência dos choques perfeitamente elásticos proporcionam na física do papel e da caneta. E não apenas isso, o cream cheese acaba sendo um perfeito substituto da maionese, afinal, já que é para ter gordura, que tal uma gordura que tenha autonomia de sabor e não funcione apenas atrelada a algo mais consistente? Não digo que a maionese deve ser abolida, também é um coloide que merece muito amor e respeito, mas variar é bom, todo mundo sabe disso.

O queijo pecou no tempo. Como vocês podem ver na foto, ele está bem derretido, mas já não está mais com o brilho e a maleabilidade do queijo recentemente derretido. Isso porque alguém deve ter deixado esse hambúrguer encostado por um tempo. E o queijo derretido é como a espada no Battōjutsu: perde seu valor a partir do momento que para de ser derretido assim como a espada perde seu valor quando sai da bainha. Aprendam o Battōjutsu, senhores hamburgueiros, e parem de arruinar seus próprios pratos por demora. Quer dizer, não estava arruinado não, mas poderia estar melhor apresentado. E acho que a culpa aqui pode ser mais do garçom, que embora tenha se empenhado em decorar o bordão “ao ponto da casa, grelhado por fora e rosado por dentro?”, perdeu pontos por deixar meu queijo morto como a espada morta.

Por fim, a carne. Uma carne saborosíssima! Bem temperada, realmente no-ponto-da-casa-grelhado-por-fora-e-rosado-por-dentro, ainda que com pouca gordura – um erro legítimo que pode também ser uma escolha do chef, afinal, se o cara se garante com os temperos, pode optar, talvez, por uma carne com baixo teor de gordura. Se foi intencional ou não eu não sei, sei que não comprometeu o resultado final como eu achei que comprometeria, o que mostra que o sujeito que faz esses pratos tem mesmo caracu de usar carne sem gordura, cream cheese e pão esfarelento para fazer um belo e delicioso descendente do Frankenstein de John Montagu.

E agora, o ingrediente chave do sanduba que leva o nome do arqui-inimigo do Peter Pan (aliás, me acho um pouco parecido com o Capitão Gancho, no sentido de que não gosto de crianças nem de crocodilos. Mas me acho parecido com o Capitão Gancho do Dustin Hoffman, e não o do Cyril Ritchard, hein?). O cream cheese é uma revolução silenciosa na arte de fazer hambúrgueres. Discreto, seu sabor, mais adequado a fiambres e outros alimentos frios, permanece ao fundo do hambúrguer, fazendo uma ponte entre o pão esfarelento e a mussarela. Algo válido para um pão seco como esse. Ainda assim, é ousado por ousar ser pouco e foi a peça que faltava para transformar um cheeseburger numa pequena obra de arte.

Por fim, o fiel acompanhamento, o Sancho Pança do hambúrguer, as gloriosas batatas belgas. Essas sim, uma delícia, crocantes e secas. Pode, inclusive, ter passado por uma segunda fritada, para secar bem, não sei. Sei que os donos do Barba ganharam do Vicente ao deixar ao sabor do cliente escolher o tipo da batata, como já foi dito no post do Murilo. Mas um assunto surge diante dos nossos olhos, impossível de ser ignorado: repararam como meu prato está escasso de batatas? Coloquei a foto da vista aérea da região para melhor notar isso. Não é uma exclusividade do Barba. Por quê? Por quê? Vamos raciocinar: batata-frita não é a coisa mais cara num sanduíche desses. Eu sei que um hambúrguer bem acompanhado com uma quantidade generosa de batata frita, como o do Dom Corleone em dias normais, me enche os olhos de tal maneira que eu sei quando estou sendo bem tratado num restaurante. Lembram do caso do x-bacon do 1º SWU? É desrespeitoso, gente, sirvam melhor e terão clientes felizes. Ou, como diriam seus clientes modernetes, #fikdik.

No final das contas, acho que a nota aqui do Captain Hook só baixou por conta da apresentação e da logística, sem falar do pão. No mais, é um bom hambúrguer.

Ficha técnica:

Captain Hook

Ingredientes: 160 gramas de hambúrguer, queijo mussarela e cream cheese. Acompanha batata frita ou batata chips.

Preço: R$13,00 (eu acho, não lembro do preço agora).

Ponto alto: Carne excelente, inovação, ousadia, e alegria com o cream cheese. 

Ponto baixo:  Queijo morto, pão esfarelento e pouca batata. Ou seja, apresentação displicente.

 Avaliação: B

OBarba Hamburgueria fica na Avenida Vicente Machado, 578 – Centro.

 
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Publicado por em 05/17/2012 in Uncategorized

 

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Barba Hamburgueria – Henry Morgan

Apesar de levar “Hamburgueria” no nome, o lugar para mim é um bar. Como o Dom Corleone, é um bar que tem hambúrgueres. Porque se tem que dar nome na entrada para ser marcado numa ficha de consumação, é um bar, né?

Chegamos e já tinham algumas pessoas ocupando as poucas mesas no piso da entrada, rolou um pequeno e rápido empasse: ver se havia lugar pra gente, pois o segundo andar “não estava aberto”, e a mesa disponível era para mais pessoas, ou algo assim. Fato é que eu não ia ficar esperando a boa vontade de alguém desocupar uma mesa sendo que tinham outras livres. Mas como estava tocando RVIVR, uma banda que não esperava ouvir em nenhum lugar que fosse comer, relevei e fiquei de boa curtindo a música enquanto resolviam onde íamos poder sentar e logo estávamos com um andar todo só para nós.

O Barba Hamburgueria é lugar para os jovens descolados da cidade irem comer seus hambúrgueres e tomar suas cervejas. Não sou ligado nisso porque não consumo álcool, mas disseram que lá tem uma variedade boa de cervejas, aquele lance da moda das cervejas especiais ou gourmet, feitas com açúcar mascavo e sêmen de javali, maturadas em barril de cipó envelhecido, com um toque de alho poró que dão um sabor levemente adocicado ao fermentar, e ameniza o amargor característico dos barris de cipó… Então as cervejas acabam atraindo mais gente que, ao contrário de nós, vai só para beber e conversar, paquerar, encontrar os amigos, fazer aquela festa.
Se você, garotinha que gosta de um cara que pareça meio sujo, rabiscado, barba mal feita, mas que não seja classe C ou D, esse é o lugar para encontrar seu amor bandido. E para os caras que quiserem encontrar uma cocotinha moderna, de cachecol e com tatuagem de cupcake, roqueirinha, fotógrafa ou publicitária, é o lugar também.
Como me disseram, o público alvo do lugar é “gente tatuada” (vai querer ser segmentado assim na casa do chapéu), então se você for aparentemente normal, pode se sentir meio peixe fora d’água (han-han?! pirata, peixe fora d’água, piadista heim!). Mas não deixa de ser interessante, pelo contrário, diversidade é legal, galera!

Agora sobre o que realmente interessa. Escolhi o basicão, Henry Morgan, o antigo corsário galês e atual x-salada dos sete mares. Como me disseram vários dos professores de fotografia e jornalismo que tive, é no básico que temos que nos garantir para poder inventar moda, é o lance de saber e conhecer as regras para poder quebrá-las com propriedade, por isso fui no básico dos sanduíches.

Primeiro de tudo, detalhe para o garçom na hora de anotar o pedido, dizendo já de forma automatizada: “Ao ponto da casa, grelhado por fora e rosado por dentro?” Opa, quando ele disse isso, senti firmeza na parada!
Dito e feito, grelhado e bonito por fora, rosado por dentro.Mal passado mesmo. Esse ao ponto da casa, deve ser coisa de pirata, cabra macho que come carne crua, porque o centro do universo do meu hambúrguer ainda estava vivo.
Carne magra e sem gordura, o que explica o fato da carne estar realmente mal passada. Não estava escorrendo nada, não estava suculento, como eu tanto esperava que estivesse quando ele disse rosado por dentro, e como era de se esperar.
Me lembrou bastante a carne-de-onça dos botecos, carne moída crua e temperada, até o tempero é parecido, e bem bom por sinal, com direito a cebolinha, ou outra dessas coisinhas verdinhas. Dessas, só conheço bem a alface, que também tem no recheio. Alface ralada, não em folhas como normalmente é, (assim rende mais e gasta menos, tática do subway), acompanhado de umas duas rodelinhas discretas de tomate(ainda verde), mas como não me importo tanto assim com a salada, e mesmo ela tendo fator importante na hora de umedecer a parada, e nesse caso precisava, dá para deixar passar.
O Pão é fresco, macio, parece um cogumelo, não é daqueles que caem os gergelins, bacana, mas a companheira do pão deixou a desejar e fez falta: acho que rolou só uma passadela rala de maionese com as costas da colher, saca?! Aí o que estava um pouco seco (e me fez invejar o cream chesse do sanduíche do Yuri, próximo post, aguardem!) e seria facilmente suprido pela maionese, assim como no Mustang Sally, acabou ficando seco até o fim, já que não uso catchup ou mostarda por achar que mascara muito o sabor das coisas e também por não me apetecer mesmo. E já que estamos falando de molho, um potinho com um pouco de barbecue custa R$2,00! Acho meio sacanagem cobrar por isso, mas enfim.

Embora tenha demorado um pouquinho para ficar pronto, não deu tempo para deixar o queijo derreter direito, eu esperaria mais 30 segundos, derreteu a borda e o bucaneiro já mandou para mesa, se a foto estivesse minimamente decente, daria para perceber o queijo maomenos derretido.

Ao fundo uma parede legal com desenhos (que poderiam ter sido feitos por mim, com toda a minha falta de habilidade manual) com a temática e estética “tattoo old school” dos ladrões dos mares.

Acompanha batata frita. Palito ou chips, você escolhe. Escolhi a primeira, mas os palitos não faziam nem uma pequena montanha como é legal de se ver, poucas ficaram sobrepostas, vieram espalhadas no prato para parecer bastante (malandragem). Mas são sequinhas e crocantes, então ponto para o barbudo. Uma consideração sobre algo que reparei e pensei esses dias, elas não vieram com sal, que fica ao gosto do cliente, é o certo mesmo. Um dia peguei umas batatas no Bruguer King em que tinha que ficar batendo a batata para cair um pouco do cloreto de sódio. Acho que nós temos que escolher o quanto de sal e o quão perto queremos ficar de ter um stroke (como diria Dr. House). Não quero ter pressão alta e ficar como bem descrito pelo grande Rogério Skylab.

No geral achei um bom sanduíche, mas meio racionado. Não é um Pérola Negra, mas um belo hambúrguer e de bom tamanho, até achei que devia ter mais do que 160g como consta no cardápio, e mesmo um pouquinho cru no meio(coisa que não me atrapalha em nada, embora saiba de gente que iria chiar), é o ponto alto do hambúrguer que pode vir a ser mais que um barbudo com olho de vidro e perna de pau com moral para roubar a clientela da vizinhança.

Ficha técnica:

Henry Morgan

Ingredientes: 160 gramas de hambúrguer, alface, tomate e queijo prato. Acompanha batata frita ou batata chips.

Preço: R$14,00. É o preço médio, nem caro nem barato. Tem refrigerante garrafinha e lata, mas esqueci o preço, acabou rolando um pequeno acidente, aí, mesmo contra meus princípios, paguei uma cerveja, me perdi nas contas e ficou em pouco mais de R$26,00. Porra de cerveja cara!

Ponto alto: O ponto alto e o baixo estão bem próximos, é a aquele papo manjado da linha tênue do love-hate (como o povo gosta de tatuar nos dedos), a carne é boa, bem temperada, mas tem que estar no ponto mesmo. Batatas palito sequinhas e crocantes.

Ponto baixo:  O conjunto da obra estava meio seco, precisava de um molhinho ou um pouco mais de maionese mesmo. A carne um pouco crua no meio do hambúrguer e no geral poderia ser um pouquinho mais farto.

 Avaliação: C+

OBarba Hamburgueria fica na Avenida Vicente Machado, 578 – Centro.

 
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Publicado por em 05/10/2012 in Uncategorized

 

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Dom Corleone – Godfather

Dessa vez o chamariz que nos levou para esse test drive foi uma grande sacada dos donos do lugar. Já é comum alguns lugares fazerem promoções “double”, ou seja, pede uma cerveja e ganha outra, um chopp e ganha outro, um caipirinha e ganha outra igual. Coisa que nunca consegui compreender é porque não existe double de refrigerante, suco, chá … que diferença faz?
Fato é que fomos a um double de hambúrguer. Sim, você pede um sanduiche e ganha outro igual! Achei a ideia de comer dois hambúrgueres pelo preço de um mais interessante do que pagar só 50% do valor.
É visualmente mais legal, é divertido encher os olhos e depois a pança até quase não aguentar mais. Agora tive uma ideia e fica a dica: se for com uma gatinha(o) ou um amigo, cada um pode escolher um prato diferente e trocar o hambúrguer repetido, logo, vocês vão poder comer dois diferentes sanduíches pelo preço de um. Isso se você forem dois glutões, se não apenas um para cada vai estar de bom tamanho e vai sair barato.
Os dois sanduíches chegam juntos à mesa, achei que um ficaria esfriando, mas curiosamente, mesmo numa noite fria, o segundo não esfriou.

Saca só na foto quanta alegria.

O Dom Corleone é uma casa vermelha por fora e sem nenhuma indicação do que funciona ali quando não está aberto, dessas casas antigas lá na rua onde o povo acha legal tomar cerveja sentado na calçada (por que vocês fazem isso?), fora que a região também é bem conhecida pelos furtos, baladas, gente drogada, outros bares e etc…enfim.
O lugar, assim como o cardápio, é decorado com posters de filmes, tônica que se estende aos nomes dos hambúrgueres. No andar de cima tem mesa de sinuca, às vezes arredam as mesas para shows ao vivo. Na televisão sempre está passando algum filme, como é de se esperar, som ambiente rockabilly e uma garçonete simpática. É o resumo da ópera.
Mas vou começar a reclamar, é muito escuro para um lugar onde você vai comer, deve ter umas três lâmpadas de 40 watts para todo o bar. Não gosto de não conseguir enxergar o que estou comendo. “E se tem um cabelo?”, diria minha mãe. Não sou fresco para isso, normalmente tiro o cabelo e continuo comendo, mas quero ter o direito de enxergar o cabelo, e tudo mais que estou comendo. Mas foi só um exemplo, não tinha nada de estranho no sanduíche. Pelo menos não que eu tenha visto … rá-rá-rá!

O lugar não é uma hamburgueria, é um bar (segundo o foursquare) que tem hambúrgueres, então não acho que dê para cobrar expertise deles, mas não é que os caras tem as manhas? Tem até opções de troca dos disquinhos de carne, coisa que não tem em todos lugares. Eles oferecem opções para os vegetarianos, vegans e chatos afins, como hambúrguer de soja e também e a bizarra opção de vegetais (quais vegetais não diz) com parmesão no lugar da carne vermelha. Já ouvi falar bem dessa pedida, entretanto.

Pedi o Godfather com hambúrguer de carne, normal. A principal coisa que se percebe é que o cheddar predomina e que junto do tomate picado acaba meio que virando um molho. Sim, o tomate é picado e não em rodelas como de costume. O Poderoso Chefão é grande, mas o recheio/complemento é um pouco espalhado(as vezes escasso), isso faz com que cada mordia seja um pouco diferente, numa você pega mais tomate, na outra, mais bacon e menos tomate, e em outra umas batatas crocantes, cada mordida um sabor.
Não sei até que ponto isso é bom, é legal se surpreender a cada mordida, mas se tivesse mais bacon, mais mussarela (tirando no Fundae, sempre pode ter um pouco mais de queijo) e até um pouquinho mais da batata palha, você não precisaria caçar os sabores, eles estariam em todos os pedaços.
O pão é daqueles que devem ser distribuídos para vários locais, daqueles que tem gergelim que vão caindo ao longo da jornada. Quando você termina tem uns cem grãos no prato, na mesa, na sua mão, na sua cara… o pão não parecia muito ser do dia, ou tinha sido feito de manhã bem cedo, mas tudo bem, estava em tempo ainda.
Batata palha é uma coisa que quando era criança eu colocava em tudo quanto é comida, e embora eu continue basicamente com o mesmo paladar infantil, não acho mais tão gostoso assim, mas o bom é que o sanduíche fica crocante, e toda comida crocante é divertida!

Agora uma coisa engraçada sobre as carnes: elas não tem bem um padrão, o primeiro hambúrguer veio passado, o segundo, no ponto. Eles tem por volta dos 190g, mas vai de acordo com a mãozada do chefia da cozinha. O primeiro hambúrguer, o primeiro dos gêmeos bivitelinos, era menor e mais seco, era o irmão magrelo e sem graça, mas como tem o molho (molho = cheddar + tomate, coisas molhadas) como complemento, acaba nos engambelando e até quase esqueço o fato da carne ter passado do ponto.
O segundo hambúrguer, o irmão gordinho engraçado, era maior e rosadinho por dentro, suculento, da até pra ver na foto que está pingando no prato, assim como manda a cartilha do bom preparo do hambúrguer para deixar o cliente feliz.

Não está muito fotogênico, mas estava gostoso! Tem até umas cebolas ali, viu, é bem temperado, do tipo caseirão com sal, alho,cebola e quase certeza, uma pitada de pimenta do reino.

Ficha técnica:
God Father
Ingredientes: “Pão, Hambúrguer de Carne, ou soja, ou Alcatra, ou Vegetais com Parmesão, Cebola, Tomate, Bacon, Batata Palha, Cheddar e Mussarela. Acompanha batata frita”. Mas no double não acompanha batata.
Preço: R$15,00 + R$ 3,00 refrigerante lata. Tá na média do preços.
Ponto alto: A grande sacada do double às terças-feiras e o segundo hambúrguer maior e suculento.
Ponto baixo: A pouca luminosidade do lugar realmente incomoda para comer, e um pouco menos de cheddar e mais dos outros ingredientes seria legal.
Avaliação: B –

O Dom Corleone fica na Rua Paula Gomes, 296, no São Francisco. Funciona de terça a sábado das 19h até sei lá que paneladas da madrugada. (41)3353-6626.

 
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Publicado por em 05/03/2012 in Uncategorized

 

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Dom Corleone – Trainspotting

Mas o que tem a ver o Poderoso Chefão com a belíssima obra de Irvine Welsh adaptada para o cinema por Danny Boyle, vocês me perguntariam, alheios ao fato de que isto não é um blog sobre cinema e à existência do simpático Bar Dom Corleone que outrora ocupou um lúgubre e escuro ponto da Constatino Marochi, no Juvevê e hoje situa-se no tão hypado São Francisco, na rua Paula Gomes, pertinho d’O Torto, estabelecido enfim como mais uma hamburgueria a disputar o cinturão do quarteirão mais palatável aos apreciadores da invenção alemã aperfeiçoada no continente americano.

Pelo que me consta, o estabelecimento que hoje é frequentado pela galera rockabilly, punk e skinhead antes era uma locadora de vídeos (sim, vídeos, meu filho, era como o papai e a mamãe assistiam filmes em casa antes de você nascer). Por isso, o lugar é decorado com alguns pôsteres muito bonitos, como o do já citado filme Trainspotting, Johnny e June e outros referentes ao universo iconoclasta e badass que o ambiente sugere. Por essa razão também o cardápio, ilustrado com frames de filmes do cineasta Pedro Almodóvar (com certeza menos badass, mas ainda assim mutcho loko e digno de todo o nosso respeito), leva em seus pratos nomes de filmes famosos. Entre eles o já duplamente citado Trainspotting, minha escolha do dia, que não era um dia qualquer. Acontece que na terça-feira acontece algo mágico no Dom Corleone: o Double de hambúrguer, algo que é ainda mais sensacional e desafiador do que meramente pagar 50% do preço dos pratos. É exatamente o que o nome sugere: você paga um e recebe outro hambúrguer instantaneamente. A parte ruim é que as batatas fritas que normalmente acompanham todos os lanches ficam de fora da promoção, insinuando um condescendente “aí você quebra a firma do parceiro!”. Mas não tem problema, sempre é possível pedir batatas fritas se o estômago se julgar forte o bastante para aguentar um lanche dobrado (o que não foi o nosso caso). Queríamos experimentar esse esboço de orgia gastronômica em plena terça-feira à noite, então lá fomos e eis o meu pedido:

Dom Corleone

O Trainspotting é um dos hambúrgueres mais básicos do cardápio. É o popular cheeseburger com cebola e molho (falaremos dele depois). Primeiramente – e eu sei que esse é um exercício de abstração que não é dos mais fáceis, mas peço o esforço da tentativa – imagine o abalo psicológico do cidadão ao receber dois pratinhos com dois colossais hambúrgueres cuja consumação está completamente sob sua responsabilidade. Eu, pelo menos, senti-me um Sísifo por antecipação, consciente da minha incapacidade de vencer o trabalho hercúleo e pírrico (para fazer mais duas citações à história antiga), mas respirei fundo, afrouxei o cinto e dei a primeira mordida.

Bom, eis que agora me deparo com uma situação no mínimo curiosa. Como vocês sabem, existiram dois hambúrgueres, mas não eram clones. Um deles estava bom, o outro estava ruim – corroborando a suspeita frenopática que atesta invariavelmente a existência de um gêmeo mau. Quer dizer, não estava ruim per se, estava ruim por comparação direta. Digamos que temos aqui um hambúrguer ideal, weberiano, e um hambúrguer do reino dos homens, com suas falhas de caráter, um hambúrguer que cede e perece ante a inexorabilidade do tempo, um hambúrguer shakespeariano, se preferir. Bom, um modelo é uma mentira que nos ajuda a ver a verdade, já dizia o famoso patologista e prêmio Nobel de medicina australiano Howard Florey, de modo que falemos do hambúrguer “bom” para entendermos o “ruim”.

Algo inerente aos dois sanduíches, porém, é o pão, topo de tudo, inclusive da nossa análise. O pão do Dom Corleone não é (ou não parece, mas não parece de jeito nenhum) um pão caseiro. É um pão comprado, e como todo pão comprado para estabelecimentos comerciais, passa por todos os percalços da gerência de alimentos que qualquer estudante do segundo ano de Turismo conhece. De modo que a estocagem e a rápida vazão são as mais importantes da lista, e o pão em questão tinha um gosto que remetia ao daquele que permanece alguns dias no limbo da dispensa antes de ser sacado pela boa mão do chef. Massudo como é, e não-caseiro como é, o pão não é um ponto alto do Trainspotting, mas mesmo assim tive uma experiência agradável de nostalgia, porque o sabor daquele pão, em combinação com o molho secreto à base de maionese remeteu-me à minha infância de hambúrgueres caseiros, quando o que se vendia no mercado era um tanto melhor do que há hoje, e minhas tias de Lorena preparavam-me pantagruélicos banquetes de hambúrguer regados a muita maionese e caprichados nos pães massudos comprados no armazém da esquina.

A principal razão dessa associação foi o molho do Trainspotting. Por mais que não se saiba ao certo os ingredientes (embora seja possível distinguir um pouco de gosto de mostarda e maionese), o importante é o estado de abundância em que o encontramos. Penso assim: o molho e a salada de um sanduíche são como o baixo e a bateria de uma banda – parte instrumental comumente chamada de cozinha. Estão lá principalmente para compor o pano de fundo musical protagonizado pela guitarra e vocal, instrumentos mais apreciados pelos ouvidos. Quando num sanduíche, como o Trainspotting, o chef resolve carregar no molho, está querendo mandar uma mensagem. Quer parar de fazer punk rock e começar a fazer funk metal. Dessa forma, o baixo, tão coadjuvante quanto um DeeDee Ramone, vem para a frente e se torna ativo como um Flea, um Les Claypool, um Stanley Clarke, um Charles Mingus, o que seja, quer jogar no ataque também. E é a isso que o molho secreto do Dom Corleone serve. Na ausência do tão onipresente alface, faz uma tabelinha na grande área com a carne e o queijo para botar nossas papilas gustativas para trabalhar. E a tática dá certo: o molho confere ao bolo em processo de mastigação, a sensação coloidal que só um legítimo coloide poderia validar. É essa a sensação que buscamos no hambúrguer, e é por isso que comemos hambúrguer e não granola. Quero uma comida budista, que quer se tornar um só com o todo. Yeah!

E o queijo? Bom, a qualidade do queijo pode ser atestada na própria foto. Enquanto um queijo está bem derretido, fresco e entrando em comunhão com o molho, o outro está frio, mal derretido, semi-transparente e pálido como um pedaço de placa dentária posta sobre a carne. No hambúrguer ideal, o queijo está excelente, harmônico e solidário com os outros ingredientes. No hambúrguer shakespeariano, o queijo é egoísta, um queijo yuppie, pós-moderno, preocupado apenas em cuidar de si mesmo mal percebendo que nem isso faz direito. Não precisamos de queijos negativistas por essas bandas.

Eis que chegamos então ao protagonista da história que, no final das contas, é o que menos serve como base de comparação. Acontece que todo mundo que se presta a montar uma hamburgueria sabe (ou suspeita ou está piamente convencido) de que sabe fritar um hambúrguer, e que o resto, ante sua destreza divina, são detalhes que se aprimoram ao longo do tempo. Por isso, a carne é quase sempre o indiscutível num hambúrguer cá comentado. A carne do Dom Corleone é excelente, maaaaaaaaaas, como eu disse, há um gêmeo mau entre nós. No hambúrguer shakespeariano, a carne não estava rosada, não segurava seus sucos vitais e logo esfriou (e olha que foi o primeiro que comi). Diante dessa última característica do raio-x de nossa espécime malévola, começo a formular uma suspeita: um dos hambúrgueres foi inteiramente montado com ingredientes do dia anterior. Como fomos as primeiras pessoas a chegar no lugar e pedir os primeiros pratos da noite, um deles acabou sendo feito com carne congelada e queijo já cortado. Eu acho. Só isso explica, porque o outro hambúrguer deixaria Weber orgulhoso de ver seu Gedankenbild materializar-se ante seus olhos. A carne ideal é macia, suculenta, mantém-se quente por mais tempo (algo muito importante agora que o inverno está chegando. Brrr, brace yourselves), segura líquidos vitais (vitais para o animal que já morreu, mortais para nós que estamos vivos) e mantém um leve tom roseado em seu interior, digno dos campeões da terrible cuisine. E o melhor: tudo isso por apenas míseros nove reais!

Ah sim, não resistimos à brincadeira de tirar uma foto de todos os nossos quatro hambúrgueres quando estes chegaram. Dê uma olhada e divirta-se como nós nos divertimos com essa missão.

Ficha técnica:

Trainspotting

Ingredientes: Pão, hambúrguer (a garçonete jura que é de 190g, mas eu acho que é uma mãozada instintiva que gira em torno dos 150, 170g), molho especial, cebola e mussarela.

Preço: R$9 + R$3 do refrigerante lata. Sério, é uma pechincha e se você discorda, você tá errado.

Ponto alto: Molho que joga no ataque, carne saborosíssima, queijo em consonância com o universo. Tudo isso no hambúrguer bom. Sem falar na promoção irresistível. Vale a visita.

Ponto baixo: Diante da presença de um gêmeo do mau, diria que o ponto baixo é um só: irregularidade. E o pão poderia ser mais gostoso.

 Avaliação: B-

O Dom Corleone fica na Rua Paula Gomes, 296, no São Francisco. Funciona de terça a sábado das 19h até sei lá que paneladas da madrugada.  (41)3353-6626.

 
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Publicado por em 04/26/2012 in Uncategorized

 

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Hamburgueria do Vicente – Pesto Mio

A Hamburgueria do Vicente foi uma missão especial para nós. Pela primeira vez, deixamos nossa caminhada peripatética até alguma hamburgueria dentro de nossas cercanias e nos aventuramos automobilisticamente Vicente Machado acima para encontrar o que muitos apontam como uma das melhores casas da cidade especializadas em carne moída no pão do jeito estilizado e compactado que só quem tem ginga na meia-cancha sabe. Pegar o carro para ir até o bairro vizinho e comer um hambúrguer é marca de profissionalismo na minha humilde porém infalível opinião.

A Hamburgueria do Vicente, além de ser mocada numa casinha que em pouca coisa se parece com um estabelecimento comercial – quando muito o cartaz no muro ao lado (vide foto abaixo), tem um estilo dúbio de decoração: um flerte entre o popular e o refinado. De um lado, grades na janela e uma logo que mais parece logo de trailer de hamburgão nervoso com slogans escritos na mesma fonte do Burger King (como se os símbolos das duas lojas já não guardassem terríveis semelhanças): do outro, cardápios chiques, mesas e sofás feitos sob medida e um preço que obviamente não foi feito para quem chegou ali de ônibus. Algo que provavelmente passa por uma evolução do conceito de “rústico chic”, que fez a cabeça da galeria ligada em gentrificação e remodelações urbanísticas a partir de construções degradadas. Obviamente, o próximo passo lógico dessa reciclagem imobiliária era repaginar as casinhas que você ganhava no peão da casa própria, então cá estamos!

O cardápio do recinto, como já foi falado, é variado, o que, em parte me levou a escolher o lanche que escolhi. Ora, não vim de tão longe para comer o feijão-com-arroz em forma de hambúrguer, vim ver o que há de transgressor na cozinha do Vicente. E, amigo, o Pesto Mio é pra lá de transgressor. Afinal, não é todo dia que a gente vê um hambúrguer com molho pesto, tomate e coberto com uma generosa camada de queijo provolone semi-derretido. Veja com seus próprios olhos:

Convenhamos que a apresentação do prato é bonita, com o tradicional matinho e tomatinho decorativo e uma cobrinha de vinagre balsâmico mas, vem cá: que batatinha afetada é essa que me deram? Vejam, a forma como certas comidas se apresentam fazem toda a diferença. Comer um x-picanha com picanha picada dentro de um pão certamente é diferente de comer um pão com um pedaço inteiro de picanha dentro (a experiência exige caninos treinados em anos de evolução predatória), assim como comer macarrão com pão italiano é diferente de comer macarrão com torradas. Essa batatinha chips que acompanha o lanche é a típica invenção fora de hora, que urge do âmago do inventivo chef que não suporta ficar duas semanas sem inventar moda. Ou, vai saber, alguma memória deturpada da infância – do mesmo tipo que faz o cara comer algo que objetivamente não é gostoso só porque tem “gosto de infância”, tipo, sei lá, acerola. Mas definitivamente não é algo que combine com um lanche suculento e gorduroso como um hambúrguer. Guarde suas chips para suas saladinhas insossas, amigão.

O pão esconde embaixo de si suas surpresas, e a carne também. Falemos delas, mas primeiro, dê uma olhada nessa foto:

Hamburgueria do Vicente

Primeiro, observe a maciez que os corpos cavernosos nesse pão sugerem à superfície. Esse tipo de coisa não se consegue com um pão que não é fresco. Esse pão foi assado provavelmente há pouquíssimas horas antes de vir parar nas minhas entranhas, e boa parte do big picture do hambúrguer se ganha no pão – porque veja, comprar um pão no supermercado, cortá-lo e colocar um hambúrguer dentro, isso qualquer um faz. Mas o cara que quer dominar a arte da hamburgueria tem que passar umas horas amassando o pão que faz a raça. E como vocês sabem, todo BOM restaurante italiano hoje em dia tem a sua padaria – senão dentro do restaurante, alguma conveniada onde pode pegar mercadorias fresquinhas. Mas esse pão não é de todo uma perfeição. Para quem dispensar os talheres e se aventurar a comê-lo com a mão – me perdoem, mas o propósito de John Montagu ter inventado o sanduíche foi justamente poder comê-lo com as mãos – vai encontrar um farináceo em seu porão. Como não pedi nenhum ciabata ou coisa que o valha, o farelo (provavelmente a base de milho, a julgar pelo seu tom amarelado), é um indicativo de forma excessivamente untada, e a culinária, na minha opinião, não se faz encobrindo os erros nivelando tudo por cima: há de se saber encontrar o ponto ideal a que apenas a prática repetida pode alcançar.

O queijo é uma deliciosa surpresa. Eu mesmo que nunca fui muito fã de provolone, espantei-me de ver o quão bem ele se encaixa com a tessitura umidamente árida do molho pesto. Normalmente acompanhado de queijos secos, como o pecorino ou o parmesão, o pesto é o cátodo que pede um anodo em forma de consistência e ligadura que geralmente é correspondido pelas massas. Mas o provolone, capaz de soltar seus óleos quando quente sem contudo perder sua propriedade sólida, funciona como um sistema de irrigação que aflora o sabor do condimento lígure, dando a ele uma propriedade quase etérea, como se a função do pesto fosse, com o perdão do trocadilho, pestear não a comida, mas nosso olfato a se perceber mais impregnado pela mistura de manjericão, azeite, alho e outros segredos. Diria que, entre o vasto universo dos queijos que se poderiam ter usado para compor o Pesto Mio, o provolone foi o mais acertado.

Mas afinal, e a carne? Bom, a carne, como vocês podem ver na foto acima mais uma vez, a carne tem um teor considerável de gordura (em torno de 15%, se eu tivesse que chutar) mas, mesmo assim, os sucos vitais se vão, deixando apenas o sabor numa carne surpreendentemente mais seca do que deveria ser. Veja, com 15% de gordura na carne, eu não espero nada menos do que uma bexiga de carne liquefeita exalando aromas inebriantes e escorrendo sangue e água corpórea. Se o sujeito deixa a carne passar do ponto – não necessariamente deixar bem passada, mas apenas passar do ponto que manteria essas condições ideais do hambúrguer – o valor da carne com gordura se perde em reações exotérmicas de cozinha barata e todo mundo sai perdendo: o chef perde em dinheiro e em reputação, eu perco em sabor e expectativa. Mesmo assim, a carne não é ruim e não é passada demais, mas é boa e levemente irrigada com o óleo do provolone.

Ah sim, o prato vem também com um potinho de maionese todo enfeitado. Como se fosse a coisa mais chique do mundo comer maionese. Na verdade, a maionese em questão é bem desagradável, com um sabor acentuado de cebola e limão, só fazendo sucesso mesmo com quem é do time da tampinha verde. Para as pessoas normais do juízo, é só uma maionese ruim.

Ficha técnica:

Pesto Mio

Ingredientes: Pão especial (especial mesmo), hambúrguer do Vicente (shame on you, seu Vicente), molho pesto, tomate, e muito queijo provolone derretido.

Preço: R$19,80 + R$ 3,20 refrigerante lata. Geralmente reclamaria desse tipo de preço, mas o Murilo está me ensinando a não reclamar do preço alto da carne porque, enfim, a carne já cobra seu preço alto na vida de outros animais. Uma compensação kármica/capitalista, se preferir.

Ponto alto: Pão excelente, combinação perfeita entre provolone e molho pesto e uma decoração apresentável. A carne também é saborosa.

Ponto baixo: Carne seca, batatinha chips afetadas e um preço salgado (tá, ainda tô reclamando do preço)

 Avaliação: B-

A Hamburgueria do Vicente fica na Av. Vicente Machado, 1.927 – Batel. Funciona de terça a sexta das 11h30 às 15h e das 17:30 às 23h30. Sábados e feriados das 12h às 23h30 e domingos das 13h às 22h.  (41) 3024-4171.

 
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Publicado por em 04/20/2012 in Uncategorized

 

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Hamburgueria do Vicente – Double

A Hamburgueria do Vicente é das mais antigas e acho que a primeira hamburgueria dessa leva de hambúrgueres bacanudos que hoje (felizmente) são moda em Curitiba.

Uma das primeiras coisas que pensei foi: “Que lugar bonito”, não tem cara de lugar da moda, não é cheio de enfeites, não é meio escuro e com cara de pré-balada, não tem aquele lance meio underground, meio rock and roll como o Don Corleone, Barba Negra, ou o Rock’a Burger.
Lugar bem frequentado, famílias que parecem vindas de alguma propaganda de televisão, galera jovem no estilo Malhação e agora também a plebe rude (nós). Apesar do público bem Batel e não ser a minha cara, eu levaria meus pais lá (se eles comessem essas porcarias que tanto gostamos), minha namorada (se eu tivesse uma), e até meus filhos uma vez por semana (se também os tivesse).
Confesso que gosto muito mais de um lugar assim do que os outros citados no parágrafo anterior, é muito mais tranquilo, menos barulho, as pessoas vão para comer e conversar, não para ficar reparando na garota de regata lésbica, bêbada e de cabelo parcialmente raspado, ou se o cara da mesa ao lado tem mais tatuagem de marinheiro que o outro, essas coisas para as quais não tenho mais idade nem paciência.

Enfim, vamos comer!
São 15 diferentes opções de hambúrgueres, o Vicente não está para brincadeira, são especialistas no negócio e a parada é leva a sério. Ingredientes selecionados, acompanhamentos produzidos por eles mesmos e algumas opções únicas fazem parte do repertório dos caras.

Escolhi o Double, nem tinha pego o cardápio e já tinha escolhido pela foto no papel na mesa, como boa criança, tenho o olho maior que o estômago e escolhi pela cara e pelo tamanho.

Nossos dois sanduíches ficaram prontos em apenas 6 minutos, e detalhe para a boa apresentação do prato. Esses detalhes de apresentação são legais, faz parecer que o prato foi feito individualmente mesmo sendo produzido em série.

Chega à mesa os dois andares de hambúrgueres que poderia ser chamado de X-Montanha (se o Seu Zé do Montesquieu sabiamente já não tivesse se apropriado do nome).
No caso do Double é humanamente impossível comer com as mãos e colocar tudo aquilo na boca de uma vez, a menos que você tenha uma boca de caçapa ou consiga deslocar a mandíbula feito uma cobra.

Acho que o Vicente e eu temos uma divergência sobre a definição de uma carne “no ponto”. O no ponto deles pra mim já está praticamente bem passado. Então foram 340 gramas de carne bem passada, mas ainda assim bem boa, acompanhada de bastante queijo e catupiry quentinho (já repararam quantas vezes, normalmente em cachorro quente de rua, o catupiry vem frio, aí você come aquela parada gelada e quente ao mesmo tempo? Não é legal).

O pão é produzido por eles mesmos com “levedos naturais” e tem gosto de pão caseiro, mas por causa das leveduras especiais ele fica mais leve e aerado, e um puquinho quebradiço.
Contudo, por ter gosto de pão caseiro eu ficava imaginado aquele pão aqui em casa, quentinho, com a margarina derretendo (tipo pão que a mãe faz …rolou um momento saudosista) e não no sanduíche.
O ponto fraco é o bacon cortado em pequenos pedacinhos, precisei fazer uma incisão no bicho para descobri-lo entre os dois hambúrgueres, pois quando comecei a comer fiquei na dúvida se o raio do bacon estava lá ou não.
E convenhamos, quem pede dois hambúrgueres desse tamanho, com um monte de queijo, não está preocupado com a saúde e espera que o bacon seja proporcional. Umas duas tiras pelo menos, vá!

Acompanhamento de batatas fritas palito, crocantes, douradas e sequinhas, padrão Classe A.

Outro ingrediente preparado por eles e exclusivo, é a maionese (ah, mas até o Come-Come tem a sua própria maionese, sinistra por sinal).Uma maionese basicamente com gosto de cebola, como não curto muito cebola, deixo passar.

O lugar começou a encher, os garçons começaram a passar mais vezes perguntando se estava tudo certo, se queríamos mais alguma coisa, tenho a leve impressão que queriam que nós desocupássemos o lugar.

Uma última observação: lembram que comentei dos pequenos guardanapos do Mustang Sally? Pois aqui o guardanapo é gigantesco, tipo 40x40cm. Mas não coloquem na gola da camiseta como um babador, vocês estão no Batel, finjam que tiveram aulas de etiqueta. O guardanapo é para embrulhar bem o sanduíche e comer sem se sujar.

É o melhor? Não acho que seja o melhor.
Mas é bom? Claro que é!!

Ficha técnica:

Double

Ingredientes: “Pão especial, 2 hambúrgueres do Vicente (170gr cada), queijo catupiry, bacon, cebola, picles, tomate, alface, e a exclusiva maionese do Vicente.”

Preço: R$23,80 + R$ 3,20 refri lata (salgado heim!) – Dei uma de Mr. Pink e não dei gorjeta e não paguei os 10%, que são opcionais.

Ponto alto: Ambiente, variedade de opções, bons ingredientes, apresentação dos pratos…

Ponto baixo: Bacon discreto demais da conta e carne passada do ponto.

 Avaliação: B

A Hamburgueria do Vicente fica na Av. Vicente Machado, 1.927 – Batel. Funciona de terça a sexta das 11h30 às 15h e das 17:30 às 23h30. Sábados e feriados das 12h às 23h30 e domingos das 13h às 22h.  (41) 3024-4171.

 

 
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Publicado por em 04/12/2012 in Uncategorized

 

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Rock’a Burger – Rock’a Burger

Sabe quando você está abatido, meio ferrado depois de dias longe de casa passando mais tempo na estrada do que dormindo, estômago meio zoado, coração levemente partido … quando você só quer algo que te faça bem, poderia ser uma massagem, um novo jogo de vídeo game… Mas no caso de hoje, e aproveitando o propósito do blog, fui me fazer um agrado comestível. Ah, o prazer e a satisfação de comer algo legal!

Para tal, fomos no Rock’a Burger.
O Rock’a Burger fica naquela região do Brooklin Café, perto do Wonka, O Torto e adjacências, lugar de circulação do povo descolado, onde todo mundo é meio parecido  e tem cara de publicitário. Particularmente acho aquela região uma porcaria … enfim, isso não vem ao caso, fato é que o Rock’a (Roca! )me foi uma boa surpresa.

Quase na esquina. Pequeno, interessante e até simpático. Embora tenha aquele ar de retrô, e eu ache um saco essa onda retrô moderna de pin ups (pin up gordinha você é terrível!) e afins, confesso que gostei do lugar, acho que por ser pequeno,  poucas mesas, quadros de filmes legais nas paredes, sonzinho rockabilly de background, na televisão passando um filme em preto e branco, atrás do balcão tinha uma pequena coleção de filmes que vai do De Volta Para o Futuro até Sexta Feira 13 parte 2, ou seja, tem até distração se estiver comendo sozinho.
Lembram da Memphis Hamburgueria que a televisão estava ligada no BBB e depois numas musicas comerciais (comerciais pra não dizer ruins)? Detalhes, galera dos estabelecimentos, detalhes fazem a diferença!
Uns 10min, uma coca-cola pela metade e o prato chega.

“Que pão macio!” Foi minha primeira constatação, ao pegar o bicho na mão, antes mesmo de começar a comer.  Esse foi o melhor pão que encontramos por aí até agora. Ponto super positivo, ainda mais para quem como eu tem o pão como base da alimentação.
Como bem disse a garçonete, o mexican souce (um molho que vem junto e se mistura com o cheddar), é muito suave, quase imperceptível mas perceptível, sabe como é!? Acho que por ser suave mesmo, eles oferecem o opcional de jalapeño, para quem é cabron e gosta de coisas mais apimentadas. Pimenta é uma parada que pra mim não rola, não consegui comer nem aquela batata pringles de jalapeño. Sim, sou um fracote para condimentos mais fortes.
Ah, o hambúrguer, que bela mãozada de carne, não tinha e nem precisava ter o formatinho perfeitinho de disco, estava muito bom, com um leve rosadinho dentro, suculento(gordura da carne também serve para isso, além de entupir as artérias), temperado e as vezes até com um gostinho da chapa pra dar aquele gosto de rock, underground, tosco, bom!

Eu nunca tinha visto um alface naquele tom de verde, estava muito bonito, mas o gosto era o mesmo sem graça de todo alface.
Nas primeiras bocadas achei que um sanduiche seria pouco, que teria que comer mais alguma coisa, mas do meio para o fim fui ficando saciado, quase não aguentando as batatas.
É, o Rock’a Burger me deixou ir embora satisfeito e pançudo como o Senhor Barriga, pronto para cobrar o aluguel. Mas agora no começo da madrugada já estou pensando em comer mais alguma coisa … acho que outro Roca desses cairia bem e me deixaria feliz mais uma vez.

Fazendo uma comparação, o Rock’a se equipara ao JPL, que está entre os melhores e custa quase vinte reais. Então o Rock’a  ganha por ser mais barato e tão bom quanto, grata surpresa.

Como nem tudo é alegria nessa vida, chegamos ao ponto fraco, que não é no hambúrguer, é o acompanhamento, no caso a batata frita (mas também pode ser onion rings, você escolhe o acompanhamento) meio mole, pálida, quebradiça, daquelas que você pega no buffet do restaurante por quilo, ou no china pagando mais 1,50 no PF.

As fotos ficaram muito ruins, esqueci a câmera e o celular não segurou muito bem a onda. Mas é o que tem pra hoje!

Ficha técnica:

Rock’a Burger

Ingredientes:  Hamburguer de picanha (150g), queijo cheddar, alface, tomate e mexican sauce.  Jalapeño a parte. Acompanha French Fries ou Onion Rings.

Preço: R$13,00 + R$2,50 refrigerante lata. Vale bem a pena.

Ponto alto: Simples: preço e gostosura!

Ponto baixo: Diferente do sanduiche, o acompanhamento de batata frita não é dos melhores.

Avaliação: B +

O Rock’a Burger fica na Rua Trajano Reis, 310, no São Francisco, e funciona de terça e quarta, das 18h à meia-noite, quinta à sábado, das 18h à 1h30, e domingo das 17h às 23h. (41) 3095-5854.

 
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Publicado por em 03/31/2012 in Uncategorized

 

Rock’a Burger – BBQ Burger

A pergunta é óbvia, mas a resposta não é: já parou para pensar porque as pessoas saem de casa e procuram um estabelecimento que se auto promove sob a categoria “comida caseira”? Por mais paradoxal que isso possa soar, faz completo sentido nesse mundo maluco pós-moderno em que a grande indústria faz questão de padronizar tudo para paladares que, do Oyapock ao Arroio Chuí, têm seus caprichos, predileções e individualidade, se acostumem com a mesma massa amorfa de comida acinzentada, eximida de cromatismo e textura, de carinho e de amor, de toque humano e ternura. E — agora vem o paradoxo de verdade — a busca por “comida caseira” padronizou o próprio conceito de comida caseira, embora eu possa garantir que sua mamãe não faz o t-bone que meu pai faz. E a comida caseira não é, a rigor, requintada, o que faz com que a busca pela comida caseira seja também a busca pela ternura, pela comida fresca feita não do jeito acadêmico, da haute-cuisine, mas a comida que é reinventada no dia a dia, às vezes com falhas, às vezes com desleixo, mas sempre com autenticidade.

Da mesma forma, trazendo a questão para o nosso micro universo, porque saímos de casa para procurar um bom hambúrguer artesanal, quando brotam McDonalds por aí e uma caixa com doze discos de carne custa míseros quatro reais? Bom, poucas comidas carecem mais de ternura e excelência caseira do que o hambúrguer, e o hambúrguer do Rock’a Burger é um desses que te fazem lembrar porque, afinal, deixar o conforto do lar.

O estabelecimento é relativamente novo, abriu ao lado do Blues Velvet, a poucos metros do Brooklyn Coffee Shop, do Dom Corleone e do Madero do Largo da Ordem, então o sujeito tem que ter cacife pra entrar nessa briga de cachorro grande. Pequeno, sim: oito mesas e um balcão para ficar de pé na calçada tomando chope e dividindo seus cigarros e bebidas com crackheads habituées do quarteirão. Na parede e no cardápio, pin-ups gordinhas e filmes thrash de outras décadas, como O Dia em Que a Terra Parou e O Ataque da Mulher de Quinze Metros, além de um filminho preto-e-branco rolando na TV: na ocasião, o clássico do Mankiewicz, A Malvada. Como o espaço e a decoração, o cardápio também é diminuto no quesito hambúrgueres. Meia dúzia de opções e lamba os beiços, e ainda a opção de pedir qualquer um sem pão. Eu sei, também não entendi, mas tem até gente que curte finalizar fliperama de dança, por que não haveria gente disposta a comer hamburguer sem pão?

Enfim, vamos ao petardo de hoje. Tadá, eis o BBQ Burger.

Amigo, dá uma olhada nessa carne! Dá uma olhada nessa língua de bacon, dá uma olhada nesse pão que parece a cabeça de um goomba do Mario Bros. Isso é genuíno.

Bom, antes de mais nada, preciso ser honesto e dizer que quando essa foto foi tirada eu já tinha comido metade das batatinhas, a porção é um pouco mais servida do que isso, mas não muito.

BBQ, para quem não é versado na língua saxônica, é a abreviação de aeroporto (daquelas que não é bem uma abreviação, mas uma sigla aleatória e mnemônica) de Barbecue, que é o que o equivalente americano de churrasco. Por churrasco, eles querem dizer hambúrguer e salsicha na grelha. Triste ver que na maior potência do mundo o ritual culinário carnívoro que aqui demonstra poder e ascensão social  não é mais que uma esquete do patético modo de vida americano, em que você gasta todo seu dinheiro com carro e come carne de segunda aos fins de semana. E, vejam só vocês, na busca por esse gosto nostálgico do “churrasco” de fim de semana, a indústria alimentícia ianque padronizou uma invenção muito provavelmente mourisca batizada de molho barbecue, que basicamente é ketchup com gosto de fumaça. E é não só em referência à carne de churrasco americana mas também ao dito molho que o chef do Rock’a Burger batizou sua obra. O sanduíche é composto de hamburguer, mussarella, bacon, cebola grelhada e molho barbecue.

Comer um BBQ Burger é como apreciar o quadro Noite Estrelada Sobre o Ródano, do Van Gogh: é uma obra que, a princípio, causa assombro pela densidade, mas aí se percebe que naqueles traços bruscos e retos há fluidez, ritmo, sensibilidade e o que era denso e aparentemente impenetrável se torna parte de você e lhe permite viajar por dentro da obra enquanto a obra viaja por dentro de si. Para ninguém ver que eu estou mentindo, aqui está:

Noite estrelada sobre o ródano

O hambúrguer se ganha, antes de mais nada, no pão. Um pão bem macio e fresco pode dar um up no sanduíche, ao passo que um pão seco e esfarelento pode ruir até mesmo uma carne boa. E esse pão é macio e fresco, então começamos bem.

Essa montanha de carne que você pensa que só subtrairá alguns preciosos milímetros do ducto coronário se mostra um maná, repleto de água, sucos vitais de algum bovino que não morreu em vão e carinho de um cozinheiro paciente que não fica espremendo o bolo contra a grelha. A carne usada tem um teor de gordura que eu chutaria girar em torno de uns 15%, o que é uma porcentagem ótima pra fazer hambúrguer: nem muito magro, nem só gordura. A gordura é essencial para reter o líquido e o sabor depois que perde tamanho e água no fogo quente.

A cebola grelhada ao molho barbecue é outra sacada da composição. Já está provado que o brasileiro tem predileção por cebola picada e grelhada em molho agridoce, como a cebola ao shoyu do Cheddar McMelt — uma invenção brasileira, se vocês não sabem. Fica ao fundo, sustentando o sabor da carne, prolongando-o nas pontas, no começo e no final, e colocando mais textura e luz, como o Ródano no Van Gogh.

Agora, o bacon é uma grata surpresa. Confesso que não fiquei muito animado com o aspecto mal passado dele, mas estava no ponto: nem borrachudo nem esturricado. crocante apenas por fora. Foi o bastante para me tontear na rua a caminho de casa. Não coma se tem problemas cardíacos.

Duas pequenas críticas se fazem necessárias, e são visíveis: a primeira, obviamente é o queijo, uma camada fina e transparente que mais parece um pedaço de plástico derretido. Generosidade não parece ser uma virtude ausente no Rock’a Burger a julgar por todo o resto, então há de se investigar o porquê de tão pouco queijo? Será para não deixar over, enjoativo? Vai saber. A outra são as batatinhas muchibas, do tipo restaurante self-service, que se quebram e se auto-detonam ao toque mais brusco. Não que sejam horríveis nem nada, mas sempre fico esperando uma batatinha como a do Mustang Sally. De qualquer jeito, um problema menor, já que estamos ali pelo hambúrguer, e saí do Rock’a Burger mais disposto a dar chance para os novatos e mais satisfeito por ter saído de casa em busca de um bom hambúrguer. Ponto pra casa.

Ficha técnica:

BBQ Burger

Ingredientes: Hambúrguer de picanha (150g), queijo mussarella, bacon crocante, cebola grelhada e molho barbecue. Com batatas fritas

Preço: R$13. Uma pechincha, na minha opinião.

Ponto alto: Preço bom, sanduíche grande, bacon na medida certa e pão macio.

Ponto baixo: Batatas murchas e pouco queijo.

Avaliação: A (apesar dos pontos baixos, ainda é um excelente sanduíche).

O Rock’a Burger fica na Rua Trajano Reis, 310, no São Francisco, e funciona de terça e quarta, das 18h à meia-noite, quinta à sábado, das 18h à 1h30, e domingo das 17h às 23h. (41) 3095-5854.

 
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Publicado por em 03/25/2012 in Uncategorized

 

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